“A história de todas as sociedades até nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, sempre estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma batalha ininterrupta ora aberta, ora dissimulada, uma luta que terminava sempre com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com a destruição das duas classes em luta.”
(Manifesto do Partido Comunista – Ed escala, pág. 47)
Por causa das ideias no Manifesto do Partido Comunista, muito sangue já foi derramado desde 1884, quando este documento foi escrito por Marx e Engels até nossos dias. Aquela foi uma época de muitas revoluções, convulsões e transformações sociais. O mundo ficou dividido em dois blocos: Capitalista e Socialista, até o final do século XX, quando as nações revolucionárias se enfraqueceram e o regime socialista sucumbiu em quase todo o mundo. O ponto fraco das revoluções sociais é que buscam mudar o mundo de fora para dentro, buscam mudar a estrutura sem, contudo, mudar o interior do ser humano. É uma revolução imposta, que vem de fora para dentro, vem pela imposição de uma cartilha. Assim, as pessoas aderem não porque foram convencidas, mas porque foram vencidas.
Na Bíblia, as Bem-aventuranças e o Sermão do Monte são o “manifesto cristão” sobre a razão e os objetivos do Cristianismo. Se queremos compreender a Deus e o Cristianismo, precisamos compreender corretamente esse texto que se encontra nos capítulos 5 a 7 de Mateus. As ideias de Jesus são absolutamente revolucionárias.
“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.” Mateus 5:3-6
Quem sou eu ?
- Thiago Oliveira Braga
- Capital do Ceará, Ceará, Brazil
- cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.
domingo, 24 de outubro de 2010
Manifesto do Partido Comunista
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Reflexão
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
É, eu sei. Já passaram 29 anos.
Como a freqüência no nosso blog é rotativa, tenho que voltar a alguns temas recorrentes. Um dos assuntos que gosto de registrar aqui são motivos que nos levam a celebrar.
Hoje pra mim é um dia especial. Para quem não sabe dia 20 de Outubro é meu aniversário. Sim, 29 anos. 29 anos de vida. Vinte e nove. Eita lasquera. Vinte e nove anos felizes.
E escrevo essa mensagem com grande alegria no coração, pois o ano de 2010 foi um ano que tive oportunidade de fechar alguns ciclos e iniciar outros. Terminar e iniciar faz parte da dinâmica de todos nós. Mais cedo ou mais tarde vamos nos deparar com essas etapas.
Mas tenho vivido com muita alegria todos eles. Não tenho tido medo de fechar ciclos, e muito menos de iniciá-los. Mas confesso que tem horas que bate um certa insegurança do que virá daqui pra frente.
2010 foi o ano que finalmente eu me formei. Com certeza essa conquista não pode deixar de ser citada. Apesar de viver num país que não valoriza a EDUCAÇÃO tive o privilegio de me formar em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará, e pude descobrir um outro mundo, o MUNDO DO TRABALHO.
Logo de defendi minha monografia, recebi o convite de duas escolas e uma faculdade de teologia para ministrar aulas de filosofia. Já tinha ganho dinheiro entregando panfleto no sinal, fiscalizando prova e até como auxiliar administrativo, mas SER PROFESSOR, não tem comparação.
Entrei na UECE com 25 anos, com grandes adversidades, mas não saio, apenas fecho um ciclo e espero que em breve tenha oportunidade de vivenciar outros. Para lembrar um pouco o que é ser universitário e o que isso significa, tive oportunidade de almoçar no R.U. (restaurante universitário) ontem e vi o quanto é gostoso não apenas estar na Universidade, mas vivenciá-la no que ela tem de bom ( e de ruim, é claro).
2010 foi o ano em que vejo meu time do coração, o Ceará Sporting Clube fazer uma linda campanha na série A, e que depois de 16 anos subiu, e tem disputado o brasileirão de forma digna e tem sido o orgulho do Nordeste. Obrigado CEARÁ S.C.
Mas não poderia deixar de registrar que nesse processo de ciclos, vejo que ele tem se ampliado. Tenho descoberto outras pessoas na caminhada, e me aproximado de antigos. E tenho confirmado dia a dia minha VOCAÇÃO que é caminhar com ADOLESCENTES. Seja no âmbito eclesiástico, seja como professor, me sinto cada dia renovado por trabalhar com essa galerinha.
Mas não poderia deixar de registrar que nesse processo de ciclos, vejo que ele tem se ampliado. Tenho descoberto outras pessoas na caminhada, e me aproximado de antigos. E tenho confirmado dia a dia minha VOCAÇÃO que é caminhar com ADOLESCENTES. Seja no âmbito eclesiástico, seja como professor, me sinto cada dia renovado por trabalhar com essa galerinha.
Não sei bem porquê,apenas gosto.Às vezes desconfio dos motivos.Acho que em nenhuma outra faixa etária estarei perto de pessoas que são a tradução do que são pessoas que simplesmente SONHAM.
Muito obrigado a todo pelo carinho, tanto pelos de longe quanto os que estão pertinho, me alegro com todos vocês no dia de hoje. Deus abençoe a vida de cada um.
Muito Obrigado.
Muito obrigado a todo pelo carinho, tanto pelos de longe quanto os que estão pertinho, me alegro com todos vocês no dia de hoje. Deus abençoe a vida de cada um.
Muito Obrigado.
Thiago Oliveira Braga
Capital do Ceará 20 de Outubro de 2010
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Minhas histórias
terça-feira, 12 de outubro de 2010
É só o amor.
"Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você decepciona-se.
Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação".
Madre Teresa de Calcutá.
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Frases
Rir é o Melhor Remédio ... BaianoTerapia
Em homenagem ao meu irmão, que mora em Salvador - Bahia, post aqui algumas piadas (de bom gosto, é claro) desse povo alegre toda vida que são os baianos.
O baiano deitadão na varanda :
- Ô mãinha , a gente tem pomada pra queimadura de taturana?
- Purque, meu dengo? Uma taturana encostou em ti, foi?
- Foi não, mas ela tá cada vez mais perto...
.....................................................................................................................................................
A mãe do baiano vai viajar pro
exterior e pergunta ao filho:
- Quer que mãinha lhe traga alguma
coisa da viagem, meu dengo?
- Ô, minha mãe... Por favor, me traga
um relógio que diz as horas.
- Ué, meu cheiro... E o seu, não diz não?
- Diz não, mãinha... Eu tenho de olhar
nele pra saber...
...................................................................................................................................................
Quatro baianos assaltam um banco e
param o carro uns quilômetros à frente.
Um deles pergunta ao chefe da quadrilha:
- E aí, meu rei... Vamos contar o dinheiro?
- E pra que esse trabalhão? Vamos
esperar o noticiário da TV...
* Foto do meu sobrinho João Pedro, dando uma volta no Pelourinho.
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Humor
domingo, 10 de outubro de 2010
A Nação, o Estado e a Religião.
Dois eventos deram aos evangélicos espaço privilegiado nas páginas de notícias do primeiro turno das últimas eleições no Brasil. O primeiro foi o video intitulado Posicionamento do Pastor Paschoal Piragine Jr sobre as eleições 2010, em que conclama o povo evangélico a não votar no Partido dos Trabalhadores, e que registrou mais de 3 milhões de acessos no Youtube. O segundo foi o duplo pronunciamento do Pastor Silas Malafaia, primeiro declarando apoio à candidatura Marina Silva, e dois dias depois tornando pública a adesão à candidatura José Serra. Os dois pastores justificaram suas posições alegando compromissos com a ética cristã, notadamente nas questões afetadas pelo terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3, com destaque para a proposta de descriminalização do aborto e da legalização da união estável entre pessoas do mesmo sexo.
Os posicionamentos dos referidos pastores suscitaram os mais diversos comentários e debates, desde os preconceituosos e incrédulos da boa intenção dos envolvidos, até os legítimos e necessários, dada a seriedade dos temas e a influência dos líderes religiosos em questão. Pessoalmente, creio que para além da periferia do que pode e deve ser questionado nos posicionamentos que parecem representar boa parte do pensamento de muitos evangélicos, a questão de fundo subjacente ao posicionamentos das lideranças religiosas evangélicas diz respeito ao papel da religião na cultura secular e no estado laico: é legítimo pretender que a legislação de um país seja baseada na ética e na moral de uma religião em particular?
O tema não é novo. Em 2005 o tribunal administrativo italiano negou um pedido inusitado feito por Soile Lautsi, mãe de dois filhos que estudavam em uma escola pública: que os crucifixos fossem retirados das salas de aula. O tribunal alegou que “o crucifixo é símbolo da história e da cultura italianas faz parte da cultura italianas, e, consequentemente, da identidade italiana, além de ser símbolo dos princípios de igualdade, liberdade e tolerância, bem como do caráter laico do estado”. Em 2009 a Corte de Estrasburgo condenou aquele veredito, afirmando que “a exposição obrigatória de um símbolo de uma confissão religiosa determinada no exercício da função pública, e em particular nas salas de aula, restringe o direito dos pais educarem seus filhos de acordo com suas convicções, assim como o direito de crer ou não crer das crianças escolarizadas”. Atualmente, das 47 nações que compõem o Conselho da Europa, 21 são contrárias ao posicionamento da Corte Européia de Direitos Humanos, e resolveram unir esforços contra o progresso do laicismo nas sociedades europeias.
A questão está posta. É inegável que o Ocidente está construído sobre o fundamento da tradição judaico-cristã, que fornece os princípios para sua ética e moral. Uma antiga tradição rabínica acredita que por meio de Adão Deus povoou originalmente o mundo com uma só pessoa pelo menos por duas razões. A primeira é para que ninguém diga ao seu próximo “O meu pai é mais que o teu pai”, uma vez que todos os seres humanos descendem do mesmo pai. A outra é para ensinar que quem quer que destrua uma vida é considerado como se tivesse destruído o mundo inteiro, e quem quer que salve uma vida é considerado como se tivesse salvado o mundo inteiro. Foi seguindo essa tradição que Jesus declarou que assim como César cunhou sua imagem nas moedas, Deus gravou sua imagem na raça humana, de modo que a vida humana pertence a Deus, seu valor está baseado na origem divina, todas as vidas humanas têm o mesmo valor, e que a vida humana é de valor incomparável, pois apenas uma vida vale mais do que o mundo inteiro. Dessas afirmações derivam as noções da dignidade humana e dos direitos de todo e qualquer ser humano.
Mas também é verdade que as mesmas afirmações que concedem à tradição judaico-cristã um lugar ao sol, também dão origem à lógica laicista, sem dúvida uma das maiores conquistas do Ocidente moderno. Levadas às últimas consequências, as afirmações que sustentam a igualdade dos direitos de todas as pessoas conduzem necessariamente ao Estado laico. Isso significa que não mais se admite uma lógica privada imposta como base de legislação pública. A razão pela qual se considera absurda a condenação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani à morte por apedrejamento, com base na “sharia”, a lei islâmica, é o fato de que o Ocidente sofreu a influência do Iluminismo. Não fosse a laicização das instituições, nós ocidentais ainda estaríamos sendo queimados nas fogueiras da Inquisição.
Um caminho para a convivência entre a religião e a sociedade secular e o Estado laico pode ser encontrado a partir da observação feita por Dom Robinson Cavalcanti, a saber, a diferença entre Estado e nação: “o nosso Estado é laico, mas a nação é religiosa. As elites pensantes não entenderam que o Estado é um ente político-jurídico, enquanto a sociedade tem uma história, cultura e valores. Isto antropologicamente é denominado nação. Detectar que os eleitores querem a expressão das suas crenças e valores é entender que existe uma nação pulsante dentro do Estado […] os eleitores fazem parte da nação e não se pode dizer numa eleição “por favor, não leve em conta suas crenças religiosas no espaço público”. Esse é um discurso da ideologia secularista que nos une agora no século 21 à Europa Ocidental. Ocorre que não estamos na Europa Ocidental. É preciso se entender que o ser humano não é só economia, não é só racionalidade. É um ser múltiplo, um ser cultural e um ser ético”.
As relações indissociáveis – Estado e Nação, Secularismo e Religião, explicam as notícias de que o PT estuda rever a matéria sobre o aborto em seu programa de governo, temendo perder ainda mais votos entre religiosos, tanto católicos quanto evangélicos. Isso significa, tanto um (humilde) reconhecimento de que a voz da religião, subjacente à cultura e identidade brasileiras, está presente no debate público, quanto uma vitória dos religiosos que se fizeram ouvir e deixaram claro que o Estado pode e deve ser laico, mas isso não significa necessariamente que é ateu, pois a nação que o constitui tem em sua índole a fé.
Ed René Kivitz
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Opinião
domingo, 3 de outubro de 2010
a política condicionando todas as demais espécies de mudança.
O Brasil se mobiliza para escolher o seu (ou a sua) próximo presidente. De dois em dois anos temos essa oportunidade de reforçar nosso espírito democrático em eleições municipais, estaduais e federais. Infelizmente, os maus hábitos de muitos políticos e o grande número de eleitores desinformados, tornam essa representatividade questionável em termos sociais e republicanos. Nosso sistema eleitoral é permissivo e não compensa a desigualdade financeira entre partidos e candidatos, transformando o que deveria ser uma festa da democracia numa guerra onde reina, acima de tudo, o marketing político regado pelo poder econômico. É óbvio que não há como pretender unanimidade (unanimidade consciente, bem entendido) num país de 200 milhões de habitantes. Num país tão socialmente desigual como o nosso, maioria é mais uma demonstração da força dos esquecidos do que comprovação de justiça social. Ninguém tem culpa de ser miserável, mas também ninguém tem culpa de ser da classe média ou da mais abastada, desde que tenha atingido esse status de forma lícita.
A igualdade não é só um objetivo, mas também um caminho. E quando se está caminhando para a igualdade, não pode haver desigualdade no transcorrer desse caminho. Se a desigualdade está na renda, o imposto justo tenta corrigir ou amenizar. No entanto, se a desigualdade está nas condições básicas de saúde, segurança e educação, não adianta culpar outro que não seja o próprio governo, pois, é ele que distribui as receitas. Nem o Congresso pode ser tão culpado porque existem os recursos pouco democráticos, mas existentes, da medida provisória e do contingenciamento.
É óbvio que um governo não pode se responsabilizar sozinho por décadas de má administração dos serviços públicos e da distribuição de renda, mas também não pode justificar sua deterioração . Mesmo porque, nenhum governo perde tempo para capitalizar os aspectos positivos da própria gestão que começaram nas anteriores. Na dúvida, a responsabilidade é do governo atual e PONTO FINAL, pois, não se leva mortos à forca.
A introdução que fiz é uma reflexão absolutamente pessoal, apenas para ressaltar a importância do ACOMPANHAMENTO dos eleitos nos próximos quatro anos, independentemente se votamos neles ou não. Democrática é a escolha, democrática é a eleição e a condução dos eleitos aos cargos que fazem jus. Os eleitos não estão representando os que votaram neles, mas passam a nos representar, assim como a nação, o estado, a região e a cidade em que vivemos. Embora eles ODEIEM que a gente fale isto, de forma bem objetiva e direta, eles SÃO NOSSOS EMPREGADOS. Dos mais humildes aos mais ricos, todos somos seus PATRÕES e, mais uma vez, PONTO FINAL. Portanto, esse sentimento de derrota que nos bate quando o vencedor do pleito não foi aquele em quem votamos é absolutamente injustificado. Não se trata de uma vitória que, como numa guerra, subjulga o derrotado.
A luta não só continua, mas recomeça. Temos ferramentas de sobra para acompanhar OS NOSSOS três poderes. Precisamos apenas criar o hábito de acompanhar, só isso. O acompanhamento, as cobranças, as adesões ás causas, os posicionamentos, as reivindicações, os esclarecimentos... todos são muito mais importantes e mais efetivos que nossos votos bienais. E que tal começar 2011 com uma postura diferente de cidadão? Já tentaram escrever um e-mail para um presidente, governador, senador, deputado, prefeito ou vereador? TODOS RESPONDEM, sabiam? Se não responderem, seja por meio de assessores ou pessoalmente, estarão decretando falência de sua personagem pública.
Que tal então fazer um 2010 diferente?
Que tal então fazer um 2010 diferente?
Presidência e secretarias:
Senado Federal:
- Site: http://www.senado.gov.br/
- Senadores & e-mails: http://www.senado.gov.br/senadores/
Câmara dos Deputados:
Assembléias Legislativas Estaduais:
- Site: http://www.interlegis.gov.br/comunidade/casas_legislativas/estadual/
- Fale: Clique na assembléia do seu estado
Câmaras Municipais:
- Site: http://www.interlegis.gov.br/comunidade/casas_legislativas/estadual/
- Fale: Clique no seu estado (em ordem Analfabética)
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Reflexão
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Cegueira
“Todo cristão que aceita cegamente as opiniões da maioria e segue, por medo ou timidez, o caminho da conveniência ou da aprovação social torna-se mentalmente e espiritualmente num escravo.”
Martin Luther King
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Frases
terça-feira, 28 de setembro de 2010
E continuando a falar de política.
Acabei de ler um pequeno texto do Júlio Zabaliero. Concordo quando ele diz que “não há neutralidade em política. Não há ausência de política no exercício do poder religioso. Não se confundam, não se enganem. As pregações pastorais são, sempre, políticas. São políticas pelo exercício de poder. Só quem não saiu do jardim de infância ainda pensa que política só tem a ver com partidos e eleições. Política tem a ver com o exercício do poder, em todas as relações, em todos os níveis da vida social. ”
Todo cidadão é um ser político e precisa ter consciência disso para o melhor exercício possível de sua cidadania.
Quem tem nojo de política, será governado por alguém que não tem, mesmo que esse alguém seja “nojento”.
Mas não é somente por meio da militância político-partidária que se exerce a política. Existem, pelo menos, três opções:
Todos devemos nos envolver com a discussão de políticas públicas, atentando para sua aplicação em nossos contextos imediatos e maiores em vistas da promoção da justiça e do bem comum.
Alguns são vocacionados para ocuparem os espaços públicos e reconhecemos isso 1. quando o candidato tem projeto que gera mudanças estruturais que geram benefícios comuns, priorizando o pobre e todo tipo de exlcuído, visando a uma sociedade melhor e mais justa para todos; 2. quando tem história que autentica tais projetos com a chancela de um caráter irrepreensível ; 3. quando acompanhamos não só o processo de proposição mas também o cumprimento daquilo que se propôs.
Por questões éticas, eu não comento sobre quem são meus candidatos, muito menos faço campanha, mas faço votos que nessa eleição nosso país cresça um pouco mais num debate democrático e que falar de política não se restrinja aos períodos eleitorais.
Thiago Oliveira Braga.
Todo cidadão é um ser político e precisa ter consciência disso para o melhor exercício possível de sua cidadania.
Quem tem nojo de política, será governado por alguém que não tem, mesmo que esse alguém seja “nojento”.
Mas não é somente por meio da militância político-partidária que se exerce a política. Existem, pelo menos, três opções:
- O exercício da cidadania via eleições – é para todos. Por isso é preciso envolver-se nas campanhas eleitorais, não necessariamente fazendo campanha para alguém, mas conhecendo o mais de perto possível o candidato que receberá o seu voto. Mais do que isso, acompanhar os mandatos de seus candidatos e avaliar seus projetos e o cumprimento do que foi prometido. Todos estamos inseridos nessa área;
- A discussão de políticas públicas - O Estado não consegue cumprir todas as suas responsabilidades e precisa contar com outras instituições e os cidadãos que o compõem. Mesmo que desencadeadas pelo Estado, tais discussões em vistas do bem comum, devem ser protagonizadas pelos cidadãos do Estado. Isso quer dizer que ninguém melhor do que você para discutir melhorias na área da saúde, educação, saneamento, segurança, tendo como ponto de partida o posto de saúde de seu bairro, a escola da vizinhança, os índices de segurança de sua região, etc. Discutir políticas públicas é cooperar com o Estado na geração do bem coletivo em vistas da emancipação de todas as pessoas. Todos devemos nos envolver com essa área;
- Política partidária – acredito que nossa peregrinação por essa terra só terá sentido se investirmos nossas vidas no exercício de nossas vocações. Acredito que existam pessoas vocacionadas para ocuparem cargos políticos visando a boa política. Nosso desalento se dá pelo fato de que não reconhecemos as vocações de muitos dos políticos eleitos, exatamente por não serem pessoas vocacionadas para tal. Muitos são oportunistas, muito são manipuladores que reclamam para si prerrogativas que são de todos, muito são populistas que advogam em favor de segmentos minoritários que dão base para seu mandato. Mas não podemos demonizar todo um ambiente pelo fato de muitos de seus ocupantes serem corruptos. Em todos os segmentos, existem pessoas boas e sérias, pessoas más e corruptas, pessoas que estão no lugar certo, exercendo suas vocações, pessoas aproveitando-se de um lugar, fazendo dele sua ocupação, para a realização de seus próprios interesses. Se você tem vocação para a política, responda ocupando o espaço que é teu. Se não é vocacionado, escolha alguém que seja, mas não se meta onde não foi chamado. Esse espaço é para pessoas que têm um chamado para a “vida pública”.
Todos devemos nos envolver com a discussão de políticas públicas, atentando para sua aplicação em nossos contextos imediatos e maiores em vistas da promoção da justiça e do bem comum.
Alguns são vocacionados para ocuparem os espaços públicos e reconhecemos isso 1. quando o candidato tem projeto que gera mudanças estruturais que geram benefícios comuns, priorizando o pobre e todo tipo de exlcuído, visando a uma sociedade melhor e mais justa para todos; 2. quando tem história que autentica tais projetos com a chancela de um caráter irrepreensível ; 3. quando acompanhamos não só o processo de proposição mas também o cumprimento daquilo que se propôs.
Por questões éticas, eu não comento sobre quem são meus candidatos, muito menos faço campanha, mas faço votos que nessa eleição nosso país cresça um pouco mais num debate democrático e que falar de política não se restrinja aos períodos eleitorais.
Thiago Oliveira Braga.
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Reflexão
domingo, 26 de setembro de 2010
Religião e cidadania
Igreja não vota. Igreja não faz aliança política. Igreja não apoia candidato. Igreja não se envolve com política partidária. Há pelo menos cinco razões para este posicionamento.
Primeira: o Estado é laico. Igreja e Estado são instituições distintas e autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da religião, os cidadãos livres sofram pressões ideológicas. Assim como é deplorável que os religiosos livres sofram pressões ideológicas perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado de Direito tenha feriados santos, expressões religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É uma vergonha que líderes espirituais emprestem sua credibilidade em questão de fé para servir aos interesses efêmeros e dúbios (em termos de postulados ideológicos e valores morais) da política eleitoral ou eleitoreira.
Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão. Assim como os clubes de futebol, as organizações não governamentais, as entidades de classe, as associações culturais e as instituições filantrópicas não votam, também a igreja não vota. Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser influenciado, melhor seria, educado, por todos os segmentos organizados da sociedade civil, inclusive a igreja. Mas quem vota é o cidadão.
Terceira: a igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.
Quarta: a igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.
Quinta: o papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.
Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça.
Comparecer às urnas é um ato intransferível de cidadania, um direito inalienável que custou caro às gerações do passado recente do Brasil, e uma oportunidade de cooperar, ainda que de maneira mínima, na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica.
Ed René Kivitz
Primeira: o Estado é laico. Igreja e Estado são instituições distintas e autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da religião, os cidadãos livres sofram pressões ideológicas. Assim como é deplorável que os religiosos livres sofram pressões ideológicas perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado de Direito tenha feriados santos, expressões religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É uma vergonha que líderes espirituais emprestem sua credibilidade em questão de fé para servir aos interesses efêmeros e dúbios (em termos de postulados ideológicos e valores morais) da política eleitoral ou eleitoreira.
Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão. Assim como os clubes de futebol, as organizações não governamentais, as entidades de classe, as associações culturais e as instituições filantrópicas não votam, também a igreja não vota. Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser influenciado, melhor seria, educado, por todos os segmentos organizados da sociedade civil, inclusive a igreja. Mas quem vota é o cidadão.
Terceira: a igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.
Quarta: a igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.
Quinta: o papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.
Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça.
Comparecer às urnas é um ato intransferível de cidadania, um direito inalienável que custou caro às gerações do passado recente do Brasil, e uma oportunidade de cooperar, ainda que de maneira mínima, na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica.
Ed René Kivitz
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
VOTE!
Ética deriva do termo grego ethos: bons costumes que regem ou deveria reger a conduta humana.
Devemos cobrar ética na política. Sem duvida, mas, também temos que ensinar ética as nossas crianças: para que elas apreendam a respeitar e valoriza os colegas da escola; devolver o que emprestou; agradecer; pedir: por favor, com licença e obrigado.
A ética regulamenta as relações humanas e sociais. Na Idade Média os valores éticos predominantes eram os religiosos. Que seguia sempre a dualidade: bem e mal.
Após a revolução iluminista. A fundamentação ética saiu do Teocentrismo, Deus no centro, passando para o antropocentrismo, homem no centro.
As consequências da mudança desse eixo ético são:
Nesse novo eixo temático ético, a razão, passa ser o guia pessoal: agir eticamente é seguir a sua consciência. Por isso nessas eleições devemos votar consciente se assim o fizermos estaremos sendo éticos.
Assim Kant define a ética.
“Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal”.
Aristóteles define: o ser humano, sendo um animal político.
“É evidente que a cidade faz parte das coisas naturais, e que o homem é por natureza um animal político. E aquele que por natureza, e não simplesmente por acidente, se encontra fora da cidade ou é um ser degradado ou um ser acima dos homens, segundo Homero (Ilíada, IX, 63) denuncia, tratando-se e alguém: sem linhagem, sem lei, sem lar.” (Política Aristóteles).
Política é a busca do bem comum.
Na história política do Brasil a partir do descobrimento começamos a viver numa monarquia.
Em 1989 foi proclamada a República; De 1899 a 1930 a primeira etapa da república; em 1930 Vargas implantou a Ditadura; 1964 foi dado o Golpe Militar, regime de recessão e opressão; Em 1985 Sarney foi eleito de forma indireta. Em 1989 Collor foi eleito de forma direta. Com o propósito de acabar com os marajás ficou no poder até 1992; Assume como presidente Itamar Franco, ele nomeia Fernando Henrique Cardoso FHC para seu Ministério; 1994 FHC é eleito presidente e reeleito em 1998; 2002 Lula, operário, sindicalista, semi-analfabeto foi eleito para ocupar o cargo maior da nação.
Fiz esse breve histórico para reafirmar que embora a postura ética não esteja na conduta de alguns políticos, não devemos nunca deixar de vota.
Jamais venda seu voto!
Não anule!
Nem vote em branco!
Foram longo e penosos anos. Muitas vidas foram ceifadas, para que hoje, eu e você pudéssemos escolher os nossos governantes. Não desperdiçamos a luta dos justos que nos antecederam.
VOTE! Obviamente de forma racional, clara e consciente.
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga
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Opinião
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Definição de filosofia
Sempre, ao final de minhas aulas, me perguntam "o que faz um filósofo?" "Há campo de trabalho para um filósofo?". Na próxima vez vou responder dando um cartão com o presente link.
A imagem:
Bem que eu poderia ser aquele filósofo clássico cujo melhor amigo era o ócio. Aristocrata com orgulho.
E vida que segue.
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Humor
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.
"A amizade é um amor que nunca morre."
DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana (escritor gaúcho nascido em 30/07/1906 e morto em 05/05/1994 .
Com vocês, ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga
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Poesia
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O avesso da política e a política pelo avesso.
Quando caminhamos pelas periferias da vida nos encontramos com esse avesso da política que nos leva a colocar a política pelo avesso, re-examinando conceitos e aprendizados. Uma outra lógica e uma outra ética diante da qual jogamos nossas respostas simplistas, como cientistas de uma vida que insiste em não caber na academia.
Uma família pobre, mas articulada, discute candidatos não por propostas, histórico de vida ou confiabilidade dos partidos, mas pelo preço do voto. Vendem seus votos, afirmam, porque todos os candidatos (exceto nas majoritárias) compram votos, o que muda é o preço. Argumentam que todos os candidatos são iguais, ou seja, para eles o nosso legislativo configura a banalidade do “tanto faz quanto tanto fez”. Argumento para o qual temos dificuldade de encontrar resposta convincente.
Seria muito fácil lançar a culpa das mazelas da sociedade no povo. Entretanto, o que precisamos é desconfiar de nosso processo democrático como está dado atualmente. Não tem como não entender se os eleitores preferirem votar no bom humor de Tiririca do que no mau-humor disfarçado de nossos políticos profissionais.
Em uma cidade do interior, um pastor muito politizado, com uma postura libertadora, conversa com um bom padre. Então, assisto a uma inversão histórica bem complexa. O padre está cansado do jogo político (o povo não seria confiável, explica), enquanto o pastor imagina utopias de mundos novos e de gente engajada em processos libertadores.
O que isso significa? Exaustão, esvaziamento, migração, ou outra coisa, de uma teologia libertadora, ou o que?
Na verdade, já começamos a desligar a TV no horário eleitoral e assistir a campanha, pelo youtube, do conhecido humorista Tiririca, candidato a uma legislatura federal pelo estado de São Paulo. Se ele ganhar de candidatos historicamente competentes como José Genoíno, por exemplo, os eleitores fizeram opção entre políticos profissionais sem senso de humor e humoristas profissionais populares. Bem, os chargistas e a população já sabem que os nossos políticos são excelentes humoristas. Mesmo assim, será surpreendente se os humoristas se revelarem bons políticos.
Há algum tempo, brincávamos com o fato de que a popularidade de Lula decidiria essa eleição e de que até um opositor histórico como Serra, procuraria às pressas um retrato manchado, onde apareceria abraçado a Lula, para divulgar no horário eleitoral. Pensávamos que isso era uma boa pilhéria e ficamos impressionados com a tentativa desesperada do candidato tucano se associar à imagem do presidente.
Todas essas coisas nos remetem a uma perplexidade óbvia. Vivemos um momento confuso, enquanto sociedade ocidental, e não temos nenhuma saudade da maioria das alternativas históricas. Acreditamos que há sementes de um novo mundo e de uma nova sociedade espalhadas por aí. Desconfiamos até, mas não sabemos onde se encontram. Talvez na consolidação gradativa de alguns movimentos, no entusiasmo de alguns jovens, em novas compreensões vindas de teóricos engajados, em religiosos comprometidos com o povo e seus sofrimentos, em todos esses lugares, ou em outros.
Marcos Monteiro
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Reflexão
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Os políticos estão de volta.
O horário eleitoral começou e os candidatos começam o debate apresentando educadamente, por enquanto, as suas propostas de governo.
Todos tratam da continuidade, como era de se esperar, desse governo que agradou a quase todos, concentrando-se nas nuances também esperadas: resolver a violência, aperfeiçoar a educação, implementar políticas compensatórias, melhorar a gestão da saúde, continuar o crescimento, coisas assim.
De tal modo que assistir ao guia eleitoral ou desligar a televisão parece ser a mesma coisa, como parece ser quase a mesma coisa escolher qualquer candidato ou candidata.
Os pedaços de vida que vamos recolhendo no nosso cotidiano não parecem ter nada a ver com tudo isso. Casal que caminha pela beira do mar iluminados pela lua, pessoas que compram roupas, reencontro com amigos, rodas de bar, pertencem a outro tempo e a outro espaço, não contemplados pelo espaço político oficializado.
Entretanto, um olhar mais acurado descobre nesse cotidiano a surpresa de elementos interligados ao jogo político, essa imbricação impossível de se desmanchar entre política e vida.
O contexto nos torna desesperançados com a política partidaria, no entanto, a politica é muito maior que a partidária.
Uma boa sexta.
Com vocês ao serviço d'Ele Thiago Oliveira Braga.
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Reflexão
E assim caminha a humanidade.
"Zele apenas por seus interesses" - Nicolau Maquiavel
O pensamento de Maquiavel é o que observamos diariamente. Pessoas freneticamentes buscando os seus próprios interesses, cobiçando e procurando obter o que puder, enganando o próximo toda vez que puder e usando a força ao invés da bondade ao tratar com o próximo.
Somos alertados pelo apóstolo Paulo a deixarmos de lado todo pensamento que nos leva a pensarmos em nós mesmos (I Corintios 10:24). Temos que procurar a pensar nos nossos semelhantes e no que é melhor para eles. Que tal servirmos de alguma forma aqueles com quem tivermos contato hoje. Vamos nos esforçar em fazer algo bom e produtivo para alguém e não somente para nós.
O pensamento de Maquiavel é o que observamos diariamente. Pessoas freneticamentes buscando os seus próprios interesses, cobiçando e procurando obter o que puder, enganando o próximo toda vez que puder e usando a força ao invés da bondade ao tratar com o próximo.
Somos alertados pelo apóstolo Paulo a deixarmos de lado todo pensamento que nos leva a pensarmos em nós mesmos (I Corintios 10:24). Temos que procurar a pensar nos nossos semelhantes e no que é melhor para eles. Que tal servirmos de alguma forma aqueles com quem tivermos contato hoje. Vamos nos esforçar em fazer algo bom e produtivo para alguém e não somente para nós.
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sábado, 14 de agosto de 2010
A nova reforma protestante
Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.
Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.
Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.
Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”
Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”
Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”
Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”
Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”
No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.
“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”
Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”
Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.
Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.
O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”
A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”
Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.
Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.
O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”
A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”
Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”
O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.
Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.
A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”
Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.
A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.
O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”
A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.
Matéria publicada na Revista Época
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Opinião
domingo, 8 de agosto de 2010
Se for viver, viva com dignidade.
Para tudo há um tempo
Tempo de nascer e viver
E vivendo viva com dignidade
Tempo de crescer e criar responsabilidades
O tempo de falar a verdade é o tempo todo
Tempo de deixar de ser peso morto e de ser a mesmas pessoas de anos atrás
Tempo de evoluir, mudar ás reclamações, abandonar falhas antigas.
Tempo de descobrir á vida como algo sério
Tempo de agir como se Deus realmente existe
Tempo de descobrir que o fazemos não está encoberto, existe desdobramentos eterno
Tempo de enxergar que o hoje já é parte da eternidade, por isso não a comprometa
Há tempo de cantar, dançar e até falar bobagem e agora não é esse tempo
Tempo de assistir filme
Tempo de deitar e descansar
Tempo de se levantar fazer algo pelo próximo
Tempo de trabalhar e pagar suas próprias contas
Tempo de amar e deixar ser amado
Tempo de confiar
Tempo de confessar
Tempo de ser exortado
Tempo de exortar
Tempo de olhar as estrelas, ouvir o sabiá e escrever uma musica
Viva cada fase de sua vida com intensidade e sinceridade
Dando a cada momento seu devido tempo
E se para tudo há um tempo
Tem também o tempo de morrer
E morrendo morra com dignidade.
Com vocês, ao Serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Quando o outro é essencial.
Toda vez que tomamos uma decisão, outras pessoas estão envolvidas nela, direta ou indiretamente. E isso não pode ser desprezado.
O padre Leonardo Boff escreveu um pensamento muito profundo sobre as relações humanas:
“O universo é constituído por uma imensa teia de relações de tal forma que cada um vive pelo outro, para o outro e com o outro; o ser humano é um nó de relações voltado para todas as direções.”
Ninguém pode, a partir de seus desejos, sair matando seus inimigos. Ou melhor, pode. Mas isso o tornaria um egoísta, e a curto prazo, um doente. O egoísmo, via de regra, nos deixa doentes.
Quando o filho pródigo foi embora, desconsiderou a relação que mantinha com sua família. Desprezou suas relações pessoais, e decidiu tocar a vida sozinho. E, com essa decisão, aprendeu uma dura lição: sozinho não existe vida.
Ninguém é capaz de viver sozinho.
Essa foi a lição que o Filho Pródigo aprendeu.
Portanto, cuide de suas relações pessoais, e saiba que são elas que dão sentido a vida. Não despreze esse fato, mas o leve em conta em cada vez que for tomar uma decisão.
"Fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho ..."
Bom final de semana.
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga.
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segunda-feira, 12 de julho de 2010
Foi-se a Copa?
Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.
Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.
O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
A Copa da Liberdade.
Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 - Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1917) - Considerado um dos maiores poetas brasileiros, autor de uma vasta obra poética, que também inclui contos e crônicas. Morou no Rio de Janeiro a maior parte de sua vida, onde, foi funcionário público. Foi traduzidos para vários idiomas e é uma referência fundamental na poesia brasileira.
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Poesia
domingo, 11 de julho de 2010
O valor de uma derrota.
Perdedores que lutam com galhardia serão sempre grandes vencedores. O Uruguai nessa Copa da África do Sul foi uma inspiração.
Caiu de pé, perdeu lutando, time valente, todos os clichês do mundo valem para a valorosa Celeste Olímpica.
Foi até onde deu, até onde o outro time deixou. Lutando, sim, como sempre foi com essa pequena aldeia ao sul do Sul.
O Uruguai mostrou a ele mesmo que dá. Dá para voltar a ser grande, dá para sonhar com uma terceira estrela, dá para se orgulhar de um time de futebol. Vamos tomar uma Patricia, Montevidéu. Outras Copas virão, aí à margem do Rio da Prata o tempo anda diferente, não há pressa.
Não chore, Montevidéu. Quando lembrar da Copa de 2010, inevitavelmente lembrarei desse pequenino gigante.
Uruguaios podem voltar contentes, não ganhar uma Copa não é o fim do mundo.
O jogadores honraram suas camisas, seus companheiros e seus treinadores, e ninguém ficou no pódio combinando balada no celular, como o Ronaldinho Gaúcho fez em Pequim em 2008.
Isso ninguém me contou, eu vi. Quer dizer, vi o cara falando ao celular desinteressadamente enquanto argentinos e nigerianos, acho, recebiam ouros e pratas. Não sei se estava combinando balada, isso já é maldade minha. Mas achei meio desrespeitoso.
E vida que segue... e Copa fecha as cortinas hoje.
Bom domingo. Boa final. Viva o futebol.
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Opinião
sábado, 10 de julho de 2010
Orgulho que faz bem !
"Saudações ao sofrido povo pobre nordestino,
povo destinado, povo destemido,
Que Deus abençoe a todos
favelados , mendigos, bóias-frias
mantidos no sufoco,
povo injustiçado, nordestinos
desconsiderados considerados desnecessários
Válidas as banais arriações pelo sotaque
por muitos otários
Povo que enfrenta vários obstáculos,
luta duro, dão murro com razão
Sua coragem e determinação prolongam
a confiança nos seus fortes punhos,
mãos calejadas, suor escorre pelo corpo
cansado, enfadado mesmo
não desistem e continuam a caminhada
Deus, abençoe à todos
Deus abençoe meu povo"
Faces do Subúrbio
É com essa letra belíssima da banda Faces do Subúrbio que peço a todos os Nordestinos que tenham orgulho de nascer nesta região belíssima do Brasil! Amem sua terra, honrem seu estado e principalmente, TORÇA PARA UM TIME DE SUA CIDADE. Sigamos em frente, afinal, o nordestino é antes de tudo UM FORTE.
Com vocês no serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga
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Poesia
Pós-copa
Assim que terminar o Mundial, domingo, todos sofreremos de Depressão Pós-Copa, doença que acomete todo o planeta por alguns dias, até que os campeonatos nacionais retomem seu ritmo normal, e nossas vidas também.
Partilho uma coletânea com videos de clássicos da história das Copas que vale a pena ser visto. O link está aqui, ó. Tem até um documentário de 8 minutos sobre a Copa de 1950
Bom final de semana.
Outro com direito a final de Copa do Mundo, só em 2014.
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Opinião
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Até tu, Paul?
Essa é simpática.
Consta que PT e PSDB acabaram de cancelar seus contratos com Ibope, DataFolha, Vox Populi e Sensus e estão atrás de Paul, o Polvo. O cartunista Amarildo é o autor.
Se despedindo desse clima de Copa do Mundo e iniciando o eleitoral.
E vida que segue...
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Humor
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Internet – use com moderação!
Filipenses 4:8
A internet é um meio extraordinário de comunicação. Ela facilita a vida das pessoas e das empresas, abrindo um leque de informações incomparável. Os correios eletrônicos permitem nos comunicar instantaneamente com o mundo inteiro. Contudo, apesar de seus benefícios, a internet representa um perigo real. Os provedores competem uns com os outros com propagandas sedutoras: “Possibilidades ilimitadas – Navegue grátis sem restrição!”
Esse slogan contém um paradoxo: a liberdade para navegar acorrenta o usuário imprudente ao computador. As possibilidades podem ser ilimitadas, mas nossa vida não é. Este mundo está destinado à destruição e podemos ser arrastados se nos prendermos a ele. Tome cuidado! Não desperdice o tempo que Deus lhe concedeu. Esse tempo, que não é ilimitado, nos é dado para buscar e conhecer a Deus.
Mesmo se usarmos os recursos da internet com sobriedade, estaremos nos expondo a toda sujeira contida nela. Todo tipo de pessoas, grupos e empresas utilizam esse meio para promover suas idéias e produtos. É preciso estar alerta! A advertência de Paulo aos gálatas se aplica a esse caso: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor” (cap. 5:13).
Extraído do devocional BOA SEMENTE
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