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Capital do Ceará, Ceará, Brazil
cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

VOTE!



Ética deriva do termo grego ethos: bons costumes que regem ou deveria reger a conduta humana. 
 
Devemos cobrar ética na política. Sem duvida, mas, também temos que ensinar ética as nossas crianças: para que elas apreendam a respeitar e valoriza os colegas da escola; devolver o que emprestou; agradecer; pedir: por favor, com licença e obrigado. 
 
A ética regulamenta as relações humanas e sociais. Na Idade Média os valores éticos predominantes eram os religiosos. Que seguia sempre a dualidade: bem e mal.
 
Após a revolução iluminista. A fundamentação ética saiu do Teocentrismo, Deus no centro, passando para o antropocentrismo, homem no centro.  
 
As consequências da mudança desse eixo ético são: 
 
Nesse novo eixo temático ético, a razão, passa ser o guia pessoal: agir eticamente  é seguir a sua consciência. Por isso nessas eleições devemos votar consciente se assim o fizermos estaremos sendo éticos.
 
Assim Kant define a ética. 
 
“Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal”.
 
Aristóteles define: o ser humano, sendo um animal político. 
 
“É evidente que a cidade faz parte das coisas naturais, e que o homem é por natureza um animal político. E aquele que por natureza, e não simplesmente por acidente, se encontra fora da cidade ou é um ser degradado ou um ser acima dos homens, segundo Homero (Ilíada, IX, 63) denuncia, tratando-se e alguém: sem linhagem, sem lei, sem lar.” (Política Aristóteles).
 
Política é a busca do bem comum.
 
Na história política do Brasil a partir do descobrimento começamos a viver numa monarquia. 
 
Em 1989 foi proclamada a República; De 1899 a 1930 a primeira etapa da república; em 1930 Vargas implantou a Ditadura; 1964 foi dado o Golpe Militar, regime de recessão e opressão; Em 1985 Sarney foi eleito de forma indireta. Em 1989 Collor foi eleito de forma direta. Com o propósito de acabar com os marajás ficou no poder até 1992; Assume como presidente Itamar Franco, ele nomeia Fernando Henrique Cardoso FHC para seu Ministério; 1994 FHC é eleito presidente e reeleito em 1998; 2002 Lula, operário, sindicalista, semi-analfabeto foi eleito para ocupar o cargo maior da nação.
 
Fiz esse breve histórico para reafirmar que embora a postura ética não esteja na conduta de alguns políticos, não devemos nunca deixar de vota.
 
Jamais venda seu voto!
 
Não anule! 
 
Nem vote em branco!
 
Foram longo e penosos anos. Muitas vidas foram ceifadas, para que hoje, eu e você pudéssemos escolher os nossos governantes. Não desperdiçamos a luta dos justos que nos antecederam.
 
VOTE! Obviamente de forma racional, clara e consciente.
 
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Definição de filosofia

Sempre, ao final de minhas aulas, me perguntam "o que faz um filósofo?" "Há campo de trabalho para um filósofo?". Na próxima vez vou responder dando um cartão com o presente link.
 
A imagem:
 

Bem que eu poderia ser aquele filósofo clássico cujo melhor amigo era o ócio. Aristocrata com orgulho.

E vida que segue.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana




"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

"Miseráveis"
são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre."

DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana (escritor gaúcho nascido em 30/07/1906 e morto em 05/05/1994 .

Com vocês, ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O avesso da política e a política pelo avesso.


Quando caminhamos pelas periferias da vida nos encontramos com esse avesso da política que nos leva a colocar a política pelo avesso, re-examinando conceitos e aprendizados. Uma outra lógica e uma outra ética diante da qual jogamos nossas respostas simplistas, como cientistas de uma vida que insiste em não caber na academia.




Uma família pobre, mas articulada, discute candidatos não por propostas, histórico de vida ou confiabilidade dos partidos, mas pelo preço do voto. Vendem seus votos, afirmam, porque todos os candidatos (exceto nas majoritárias) compram votos, o que muda é o preço. Argumentam que todos os candidatos são iguais, ou seja, para eles o nosso legislativo configura a banalidade do “tanto faz quanto tanto fez”. Argumento para o qual temos dificuldade de encontrar resposta convincente.



Seria muito fácil lançar a culpa das mazelas da sociedade no povo. Entretanto, o que precisamos é desconfiar de nosso processo democrático como está dado atualmente. Não tem como não entender se os eleitores preferirem votar no bom humor de Tiririca do que no mau-humor disfarçado de nossos políticos profissionais.




Em uma cidade do interior, um pastor muito politizado, com uma postura libertadora, conversa com um bom padre. Então, assisto a uma inversão histórica bem complexa. O padre está cansado do jogo político (o povo não seria confiável, explica), enquanto o pastor imagina utopias de mundos novos e de gente engajada em processos libertadores.



O que isso significa? Exaustão, esvaziamento, migração, ou outra coisa, de uma teologia libertadora, ou o que?



Na verdade, já começamos a desligar a TV no horário eleitoral e assistir a campanha, pelo youtube, do conhecido humorista Tiririca, candidato a uma legislatura federal pelo estado de São Paulo. Se ele ganhar de candidatos historicamente competentes como José Genoíno, por exemplo, os eleitores fizeram opção entre políticos profissionais sem senso de humor e humoristas profissionais populares. Bem, os chargistas e a população já sabem que os nossos políticos são excelentes humoristas. Mesmo assim, será surpreendente se os humoristas se revelarem bons políticos.



Há algum tempo, brincávamos com o fato de que a popularidade de Lula decidiria essa eleição e de que até um opositor histórico como Serra, procuraria às pressas um retrato manchado, onde apareceria abraçado a Lula, para divulgar no horário eleitoral. Pensávamos que isso era uma boa pilhéria e ficamos impressionados com a tentativa desesperada do candidato tucano se associar à imagem do presidente.



Todas essas coisas nos remetem a uma perplexidade óbvia. Vivemos um momento confuso, enquanto sociedade ocidental, e não temos nenhuma saudade da maioria das alternativas históricas. Acreditamos que há sementes de um novo mundo e de uma nova sociedade espalhadas por aí. Desconfiamos até, mas não sabemos onde se encontram. Talvez na consolidação gradativa de alguns movimentos, no entusiasmo de alguns jovens, em novas compreensões vindas de teóricos engajados, em religiosos comprometidos com o povo e seus sofrimentos, em todos esses lugares, ou em outros.

Marcos Monteiro


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Os políticos estão de volta.


O horário eleitoral começou e os candidatos começam o debate apresentando educadamente, por enquanto, as suas propostas de governo.


Todos tratam da continuidade, como era de se esperar, desse governo que agradou a quase todos, concentrando-se nas nuances também esperadas: resolver a violência, aperfeiçoar a educação, implementar políticas compensatórias, melhorar a gestão da saúde, continuar o crescimento, coisas assim.



De tal modo que assistir ao guia eleitoral ou desligar a televisão parece ser a mesma coisa, como parece ser quase a mesma coisa escolher qualquer candidato ou candidata.

Os pedaços de vida que vamos recolhendo no nosso cotidiano não parecem ter nada a ver com tudo isso. Casal que caminha pela beira do mar iluminados pela lua, pessoas que compram roupas, reencontro com amigos, rodas de bar, pertencem a outro tempo e a outro espaço, não contemplados pelo espaço político oficializado.

Entretanto, um olhar mais acurado descobre nesse cotidiano a surpresa de elementos interligados ao jogo político, essa imbricação impossível de se desmanchar entre política e vida.

O contexto nos torna desesperançados com a política partidaria, no entanto, a politica é muito maior que a partidária.
 
Uma boa sexta.
 
Com vocês ao serviço d'Ele Thiago Oliveira Braga.
 

E assim caminha a humanidade.

"Zele apenas por seus interesses" - Nicolau Maquiavel

O pensamento de Maquiavel é o que observamos diariamente. Pessoas freneticamentes buscando os seus próprios interesses, cobiçando e procurando obter o que puder, enganando o próximo toda vez que puder e usando a força ao invés da bondade ao tratar com o próximo.

Somos alertados pelo apóstolo Paulo a deixarmos de lado todo pensamento que nos leva a pensarmos em nós mesmos (I Corintios 10:24). Temos que procurar a pensar nos nossos semelhantes e no que é melhor para eles. Que tal servirmos de alguma forma aqueles com quem tivermos contato hoje. Vamos nos esforçar em fazer algo bom e produtivo para alguém e não somente para nós.

 

sábado, 14 de agosto de 2010

A nova reforma protestante


Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.



Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.



Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.


Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”


Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”


Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”

Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”
 

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.


Matéria publicada na Revista Época

domingo, 8 de agosto de 2010

Se for viver, viva com dignidade.


Para tudo há um tempo




Tempo de nascer e viver



E vivendo viva com dignidade



Tempo de crescer e criar responsabilidades



O tempo de falar a verdade é o tempo todo



Tempo de deixar de ser peso morto e de ser a mesmas pessoas de anos atrás



Tempo de evoluir, mudar ás reclamações, abandonar falhas antigas.



Tempo de descobrir á vida como algo sério



Tempo de agir como se Deus realmente existe



Tempo de descobrir que o fazemos não está encoberto, existe desdobramentos eterno



Tempo de enxergar que o hoje já é parte da eternidade, por isso não a comprometa



Há tempo de cantar, dançar e até falar bobagem e agora não é esse tempo



Tempo de assistir filme



Tempo de deitar e descansar



Tempo de se levantar fazer algo pelo próximo



Tempo de trabalhar e pagar suas próprias contas



Tempo de amar e deixar ser amado



Tempo de confiar



Tempo de confessar



Tempo de ser exortado



Tempo de exortar



Tempo de olhar as estrelas, ouvir o sabiá e escrever uma musica



Viva cada fase de sua vida com intensidade e sinceridade



Dando a cada momento seu devido tempo



E se para tudo há um tempo



Tem também o tempo de morrer



E morrendo morra com dignidade.


Com vocês, ao Serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quando o outro é essencial.


Quando nos percebemos como donos das nossas decisões, e portanto, da nossa história, precisamos ter o cuidado de não desprezarmos as complexidades das relações humanas, lembrando que, como seres sociais, não podemos viver sozinhos, isolados, somente em comunidade, onde um dependendo do outro.



Toda vez que tomamos uma decisão, outras pessoas estão envolvidas nela, direta ou indiretamente. E isso não pode ser desprezado.


O padre Leonardo Boff escreveu um pensamento muito profundo sobre as relações humanas:


“O universo é constituído por uma imensa teia de relações de tal forma que cada um vive pelo outro, para o outro e com o outro; o ser humano é um nó de relações voltado para todas as direções.”


Ninguém pode, a partir de seus desejos, sair matando seus inimigos. Ou melhor, pode. Mas isso o tornaria um egoísta, e a curto prazo, um doente. O egoísmo, via de regra, nos deixa doentes.


Quando o filho pródigo foi embora, desconsiderou a relação que mantinha com sua família. Desprezou suas relações pessoais, e decidiu tocar a vida sozinho. E, com essa decisão, aprendeu uma dura lição: sozinho não existe vida.


Ninguém é capaz de viver sozinho.


Essa foi a lição que o Filho Pródigo aprendeu.


Portanto, cuide de suas relações pessoais, e saiba que são elas que dão sentido a vida. Não despreze esse fato, mas o leve em conta em cada vez que for tomar uma decisão.

 

E como Vinícius de Moraes certa vez cantou:
 
 
"Fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho ..."
 
 
Bom final de semana.
 
 
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Foi-se a Copa?


Foi-se a Copa? Não faz mal.


Adeus chutes e sistemas.

A gente pode, afinal,

cuidar de nossos problemas.



Faltou inflação de pontos?

Perdura a inflação de fato.

Deixaremos de ser tontos

se chutarmos no alvo exato.



O povo, noutro torneio,

havendo tenacidade,

ganhará, rijo, e de cheio,

A Copa da Liberdade.



Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 - Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1917) - Considerado um dos maiores poetas brasileiros, autor de uma vasta obra poética, que também inclui contos e crônicas. Morou no Rio de Janeiro a maior parte de sua vida, onde, foi funcionário público. Foi traduzidos para vários idiomas e é uma referência fundamental na poesia brasileira.

domingo, 11 de julho de 2010

O valor de uma derrota.



Perdedores que lutam com galhardia serão sempre grandes vencedores. O Uruguai nessa Copa da África do Sul foi uma inspiração.

Caiu de pé, perdeu lutando, time valente, todos os clichês do mundo valem para a valorosa Celeste Olímpica.

Foi até onde deu, até onde o outro time deixou. Lutando, sim, como sempre foi com essa pequena aldeia ao sul do Sul.


O Uruguai mostrou a ele mesmo que dá. Dá para voltar a ser grande, dá para sonhar com uma terceira estrela, dá para se orgulhar de um time de futebol. Vamos tomar uma Patricia, Montevidéu. Outras Copas virão, aí à margem do Rio da Prata o tempo anda diferente, não há pressa.

Não chore, Montevidéu. Quando lembrar da Copa de 2010, inevitavelmente lembrarei desse pequenino gigante.

Uruguaios podem voltar contentes, não ganhar uma Copa não é o fim do mundo.

O jogadores honraram suas camisas, seus companheiros e seus treinadores, e ninguém ficou no pódio combinando balada no celular, como o Ronaldinho Gaúcho fez em Pequim em 2008.

Isso ninguém me contou, eu vi. Quer dizer, vi o cara falando ao celular desinteressadamente enquanto argentinos e nigerianos, acho, recebiam ouros e pratas. Não sei se estava combinando balada, isso já é maldade minha. Mas achei meio desrespeitoso.

E vida que segue... e Copa fecha as cortinas hoje.
 
Bom domingo. Boa final. Viva o futebol.

sábado, 10 de julho de 2010

Orgulho que faz bem !


"Saudações ao sofrido povo pobre nordestino,


povo destinado, povo destemido,

Que Deus abençoe a todos

favelados , mendigos, bóias-frias

mantidos no sufoco,

povo injustiçado, nordestinos

desconsiderados considerados desnecessários



Válidas as banais arriações pelo sotaque

por muitos otários

Povo que enfrenta vários obstáculos,

luta duro, dão murro com razão



Sua coragem e determinação prolongam

a confiança nos seus fortes punhos,

mãos calejadas, suor escorre pelo corpo

cansado, enfadado mesmo

não desistem e continuam a caminhada



Deus, abençoe à todos



Deus abençoe meu povo"

 
Faces do Subúrbio




É com essa letra belíssima da banda Faces do Subúrbio que peço a todos os Nordestinos que tenham orgulho de nascer nesta região belíssima do Brasil! Amem sua terra, honrem seu estado e principalmente, TORÇA PARA UM TIME DE SUA CIDADE. Sigamos em frente, afinal, o nordestino é antes de tudo UM FORTE.
 
Com vocês no serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

Pós-copa



Assim que terminar o Mundial, domingo, todos sofreremos de Depressão Pós-Copa, doença que acomete todo o planeta por alguns dias, até que os campeonatos nacionais retomem seu ritmo normal, e nossas vidas também.



Partilho uma coletânea com videos de clássicos da história das Copas que vale a pena ser visto. O link está aqui, ó. Tem até um documentário de 8 minutos sobre a Copa de 1950

Bom final de semana.
 
Outro com direito a final de Copa do Mundo, só em 2014.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Até tu, Paul?


Essa é simpática.

Consta que PT e PSDB acabaram de cancelar seus contratos com Ibope, DataFolha, Vox Populi e Sensus e estão atrás de Paul, o Polvo. O cartunista Amarildo é o autor.

Se despedindo desse clima de Copa do Mundo e iniciando o eleitoral.

E vida que segue...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Internet – use com moderação!


Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.

Filipenses 4:8



A internet é um meio extraordinário de comunicação. Ela facilita a vida das pessoas e das empresas, abrindo um leque de informações incomparável. Os correios eletrônicos permitem nos comunicar instantaneamente com o mundo inteiro. Contudo, apesar de seus benefícios, a internet representa um perigo real. Os provedores competem uns com os outros com propagandas sedutoras: “Possibi­lidades ilimitadas – Navegue grátis sem restrição!”


Esse slogan contém um paradoxo: a liberdade para navegar acorrenta o usuário imprudente ao computador. As possibili­dades podem ser ilimitadas, mas nossa vida não é. Este mundo está destinado à destruição e podemos ser arrastados se nos prendermos a ele. Tome cuidado! Não desperdice o tempo que Deus lhe concedeu. Esse tempo, que não é ilimitado, nos é dado para buscar e conhecer a Deus.


Mesmo se usarmos os recursos da internet com sobriedade, estaremos nos expondo a toda sujeira contida nela. Todo tipo de pessoas, grupos e empresas utilizam esse meio para promover suas idéias e produtos. É preciso estar alerta! A advertência de Paulo aos gálatas se aplica a esse caso: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor” (cap. 5:13).

Extraído do devocional BOA SEMENTE

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Barcelona, 5 de julho de 1982.

Era isso que estava escrito sob esta foto de Reginaldo Manente na capa do “Jornal da Tarde” no dia seguinte à derrota do Brasil para a Itália no Sarriá.


É a melhor capa de jornal de todos os tempos. A foto, local e data, nada mais. Importa muito pouco o que estava escrito lá dentro, nas páginas do jornal que eu lia, e que não é mais o mesmo faz tempo. O “JT” foi um sopro de inovação na imprensa brasileira no final dos anos 60, e curiosamente nascido numa tumba do conservadorismo como é o grupo “O Estado de S.Paulo” com seu jornalão reaça e quatrocentão. Conservadorismo assumido, pelo menos. E, apesar disso, vítima do que de pior o conservadorismo deixou no Brasil, a censura tacanha, a invasão de suas redações por alcaguetes do regime militar. Não deixa de ser irônico. O mais conservador dos jornais teve no conservadorismo seu maior algoz. E foi uma de suas mais vibrantes peças de resistência.


O Brasil perdeu da Itália no dia 5 de julho de 1982 e Manente flagrou o menino na arquibancada do Sarriá. Nada expressa melhor aquela derrota de exatos 28 anos atrás. O fim do sonho de criança de ver a bola bem jogada levantando uma taça. Nem o Sarriá existe mais. Virou condomínio de luxo em Barcelona.


Valdir Perez; Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico; Serginho e Éder. Telê no banco. Todos, exceto Falcão, jogavam no Brasil. Já falei dessa Copa e desse time dias atrás, aqui mesmo. Mas hoje faz 28 anos, e é data que não deve passar em branco quando, mais uma vez, está na boca do povo o eterno duelo futebol-arte x futebol-de-resultados. Discussão eterna que nunca vai ter fim. Mas se a gente olhar para a foto do moleque (quem será ele, por onde anda?), dá pelo menos para entender um pouco por qual tipo de time se chora no futebol.


Outros não merecem uma lágrima sequer.

Vamos em frente?


"O que vocês querem?" João 1.38

Quem sabe hoje Deus não esteja dizendo pra você: o que você quer? Quem sabe você já tenha levantado inquieto, pois o dia será intenso e necessita de força, capacitação, paz, ânimo, coragem, investimento, etc...

Você deseja enfrentar a intenssidade do dia na tua força? Jesus é quem faz a pergunta e se está fazendo é que está disposto a querer fazer algo por você. Sei que sua vida é corrida, mas quem sabe não dizer e ele sua necessidade? Traga-o para o centro de sua vida e esponha o que deseja. Não tenha receio. Talvez não seja seu hábito, mas estou apenas querendo te ajudar a dar um passo e falar, expor e pedir.

Deus abençoe e uma semana abençoada.

Thiago Oliveira Braga.

domingo, 4 de julho de 2010

Qual o tamanho do teu mundo?


Qual o tamanho do teu mundo?


Experimento VIVER

No sentido mais intenso

Que essa palavra carrega



Respire a liberdade

Sinta a ADRENALINA

Teste os teus sentidos



Qual o tamanho do teu MUNDO?



Descubra o mundo onde você vive

Sinta-se parte dele

Aprenda com as diferenças

Viva sem fronteiras



Qual o TAMANHO do teu MUNDO?



Não basta apenas ler

Nem ouvir falar

Vá até lá, toque, sinta

A liberdade é o espaço que a felicidade precisa



QUAL O TAMANHO DO TEU MUNDO?

sábado, 3 de julho de 2010

Adorando ganhar mas aprendendo a perder.

A verdade matemática e evidente – embora o evidente nem sempre seja notado – é que em uma Copa do Mundo 31 perdem e 1 ganha. Ou, vá lá, ponderando que 20 seleções vêm a passeio, então 11 perdem e uma ganha. É óbvio, é matemático. Mas assim mesmo sofremos a cada Copa perdida como se fose um fato bizarro, uma loucura, algo a ser esclarecido em CPI do Congresso. Não é. Perder, queiramos ou não, é mais comum que ganhar títulos.




Assim mesmo começam as teorias, as suposições, os “cientistas” da bola dizendo o popular “eu já sabia” e coisas do gênero. Sabiam nada, né… Ou, se sabiam, erraram na Copa das Confederações, na Copa América, nas Eliminatórias, no primeiro tempo contra a Holanda.



Nesse desespero por uma explicação para algo que é matematicamente banal, já recebemos, depois de 2006, um monte de “certezas”. Senão vejamos:

Weggis foi uma farra. Agora fizemos os treinos de preparação em silêncio absoluto.

A seleção reuniu-se na Europa e não sentiu a pressão da torcida em casa. Agora o time foi reunido em Curitiba.

A seleção só tinha astros preguiçosos. Agora optamos pelos operários voluntariosos.

A seleção abusou do número de atacantes. Agora dimunuimos pela metada a presença de jogadores de frente.

A seleção foi vítima dos comerciais ufanistas. Agora os comerciais eram contidos.

A seleção deixava os boleiros boêmios correrem atrás da mulherada nas nights de folga. Agora ninguém botou o nariz para fora da concentração.

A seleção dava entrevistas demais. Agora deu o mínimo possível.

A seleção era filmada o tempo todo. Agora era menos filmada que agente da CIA.

Os jogadores só perseguiam recordes individuais. Agora só importavam os objetivos do grupo.

O treinador era permissivo e educado demais. Agora tínhamos um general com cabelos do Exterminador do Futuro.

A seleção não era unida. Agora todos se amavam.



Algo mais? Você certamente vai se lembrar de algum outro motivo anunciado com pompa e circunstância como “a razão para a perda da Copa de 2006″. No entanto, fazendo tudo diferente, chegamos exatamente ao mesmo local: 3 a 0 nas oitavas, eliminação nas quartas.



Obviamente que existem erros e acertos, existem condutas corretas e erradas, existem atitudes postivas ou não. Mas a verdade é que o futebol é mil vezes mais simples do que alguns querem que nos pareça. Sem tirar os méritos da Holanda, que mereceu ganhar; a verdade é que o ótimo Sjneider meteu uma bola área, ninguém tocou e, para surpresa do próprio batedor, aconteceu o empate. A verdade é que, no primeiro tempo, se o Daniel dispara meio segundo depois, o gol anulado seria valido. E pronto. Muda tudo.

Assim como um impedimento mal marcado contra a Bélgica nos permitiu passar das oitavas em 2002. Um chute de bico de Ronaldo contra a Turquia nos levou à finalíssima e ao penta. E aí, de repente, tudo passa a ser visto como certo e perfeito, o trabalho foi maravilhoso, as pessoas que ali estavam foram brilhantes.

Claro que foram. Mas em um detalhe, um acaso, uma falha de jogador ou árbitro, tudo poderia ter sido perdido. E aí? Diríamos que estava tudo errado? Que o bigode do Felipão era vasto demais para um treinador de respeito? Que dividir o mesmo hotel com a imprensa é um absurdo?

Que o Ronaldo usar aquele corte de cabelo pavoroso “tirou o foco” e desequilibrou o grupo….?

Nada disso.



Vamos usar mais essa derrota para amadurecer. Esqueçamos as teses bobocas, os “culpados”, a “santa inquisição” que precisa queimar alguns coitados para redimir os nossos pecados e dores.



Repito: há atitudes e decisões importantes, há experiências e lições mas, no fundo no fundo, o futebol é simples e, em grande parte, casual.

Por isso nós o amamos e assim ele se fez o maior esporte da humanidade.

 
http://colunas.sportv.globo.com/expressodabola/2010/07/03/aprendendo-a-perder/
 
Décio Lopes, do expresso da bola do SPORTV.

E a Copa do Mundo começou. Nada mais importa. (6)


O futebol tem o poder de aprisionar o tempo. Só um jogo de futebol, e somente ele, nos dá a noção quase imediata do que é passado, presente e futuro. Porque o passado a gente costuma esquecer, o presente nunca parece o suficiente, o futuro é algo tão distante e incerto que quando ele chega, a gente não percebe.




No futebol, não. Quando começa um jogo, aqueles minutos em que você ficou na arquibancada esperando começar passam imediatamente a fazer parte do passado, e você sabe disso. A bola na trave é passado, e você sabe disso no chute seguinte, aquele que o goleiro pegou. Esse é o presente, o goleiro pegou. E será passado de novo no próximo gol perdido, no impedimento mal marcado, na falta que não foi.



O jogo está zero a zero, e você sabe que dali a uma hora, 30 minutos, 15, o futuro terá chegado, e não será zero a zero, talvez até seja, mas você saberá que ele, o futuro, chegou, e não é um futuro distante, longínquo e imprevisível, não haverá incerteza alguma quando o juiz apitar, num jogo de futebol o futuro tem hora para chegar, e você pode, então, abraçar todas as dimensões do tempo que são incompreensíveis fora de um estádio.



Futebol não tem outra importância que não seja essa, a chance de viver uma alegria instantânea que dali a alguns minutos pode ser a maior das tristezas, esse jogo de passado-presente-futuro que se resolve em 90 minutos, com um intervalo para respirar.



Ontem fui o mais feliz dos seres humanos a cada gol do meu time, a cada gol do outro, e o pior dos miseráveis quando tudo acabou, quando o futuro chegou. É só um campeonato, uma bola e um gramado, já passou, é passado, mas na hora em que vi esse menino chorando no jornal, a dor voltou para o presente, porque a graça está aí: sorrir, chorar, sorrir, sofrer, e depois esquecer.



Porque a gente sempre esquece, daqui a pouco começa outro campeonato, o sorriso volta, as lágrimas ficam para trás, não há nada, mesmo, mais parecido com a vida do que um jogo de futebol. O menino da foto, os meus meninos que estavam do lado dele debaixo de chuva, todos os meninos do mundo aprendem a viver assim.



Texto escrito pelo Jornalista da ESPN Brasil Flávio Gomes, torcedor da Portuguesa, depois de mais uma uma classificação no campeonato paulista, mas sua reflexão sobre o futebol vale a pena.