
Quem sou eu ?
- Thiago Oliveira Braga
- Capital do Ceará, Ceará, Brazil
- cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.
domingo, 29 de março de 2009
Os sete pecados capitais - ORGULHO

quarta-feira, 25 de março de 2009
João Pedro, seja bem vindo.

João Pedro (meu sobrinho), o mais novo torcedor do CEARÁ.
terça-feira, 24 de março de 2009
Frases "feitas" GOSPEL

Uma linda mulher

Como você é bonita, meu amor, como você é linda!
...Seus olhos são como pombas sob o seu véu...
...Seus cabelos como um rebanho de cabras...
...Seus lábios são como fitas de vermelho vivo...
...Suas têmporas são como fatias de romã...
...Seu pescoço é como a torre de Davi...
...onde estão pendurados centenas de escudos...
...Seus seios são como dois filhotes de gazelas...
...Seus lábios, minha querida, gotejam mel...
...Seu vestido como o aroma das montanhas do Líbano...
...Sua cintura é como um feixe de trigo...
...Seu nariz é como a torre do Líbano voltada para Damasco.
Cantico dos Cânticos: capítulos 4 a 5 (segundo Salomão)
sábado, 21 de março de 2009
E o espetáculo continua

quinta-feira, 19 de março de 2009
No Ceará é assim ...
Em busca da sobrevivência, ante à precariedade do movimento, proprietários de cinemas do interior nordestino mudaram os nomes dos filmes, adaptando-os ao linguajar local.´Uma Linda Mulher´, por exemplo, ficou Cabrita Aprumada.
´O Poderoso Chefão´ passou a ser Coroné Arretado.
´Os Sete Samurais´ virou Os Jagunços dos Zói Rasgado.
´Tora, Tora, Tora´ passou a ser Ô Xente, Ô Xente, Ô Xente,
´Guerra nas Estrelas´, Arranca-rabo no Céu.
´Noviça Rebelde´, Beata Encrenqueira.
E, finalmente, ´Os Brutos Também Amam´ passou a se chamar Os Vaqueiros Baitolas.
Provérbios da era digital

sexta-feira, 13 de março de 2009
Dê um upgrade no seu currículo

* Oficial Coordenador de Movimentação Interna (porteiro)
* Oficial Coordenador de Movimentação Noturna (vigia)
* Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de ônibus)
* Distribuidor de Recursos Humanos VIP (motorista de taxi)
* Distribuidor Interno de Recursos Humanos (Ascensorista)
* Diretora de Fluxos e Saneamento de Áreas (a tia que limpa o banheiro)
* Especialista em Logística de Energia Combustível (frentista)
* Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (peão de obra)
* Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (coitado...)
* Especialista em Logística de Documentos (office-boy)
* Especialista Avançado em Logística de Documentos (motoboy)
* Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos (vidente)
* Técnico de Marketing Direcionado (distrib. de santinho nas esquinas)
* Especialista em Logística de Alimentos (garçom)
* Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos (gandula)
* Distribuidor de Produtos Alternativos de Alta Rotatividade (camelô)
* Técnico Saneador de Vias Publicas (gari)
* Técnico em Redistribuição de Renda (ladrão)
Com vocês, ao Serviço d’Ele,Thiago
quinta-feira, 12 de março de 2009
Déjá vu
Mas essa não foi a primeira vez que o atacante marcou com estilo.
Quando jogava no Sporting, Jardel fez um gol praticamente idêntico. A vítima era o Paços Ferreira.
Manda vê Jardel, faça muitos gols pelo Ferrim ( menos no Ceará, é claro).
quarta-feira, 11 de março de 2009
Os sete pecados capitais - INVEJA

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um vagalume que só vivia para brilhar. Ele fugia rápido com medo da feroz predadora e a cobra nem pensava em desistir. Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada...
No terceiro dia, já sem forças o vagalume parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
A cobra respondeu:
Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou te comer mesmo, pode perguntar...
- Pertenço a sua cadeia alimentar?
- Não
-Te fiz alguma coisa?
- Não.
- Então por que você quer me comer?
- Porque não suporto ver você brilhar....
O DOGMA DO ABORTO E O ABORTO DO DOGMA

Se as fronteiras entre esses espaços não se encontram nunca bem definidas, há uma ética de fronteira de difícil e problemática regulamentação. Uma delas é o aborto, especialmente quando se configura como dilema ético. O problema ético, a escolha entre bem e mal, tem sempre solução mais fácil. O dilema, a escolha entre bem e bem ou entre mal e mal, nos convida à humildade e à tolerância.
O bispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, não acredita em dilemas nem na elasticidade de fronteiras. Administrando espaços religiosos acima dos espaços humanos e leis acima das leis, enviou para o inferno alguns adultos, pais e médicos, que promoveram o aborto de gêmeos de uma criança de nove anos que havia sido estuprada e corria riscos pela precoce e agressiva gravidez.
Sem tentar questionar os documentos que autorizam a administração pelo bispo das fronteiras entre céu e inferno e sem ter coragem de solicitar firma reconhecida para as leis de Deus, somente me pergunto se passou alguma vez pela santa cabeça do santo prelado que a sociedade estava decidindo entre dois abortos. Ou o aborto permitido pela Igreja de uma criança de nove anos, com linguagem, história, sonhos e projetos ou o proibido aborto zigótico, pelo dogma religioso, inclusive nesse caso específico, estupro, onde conta com o apoio das leis do país.
Se as leis pecam por generalizar, mas têm a vantagem de serem provisórias e circunstanciais, as leis de Deus absolutizam as generalizações e são permanentes e irrevogáveis. Portanto, o direito de legislar em nome de Deus é de indestrutível tirania.
Diante disso, se em tese devemos ser todos favoráveis à vida e contra o aborto, em casos particulares devemos defender o aborto como única possibilidade de sermos fiéis à vida.
No campo do simbólico, devemos continuar nossa luta contra o aborto de sonhos, aborto da justiça e aborto da igualdade, mas algumas leis favoráveis ao aborto devem ser promulgadas imediatamente. Abortar a corrupção no momento da concepção do projeto, abortar a violência no útero das relações assimétricas, abortar a intolerância no parto do dogmatismo, deve fazer parte da nossa pauta cidadã.
Nesse campo, na maioria das vezes, somente o transgressor é realmente ético. Afrontar leis dos homens e leis de Deus, em nome da vida, arriscar-se ao inferno de Dom José no desejo de construir um paraíso na terra, abortar um dogmatismo destrutivo e assassino, seria talvez o mais desejável projeto a ser assumido nesse mundo complexo.
Surpreendentemente, estaríamos mais próximos de Jesus de Nazaré, aquele que por amor ao amor, enfrentou as leis dos homens e as leis de Deus de seu tempo e sua época, e que paradoxalmente seria o atual patrono oficial e institucional de Dom José, bispo de Recife e Olinda, aquele que facilmente arrisca a vida de uma criança de nove anos.
Marcos Monteiro é assessor de pesquisa do CEPESC. Mestre em Filosofia, faz parte do colégio pastoral da Primeira Igreja Batista em Bultrins, Olinda, PE e da Comunidade de Jesus em Feira de Santana, BA. Também é coordenador do Portal da Vida e faz parte da diretoria do Centro de Ética Social Martin Luther King.
CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. E-mail cepesc@bol.com.brFone: (71) 3266-0055. Veja esse texto também no site www.portaldavida.net
domingo, 8 de março de 2009
M de Mulher
"Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas"
Sêneca
Marinas ou Madonas.
Neste Dia Internacional da Mulher, 08 de março, congratulo com todas as mulheres que faz o Mundo um pouco menos trágico e muito mais belo.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Jeitos de Amar

E perguntou pela terceira vez: - Simão, filho de João, você me ama? Então Pedro ficou triste por Jesus ter perguntado três vezes: "Você me ama?" E respondeu: - O Senhor sabe tudo e sabe que eu o amo, Senhor! E Jesus ordenou: - Tome conta das minhas ovelhas.(João 21:17)
Uma personagem põe-se a lembrar da mãe, que era
danada de braba, mas esmerava-se na hora de fazer
dois molhos de cachinhos no cabelo da filha, para
que ela fosse bonita pra escola.
"Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor".
É comovente porque é algo que a gente esquece:
milhões de pequenos gestos são maneiras de amar.
Beijos e abraços são provas mais eloqüentes,
exigem retribuição física, são facilidades do corpo.
Porém há diversos outras demonstrações mais sutis.
Mexer no cabelo, pentear os cabelos, tal como
aquela mãe e aquela filha, tal como namorados
fazem, tal como tanta gente faz: cafunés.
Amigas colorindo o cabelo da outra, cortando
franjas, puxando rabos de cavalo, rindo soltas.
Quanto jeito que há de amar.
Flores colhidas na calçada, flores compradas, flores
feitas de papel, desenhadas, entregues em datas
nada especiais: "lembrei de você".
É este o único e melhor motivo para azaléias,
margaridas, violetinhas.
Quanto jeito que há de amar.
Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de
carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta
respondida, uma mensagem pelo celular, repartir o
que se tem, cuidados para não magoar, dizer a
verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com
carinho, se for para evitar feridas e dores desnecessárias.
Quanto jeito que há de amar.
Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma
lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de
alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro
pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em
quem não consegue fazê-lo só, ouvir os velhos,
ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir.
Quanto jeito que há de amar.
Orar por alguém, vestir roupa nova pra
homenagear, trocar curativos, tirar pra dançar, não
espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir,
visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, cds,
brinquedos, brincar...
Quanto jeito que há.
Adélia Prado
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Porque sofremos ?

“O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden ( delicias ) para cuidar dele e cultiva-lo. E o Senhor Deus ordenou ao homem: “ Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá.” Gn2.15. NVI
George Barna, perito em pesquisa de opinião pública, foi encarregado de questionar as pessoas sobre o que perguntariam a Deus se tivessem oportunidade de assim fazê-lo. Por uma esmagadora margem de vantagem, a pergunta mais recorrente foi: Por que há tanto sofrimento no mundo?
Para respondermos a essa pergunta é necessário fazermos uma reflexão séria sobre o que a Bíblia tem a dizer sobre Deus e o homem, e sobre a condição de um para com o outro.
Sobre Deus a Bíblia diz que ele é amor 1 Jo. 4.8. Deus não tem o amor ele é a propria manifestação do mesmo, a essencia dele. O amor se manifesta em três níveis: a miséricordia, a paciência e a graça que é o beneficio outorgado a nós sem merito, é um favor imerecido.
Ele é santo Ez. 39.7. A palavra santo contém a idéia de separação. A santidade de Deus expressa-se mediante a retidão, Deus estabeleceu um governo moral neste mundo, isso significa que Ele decretou leis sob as quais devemos viver (Ex. 20.1-17). A santidade de Deus expressa-se também mediante a sua justiça Ele administra as suas leis com equidade; recompensando os que lhe obedessem e castigando os que não lhe obedessem, é o que os teologos chamam de justiça punitiva e remunerativa. A santidade de Deus se vê obrigada a nos castigar, mas não a nos recompensar, a essa remuneração denominamos graça.
Sobre o homem a Bíblia diz que ele é um ser criado por Deus e dependente dele ( Gn. 1.26,27; 2.7,21-23. ) e que este ser dependente decidiu se emancipar de seu criador, adotando assim uma atitude de rebeldia e desobediência contra Deus ( Gn.2.16,17; 3 ), transgredindo assim o mandamento divino recebendo assim a punição e as consequencias de seu ato.
A esse ato os teologos denominam de pecado original. Agostinho diz “ o pecado é essencialmente negativo: é o deixar de seguir a orientação divina ; é a não obediência diante do aviso que esclarece a vontade de Deus.”
O pecado de Adão consistiu numa oposição a Deus, recusando-se a deixar que Deus determinasse o curso de sua vida desse monento em diante o ser humano corrompeu-se em sua natureza e passou a ter aversão a Deus e as suas leis.
Esse ato teve consequências terriveis sobre a raça humana, Bruce Milne comenta: “ O pecado transtornou o homem na sua relação com Deus, com si próprio, com a ordem e o tempo (natureza), e com seu semelhante.” Sobre os efeitos desse ato pecaminoso J. Scott Horell comenta falando das cinco divisões que ele causou: 1) Espiritual (entre o homem e Deus Gn. 3.22-24; Is. 59.2); 2) Psicossomatica (do homem consigo mesmo ou em si mesmo); 3) Sociológica (o homem do homem); 4) Antro-ecológica (o homem da natureza); 5) Ecológica (a natureza da natureza).
Por essa avaliação descobrimos que a causa do sofrimento é o próprio ser humano (Pv.19.03; Lm.3.39). Descobrimos então que a causa do sofrimento não é Deus, porém, ele o usa para nossa disciplina e educação (Sl. 119.67; Pv.3.11-12; Hb. 12.5-11). Agora tentarei dar uma explicação sobre a idéia errada de que Deus esta passivo e indiferente ao sofrimento humano. O salmo 116 nos diz que Deus importa-se com o nosso sofrimento e que intervem a nosso favor, podemos ver isso também no livro de Jonas 4.10 e o no evangelho de João 11.33-36.
Devemos entender também que Deus não age de forma a quebrar ou infrigir as suas leis, em outras palavras, ele não usa o “geitinho brasileiro” para beneficiar-nos.
A maior prova disso é a cruz de Cristo onde vemos a justiça de Deus sendo aplicada em Jesus por amor a nós, é mediante esse sacrificio vicario (substituto) que reavemos nossa condição de bem-aventurança (Jo.3.16; Rm. 6.23; 5.1; 8.1,2,31-39). É Deus quem toma a iniciativa em mudar a nossa sorte e ele faz isso simplesmente porque nos ama e quer o nosso bem isso esta implicito por toda a Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Leia a Bíblia e Deus lhe abriará os olhos para que veja e entenda a imensidão do amor que ele tem por todo ser humano.
Porque Dele, por Ele e para ele são todas as coisas eternamente amém.
Por: Gilcélio Rebouças
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Usando a alavanca da vontade
"Liderar não é impor; mas despertar nos outros a vontade de fazer."
Foto: Ana Claudia Luz , em frente ao barco do Grenpeace (31/01/09) . Apresentação de Fernando Anitelli. (idealizador, condutor e diretor da trupe “O Teatro Mágico").
9° Fórum Social Mundial em Belém-PA
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Pulsando em preto e branco

sábado, 14 de fevereiro de 2009
Ph e Giuliano e suas guitarras (imaginárias)
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
2009: 10 anos da minha turma do Colégio Cearense

http://www.colegiocearense1999.blogspot.com
Aos que me conhecem o mínimo da minha historia de vida, sabe o carinho que tenho pelo Colégio Cearense Sagrado Coração (Antigo Marista Cearense, fechado em 2007).
Naquela casa tive oportunidade de aprender tudo que sou hoje, vivi 15 anos , como aluno e posteriormente como funcionário.
Pena que o tempo é cruel e já se passaram 10 anos.Mas ainda hoje tenho saudades de tudo que passei por lá.
Até hoje passo a pé pela Católica do Ceará (assumiu as dependências antes do fechamento da escola) para "paquerar" com minha placa e beber água com gás...rsrsrsrs (é sério)
Sou Ex-Aluno da turma de 1999 e juntamente com meus colegas de caminhada, vamos celebrar os de 10 anos num emocionante reencontro.
Será um ano nostálgico , com certeza. Mas vai valer a pena.
Ex aluno SIM, Ex Marista NUNCA.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Se eu soubesse

Se eu soubesse que o mundo terminaria amanhã, hoje ainda plantaria uma árvore.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Definitivamente, os tempos mudaram.

Uns falam demais,outros escutam de menos

sábado, 7 de fevereiro de 2009
Salmo 103

Viver

"Quando se tem um porquê viver, pode, quase sempre, suportar um como viver"Friedrich Nietzche
Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça

Através da plenitude de ventos ascendentes, em camadas;
Embora faminto, despreza preguiçoso
As refeições fáceis de refugo putrefato,
Esperando astutamente a presa esquiva: um vazio visível
Sobre uma invisível plenitude.
O sol pinta de cobre a cauda japonesa em leque, estampando
Penas contra o imenso céu
Para minha delícia, e abençoa
Com um feixe de luz o pássaro de melhor visão
Que se atira veloz sobre uma serpente
Em uma morte determinada pelo Gênesis
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
“OUTRO MUNDO É IMPOSSÍVEL” (PARA A REDE GLOBO)

Noam Chomsky nos conta que a primeira investida midiática visando a introjeção de valores e a produção de consensos alienantes no povo se deu em meio ao governo Woodrow Wilson, nos Estados Unidos. Diz Chomsky que a sociedade americana, à época marcada pelo pacifismo e sem ver razões para a intromissão de seu país na Primeira Guerra mundial, teria sido forjada por meio da propaganda governamental a assumir uma postura decididamente beligerante e anti-germânica.
O caso da mídia televisiva brasileira é semelhante. A ocultação das atividades do FSM por parte dela é somente mais um artifício ideológico cujo fim é manter no povo o consenso da passividade. Assim, seguimos vivendo como se essa realidade cruel e excludente na qual vivemos fosse natural, e como se ela fosse o produto de forças que estão além de nossa ação transformadora.
A “destra” mídia televisiva no Brasil prefere oferecer maior espaço à fatídica e insossa reunião de Davos para incutir na massa o devaneio de que é possível dar continuidade a um modelo econômico culpado por vitimar dois terços da população mundial. Henrique Dussell havia dito na última edição do FSM, que estamos assistindo ao último estertor de um sistema fundado em bases mancas. É verdade. Certamente Dussell estava se referindo ao pressuposto arrogante que alimenta as ações do mercado mundial globalizado neoliberal, de que vivemos num planeta de recursos ilimitados.
Não obstante, a tevê trata a reunião de Davos com a expectativa de que é possível rearranjar o falido mercado neoliberal. Realça a falta da pompa de anos anteriores, sobretudo a ausência de grandes celebridades da cultura atual, mas não se aprofunda criticamente numa reflexão sobre os porquês disso. Menciona descarada e sarcasticamente a voracidade consumista dos chineses ali presentes, e se contenta em resenhar os fatos como quem não vê nada grave diante de si, mas somente uma enxaqueca que será curada com a engenhosidade dos sacerdotes do capital.
Sobretudo a Rede Globo.
Por outro lado, o evento em Belém permanece propositalmente negado aos milhões de telespectadores brasileiros. Os diminutos flashes da tevê sequer chegam a divulgar a divisa do FSM: Outro mundo é possível.
Sim! O que o FSM vem alardeando há oito anos nada mais é que o princípio evangélico de que não se remenda pedaço de pano novo em colcha velha, e nem se põe vinho novo em vasos velhos. Se as Igrejas Cristãs teimam em não compreender que princípios evangélicos como esses não devem ficar estritamente reféns da interpretação tipicamente religiosa, os Movimentos Sociais e as articulações da esquerda mundial tomam a voz e falam em seu lugar. Se as Igrejas Cristãs não conseguem enxergar que a grande idolatria que se pratica hoje é a dirigida ao deus-mercado, ao custo da despersonalização, da invisibilidade e da mutilação de dois terços da população mundial, esses movimentos tomam a dianteira e fazem-no em seu lugar.
O FSM se constitui, dessa forma, num grito e numa articulação coletiva de quem não quer pôr remendo em pano velho. E aqui, a despeito da vexatória vista grossa que faz a mídia televisiva do Brasil, é preciso perceber que as razões para se ter esperança são muito maiores. Porque aí, outra vez em consonância com o evangelho, se crê que a esperança é um fermento que vai levedando a massa. Edgar Morin dizia que as grandes revoluções na história, em diversos domínios (político, cultural e também religioso), tiveram início na preleção pessoal de uma única pessoa. O FSM de Belém recebe cerca de oitenta mil pessoas. É um número pequeno. Mas deve ser pensado em termos de representatividade. É uma demonstração do que vem ocorrendo em variados cantos do mundo em termos de esperança utópica e de inconformidade com o presente estado de coisas.
O evento de Belém, como os demais encontros do FSM, não objetiva o fim do mercado mundial globalizado. O mercado é um dos muitos aparatos artificiais e um dos maiores construtos culturais de que se tem conhecimento. Dele decorre a sobrevivência direta de considerável parcela da humanidade. O que se objetiva, portanto, é que se relativize esse mercado, que peca, sobretudo, por produzir não em função dos interesses humanos, mas em função das demandas e necessidades exclusivas de seus próprios financiadores. Ademais, peca por manter as escandalosas relações assimétricas e neocoloniais entre países ricos e pobres, proporcionando a esses últimos a permanência crônica na condição de emergentes. Nas últimas duas décadas o grande fetiche neoliberal que vem sendo perseguido tenazmente é a construção de um sistema de relações econômicas que prescinda das intervenções estatais. Bem próxima a nós, latino-americanos, a cogitação da ALCA constitui-se exemplo eloqüente dessa hybris neoliberal.
O FSM deseja alardear também que é possível outra economia, sobretudo uma economia que seja marcada pela solidariedade. Como um exemplo, uma economia solidária não pode se resignar ante a realidade do latifúndio. A qualquer observador mais atento salta aos olhos o fato de que o latifúndio e a monocultura são sempre terríveis agressões ao homem e à natureza. O caso alagoano é dos mais conhecidos – e negligenciados – do Brasil. Uma economia solidária não pode conviver, como aqui se convive, com o fato de que apenas 24 famílias possuam 70% das terras agricultáveis do Estado.
Essa expressão – economia solidária – esconde a amplitude de sua proposta. Quer ser solidária, em primeiro lugar, com os pobres. Além disso, quer ser solidária com a natureza, sobretudo quando se trata de estabelecer relações ambientais que objetivem a produção de uma sociedade sustentável. Por fim, quer ser solidária com as futuras gerações, o que está vinculado especialmente com a questão ambiental. Deseja-se aí produzir em função das reais necessidades humanas e coletivas. Além disso, deseja-se aí romper com o sistema piramidal e concentrador da renda e dos meios de produção, criando uma atmosfera cooperativista que permeie todo o processo produtivo. As experiências que se têm feito em todo Brasil – não sem muita luta e por vezes sangue derramado – têm se mostrado muito profícuas.
A queda do Muro de Berlim, em 1989, foi recebida entre os setores mais reacionários da política e da economia mundial (e também entre boa parte da intelectualidade) como o fim das utopias inspiradas de alguma maneira pelo marxismo. Muitos viram ali a “pá de cal” na aventura esquerdista. Boaventura de Souza Santos chega a dizer que o neoliberalismo ganharia ares de objetividade, se confundindo com a própria realidade. Mas o funeral da esperança é algo sempre inconcluso! O FSM quer ser uma grande amostra disso.
Se for para transformarmos em objetividade qualquer arranjo sócio-político-econômico humano, que façamos com aquele que melhor distribua entre mulheres e homens o produto de sua atividade laboral. Façamos com aquele que melhor dignifique as pessoas e não as deixe em estado de invisibilidade. Façamos com aquele que melhor cuide do planeta, fonte de toda riqueza que o homem frui. Façamos com aquele que dê vez e voz aos pobres, para que superem sua posição de oprimidos. O FSM só existe ainda porque se crê que tais coisas são possíveis. E porque seus pares trabalham com a melhor acepção do vocábulo utopia – um lugar que não existe de fato, mas já existe no coração.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Que grande inutilidade

“ Que grande inutilidade!”, diz o mestre.” “ Que grande inutilidade! Nada faz sentido!”
Eclesiastes cap. 1.2 NVI
São essas as palavras de Salomão o filho do grande rei de Israel, Davi. O que mais me chama a atenção nesse livro é que ele apesar de ter sido escrito a alguns séculos atrás é tão atual quanto o jornal da manhã. Seu conteúdo é algo que esta dentro do coração de cada ser humano, ou seja, a incansável busca pela felicidade, pelo sentido da vida.
Esse é o seu grande tema, Eclesiastes nada mais é do que um sermão proferido por Salomão no fim de seu reinado sobre Israel, na sua velhice. O titulo do livro significa “ o pregador, alguém que esta falando em uma assembléia solene,” e o assunto abordado é a impossibilidade de ser feliz longe de Deus, Salomão esta dizendo ao povo de Israel que é impossível encontrar sentido na vida e ser feliz longe de Deus, alienado DEle.
Para dar peso a sua predica ele faz uso de suas próprias experiências no laboratório da vida no qual ele mesmo foi a cobaia ( Ec.2.1-11 ). Salomão fala da fase de sua vida longe de Deus quando tentou desesperadamente encontrar satisfação e felicidade longe DEle, mas a única coisa que encontrou foi frustração, depressão e solidão ( Ec.1.12-18 ).
É assim que todos nós nos sentimos quando não temos comunhão com o nosso criador, e por que nos sentimos assim? Porque há um vazio dentro de nós do tamanho de Deus, um vazio que só ELE pode preencher. Salomão tentou preencher esse vazio com coisas como a religião, o prazer hedonista, a realização de sonhos, o poder e a fama que advém das riquezas, porém, o que ele descobriu foi que tudo isso era fútil e sem valor ( Ec. 2.11 ).
Não é a religião que irá nos trazer satisfação e felicidade ( 1 Rs.11.1-8 ; Ec. 5.1-4 ) ; não é o hedonismo muito menos ( Ec. 2.1-3,8b ) ; também não é a realizações de sonhos pessoais ou de consumo (Ec. 2.4-7 ) ; e engana-se aquele que deposita suas esperanças na frivolidade das riquezas ( Ec. 2.8-10 ).
Enquanto não aceitarmos essa realidade da dependência de Deus a humanidade vivera esse caos, essa busca fútil por felicidade. Continuaremos a ser infelizes, insatisfeitos e o que é pior frustrados e decepcionados contudo e com todos.
Portanto, para que achemos satisfação e felicidade temos que ouvir o alerta de Salomão quando ele fala da impossibilidade de se encontrar felicidade e satisfação longe de Deus ( Ec. 12.1-14 ) e sigamos pelo caminho que nos leva a ELE, Jesus Cristo,em quem habita corporalmente a plenitude da divindade ( Jo. 14.6; Cl. 2.09 ). Pois, tendo um encontro com Ele temos um encontro com Deus ( Jo. 1.1; 14.8,9 ).
.
Porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas eternamente amém.
Gilcélio Rebouças
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
O último pôr-do-sol de 2008

Sob o ponto de vista secular, cada dia que passa, mais distanciamos do dia do nascimento e mais nos aproximamos do dia da morte. Sob o ponto de vista cristão, cada dia que passa mais nos distanciamos do paraíso perdido e mais nos aproximamos do paraíso recuperado. Precisamos ter certeza de que nossa história não está comprimida entre a vida e a morte.
Os dois pontos de vista são contrários entre si e estamos totalmente livres para abraçar um ou outro. Mas, há de se convir que o ponto de vista secular oculta a verdade e gera transtornos sérios, inclusive emocionais. Fazemos uma resistência desnecessária e inglória às coisas do espírito. É preciso romper corajosamente e sem demora com essa cegueira doentia e atravancadora de nossa felicidade. Sob o ponto de vista cristão, cada pôr-do-sol indica que o “momento de sermos salvos está mais perto agora do que quando começamos a crer” (Rm. 13.11, NTLH). Em outras palavras, a longa noite do pecado, sofrimento e morte está terminando e a manhã de glória está chegando. Não vamos para 2009 tendo em mente exclusivamente um ano de saúde, e de sucesso. Enxerguemos, também, pela força das convicções cristãs e da fé, aproximadamente maior da plenitude da glória, pois “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória, pois “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória por vir a ser revelada em nós”! (Rm.8.18).
Elben César , pela equipe Ultimato
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
E o ano está chegando ao fim

O olhar nostálgico de dezembro é olhar sobre si próprio, sobre o ano que passou, introspecção e retrospecção quase monástica, a vasculhar especialmente os tropeços de uma alma que jamais abandona a sua vocação imoral. Olhar inútil porque o tempo precisa de tempo para ser percebido e a demissão de Marina da Silva, a eleição de Obama e a crise das bolsas serão objetos de avaliação permanente dos escavadores da história.
Não se espera que aconteça nada de novo em dezembro, como se esgotado em suas reservas. O tempo típico de dezembro não é o futuro, mas o passando, assim no gerúndio, que um particípio voraz tenta frustrado encapsular. Se ainda não compreendemos plenamente o significado do ano de 1968, a festa de quarenta anos que é 2008, estará se revelando pouco a pouco.
É impossível escapar de certa dezembração; dezembro é detalhe em estrutura ecológica de dimensões cósmicas, impregnando o macro e o micro-universo. Os flocos de dezembro que se precipitam sobre a nossa pele não saem com água e sabão; e assim imersos nessa banheira dezêmbrica nos aquietamos adormecentes, escolhendo qualquer saudade para mastigar.
Dezembradamente, vamos nos aproximando pouco a pouco das festas que encerram mês e ano. E são festas sobre começos. Natal, celebração do começo do homem mais celebrado de nossa história ocidental; Ano Novo, recomeço teimoso da insistência da terra em arrodear o sol. Ambas são festas que reúnem passado e futuro, sendo o Ano Novo festa de passagem, festa de intervalo, nem dezembro nem janeiro, mas forçada a começar em dezembro e terminar em janeiro.
Porque por mais que dezembro nos convide à reflexão, por mais que o passado seja cheio de lições e surpresas a dezembromar, precisamos cumprir os ritos de passagem de nossa civilização e, mesmo que isso pareça uma violência, iremos necessariamente ajaneirar.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Como eu te amo

Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;
Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua,
Como se ama das aves o gemido,
Da noite as sombras e do dia as cores,
Um céu com luzes, um jardim com flores,
Um canto quase em lágrimas sumido;
Como se ama o crepúsculo da aurora,
A mansa viração que o bosque ondeia,
O sussurro da fonte que serpeia,
Uma imagem risonha e sedutora;
Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:
————
Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas.
————
De mim não saberás como te adoro;
Não te direi jamais,
Se te amo, e como, e a quanto extremo chega
Esta paixão voraz!
Se andas, sou o eco dos teus passos;
Da tua voz, se falas;
o murmúrio saudoso que responde
Ao suspiro que exalas.
No odor dos teus perfumes te procuro,
Tuas pegadas sigo;
Velo teus dias, te acompanho sempre,
E não me vês contigo!
Oculto e ignorado me desvelo
Por ti, que me não vês;
Aliso o teu caminho, esparjo flores,
Onde pisam teus pés.
Mesmo lendo estes versos, que m'inspiras,
— "Não pensa em mim", dirás:
Imagina-o, se o podes, que os meus lábios
Não to dirão jamais!
————
Sim, eu te amo; porém nunca
Saberás do meu amor;
A minha canção singela
Traiçoeira não revela
O prêmio santo que anela
O sofrer do trovador!
Sim, eu te amo; porém nunca
Dos lábios meus saberás,
Que é fundo como a desgraça,
Que o pranto não adelgaça,
Leve, qual sombra que passa,
Ou como um sonho fugaz!
Aos meus lábios, aos meus olhos
Do silêncio imponho a lei;
Mas lá onde a dor se esquece,
Onde a luz nunca falece,
Onde o prazer sempre cresce,
Lá saberás se te amei!
E então dirás: "Objeto
Fui de santo e puro amor:
A sua canção singela;
Tudo agora me revela;
Já sei o prêmio que anela
O sofrer do trovador.
"Amou-me como se ama a luz querida,
Como se ama o silêncio, os sons, os céus,
Qual se amam cores e perfume e vida,
Os pais e a pátria, e a virtude e a Deus!"
Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, – mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada;
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti, - Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta sofrer, por tudo eu te amo.
(...)
DIAS, Gonçalves. “Como eu te amo”.
In: Poesia completa e prosa escolhida.
Rio de Janeiro, Aguilar, 1959 p. 128.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Meu nome é crise
Há tempos não se falava tanto de mim como agora. Tudo por causa de uma crise no sistema financeiro. A África anda, também há tempos, em crise crônica - de democracia, de alimentos, de recursos; quem fala disso?Existe ameaça de crise do petróleo; governantes e empresários parecem em pânico frente à possibilidade de não poder alimentar 800 milhões de veículos automotores que rodam sobre a face da Terra.No último ano, devido ao aumento do preço dos alimentos, o número de famintos crônicos subiu de 840 milhões para 950 milhões, segundo a FAO; mas quem se preocupa em alimentar miseráveis?Meu nome deriva do grego krísis, discernir, escolher, distinguir - enfim, ter olhos críticos. Trago também familiaridade com o verbo acrisolar, purificar. Ao contrário do que supõe o senso comum, não sou, em si, negativa. Faço parte da evolução da natureza.
Houve uma crise cósmica quando uma velha estrela, paradoxalmente chamada supernova, explodiu há 5 bilhões de anos; seus cacos, arremessados pelo espaço, deram origem ao sistema solar. O sol é um pedaço de supernova dotado de calor próprio. A Terra e os demais planetas, cacos incandescentes que, aos poucos, se resfriaram. Daqui a 5 bilhões de anos o sol, agonizante, também verá sua obesidade dilatada até se esfacelar nos abismos siderais.
Todos nós, leitores, passamos pela crise da puberdade. Doeu ver-nos expulsos do reino da fantasia, a infância, para abraçar o da realidade! Nem todos, entretanto, fazem essa travessia sem riscos. Há adolescentes de tal modo submersos na fantasia que, frente aos indícios da idade adulta, que consiste em encarar a realidade, preferem se refugiar nas drogas. E há adultos que, desprovidos do senso de ridículo, vivem em crise de adolescência...
Resulto da contradição inerente aos seres humanos. Não há quem não traga em si o seu oposto. Quantas vezes, no trânsito, o mais amável cidadão arremessa o carro sobre a faixa de pedestres; a gentil donzela enfia a mão na buzina; o aplicado estudante acelera além da conveniência! Não é fácil conciliar o modo de pensar com o modo de agir.Estou muito presente nas relações conjugais desprovidas de valores arraigados. Sobretudo quando a nudez de corpos não traduz a de espíritos e o não-dito prevalece sobre o dito. Felizmente muitos casais conseguem me superar através do diálogo, da terapia, da descoberta de que o amor é um exercício cotidiano de doação recíproca. O príncipe e a fada encantados habitam o ilusório castelo da imaginação.
Agora, assusto o cassino global da especulação financeira. Acreditou-se que o capitalismo fosse inabalável, sobretudo em sua versão neoliberal religiosamente apoiada em dogmas de fé: o livre mercado, a mão invisível, a capacidade de auto-regulação, a privatização do patrimônio público etc.Dezenove anos após fazer estremecer o socialismo europeu, eis-me a gerar inquietação ao mercado. A lógica do bem-estar não lida com o imprevisto, o fracasso, o inusitado, essas coisas que decorrem de minha presença. Os governantes se apressam em tentar acalmar os ânimos como a tripulação do Titanic, enquanto a água inundava a quilha, ordenou à orquestra prosseguir a música...
Tenho duas faces. Uma, traz às minhas vítimas desespero, medo, inquietação. Atinge aquelas pessoas que não acreditavam em minha existência ou me encaravam como se eu fosse uma bruxa - figura mitológica do passado que já não representa nenhuma ameaça.Minha outra face, a positiva, é a que a águia conhece aos 40 anos: as penas estão velhas, as garras desgastadas, o bico trincado. Então ela se isola durante 150 dias e arranca as penas, as garras, e quebra o bico. Espera, pacientemente, a renovação. Em seguida, voa saudável rumo a mais 30 anos de vida.
Sou presença frequente na experiência da fé. Muitos, ao passar de uma fé infantil à adulta, confundem o desmoronar da primeira com a inexistência da segunda; tornam-se ateus, indiferentes ou agnósticos. Não fazem a passagem do Deus "lá em cima" para o Deus "aqui dentro" do coração. Associam fé à culpa e não ao amor.
Acredito que este abalo na especulação financeira trará novos paradigmas à humanidade: menos consumismo e mais modéstia no padrão de vida; menos competição e mais solidariedade entre pessoas e empreendimentos; menos obsessão por dinheiro e mais por qualidade de vida.Todas as vezes que irrompo na história ou na vida das pessoas, trago um recado: é hora de começar de novo. Quem puder entender, entenda.
Frei Betto
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Ele tudo pode fazer...

“respondeu-lhe o Senhor: quem fez a boca do homem? Ou quem faz o
mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.”
Com Deus à frente podemos fazer coisas nunca imaginadas. Tudo realmente se torna diferente se admitimos que Ele tudo pode fazer. Nosso papel é confiar.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Dia Mundial da Φιλοσοφία

Ou o homem, mas no todo.
COMTE-SPONVILLE, André, A apresentação da filosofia, p. 14, Martins Fontes, 2002.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Nosso tempo

"Deus não exige muito do nosso tempo, nem da nossa atenção. Ele não exige nem todo o nosso tempo nem toda a nossa atenção; é a nós mesmos que Ele quer."(C. S. Lewis).
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Reforma Protestante

Impondo a bandeira da “Sola Escriptura e Sola fidei” (Só a Bíblia e só a fé), Martinho Lutero, impulsionado por vários episódios que já vinham acontecendo ao redor da Europa, escreveu as famosas 95 teses, denunciando o desvio da igreja católica e convocando o povo cristão de então, a um retorno a fé evangélica. Denunciava ele, a cobrança de indulgência, idolatria, nepotismo e tantas outras idéias maléficas que tomaram conta do imaginário cristão de então. Martinho Lutero defendia que todos deviam ter livre acesso às escrituras, interpretando as mesmas sob a orientação do Espírito Santo e que a salvação era fruto da fé no sacrifício redentor do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Uma belíssima história de luta e muito sangue derramado, envolveu este episódio da história da humanidade e em especial do cristianismo. Hoje somos fruto daquela luta de mais de 500 anos atrás. Temos uma tradição riquíssima e cheia de “ruas” que ainda precisam ser descobertas e conhecidas até os nossos dias, com o objetivo de enriquecer ainda mais a tradição Protestante.
Olhando para os dias atuais e percebendo a total falta de conhecimento da parte de muitos que se dizem “protestantes”, mas que lamentavelmente não conhecem a história e ainda fazem questão de demonizá-la, afirmando que tradição é coisa de crente frio que não tem o Espírito Santo, ou ainda percebendo “crentes” que estão mais atualizados com o Halloween (festa das bruxas) do que com o fato da mais alta relevância histórica que é a Reforma; ficamos a pensar o que será do nosso futuro como igreja protestante nos próximos anos e por que não pensarmos logo o que será também das próximas gerações de cristãos protestantes ao redor do mundo?
A chamada igreja protestante brasileira, que é a que eu conheço um pouco, tem a cada dia se transformado numa coisa estranha e muito distante dos princípios que nortearam a Reforma; uma igreja em que o místico ocupa todas as atenções enquanto que a reflexão teológica crítica aos poucos vem sendo banida da mesma e ainda por cima acusada de ser a causa da frieza e do descaso moral e ético de muitos “crentes”; uma igreja mais preocupada com resultados, crescimento numérico e sucesso no campo empresarial do que preocupada em servir a humanidade colocando-se como a serva dos servos através de ações concretas de combate a miséria, fome, desemprego, prostituição infantil, racismo, homofobia e tantas outras manifestações de pecado em nossa sociedade; líderes religiosos que, a exemplo dos líderes da época da primeira Reforma, buscam para si títulos, poder e influência em vez de se colocarem como exemplo dos fiéis, servindo-os com suas vidas e atitudes, mediante uma vida digna, porém sem opulência; uma igreja que cresce numericamente através dos vários pacotes (G12, G5, Igreja com Propósito, Rede Ministerial, Evangelismo Explosivo, etc.) e ocupa espaço na mídia e na arquitetura das grandes cidades brasileiras, mais que a cada dia cai no descrédito das pessoas se nivelando por baixo na sua conduta ética em meio ao mundo em que estamos inseridos.
Enfim, precisamos urgentemente de uma nova e vigorosa reforma no seio da igreja atual. Uma nova e vigorosa reforma que resgate os pilares teológicos defendidos pelos primeiros “pais” da tradição cristã; uma reforma que resgate o servir como exemplo de sucesso e a simplicidade, como meta a ser seguida e desejada por todos. Uma reforma que resgate a oração, a leitura e estudo da Palavra de Deus e, consequentemente, traga um avivamento de mudança de vidas e das estruturas do mundo em que vivemos, uma reforma que faça a igreja olhar para a ecologia e sua aflição em nosso planeta e que por fim, faça-nos resplandecer a luz do evangelho através de uma vida simples, séria, cheia do Espírito Santo e totalmente contaminada com o exemplo de serviço do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Pr. Wellington Santos
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
27 anos de vida.

Para quem não sabe dia 20 de Outubro é meu aniversário. Sim, 27 anos. 27 anos de vida. Vinte e sete. Eita lasquera. Vinte e sete anos felizes. Confesso que não tenho grandes motivos para comemorar, mas de maneira nenhuma perco a oportunidade de celebrar a VIDA, e desde de já agradeço as mensagens pelo celular, e-mails, ligações, e por mais difícil que possa vir a ser as congratulações feitas pessoalmente (é verdade, hoje em dia AINDA existem gestos concretos).
Muito obrigado a todo pelo carinho, tanto pelos de longe quanto os que estão pertinho, me alegro com todos vocês no dia de hoje. Deus abençoe a vida de cada um.
Muito Obrigado.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Seguindo em frente, olhando para o alto.
Os engenheiros afirmam que os alicerces de uma construção pode ser a parte mais cara do projeto.
É cara mais é necessária.
Para construir o alicerce da Verdade é preciso sair do pensamento mágico que propõe algo do tipo um dia vou encontrar alguém que eu possa amar e que me entenderá.
O risco de viver à espera desse ser especial é não aceitar o outro e entrar no jogo do Julgamento.
Lembre-se:
Não existem vítimas e algozes, pessoas boas e más.Nos vivemos papéis complementares nos teatros da vida. Isto é, não encontramos pessoas especiais, construímos relações especiais.
O que tenho em mãos é sempre pouco, quando comparado ao que precisaria ter para realizar os meus projetos e desejos. E não importa se estou falando de tempo, dinheiro, pessoas ou poder.
Sempre o que tenho parece menos do que precisaria para fazer o que quero. Também é assim com você ?
As jóias da vida tem um preço para serem encontradas e lapidadas.
Dêem o valor devido as que fazem parte da suas histórias.
Não há atalho.
Não há caminho largo."
Capital do Ceará,16 de Outubro de 2008.
domingo, 12 de outubro de 2008
Como viver num mundo de parcerias frouxas e eminentemente revogáveis
A tese de Bauman é que vivemos em um mundo líquido, que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço. O amor, nesse mundo líquido, é amor líquido. A tirania do mercado explica em parte esta característica rarefeita de tudo. Estamos na era do homo consumens. O que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz deve também estar preparado para suportar malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.
Estar excluído da sociedade de consumo equivale a ser um fracassado, um incompetente. Um consumidor falho fica se utilizando dos mesmos bens, e a utilização repetida o priva da possibilidade de sensações novas e inéditas. Isso os leva ao tédio e à frustração. Ser bem sucedido é conviver com novidades, variedades, e rotatividade.
Daí surge a cultura do aluguel e do descartável (e por isso mesmo mais barato). Nesta sociedade líquida, você não compra, aluga. Comprar implica posse e permanência. Alugar implica rotatividade sem ônus. O descartável pode ser facilmente substituído sem muito prejuízo: vale a relação custo benefício, ou tempo de benefício. No mercado, tudo está ao alcance do cartão de crédito, e a distância entre o desejo e sua satisfação está cada vez mais curta. E, portanto, o descarte cada vez mais rápido. A experiência sexual e relacional segue o mesmo padrão e raciocínio. Seu parceiro pode abandonar você a qualquer momento, sem o seu consentimento.
Anthonny Giddens, outro célebre analista da chamada pós-modernidade, fala dos “relacionamentos puros”, onde as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginem que estão proporcionando a cada uma satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é “por causa de” e não “a fim de”. Enquanto há razões a parceria permanece. Os parceiros já não se enxergam como construtores de si mesmos, um do outro e da própria parceria.
Parcerias frouxas e eminentemente revogáveis substituíram o modelo da união pessoal “até que a morte nos separe”. Bauman chama isso de “relacionamentos de bolso”, que compara com vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde. Por esta razão, a “sociedade líquida” prefere os relacionamentos diluídos, para que possam ser aproveitados. Os compromissos intensos e de longo prazo são uma armadilha a ser evitada. O compromisso fecha a porta para novas possibilidades (quem sabe, até melhores). Mantenha sempre sua porta aberta, dizem os “especialistas”.
Viver juntos foi substituído por ficar juntos. A convivência foi substituída pelos encontros episódicos. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com sexo. O divórcio foi substituído pelos CSS - casais semi separados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar sem qualquer compromisso, promovendo relações fantasiosas ou profundas protegidas pelo anonimato. Ralph Waldo Emerson acertou ao afirmar que “quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar desforra na quantidade”.
Na compulsão de tentar novamente, e obcecado em evitar que a atual experiência sabote a futura, ou sempre em expectativa de que o melhor está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar, as pessoas acabam desaprendendo o amor, tornam-se incapazes de amar. A sensação de que se pode ser abandonado, substituído a qualquer momento impede a entrega total, e porque não se entrega totalmente, o amante parcial vive com a constante sensação de que está vivendo um equívoco, ou que está esquecendo algo, ou deixando de experimentar alguma coisa. Isso faz com que o amante parcial viva carregado de ansiedade. E, pior do que isso, está condenado a permanecer para sempre incompleto e irrealizado. Bauman diz a respeito que estão “numa viagem nunca termina, o itinerário é recomposto em cada estação, e o destino final é sempre desconhecido”.
A resposta cristã para esta “sociedade líquida” que vive de “amores líquidos” deve considerar, pelo menos, três fatos. Em primeiro lugar, lembre-se que o amor encontra seu significado, não na posse das coisas prontas, completas e concluídas, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas. Martinho Lutero nos adverte que “o amor de Deus não se destina ao que vale a pena ser amado, mas cria o que vale a pena ser amado”. Em outras palavras, não espere pessoas prontas, caminhe com elas rumo à maturidade.
Lembre-se também que o amor não é um caminho de satisfação, mas de transformação e realização. Hans Burki ensinou que “mais da mesma coisa nos deixa no mesmo lugar”. Em outras palavras, quando seu relacionamento não estiver satisfatório, não mude parceiro ou parceira, mude o relacionamento.
Finalmente, lembre-se que o amor não é um episódio, mas uma caminhada comum. Não acontece na relação superficial, esporádica, virtual, meramente física, mas num relacionamento de proximidade que conduz à intimidade em direção à profundidade do ser que ama (dos seres que se amam). Em outras palavras, não confunda paixão e sexo com amor.
A sociedade anticristã não vive da negação do que é cristão, mas da deturpação. Para deturpar, você priva, exacerba (exagera) ou distorce. O amor líquido é uma falsificação do amor sólido. Isto é, para conspirar contra o amor, o diabo não precisa semear o ódio (a maioria rejeita), basta semear o amor líquido. A sociedade líquida está iludida. Carece de gente que viva relacionamentos de “amor sólido” para que conheça a verdade e seja liberta de sua ilusão.
[Ed René Kivitz]

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