Quem sou eu ?

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Capital do Ceará, Ceará, Brazil
cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.

terça-feira, 30 de março de 2010

Parceiros do blog, meu muito obrigado.


Nunca fui genial na escrita, minha vida é bem normal, mas uma coisa eu tenho certeza: histórias mudam vidas.

"Tinha udo pra dar errado" é a frase que eu resumo a minha vida. Num primeiro momento pode parecer engraçado, mas assumi ser protagonista dessa história, ainda sem muito brilho, mas no minimo engraçada.

E "O Povo" tornou-se parceiro do nosso Blog, por isso da barra aí de cima.

Espero poder escrever textos relevantes e sobretudo fazer jus a esse reconhecimento.

Muito me alegra, eu que sou um eterno aluno de Filosofia, fico feliz de partilhar da confiança de todos que estão por aqui de vez em quando.

Salve, salve. Saldações do Thiago Oliveira Braga

segunda-feira, 29 de março de 2010

Perguntas de um operário que lê.


Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Os reis carregam os blocos de pedra?
E Babilônia, tantas vezes destruída,
quem a reconstruía sempre?
Em que casas da dourada Lima viviam aqueles que a construíram?
Para onde foram os pedreiros,
no dia em que a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos-do-triunfo.
Quem os erigiu? Quem eram aqueles que foram vencidos pelos césares?
Bizâncio, tão famosa, tinha somente palácios para seus moradores?
Mesmo na legendária Atlântida, quando o mar a engoliu,
os afogados continuaram a dar ordens a seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César conquistou a Gália.
Não estava com ele nem mesmo um único cozinheiro?
Felipe da Espanha chorou quando sua frota naufragou.
Foi o único a chorar?
Frederico Segundo venceu a guerra dos sete anos.
Quem partilhou da sua vitória?
A cada página uma vitória.
Quem preparava os banquetes comemorativos?
A cada dez anos um grande homem.
Quem pagava as contas?
Tantas histórias.
Quantas perguntas.


Bertolt Brecht (1898-1956)

domingo, 21 de março de 2010

Lição de Arquitetura




para Oscar Niemeyer

No ombro do planeta
(em Caracas)
Oscar depositou
para sempre
uma ave uma flor
(ele não faz de pedra
nossas casas:
faz de asa).

No coração de Angel sofrida
fez aterrizar uma tarde
uma nave estrelar e linda
como ainda há de ser a vida.

(com seu traço futuro
Oscar nos ensina
que o sonho é popular).

Nos ensina a sonhar
mesmo se lidamos
com matéria dura:
o ferro o cimento a fome
da humana arquitetura.

Nos ensina a viver
no que ele transfigura:
no açucar de pedra
no sonho do ovo
na argila da aurora
na pluma da neve
na alvura do novo.

Oscar nos ensina
que a beleza é leve.

Ferreira Gullar

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um dos maiores filmes de todos os tempos


1972 - Estreia The Godfather (O poderoso chefão), de Francis Ford Coppola, baseado em romance de Mario Puzo.

O filme conta a saga da família Corleone, a mais importante família mafiosa de Nova York durante a primeira metade do século XX, chefiada por Vito Corleone (Marlon Brando).

A chegada do tráfico de drogas ao mundo do crime transforma a vida das famílias. Quando Don Corleone se recusa a facilitar a entrada dos narcóticos na cidade, não oferecendo ajuda política e policial, sua família começa a sofrer atentados para que mudem de posição.

É nesse complicado contexto que o filho caçula, Michel (Al Pacino), herói de guerra mantido à parte dos negócios da família, vê a necessidade de proteger o pai e tudo o que ele construiu ao longo dos anos.

O elenco é composto também por James Caan, Robert Durvall, Diane Keaton, John Cazela, Talia Shire, Richard Castellano, Sterling Hayden, Gianni Russo, Rudy Bond, John Marley, Richard Conte, Al Lettieri, Abe Vigoda.

O papel de Michel Corleone tinha sido oferecido a Warren Beatty, Jack Nicholson e Dustin Hoffman, mas todos o recusaram.

A trilha sonora composta por Nino Rota é comovente. Com uma direção fantástica e um roteiro soberbo, o filme mantém o espectador ligado durante as quase três horas de projeção.

Ganhou três Oscars: Melhor filme, melhor roteiro adaptado e Melhor ator (Marlon Brando, que se recusou a receber a estatueta em protesto à discriminação feita pelo governo e por Hollywood aos índios americanos).

Esse é o primeiro de uma trilogia de filmes dos mesmos autores, tendo suas sequências The Godfather: Part 2 e 3.

The Godfather é um marco na história do cinema e na história dos filmes sobre a Máfia americana.

Lucia Hippolito

domingo, 14 de março de 2010

Estudar

"Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos."

Pitágoras


Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

Obs.: O modelo da foto é o aniversariante da semana. João Pedro que celebrará 1 ano dia 20 de Março. Atualmente ele mora com os pais em Natal-RN. É presidente do Grêmio Escolar de sua creche, já tem 6 dentes e dentre várias qualidades é meu sobrinho.

segunda-feira, 8 de março de 2010

khronos Vs kairós


Eu não tenho tempo ...


Talvez seja uma das palavras que mais falamos/ouvimos durante nossas semanas corridas. Que tempo estamos falando afinal? O tempo do relógio? Tempo perdido? Tempo de lazer? Todos eles tem sua importância em nossas vidas.


Mas como aproveitamos o tempo? Qual a noção de tempo que temos? Qual o significado que damos ao nosso tempo?


Existem duas palavras gregas que são traduzidas para o português como tempo: khronos e kairós. Khronos é o mais conhecido por nós. É o tempo cronológico, do cronômetro, do relógio e que é igual em todos os lugares. A noção é sempre igual - O mês tem quatro semanas, a semana tem sete dias, o dia tem 24 horas... É igual em todos os lugares. E isso é necessário, pois ajuda a organizar a vida das pessoas.


Já o kairós é diferente. É um tempo que pode ter mais ou menos minutos. Mais ou menos dias. Ele tem a ver com a intensidade com que acontecem as coisas. É o tempo/momento certo que acontece algo. E ele é indeterminado. Não se sabe ao certo quando. Não se tem poder sobre ele. Kairós e entendido como o tempo de Deus. Para Deus um dia pode ter mil anos. E mil anos pode ter um dia.


Nós baseamos nossa vida no tempo cronológico, aquele que é sequencial, programado, mas Deus está mais visível, e se manifesta de forma mais profunda no Kairós.


Em outras palavras: khronos tem a ver com o que é transitório, efêmero, passageiro. Foi e pronto. Passou! Assim com muito daquilo que fazemos em nossa rotina: escovar os dentes, vestir-se, alimentar-se, comprar um carro, dormir, dar banho no cachorro. Tudo isso é transitório.


O kairós tem a ver com o que é eterno. Aquilo que permanece. Aquilo que realmente tem um significadoprofundo para as pessoas e que khronos nenhum apagará. Não é um tempo medido, mas um tempo vivido.


O poeta Carlos Drumond de Andrade tem uma frase que ajuda a entender melhor quando ele diz que "Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata". E também uma frase de Fernando Pessoa nos ajuda a entender quando ele escreve assim:


"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".


A Bíblia nos dá o testemunho de um povo que se referia a Deus como "O Eterno". A partir de sua experiência de vida e de fé, referiam-se a Deus assim. Pois Deus é Eterno e o seu tempo é Kairós. O tempo de Deus é assim: intenso, inesquecível, marcante.


Viver a espiritualidade é viver o tempo de Deus. Por isso, viva bem cada dia, cada momento cronológico, mas não se prenda ao que é transitório. Prepare-se muito mais para aquilo que é eterno, duradouro. Viva muito mais o tempo kairós, pois assim a vida terá muito mais sentido.


Com vocês, ao serviço d'Ele, Thiago Oliveira Braga

quinta-feira, 4 de março de 2010

Transformando Nosso Tempo


"Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes."
(Lucas 12. 22,23).

terça-feira, 2 de março de 2010

Viva la vida


"Não sei... se a vida é curta

Ou longa demais para nós,

Mais sei que nada do que vivemos

Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas"

Cora Coralina
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Atemporal


Você já percebeu que determinadas charges tomaram sua atemporalidade.
Essa charge tem alguns anos, apesar de infelizmente ser bastante atual.
Vivemos num estado democrático, no que se refere a corrupção pouca coisa tem mudado em nossa história.
Será que nossa história mudará? Eu espero que sim. Basta só nós pensemos em questões fundamentais, em detrimento as questões periféricas da vida.
Aproveite o domingo e leia algo que vai fazer diferença, ou então tenha uma atitude melhor, FAÇA algo relevante.
Tenham um domingo especial e um mês de Março de conquistas.
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Poesia adoça a vida



Sorrir por nada e ficar triste sem motivos

é sentir-se só no meio da multidão,

é o ciúme sem sentido,

o desejo de um carinho;

é abraçar com certeza e beijar com vontade,

é passear com a felicidade,

é ser feliz de verdade!


Albert Camus (Filosofo argelino)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Democracia

Indepenentemente quem venha ser eleito (ou eleita) presidente em 2010, este ano já entrou para a História.

Isto porque nós brasileiros assistiremos a um evento que não acontece no país desde de 1926. Isto mesmo.

Há 84 anos ocorreu a última sequência de três presidentes da República eleitos diretamente pelo povo.

Epitácio Pessoa governou entre 1919 e 1922. Passou a faixa ao eleito, Artur Bernardes, que governou até 1926, quando empossou o eleito. Washington Luís.

De lá pra cá, jamais o evento se repetiu. A instabilidade política no Brasil vinha sendo uma constante.

Washinton Luís foi deposto pela revolução de 30. Getúlio Vargas, que não foi eleito, governou entre 1930 e 1945, quando foi deposto pelos militares.

Eurico Gaspar Dutra, eleito em 1945, passou a faixa para Getúlio Vargas, eleito em 1950. Mas Getúlio suicidou-se em 1954.

Juscelino Kubitschek, eleito em 1955, recebeu a faixa do presidente do Senado, Nereu Ramos, então ocupado a presidência da República. JK passou a faixa a Jânio Quadros, eleito em 1960. Mas Jânio renunciou depois de apenas sete meses de governo.

João Goulart, empossado na presidência, foi deposto pelo governo militarde 1964.

Aí veio a ditadura, com sua coleção de generais-presidentes, todos eleitos pelo Alto Comando do Exército.

Com a redemocratização em 1989, Fernando Collor, eleito diretamente pelo povo, recebeu a faixa de José Sarney, que não foi eleito por ninguém, apenas recebeu a presidência de presente depois da tragédia da morte de Tancredo Neves.

Mas Collor foi afastado da presidência, depois de sofrer um processo de impeachment.

Em 1995, Itamar Franco,que não sido eleito, passou a faixa a Fernando Henrique Cardoso, eleito duas vezes. Em 2003, Fernado Henrique passou a faixa a Luiz Inácio Lula da Silva, presidente também por dos mandatos.

Em outubro de 2010 , finalmente, teremos novamente a sequência de três presidentes sucessivos, todos eleitos diretamente pelo povo.

O que isso representa em termos de consolidação da democracia no Brasil é uma enormidade.

A democracia é um processo que só se sustenta pela adesão quotidiana e voluntária dos cidadãos. Adesão aos seus valores, de eleições livres e diretas, instituições sólidas e independentes, alternância no poder, tolerância com o diferente.

A ditadura nos dá o direito de sermos iguais. Mas so a democracia nos da o direito de ser diferentes. De pensar diferente, de falar diferente, de tolerar o outro que não pensa como você.

Em 1985 o país conquistou a liberdade política. A partir de 1994, com o plano real, os brasileiros começaram a conquistar a estabilidade econômica, com a moeda estável e controle da inflação.

Mas só agora em 2010 estamos conquistando a estabilidade política.

Por isso mesmo, 2010 já e História no Brasil.

Lucia Hippolito é historiadora, jornalista e cinetista política.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Maranata



Maranata,

Ora vem Senhor pra bem perto de mim

E que o tempo nos conserve sempre assim

Num vínculo de doce comunhão


Maranata,

Não apenas pra curar a minha doença

Pois preciso celebrar Tua presença

Que é tão doce e tão vital pra o coração


Deus, tantas vezes eu me sinto em um deserto

Nessas horas é tão bom Te ter por perto

Consciente sou que sempre estás comigo


Deus, quero sentir mais da Tua plenitude

Discernindo nessa tão doce quietude

O prazer de Ter como meu amigo.


Pr. Allison S. Ambrósio



sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ao mestre com carinho


Quando um estudante chega a universidade, após vencer o vestibular, deveria incluir no ritual de suas comemorações uma homenagem aos seus primeiros professores, mesmo que não se lembre mais deles.

Na verdade, foram eles os grandes responsáveis por aquele homem ou aquela mulher que chegaram internos e realizados nesse novo estágio da vida.

Os primeiros professores, a base da educação. Eles são para nós como os alicerces são para uma casa ou um edifício. Tudo está assentado sobre eles e de forma tão anônima e tão natural que os esquecemos com a mesma naturalidade. Tudo bem, eles não estão aí para nos cobrar isso... Fizeram tudo o que tinham a fazer com amor e simplicidade e por vocação. Não existe vocação mais forte do que a de professor. Se há uma profissão na vida que se faz sem pensar em dinheiro, mas puro idealismo, é a do educador.

No entanto, quando se pensa nas reformas que se podem fazer para melhorar o ensino, pensa-se em tudo, criam-se novos métodos, fazem centenas de projetos, mas esquecem-se sempre do professor. Melhorar, reciclar seus conhecimentos, qualificá-lo melhor e pensar numa maneira de lhe pagar melhor.

Se educação é prioridade, o que é prioridade na educação?

Não seria o professor?

Quando um professor é bom e bem preparado, nem precisa de uma sala de aula ou de um quadro negro. Até embaixo de um cajueiro o ensino pode ser realizado. É o que se diz por aí entre os grandes educadores. Vamos pensar nisso?

Hoje é um dia especial para isso.

Afinal, tirando as férias, domingos e feriados, todo dia é dia do professor.

Aos mestres, o nosso carinho.

The Mino Times

Mino (Diario do Nordeste, 23 de Janeiro de 2010)

Um outro mundo é possível


O Fórum Social Mundial surge com a ideia e o slogan de que “um outro mundo é possível”. No entanto, nem sempre se vê a manutenção dessa proposta. Percebe-se muitas vezes um desvirtuamento dessa ideologia, vista unicamente como uma alternativa de melhoria econômica para as cidades que recebem esse evento, conforme o discurso do prefeito de Porto Alegre que visualizou apenas os ganhos econômicos que terá pela grande visita de pessoas, quando falou da volta do FSM para o RS. Diferente dessa engessada visão, é preciso que o Fórum continue com o objetivo de superar a política meramente econômica nesse atual modelo que beneficia poucos, para uma que seja também econômica, mas que alcance o social.


sábado, 23 de janeiro de 2010

O BBB e a filosofia


Por que o BBB tem espantosa audiência? Se os que estão na Casa são interessantes e bonitos e, além disso, criam um tipo de novelinha por “flashes”, por que não ver? Além disso, após um dia estafante, quem resiste a uma poltrona acompanhada de um convite para esvaziar a cabeça diante da impecável imagem da Rede Globo?


Mas os grupos ditos mais politizados da sociedade não gostam de explicações desse tipo, em que não se possa culpar alguém. A esquerda e a direita têm suas teorias.


A esquerda adora a palavra “alienação”. O sociólogo que leu algum manual marxista vocifera: “o público é vítima da manipulação da Rede Globo”. A direita tenta posar de culta: “ah, se nosso povo fosse educado, esses programas imorais não teriam vez”. Por sua vez, sempre atenta ao que imagina como sendo os “formadores de opinião”, a Globo busca anular esses pequenos grupos opositores com a fala de Bial, que é o “intelectual” da emissora. No BBB-10 (o atual), ele brindou os telespectadores com a frase “BBB também é filosofia”. Sei lá qual a razão dele ter falado isso, não pude acompanhar o resto. Ora, o BBB é filosofia? É claro que não no sentido dito pelo Pedro Bial, seja lá qual tenha sido, mas que o programa tem uma audiência explicável pela filosofia, isso é verdade.


O que é necessário notar, no caso, é como que o desdobramento da cultura, em especial a cultura moderna, chegou ao que chegou nos fazendo abraçar a TV na época do “Big Brother Brasil”.


No fundo da alma do homem moderno repousa um longo tapete, tecido por séculos e séculos. Esse tapete ganhou camadas e mais camadas, forrando a subjetividade e ao mesmo tempo forçando as paredes do espírito. Hegel e Nietzsche foram os filósofos que procuraram descrever esse processo apontando para o cristianismo, uma religião tipicamente subjetiva e, assim, bem diferente do paganismo, como um elemento de abaulamento da alma, algo que se tornou fundamental na modernidade. Heidegger, no século XX, fez mais: mostrou a modernidade como uma época em que a narrativa das ciências impera no mundo e, com ela, a idéia de que tudo pode ser dito a partir da relação sujeito-objeto. O sujeito é o que conhece e o que julga, o objeto é o conhecido e o avaliado. Não há estudante na universidade atual que, ao fazer metodologia científica, não seja posto diante dessa regra: o sujeito epistemológico e o objeto da ciência em questão – eis aí o que se tem de entender.


Foucault leu Hegel, Nietzsche e Heidegger. Ele preferiu localizar esse processo de ampliação da subjetividade, essa sofisticação das camadas de tecido do tapete da alma, de uma maneira um pouco diferente. Ele notou que talvez não fosse interessante dar crédito, ao se ler Platão falando de Sócrates, na frase “conhece-te a ti mesmo” como uma frase centrada na idéia de “saber”, e sim na idéia de “cuidado”. Conhecer-se, disse Foucault, nunca foi para Sócrates algo vazio, o conhecer pelo conhecer, mas implicava em uma doutrina do saber viver, dizia respeito ao cultivo de si e, este si, já estava circunscrevendo os poderes da alma, do intelecto, da razão. Antes mesmo que o helenismo tardio dominasse o mundo europeu, Sócrates já seria alguém menos preocupado com o conhecimento, com as Formas platônicas enquanto objeto do conhecimento, e mais afeito a elas enquanto guias para o bem viver.


Assim, Foucault traçou o panorama que desembocou na modernidade. Criamos o “interno” e o “externo” e, nesse mesmo processo, demos importância ao “interno”, a alma. Nessa tarefa, fixamos o que há de verdadeiro como sendo o que há em nosso “íntimo”, sendo tudo o resto o “externo” e, efetivamente, o resto – o que sobra, o que pode sobrar. Com isso dividimos o que entendemos por personalidade: tudo que é nosso, nossa verdadeira personalidade, estaria em nosso íntimo e, no mundo burguês, protegido pela privacidade que, enfim, antigos e medievais não conheceram. Tudo que é o não-verdadeiro e até o falso, o descartável, está na periferia ou no “exterior”, na vida pública. A política e o mercado nos tornam homens públicos, isto é, pessoas que, uma vez no palco, não apresentariam nada além do que é o não-verdadeiro em suas personalidades. Fora do palco, a quatro paredes, o íntimo poderia se manifestar e, então, teríamos acesso ao que há de verdadeiro em cada um de nós. Sendo que tudo que há de verdadeiro é só o que há dentro de cada um de nós – uma vez que até Deus veio parar no nosso coração por meio da religião do amor –, então, nada melhor do que a observação da intimidade para se chegar a uma instância sólida. Ora, mas a intimidade é, também, o lugar do prazer moderno par excelência, que é o sexo. Então, observar o sexo termina por ser, para o homem moderno, o lugar efetivo de contemplação da verdade. Trata-se da verdade de cada um, mas também, da própria Verdade.


Nesse sentido, o BBB realmente tem filosofia. Ficamos presos ao BBB por vários motivos, mas filosoficamente ele nos ganha porque acreditamos – uns de maneira clara para si mesmos e outros apenas por impulsos formados por séculos do desenvolvimento cultural – que vamos dar de cara com a verdade dos que estão na Casa e, então, descobrir a verdade sobre nós mesmos, sobre o Homem, sobre tudo que somos na Terra. O BBB é como que um trabalho de metafísica para os que nunca se imaginaram com alguma necessidade metafísica. Não é religião, é filosofia. Não se trata de encontrar Deus. Mas se trata de encontrar um parente próximo dele, a Verdade.


Quem somos nós, afinal? Eis aí a pergunta que está lá nas entranhas das sinapses de cada telespectador que, como o Homer Simpson, segura a cerveja na mão e espera se haverá um não uma “enrabada” no BBB. Esse sentimento chulo, esse gosto pela fofoca, nada é senão uma forma que só se faz presente porque estamos envolvidos até o último fio de cabelo com a idéia de que vamos captar ali, principalmente no sexo, que é o núcleo da intimidade, o modo de seguir do dístico do Templo de Apolo, o “conhece-te a ti mesmo”.


Foucault não só ensinou isso, ou seja, como entender o BBB, mas ele também quis mostrar que essa esperança era vã. Não há nada de mais verdadeiro no “lado interno” em detrimento do “lado externo”. Somos múltiplos, e nossa cara pública e nossa cara particular e íntima não são o verdadeiro e o falso, e sim apenas lados de uma mesma moeda. Lados de uma moeda são ou ambos verdadeiros ou ambos falsos. Aliás, não somos moedas, pois não temos só duas caras – temos muitas.


Não vamos satisfazer nossa necessidade metafísica pelo BBB. Mas acreditamos tanto nisso, que assistiremos o próximo, para a felicidade do Boninho e para o regozijo de um Bial que está cada vez mais chato.


Paulo Ghiraldelli Jr, filósofo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A luta continua



Um dos pontos mais importantes do Programa Nacional de Direitos Humanos, criado por decreto assinado pelo presidente da República – e que tanta celeuma está causando nos meios militares – é a proposta de retomada da discussão sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.


Este é um debate crucial, que não pode ficar restrito ao Congresso Nacional, que deverá votar uma lei para regular o assunto.
É uma discussão que interessa a toda a sociedade brasileira.


O século XX foi o século da luta por direitos civis. Começou, a rigor, no século XIX, com a luta pelo voto feminino.


A Nova Zelândia foi o primeiro país a conceder o voto às mulheres, em 1893; a Inglaterra em 1918, os Estados Unidos em 1920 e o Brasil em 1933.


Em seguida, a luta disseminou-se para combater a segregação racial, ampliar os direitos da minorias, incluir os excluídos. A partir da década de 1960, acirrou-se a luta por mais direitos civis, com muitas conquistas importantes.
E chegamos ao século XXI.


De certa forma, a eleição de Lula em 2002 e depois a eleição de Obama em 2008 encerram um importante capítulo na luta pelos direitos civis.


Vitória da inclusão, da tolerância, da aceitação do outro, do convívio entre diferentes.
Agora é preciso avançar. E a união civil entre pessoas do mesmo sexo está na ordem do dia.
Vários países já adotam legislação que reconhece esta união.


O pioneirismo, é claro, coube à Escandinávia. Na Dinamarca, a lei é de 1989; na Noruega, de 1992, e na Suécia, de 1995.


Ainda na Europa, Espanha, Portugal e Bélgica (países fortemente católicos) já reconheceram a união civil. A Holanda também já tem legislação a respeito.


Nos Estados Unidos a legislação é local, e várias cidades já possuem leis a respeito da união homossexual, além dos estados de Massachusetts e Connecticut.
Canadá e México também já reconhecem a união civil.


Na América do Sul, Uruguai e Argentina já aprovaram a lei. A Argentina foi a pioneira na realização de um casamento gay.


Aliás, no Brasil, como em muitos países, o debate foi contaminado, em grande parte, pela adoção da infeliz expressão “casamento gay”.


Religiosos de todas as igrejas, conservadores de todos os matizes reuniram-se para impedir a aprovação de lei que regule a união homossexual.


A Constituição brasileira de 1988 fala, em seu Art. 226, em casamento e em união estável, mas sempre entre homem e mulher.


Em 1995, a então deputada Marta Suplicy apresentou o projeto de lei nº 1.115/95, em favor da regularização da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo.


Desde então, o projeto dorme em alguma gaveta da Câmara dos Deputados, à espera de algum deputado (ou deputada) sério e corajoso o suficiente para fazer avançar a legislação.


Antecipando-se a qualquer lei, várias empresas brasileiras já estendem ao companheiro de mesmo sexo os benefícios de planos de saúde e de previdência.


Juízes igualmente já tomam decisões beneficiando companheiros de mesmo sexo em partilhas, heranças e pensões.


Até mesmo a Justiça Eleitoral já reconheceu, em alguns casos, a união homossexual como parte da lei das inelegibilidades.


Portanto, a discussão sobre direitos civis no século XXI precisa avançar. Até para honrar as lutas do século XX.
Está mais do que na hora de a sociedade brasileira realizar uma discussão ampla e aberta sobre a nova pauta dos direitos civis.


União homossexual, aborto e eutanásia são os temas do século XXI.
É preciso discuti-los com coragem e determinação.


Precisamos avançar.

Lucia Hippolito é cientista política, historiadora e jornalista, especialista em eleuções, partidos políticos e Estado brasileiro.

É comentarista política da Rádio CBN e da Globonews.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A SEMIÓTICA NA BOLA, UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS

Futebol em família, na foto acima meu Tio Crisostomo pegando tudo no gol e sendo acampanhado pelo meu primo Guilerme.
As demais fotos são minhas mesmos, afinal esse Blog é meu e tenho que me valorizar.
Grato pela visita.
Bom ano e que Deus nos abençoes.







sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Natal e seus presentes





Neste Natal, não quero o Pai Natal das promoções comercias, dos presentes caros embrulhados em afetos raros. Quero o menino Jesus nascido no coração da manjedoura, esperança acesa num pasto de Belém !

Não quero o Pai Natal das lojas enfeitadas, do celofane brilhante das cestas de produtos importados, das garrafas em que o néscios afogam as tristezas rotuladas de alegrias. Quero o sonho do menino Jesus em Busca de uma terra onde nascer e viver, o sonho do Menino Judeu arauto da paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade. Quero o sonho do Menino Jesus dum mundo poupado de estupidez das guerras.

Neste Natal disponso abraços protocolares e sorrisos sob medida, sentimentos retóricos e emoções que encobrem a aridez do coração. Quero o amor sem dor, a oração só louvor, a fé comungada no sabor da justiça. Não quero presentes dos ausentes, a romaria pagã aos templos consumistas dos shopping-centers. Quero o pão na boca duma criança faminta, a paz que se alarga dos espíritos atribulados aos campos de batalha.

Neste Natal não quero essa pavorosa troca de produtos entre mãos que não se abrem em solidariedade, compaixão e carinho. Quero o sonho do menino solto no mais íntimo de mim mesmo, semeando ternura em todos os canteiros em que as pedras sufocam as flores. Não quero esse ruído urbano que esmaga a alma, os ouvidos aprisionados aos telefones, o olfato condenado condenado por odores insalubres, a boca em cascatas de palavras inúteis, despidas de verdade e sentido. Quero o silêncio indevassável do meu próprio mistério, o canto harmónico da natureza, a mão que se estende para que o outro se erga, a fraternura dos amigos abençoados pela cumplicidade perene.

Neste Natal, não me interessam as oscilações dos índices financeiros, as promessas viciadas dos políticos, os cartões impressos a granel, cheios de colorido e vazios de originalidade. Quero as evocações mais ternas : o cheiro do café coado de manhã por minha avó, o som dos sorrisos das crianças. Não quero as amarguras familiares que se guardam como poeira nas dobras da alma, as invejas que me alienam de mim mesmo, as ambições que se tornam tristes. Quero os joelhos dobrados no átrio da igreja, a cabeça curvada perante a humildade desse menino.

Neste Natal não aceitarei os brindes das mãos que não se tocam, nem irei às ceias dos que se devoram. Não comerei do bolo que empanturra corações e mentes, nem deixarei que a aurora do Menino me surpreenda empanzinado de sono. Neste Natal quero que todos os corações apelem à partilha de ternura com aqueles que amamos e qeremos amar eternamente!

Natal

É pra todos os dias ...

Nos nossos corações ...

Nas nossas mentes ...

Natal não está nos presentes ...

Está na ajuda ao próximo, na compreensão ...

É dar-mos as mãos e sentirmo-nos irmãos ...

Quando isso acontece ... É NATAL !!!


Escrito por Frei Betto



quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal incomparável


O que faz esta época ser tão especial...
É mais do que presentes,

É o sentimento de gratidão.
É mais do que a ceia,
É o prazer da família reunida.

É mais do que as luzes iluminando as casas,
É o sorriso iluminando o rosto.
É mais do que contar com a chegada de um novo ano,
É estar aqui para você por mais um ano todo.

Neste Natal lhe desejo que:
A "Paz e a Harmonia" encontre moradia em seu coração.

Que a Esperança seja um Sentimento constante em cada ser que habita este planeta.
Desejo que o Amor e a Amizade Prevaleça acima de todas as coisas materiais.
Que as Tristezas ou Mágoas, sejam banidas de seu coração, dando Lugar apenas ao Carinho.
Que a "Dor do Amor", encontre o Remédio em outro Amor.
Que a "Dor Física", seja amenizada e que Deus esteja Ao seu lado, dando muita Força, fé e resignação.
Que a Solidão seja Extinta, E no seu lugar se instale a Amizade Verdadeira, e o Companheirismo.
Que as pessoas procurem olhar Mais a sua "Volta", e não tanto para "Si" mesma.
Que a Humildade e o Respeito Residam na Alma e no Coração de todos.
"Que saibamos Amar e Respeitar o Próximo como a nós mesmos".
Desejamos também que o nosso pedido se Realize não só neste dia, mas em todos os dias de nossas vidas!

FELIZ NATAL a todos os AMIGOS DE DEUS