Quem sou eu ?
- Thiago Oliveira Braga
- Capital do Ceará, Ceará, Brazil
- cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Paradoxos e paradigmas
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Reflexão
terça-feira, 17 de maio de 2011
Vai começar o Brasileirão 2011 - Nada mais importa.
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Minhas histórias
sábado, 14 de maio de 2011
E o Flamengo ( e o Egídio) dançou.
Egídio cruza para a área do Ceará, a bola bate na parte lateral da cabeça de um zagueiro e sobra, quicando na entrada da área. Ligeiro, Léo Moura pega a sobra antes de Geraldo e cabeceia pro alto, buscando o meio da área, e logo avança em velocidade. "É o toca me voy, amigo", diria Galvão. Enquanto Léo adentra a grande área, a bola encontra o maior talento do atacante Wanderley: escorar pelo alto. O atacante sobe e desvia para o penetrante Léo, que chuta a gol, de primeira. Fernando Henrique já foi batido. A bola vai entrando, mas o zagueiro do Ceará, aquele mesmo que tomara** a bolada na lateral da cabeça, talvez atordoado, consegue dar um peteleco na bola, incapaz de jogá-la para fora. Egídio, que assistiu privilegiadamente a estes intensos e memoráveis segundos, já ensaiava uma dancinha malemolente enquanto o escorador Wanderley, ludibriado pela furada do zagueiro, se desequilibrava na pequena área. Agora é necessário fazer uma pausa.
O gol estava na conta, Egídio já fazia dancinha, a torcida suspirou e fez aquele imenso silêncio que precede o gol. O futebol esgarça as emoções e nos convence de algo só para, segundos depois, consagrar o contrário, o extremo oposto daquilo de que nos convencera**. Que se desfaça a pausa.
O toque do zagueiro bolado não foi suficiente para jogar a bola para fora, mas, por uma brecha nas leis matemáticas, a bola resvalou no travessão e voltou à pequena área. Egídio cancela a dança, Wanderley cancela a queda e, de quatro no gramado, se levanta, dentro da pequena área, desta vez sem goleiro, sem zagueiro. Ele está em frente à trave, no máximo a um metro dela. Dejavu de um segundo atrás, tudo de novo. Egídio pula e prepara um soco no ar, um segundo depois de cancelar a dança malemolente. Wanderley, mais desequilibrado do que bêbado descendo ladeira, cabeceia para o gol vazio. E acerta a trave. Redejavu, Egídio cancela a comemoração de novo. Fim da linha para o Flamengo. Este lance, crucial, teve oito segundos de duração, mas a intensidade de uma tragédia. Oito segundos, duas danças de Egídio, sete toques na bola, dois na trave, dois verbos no mais-que-perfeito e este asteriscão.
** Muito feliz por usar o pretérito mais que perfeito.
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Humor
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Saudações alvinegras por Flávio Paiva
Os clubes de futebol, como tudo o que tem história, são criados, se desenvolvem, alguns desaparecem e outros conquistam vida longa e renovada, como o Ceará, que em 2014 chegará aos 100 anos de fundação, com uma torcida solar rejuvenescida no claro e escuro do tempo. O futebol se manifesta com jeito próprio entre encantos e desencantos vindos desde as mais puras fantasias de nossas infâncias.
Escolher um time é definir-se como parte de uma torcida, onde as regras da racionalidade não se aplicam. Torcer é algo muito subjetivo, que depende de diversos fatores, dentre os quais a boa fase vivida pelo time no momento em que se desperta para o esporte, além de suas próprias representações simbólicas. O direito à experiência de torcer, de ter ídolos, de partilhar sentimentos comuns com anônimos, assumindo os percalços e encantos que isso significa é engrandecedor.
Movido por essa compreensão, mesmo sendo torcedor do Ceará, procurei não forçar a preferência dos meus filhos na escolha dos seus times. O risco foi grande, considerando a má fase do Vovô nos últimos anos. Cheguei a ir ao estádio com eles, ora em jogos do Ceará e ora em partidas do Fortaleza, neste caso, atendendo a demandas provocadas por alguns dos seus amigos de escola. Ficou nisso por um período, o que foi importante para eles começarem a demonstrar interesse pelo caderno Jogada, a ver alguns jogos pela televisão, inclusive das ligas internacionais, e a comentar os resultados das partidas.
Quando percebi estava lá, o meu filho mais velho, o Lucas, de 11 anos, querendo ir ao estádio torcer pelo time escolhido por seu coração alvinegro. Desde o ano passado que passamos a ir ao estádio com mais frequência. No dia do meu aniversário, eles me deram de presente uma camisa oficial do Ceará. O mais novo, o Artur, de 9 anos, foi cúmplice na escolha do presente, mas fez questão de ressaltar que não é Ceará, nem Fortaleza, nem Horizonte, nem Guarani... Apenas gosta de jogar futebol, de disputar campeonatos em videogames e de ver as melhores jogadas na televisão.
Dois anos atrás era mais ou menos essa a posição do Lucas. Cada qual tem o seu tempo, por isso não dá para especular que decisão tomará o Artur. Enquanto isso, Lucas e eu estamos adorando a experiência única do abraço de desconhecidos que se reconhecem pela força do preto e do branco, onde a emoção fica mais à vontade. Tem sido muito rica para nós a vivência da psicologia da multidão, das filas para comprar o ingresso e para entrar no estádio, da arquibancada com pipoca, água mineral, palavrão e o "Uhhh!" uníssono provocado pela jogada que não se completou. E, claro, da explosão do gol.
Na partida final do campeonato cearense, realizada domingo passado (8/5) no estádio Presidente Vargas (PV), entre Ceará 5 x 0 Guarani (J), que deu o título de campeão arrastão ao Vovô, apreciamos algumas manifestações que ilustram bem a diversidade da comunicação nesse ambiente de diversão e catarse. Encontramos uma expressão autêntica da nossa molecagem logo que chegamos ao estádio e vimos um cartaz com a foto do Bin Laden vestindo a camisa do Fortaleza, no qual se lia os seguintes dizeres: "Confirmado, Bin Laden morreu de desgosto".
Do riso, saímos para a vaia, quando antes do início do jogo, observamos a colocação no círculo central do campo de uma propaganda da Pepsi, com as cores vermelha, azul e branca - que caracterizam aquela marca de refrigerante - associada pela torcida à bandeira do Fortaleza. Não deu outra: vaia geral. Nas arquibancadas, além da recusa do torcedor de consumir o produto daquela "publicidade tricolor", o enredo voltou-se para a falta de sensibilidade de um marketing que poderia muito bem evitar esse tipo de reação da torcida simplesmente reproduzindo a logo na sua aplicação em preto e branco.
Dentre os episódios que só é possível experienciar estando no estádio, um dos que acho mais curiosos é quando o torcedor fala baixinho com o jogador que está fisicamente no campo distante, em uma comunicação quase silenciosa: "Fernando Henrique, você me orgulha"; "Vai, Nicácio, mostra que tu é mesmo artilheiro"; "Olha, Geraldo, o Osvaldo está sozinho"; "Chuta, chuta, Thiago Humberto!"; "Ei, Mancini, bota alguém para ajudar o Iarley"... Nesses momentos o torcedor conversa sozinho, em uma situação de transferência, mas desconfio que de alguma forma o atleta escuta seu sussurro perdido na zoadaria do estádio.
A arena de esportes é um lugar de criação e de recriação conjunta, um espaço de interações. A coeducação desportiva não se resume ao preenchimento dos motivos que aproxima as pessoas nas arquibancadas; ela possibilita o exercício de diferentes modos de ver, pensar, sentir e dizer do mundo entre vozes recatadas e expansivas. Neste aspecto, gosto de acompanhar meu filho se constituindo pelos significados do crescimento social, seus movimentos em busca de ser o que é potencialmente. Sem contar que o tempo dele é também o meu tempo nessa prazerosa articulação intergeracional.
Uma das características que aprendi a apreciar no futebol é que em torno da bola há um pacto de contraversão por meio do qual nada pode ser afirmado sem levar em consideração o contraditório. Chamar o juiz de ladrão? Pode. Dizer que o técnico é vendido? Pode. Acusar o atleta de mascarado? Pode. Xingar a mãe do presidente do clube? Pode. São gritos que não necessitam de provas para serem bradados, simplesmente porque as acusações não precisam ser reais para lhes dar motivo. Na torcida, todos podem impor suas razões, sabendo que dificilmente alguém as acatará.
Fora das linhas do campo, o combustível do futebol é o falatório, a novelização, o elogiar e o esculhambar. Tudo o que acontece em uma partida nos afeta instantaneamente, nos faz chutar o nada, nos irrita, nos levar a cantar de alegria e a dizer palavrões. Vestir a camisa do time é vestir a partida inesquecível, a decisão dramática, o lance marcante. Tenho predileção por jogo bonito, bem jogado, elegante e raçudo ao mesmo tempo. Prefiro perder uma partida bem disputada que ganhar jogando feio, com movimentação travada, em busca apenas do resultado.
Da arquibancada do estádio ao sofá de casa, o torcedor contempla, vibra, lamenta e chora porque mais do que pelo resultado do jogo, ele torce também por si, pelo seu repertório de reações e capacidade de traduzir a partida em um idioma de universalidade. Esse me parece ser o grande segredo do futebol. Não é à toa que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) tem mais países filiados do que a Organização das Nações Unidas (ONU), em um placar de 208 x 192. O futebol faz a grande liga de nações em um tipo de congraçamento que transpassa culturas, ideologias, situações políticas e condições econômicas.
Torcer é como nadar e andar de bicicleta, quem aprende nunca esquece. A criança sonha em ser jogador e se vê realizando os lances mais espetaculares. Na arquibancada, troca passes com o adulto, no tempo em que este também sonhou assim. E mesmo que um se projete no futuro e o outro se traga do passado, o encontro acontece no presente. O abraço do pai e do filho na hora do gol é o abraço de quem já passou por isso com quem está descobrindo a emoção de torcer. Cada lance é um lance, cada vibração uma vibração, um olhar, um gesto, uma identidade que se pronuncia. E viva o Ceará, campeão de 2011, com palmas especiais para o Dimas Filgueiras, que uniu caráter, competência e compromisso na revitalização do coração alvinegro.
Fonte: Diário do Nordeste
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Opinião
domingo, 8 de maio de 2011
Dia das mães
Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o céu tem três letras
E nelas cabe o infinito
Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus !
Mário Quintana
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Poesia
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Mais que futebol.
Time só existe um. Aquele para o qual você torce. Apenas ele, nenhum outro. Desde a década de 1990, com a popularização das TVs por assinatura e da internet e o acesso mais fácil a campeonatos internacionais, surgiu um curioso fenômeno, o torcedor múltiplo. O sujeito torce pelo CSA, Once Caldas, Napoli, Nottingham Forest, Bayer Leverkusen, Ajax, Colo Colo, Peñarol e Paysandu de Belém do Pará.
Desculpe, eu sou aquele torcedor à moda antiga. E não levo a sério você, torcedor múltiplo. Time é apenas um. Aceito, sim, que um brasileiro torça pelo Manchester United. Da mesma forma que acho normal um paulista que torce pelo Internacional ou um curitibano que torce pelo Corinthians. O que não engulo é gente que faz loteamento no coração. É poligamia futebolística.
Quando tinha 12 anos e comecei a freqüentar o Estádio Castelão, sobretudo por morar na mesma avenida e as violência não ser tão acentuada como nos dias de hoje, pude ver Ceará e Vasco pela Copa do Brasil. O número de torcedores do time carioca era significativo, mas ver um time do eixo Rio-SP no nosso estado era um evento social.
No mesmo período acompanhei pela TV Bandeirantes (O canal do esporte) o São Paulo Futebol Clube ser bi campeão mundial. Ver o time de Telê Santana jogar era fabuloso, e confesso que passei a ter uma simpatia pelo tricolor paulista. Em seguida meus amigos de colégio diziam que “todo mundo” tinha um time pra torcer no Rio de Janeiro, e justamente naquele ano de 1995 o Fluminense foi campeão carioca, e lá vai eu também nutrir uma admiração pelo pó de arroz.
Os anos se passaram a simpatia por outros times também ficaram no passado e via esses times jogarem e passei a ser indiferentes a eles. Tanto faz se ganham, perdem ou empatam. Porque torcer, eu só torço pelo meu time. Fui percebendo que time de futebol era mais que uma mera convenção. Era minha identidade. Dizia de mim, mais do que eu imaginava.
Amanhã tem Flamengo x CEARÁ pela Copa do Brasil. É, baita jogo. Espetacular. Dia bom pra quem gosta de futebol. Oportunidade da grande colônia de Cearenses que moram no Rio de Janeiro irem prestigiar não apenas o único representante do Nordeste na competição, mas sobretudo, o time que representa suas raízes. Isso sim, algo que tem que ser levado em conta.
Essa partida não é a disputa do tostão contra o milhão, ou outras comparações pitorescas que sugerem em véspera de partidas desse nível, mas um time que tem conquistado seu espaço, e levado o nome do estado do Ceará a grande mídia nacional. Hoje o torcedor cearense tem orgulho de vestir a camisa do seu time, e tem deixado de atribuir simpatia aos clubes midiáticos.
Sempre achei que o mundo deveria ser menos maniqueísta, Menos Bem x Mal. Neste caso, porém, não existe meio termo. Torcedor tem um time só. O meu todos já sabem, é o CEARÁ SPORTING CLUB, No Brasil, na Espanha, no Togo, no Camboja e na Austrália.
Valeu galera,
Com vocês, ao Serviço d’Ele,
Thiago Oliveira Braga
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Minhas histórias
terça-feira, 3 de maio de 2011
Brasil perde de goleada para a sociedade do desperdício.
Em 2010, o Brasil produziu 60,8 milhões de toneladas dos chamados resíduos sólidos urbanos. Essa quantidade foi 6,8% mais alta que a registrada em 2009 e seis vezes maior que o crescimento populacional que, no mesmo período, ficou em pouco mais de 1%. De todo esse resíduo, cerca de 6,5 milhões de toneladas foram parar em rios, córregos e terrenos baldios. Ainda 42,4%, ou seja, 22,9 milhões de toneladas foram depositados em lixões e aterros controlados e que não fazem o tratamento adequado dos resíduos. Estas conclusões fazem parte do estudo Panorama dos Resíduos Sólidos divulgado na semana passada pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).
Detalhes do mesmo relatório demonstram que estamos muito, mas muito distantes de tornar o consumo consciente uma prática cotidiana na vida das pessoas em nosso país. Um bom exemplo é que no ano passado, a média de lixo gerado por brasileiro ficou em 378 quilos, o que é 5,3% superior aos 359 quilos de lixo per capita computados em 2009.
O que esperar do futuro
Em uma sociedade de consumo que vem se caracterizando pelo culto ao descartável, a quantidade de lixo é proporcional a falta de consciência e ações que passam por todos os setores, sejam eles públicos ou privados, até chegar ao próprio cidadão.
Se por um lado podemos registrar com orgulho que no Brasil temos o mais alto nível de reciclagem de latinhas de alumínio do mundo, por outro, também é fácil afirmar que existem materiais tão diversos como papel, papelão, vidro, isopor, garrafas PET, sacolas plásticas e tantos outros que são perfeitamente recicláveis e que simplesmente não o são, por falta de apoio a coleta e comercialização. Pelo menos 30% dos lixos domiciliares são compostos de materiais recicláveis, mas apenas 1% acaba sendo, efetivamente, recuperado pela coleta seletiva.
É muito triste imaginar que toneladas de material reciclável entopem os lixões e aterros quando poderiam voltar a ser utilizados por empresas em produção de novos produtos. Um caso exemplar é o do vidro. Um quilo de vidro é totalmente aproveitado na reciclagem num círculo virtuoso que contribui para que não sejam necessárias as extrações de matérias-primas existentes na natureza. Isso vale para todos os outros materiais que são descartados. Papéis reutilizados e reciclados evitam o corte de árvores; sacolas plásticas reutilizadas e recicladas deixam de entupir bueiros, poluir rios e mares etc.
As razões para esse estado de coisas são inúmeras: ausência de políticas públicas efetivas de incentivo a coleta e reciclagem e de educação ambiental para a população; uma parte da iniciativa privada que não se empenha em tratar resíduos e criar ações para reaproveitamento de materiais na sua linha de produção e o cidadão que desperdiça, não reutiliza, não recicla e ainda joga lixo nas praças, ruas, rios e lagos.
Política Nacional de Resíduos Sólidos para mudar a realidade
Boa parte das esperanças para reverter esse quadro reside na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada em dezembro de 2010 e que estabelece o princípio da responsabilidade compartilhada em relação à destinação dos resíduos. Todos os integrantes da cadeia produtiva sejam eles fabricantes, distribuidores, importadores, comerciantes e até mesmo os consumidores serão responsáveis por todo o processo de ciclo de vida do produto até a disposição final, também conhecido como logística reversa. Nessa conta de responsabilidades também estarão inseridos os serviços de limpeza públicos e de manejo dos resíduos sólidos. A lei prevê ainda o fim dos lixões em todos os municípios brasileiros até 2014.
Diante do aumento da geração de lixo, os desafios propostos pela nova política são enormes e vão requerer esforços dobrados nos próximos anos. Portanto, é preciso também trazer outras questões para a discussão que contribuam para avançar nesse processo.
Cobrar o que é de graça, aumentar o preço do que for muito barato
Um caminho é dar o devido valor ao que hoje é tratado como lixo. Se o poder público garantisse preços convidativos para os materiais hoje menos atrativos, tenho certeza que teríamos mais plásticos, papéis, vidros, isopores, entre outros, sendo recolhidos com eficiência e, consequentemente, voltariam para a cadeia produtiva ao invés de descartados.
Vivemos situações críticas em várias áreas vitais para a sobrevivência humana, a questão da geração do lixo, da contaminação das águas, o desmatamento e o aquecimento global estão entre as principais. Infelizmente, medidas isoladas sejam do poder público, sejam da iniciativa privada e até de cidadãos mais conscientes são louváveis, mas de resultado limitado.
Cobrar por todos esses materiais e embalagens dando valor ao que as pessoas hoje descartam seria uma maneira rápida de mudar a realidade tenebrosa do desperdício, do descarte inconseqüente e da falta de educação.
O melhor, é claro, seria conquistar consciências, mas é óbvio também que os resultados tem sido modestos até mesmo nos países ditos desenvolvidos e educados.
Boa notícia chega do varejo!
Falando em outros países, algo que já foi adotado fora do Brasil vai chegar por aqui nos próximos dias: a cobrança pelas sacolas plásticas!
No próximo dia 9 de maio, um acordo será assinado pela APAS (Associação Paulista de Supermercados) e o Governo do Estado de São Paulo prevendo, inicialmente, uma campanha de 6 meses para a conscientização do consumidor para a importância de usar sacolas retornáveis, caixas ou carrinhos de feira no transporte das compras. Após esse período, ou seja, meados de novembro, as sacolas plásticas tradicionais, que demoram cerca de 100 anos para se decompor, serão substituídas por sacolinhas feitas à base de amido. Essa nova sacola se decompõe no máximo em 180 dias e será vendida pelo preço de custo (R$ 0,20 a unidade).
Essa experiência já foi adotada com sucesso em Jundiaí, cidade de xxx mil habitantes, próxima a Campinas. Hoje apenas 5% dos consumidores acabam por adquirir as sacolinhas biodegradáveis. A maioria esmagadora já se acostumou a nova realidade e, como em outros países, abandonou o uso das sacolas descartáveis.
Quem sabe se com mais ações como essa e um pouquinho mais de consciência, os números do Panorama de Resíduos Sólidos em 2012 não poderão apresentar surpresas mais agradáveis que os deste ano?
Reinaldo Canto
3 de maio de 2011 às 17:09h
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Reflexão
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Quem quer ser professor?
Você é louca!” “É tão inteligente, sempre gostou de estudar, por que desperdiçar tudo com essa carreira?” Ligia Reis, de 23 anos, ouviu essas e outras exclamações quando decidiu prestar vestibular para Letras, alimentada pela ideia de se tornar professora na Educação Básica. Nas conversas com colegas mais velhos de estágio, no curso de História, Isaías de Carvalho, de 29 anos, também era recebido com comentários jocosos. “Vai ser professor? Que coragem!” Estudante de um colégio de classe média alta em São Paulo, Ana Sordi , de 18 anos, foi a única estudante de seu ano a prestar vestibular para Pedagogia. E também ouviu: “Você vai ser pobre, não vai ter dinheiro”. Apesar das críticas, conselhos e reclamações, Ligia, Isaías e Ana não desistiram. No quinto ano de Letras na USP, Ligia hoje trabalha como professora substituta em uma escola pública de São Paulo. Formado em História pela Unesp e no quarto ano de Pedagogia, Isaías é professor na rede estadual na cidade de São Paulo. No segundo ano de Pedagogia na USP, Ana acompanha duas vezes por semana os alunos do segundo ano na Escola Viva.
Quando os três falam da profissão, é com entusiasmo. Pelo que indicam as estatísticas, Ligia, Isaías e Ana fazem parte de uma minoria. Historicamente pressionados por salários baixos, condições adversas de trabalho e sem um plano de carreira efetivo, cursos de Pedagogia e Licenciatura – como Português ou Matemática – são cada vez menos procurados por jovens recém-saídos do Ensino Médio. Em sete anos, nos cursos de formação em Educação Básica, o núsmero de matriculados caiu 58%, ao passar de 101.276 para 42.441.
Atrair novas gerações para a carreira de professor está se firmando como um dos maiores desafios a ser enfrentado pela Educação no Brasil. Não por acaso, a valorização do educador é uma das principais metas do novo Plano Nacional de Educação. Uma olhadela na história da educação mostra que não é de hoje que a figura do professor é institucionalmente desvalorizada. “Há textos de governadores de província do século XIX que já falavam que ia ser professor aquele que não sabia ser outra coisa”, explica Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, coordenadora da pesquisa Professores do Brasil: Impasses e desafios. No entanto, entre as décadas de 1930 e 1950, a figura do professor passou a ter um valor social maior. Tal perspectiva, porém, modificou-se novamente a partir da expansão do sistema de ensino no Brasil, que deixou de atender apenas a elite e passou a buscar uma universalização da educação. Desordenada, a expansão acabou aligeirando a formação do professor, recrutando muitos docentes leigos e achatando brutalmente os salários da categoria como um todo.
Raio X
Encomendada pela Unesco, a pesquisa Professores do Brasil: Impasses e desafios revelou que, em geral, o jovem que procura a carreira de professor hoje no Brasil é oriundo das classes mais baixas e fez sua formação na escolas públicas. Segundo dados do questionário socioeconômico do Enade de 2005, 68,4% dos estudantes de Pedagogia e de Licenciatura cursaram todo o Ensino Médio no setor público. “De um lado, você tem uma -implicação muito boa. São jovens que estão procurando ascensão social num projeto de vida e numa profissão que exige uma formação superior. Então, eles vêm com uma motivação muito grande.”
É o caso de Fernando Cardoso, de 26 anos. Professor auxiliar do quinto ano do Ensino Fundamental da Escola Viva, Fernando é a primeira pessoa de sua família a completar o Ensino Superior. Sua primeira graduação, em Educação Física, foi bastante comemorada pela família de Mogi-Guaçu, interior de São Paulo. O mesmo aconteceu quando ele resolveu cursar a segunda faculdade, de Pedagogia.
Entretanto, pondera Bernardete, grande parte desse contingente também chega ao Ensino Superior com certa “defasagem” em sua formação. A pesquisadora cita os exemplos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que revela resultados muito baixos, especialmente no que diz respeito ao domínio de Língua Portuguesa. “Então, estamos recebendo nas licenciaturas candidatos que podem ter dificuldades de linguagem e compreensão de leitura.”
Segundo Bernardete, esse é um efeito duradouro, uma vez que a universidade, de forma geral, não consegue suprir essas deficiências. Para Isaías Carvalho, esta é uma visão elitista. “Muitos professores capacitados ingressam nas escolas e estão mudando essa realidade. Esse discurso acaba jogando toda a culpa nos professores”, reclama.
Desde 2006, Isaías Carvalho trabalha como professor do Ensino Fundamental II e Ensino Médio em uma escola estadual em São Paulo. Oriundo de formação em escolas públicas, Isaías também é formado pelo Senai e chegou a trabalhar como técnico em refrigeração. Só conseguiu passar pelo “gargalo do vestibular” por causa do esforço de alguns professores da escola em que estudava na Vila Prudente, zona leste de São Paulo. Voluntariamente, os professores davam aulas de reforço pré-vestibular de graça para os alunos, nos fins de semana. “Os alunos se organizavam para comprar as apostilas”, lembra. Foi durante uma participação como assistente de um professor na escola de japonês em que estudava que Antônio Marcos Bueno, de 21 anos, resolveu tornar-se professor. “Um sentimento único me tocou”, exclama. Em busca do objetivo, saiu de Manaus, onde morava, e mudou-se para São Paulo. Depois de quase dois anos de cursinho pré-vestibular, Antônio Marcos está prestes a se mudar para a cidade de Assis, no interior do Estado, onde vai cursar Letras, com habilitação em japonês.
Entretanto, essa visão enraizada na cultura brasileira de que ser professor é uma missão ou vocação – e não uma profissão – acaba contribuindo para a desvalorização do profissional. “Socialmente, a representação do professor não é a de um profissional. É a de um cuidador, quase um sacerdote, que faz seu trabalho por amor. Claro que todo mundo tem de ter amor, mas é preciso aliar isso a uma competência específica para a função, ou seja, uma profissionalização”, resume Bernardete.
Contra a corrente
Ainda assim, o idealismo e a vontade de mudar o mundo ainda permanecem como fortes componentes na hora de optar pelo magistério. Anderson Mizael, de 32 anos, teve uma trajetória diferente da maioria dos seus colegas da PUC-SP. Criado na periferia de São Paulo, Anderson sempre estudou em escolas públicas. Adulto, trabalhou durante cinco anos como designer gráfico antes de resolver voltar a estudar. Bolsista do ProUni, que ajuda a financiar a mensalidade, Anderson é um dos poucos do curso de Letras que almejam a posição de professor de Literatura. “Eu tenho esse lado social da profissão. O ensino público está precisando de bons professores, de gente nova”, explica ele, que acaba de conseguir o primeiro estágio em sala de aula, em uma escola no Campo Limpo, zona sul da capital. Ana, que hoje trabalha em uma escola de elite, sonha em dar aula na rede pública. “São os que mais precisam.” “Eu sempre quis ser professora, desde criança”, arremata Ligia.
A empolgação é atenuada pela realidade da escola – com as já conhecidas salas lotadas, falta de material e muita burocracia. Ligia Reis reclama. “Cheguei, ganhei um apagador e só. Não existe nenhum roteiro, nenhum amparo”, conta. “Às vezes, você é um ótimo professor, tem várias ideias, mas a escola não ajuda em nada”, desabafa. Ligia também conta que, para grande parte de seus colegas de graduação, dar aula é a última opção. “A maioria quer ser tradutor ou trabalhar em editoras. É um quadro muito triste.”
Como constatou Ligia, de forma geral, jovens oriundos de classes mais favorecidas, teoricamente com uma formação mais sólida e maior bagagem cultural, acabam procurando outros mercados na hora de escolher uma profissão. “Eles procuram carreiras que oferecem perspectivas de progresso mais visíveis, mais palpáveis”, explica Bernardete. Um dos motivos que os jovens dizem ter para não escolher a profissão de professor é que eles não veem estímulo no magistério e os salários são muito baixos, em relação a outras carreiras possíveis. “Meu avô disse para eu prestar Farmácia, que estava na moda”, lembra Ana.
A busca pela valorização da carreira de professor passa também, mas não somente, por políticas de aumento salarial. Além de pagar mais, é preciso que o magistério tenha uma formação mais sólida e, principalmente, um plano de carreira efetivo. “Um plano em que o professor sinta que pode progredir salarialmente, a partir de alguns quesitos. Mas que ele, com essa dedicação, possa vir a ter uma recompensa salarial forte”, conclui a pesquisadora.
Anderson, Ligia, Ana, Isaías, Antônio e Fernando torcem para que essa perspectiva se torne realidade. “Eu acho que, felizmente, as pessoas estão começando a tomar consciência do papel do professor. É uma profissão que, no futuro, vai ser valorizada”, torce Anderson. “É uma profissão, pessoalmente, muito gratificante.” “Às vezes, eu chego à escola morta de cansaço, mas lá esqueço tudo. É muito gostoso”, conta Ana.
Entrevista da Revista Carta Capital:
http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/quem-quer-ser-professor
Tory Oliveira
26 de abril de 2011 às 10:12h
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Reflexão
domingo, 1 de maio de 2011
As dez coisas mais difíceis que tentamos fazer na vida.
I Não terás outros deuses
Não crerás na existência de outros deuses, senão de Deus.
Não explicarás o universo senão em relação a Deus.
Não terás outro critério de verdade senão Deus.
Não te relacionarás com pseudodivindades, senão com Deus.
Não dependerás de falsos deuses, senão de Deus.
Não terás satisfação em nada que exclua Deus.
II Não farás imagens
Não tratarás como Deus o que não é Deus.
Não compararás Deus com qualquer de suas criaturas.
Não atribuirás poder divino a qualquer das criaturas de Deus.
Não colocarás nenhuma criatura entre ti e o teu Deus.
Não diminuirás Deus para que possas compreendê-lo ou dominá-lo.
Não adorarás qualquer criatura que pretenda representar Deus.
III Não tomarás o nome do teu Deus em vão
Não dissociarás o nome da pessoa de Deus.
Não colocarás palavras na boca de Deus.
Não te esconderás atrás do nome de Deus.
Não usarás o nome de Deus para te justificares.
Não te relacionarás com uma idéia a respeito de Deus, senão com o próprio Deus.
Não semearás dúvidas respeito do caráter e da identidade de Deus.
IV Lembra-te do sábado
Não deixarás de dedicar tempo exclusivamente para Deus.
Não deixarás de prestar atenção em Deus.
Não deixarás de descansar em Deus.
Não derivarás teu valor da tua produtividade.
Não tratarás a vida como tua conquista.
Não deixarás de reconhecer que em tudo dependes de Deus.
V Honra teu pai e tua mãe
Não negarás tua origem.
Não terás vergonha do teu passado.
Não deixarás de fazer as pazes com tua história.
Não destruirás a família.
Não banalizarás a autoridade dos pais em relação aos filhos.
Não deixarás teu pai e tua mãe sem o melhor dos teus cuidados.
VI Não matarás
Não tirarás a vida de alguém.
Não tirarás ninguém da vida.
Não negarás o perdão
Não farás justiça com tuas mãos movidas pelo ódio.
Não negarás ao outro a oportunidade de existir na tua vida.
Não construirás uma sociedade que mata.
VII Não adulterarás
Não farás sexo.
Não farás sexo na imaginação.
Não farás sexo virtual.
Exceto com teu cônjuge.
Não te deixarás dominar pelos teus instintos físicos.
Não terás um coração leviano e infiel.
Não te satisfarás apenas no sexo, mas te realizarás acima de tudo no amor.
VIII Não furtarás
Não vincularás tua satisfação às tuas posses.
Não te deixarás dominar pelo desejo do que não possuis.
Não usurparás a propriedade e o direito alheios.
Não deixarás de praticar a gratidão.
Não construirás uma imagem às custas do que não podes ter.
Não pensarás só em ti mesmo.
IX Não dirás falso testemunho
Não dirás mentiras.
Não dirás meias verdades.
Não acrescentarás nada à verdade.
Não retirarás nada da verdade.
Não destruirás teu próximo com tuas palavras.
Não dirás ter visto o que não vistes.
X Não cobiçarás
Não viverás em função do que não tens.
Não desprezarás o que tens.
Não te colocarás na condição de injustiçado.
Não desdenharás os méritos alheios.
Não duvidarás da equanimidade das dádivas de Deus.
Não viverás para fazer teu o que é do teu próximo, mas do teu próximo o que é teu.
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Reflexão
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Seis Razões para Estudar Economia.
1. Economistas estão sempre armados e são perigosos. Ou você nunca ouviu falar na "Mão Invisível"?
2. Você pode falar sobre dinheiro sem ter que ganhar dinheiro.
3. Mick Jagger e Arnold Schwarzenegger estudaram economia, e veja onde eles chegaram!
4. Se você ficar desempregado, ao menos saberá o porquê.
5. Embora a ética ensine que a virtude é a sua própria recompensa, em economia aprendemos que a recompensa é a sua própria virtude.
6. Quando você ficar bêbado, poderá argumentar que está apenas pesquisando sobre a lei da utilidade marginal decrescente;
Boa sexta.
Valeu galera,
Com vocês, ao Serviço d’Ele,
Thiago Oliveira Braga
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Humor,
Minhas histórias,
Reflexão
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Messi, crônica de uma máquina quase perfeita.
Lionel Messi foi programado para fazer gols.
E para jogar bem.
Parece ter sido construído em laboratório com a única missão de balançar as redes.
Prova disso é sua trajetória em campo sempre vertical, aguda, objetiva…
Escrever sobre o camisa 10 do Barcelona é descrever números. São estatísticas que comprovam um talento fora do comum.
Messi não é um camisa 9, artilheiro forte e de presença.
Messi também não um armador, gênio cerebral que pensa o jogo.
Porém, Messi incorpora ambos com tamanha simplicidade – e habilidade.
Habilidade essa que não tem firulas.
O drible é seco, rápido, desconcertante. O passe normalmente é preciso, decisivo.
E o chute sempre vai milimetricamente no canto.
Nesta temporada, só pelo Barcelona, já são 49 gols.
É o jogador com mais gols numa única temporada no futebol espanhol (superou Zarra e se igualou a Puskas)
Na Liga BBVA, Messi tem 30 gols em 29 jogos. Além de 18 assistências.
Ou seja, o Barça depende do argentino, até aqui, em quase 56% dos gols no Espanhol.
Na Champions são 9 gols e 3 assistência em 10 jogos.
Na Copa do Rei, 7 gols e 2 assistências em 7 partidas.
E ainda há 3 gols na Supercopa da Espanha.
Impressionante!
Resumo 2010-11:
Jogos: 46
Chutes certos: 112
Gols: 49
Assistências: 23
Vitórias: 35
Derrotas: 3
Empates: 7
PS: Texto em constante atualização…
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Reflexão
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Dia do goleiro.
O goleiro, dizem, é um herói solitário.
De um heroísmo e uma solidão que o torcedor raramente reconhece.
E que solidão é esta de um homem com tantos privilégios:
O de ser o número 1?
O de vestir-se diferentemente dos outros?
O de ser inatacável em sua pequena área?
O de pode usar as mãos num esporte chamado foot-ball?
Assim como o goleiro é um personagem ímpar no grande palco do futebol,
as defesas que ele pratica são momentos igualmente únicos.
Veja o quanto de arrojo, elasticidade, reflexo, intuição, firmeza, talento,
há nestas defesas de goleiro e convença-se de que ele merece sua admiração.
Trechos da crônica escrito por João Máximo e narradas por Marcelo Duarte na Sala Dança do Futebol – Museu do Futebol.
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Poesia
Sucesso
FIZERAM UMA enquete entre pessoas que, a seu juízo, tiveram sucesso, eu entre elas. Queriam descobrir o segredo. Eram seis perguntas:
1) Se tivesse que definir sua história profissional em três palavras, quais seriam?
Um jovem me perguntou: como planejei a minha vida para chegar aonde cheguei? Respondi: cheguei aonde cheguei porque tudo o que planejei deu errado. A primeira palavra, então, seria “acidente”.
Depois, há de se ter um dom, coisa que não se faz, mas se recebe dos deuses. Quis muito ser pianista. Fracassei porque me faltava o dom. Já vi muitas promessas em livros de autoajuda do tipo “você está destinado ao sucesso…”. Isso é mentira. O querer nada pode sem o dom.
Finalmente, é preciso trabalhar.
2) Quais diferenciais uma pessoa deve possuir para conquistar o sucesso em sua profissão?
Não gosto dessa palavra “sucesso”. O que é sucesso? Vender um milhão de livros? Muitos livros medíocres são vendidos aos milhões, enquanto outros livros geniais não vendem uma única edição.
Muitos sucessos acontecem por acidente, trapaça ou malandragem. Ser eleito deputado ou senador -isso é sucesso?
Não se aprisionar ao costumeiro. Uma mulher que não conheço me enviou um presente, um quadro bordado em ponto cruz com as palavras “Deus abençoe essa bagunça”… Nietzsche nos aconselhou a construir nossas casas nas encostas do vulcão Vesúvio… Curiosidade.
3) Você deve ter acompanhado muitas pessoas que atingiram um reconhecimento em sua carreira, mas que, em pouco tempo, acabaram esquecidas. Quais os cuidados que um profissional deve tomar para que isso não ocorra?
Isso nunca me passou pela cabeça… Eu riria de uma pessoa bem-sucedida que se preocupasse com isso. Acho que essa preocupação é própria de pessoas narcisistas. E eu desprezo os narcisistas… Um conselho maroto, de bufão: “Esforce-se para aparecer na “Caras”. Com seu rosto sorridente lá, você não será esquecido…
4) Que ações e atitudes você tomou em sua vida e que, na sua opinião, foram determinantes para o sucesso em sua carreira?
Uma das minhas características que em nada ajudam o sucesso foi a “rebelião”. Fui um rebelde na religião, um rebelde na psicanálise, um rebelde na esquerda, um rebelde na educação. “Em cada chegada, eu sou uma partida”, dizia Nietzsche. E Eliot: “Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo…”. Acho que aqueles que gostam de mim têm esse traço comum: andam na direção contrária.
5) Já houve momentos em que você pensou em desistir? Em que pensou que nada daria certo? Se sim, o que você fez para superá-los e seguir em frente?
Sim. Cheguei a me candidatar a vendedor da “Enciclopédia Britânica” de casa em casa… Mas, repentinamente, o vento virou e encheu as minhas velas… É preciso estar atento à direção do vento…
6) Qual a lição mais importante que você teria para quem deseja afinar-se para o sucesso?
Não queira afinar-se para o sucesso. Não faça do sucesso o seu deus. Seja fiel a você mesmo. Se vier o tal de “sucesso”, melhor para você. Ou pior para você, nunca se sabe… Van Gogh foi um fracasso, nunca vendeu um quadro. Ele poderia ter se “afinado” para o sucesso -pintando quadros mais bonitinhos…
Por Rubem Alves
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Reflexão
terça-feira, 26 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
Vale, e muito.
Aí, aos 44 do segundo tempo, o rapaz de nome Ananias fez o gol, e meus moleques pulam como nunca, gritam como nunca, abraçam o pai e os desconhecidos na arquibancada, e têm o diazinho mais feliz de suas vidas.
Aí abro os jornais no dia seguinte, e ouço as rádios e as TVs, e leio e ouço e vejo que esse campeonato não vale nada, que os grandes estão cheios de tédio, que isso tudo acabe logo para começar o que importa, o que vale.
E então percebo que estão, estamos, talvez, totalmente descolados da realidade. Como assim, não vale nada?
Vou contar uma historinha.
Meus meninos têm 12 e 11 anos. Vão aos jogos do seu time desde quando não conseguiam andar direito e eu tinha de carregar cada um num braço, e subir os degraus até lá no alto, porque eles gostavam de ver aquele campo enorme, um mundo novo e verde estava se revelando, com onze de cada lado, e uma porção de gente assistindo, e gritando, e xingando. Aprenderam a assistir, a gritar, a xingar, a cantar, aprenderam as regras sozinhos, tomaram posse daquele mundo que, no começo, era apenas uma imensidão verde que se via lá do alto, do último degrau.
Domingo, na arquibancada quente, de cimento, havia dezenas, centenas de garotinhos como eles. E eu vi seus olhinhos brilhando. E ouvi do meu mais novo, já no carro, voltando para casa, que ia dormir mais leve.
E vêm os escribas e os locutores do alto de seus púlpitos e de sua pequenofobia para afirmar que não, isso não vale nada.
Que direito tem alguém de ir aos jornais ou à TV e dizer para uma criança de 11 ou 12 anos que sua alegria, sua felicidade, não vale nada? Quem foi que nos deu, a nós jornalistas esportivos, essa prerrogativa divina e sacra de dizer a uma criança qual o tipo de coisa pela qual vale a pena ficar feliz e chorar de alegria?
Eu vi os olhinhos dos meus meninos brilhando. Discretamente, um deles até enxugou algumas lágrimas. Eu até chorei, pai, disse no carro, e o outro disse que não chorou, mas quase.
Elas, essas lágrimas, valem muito. Mais do que todos os reais versus barcelonas desta e das próximas semanas, e de todos os que ainda hão de acontecer até o fim dos tempos.
Elas valem mais do que as cifras repletas de zeros que os jornais e as TVs brandem quando tratam do preço de um ganso, ou do valor de uma arena (arena?), ou dos direitos de transmissão.
Sobram números frios aos meus colegas, mas falta a eles o calor de uma arquibancada de cimento duro num domingo de sol. Falta a eles, e tem faltado a muita gente, olhar nos olhos de uma criança quando ela vê o goleiro do seu time subir no alambrado para olhar nos seus olhinhos. Falta ver de perto um garotinho arrancar a camisa suada e abraçar o pai com a cabecinha colada no peito junto ao distintivo.
Ninguém tem o direito de dizer que isso não vale nada. Ninguém tem o direito de dizer a uma criança que sua felicidade não vale nada, só porque ela eclodiu de repente num estádio antigo num torneio menor, e não diante de uma tela de LCD, com transmissão em HD, numa arena climatizada igualzinha às dos videogames.
A vida real, o futebol de verdade, não está num playstation, nem pode ser visto em HD. Na vida real, os olhinhos das crianças brilham no cimento duro da arquibancada quando seu time faz um gol, e dizer que aquele gol não vale nada é coisa de quem não está entendendo mais nada.
por Flavio Gomes, colunista do ESPN.com.br
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Opinião
sábado, 23 de abril de 2011
O pastor herege - Entrevista de Ricardo Gondim a Revista Carta Capital.
Carta Capital n˚ 643:O pastor herege
“Deus nos livre de um Brasil evangélico”, diz o religioso crítico dos movimentos neopentecostais.
A Gerson Freitas
“Deus nos livre de um Brasil evangélico”. Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir:
CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?
Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.
CC: Como o senhor define esse perfil?
RG: extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhes assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.
CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?
RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o Presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.
CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?
RG: O movimento brasileiro é filho do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way life de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portos de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?
CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.
RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, estão a minha mensagem está fragilizada.
CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?
RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez mais dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.
CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou com a heterossexualidade.
CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?
RG: Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.
CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.
RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente. Enviado pelo editor Júlio Amorim – São Paulo – jotamorim@gmail.com
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Opinião
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Dorme em paz ser carolíngio.
A vida é curta. Por isso o nosso bem mais precioso é “tempo”. Ele não é renovável. Portanto, não perca tempo com vaidades e bobagens. Invista seu tempo em algo que realmente vale à pena: amor. Gaste tempo amando. Gaste tempo abraçando. Gaste tempo cuidando do outro. Gaste tempo sendo compassivo. O amor não renovará esse tempo gasto, fará algo melhor: o eternizará. Porque o amor é a casa da eternidade.
Hoje a UECE amanheceu de luto. Morreu Carlos Dália, ex diretor e coordenador do curso de Filosofia. Em decorrencia de problemas na vesícula. Homem que me inspirou muito pra que hoje eu fosse professor, e ele sempre dizia: "Professor temos muitos, seja EDUCADOR".
Dália, você tem o respeito e a admiração de todos nós. Esse ser caro carolíngio vai dormir em paz.
Hoje a UECE amanheceu de luto. Morreu Carlos Dália, ex diretor e coordenador do curso de Filosofia. Em decorrencia de problemas na vesícula. Homem que me inspirou muito pra que hoje eu fosse professor, e ele sempre dizia: "Professor temos muitos, seja EDUCADOR".
Dália, você tem o respeito e a admiração de todos nós. Esse ser caro carolíngio vai dormir em paz.
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Alegria de um povo
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Thiago Oliveira Braga
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
E hoje é segunda feira.
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domingo, 17 de abril de 2011
Para que serve o amor? / A quoi ça ser l'amour?
Arrebatador curta que tenta responder à pergunta Para que serve o amor?, tendo com trilha sonora a música de Edith Piaf. A simplicidade dos traços confere ao filme um tom singelo que o torna ainda mais comovente.
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Poesia
Dialética da (nossa) história.
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sábado, 16 de abril de 2011
Convocando a todos para aderir a esta campanha
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Reflexão
domingo, 10 de abril de 2011
Cassundé
Maria de Jesus Casundé é um exemplo de vitalidade, uma lenda viva do Colégio Marista Cearense, foi minha professora de Matemática no ano de 1994 e tinha algumas colocações que lembro até hoje, como "Não confundir cassarolinha de assar leitão com Carolina de Sá Leitão".
Quem desta inesquecível mulher foi aluno, sabe do que estou falando.
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Marista Cearense
domingo, 3 de abril de 2011
Furtivos encontros
Metáforas são livres para sonhar com realidades e criar ambientes imaginados. E somente por isso é possível que conheçamos, ou desenhemos, um dos possíveis encontros deliberativos relativos à Copa do Mundo de 2014. Com a devida permissão poética, aí vai: foi em certa sala suspeita que alguns elementos, também suspeitos, se reuniram para decidir assuntos de seus interesses. Era um lugar algo estranho, com certo ar de antiguidade deteriorada. Não pareciam estar muito à vontade. Estamos falando de um condomínio, de certo porte, que agregava alguns figurões da sociedade local. Por uma dessas ironias do destino, ou manias de mandar, alguns de seus representantes se investiram do direito de responder e decidir por todos os outros. Quase como um golpe.
Deliberou-se ali sobre a taxa de condomínio e algumas outras formalidades, que passaram a ser exigidas de todos para a boa convivência dos vizinhos. Essas poucas pessoas que ocupavam os sofás pouco cuidados aparentavam estar um pouco alteradas. Diria até que não tinham condições plenas de admissão de suas posições. Um, de alva cabeleira, que mais lembrava um decadente cantor de fundo de quintal, comandava todos os outros, que mais pareciam marionetes ou então lhes faltava muito pouco para tanto. Em voz alta bradava que uma tomada de posição deveria ser assumida. Que absurdo cobrar de todos os moradores do prédio, por exemplo, a manutenção dos elevadores!
Uma garçonete em trajes sumários adentrou o recinto com uma bandeja e provocou um mal-estar no funcionário que guardava a porta – armado, diga-se de passagem. Os participantes da mesa reagiram com absoluta naturalidade, como se aquela visão fosse comum. Na verdade, a maioria estava louca para que aquele encontro se encerrasse logo e assim pudessem se dirigir a um local mais permissivo, digamos assim, que já se encontrava devidamente agendado como uma forma de prêmio pela participação. Só o fato de se recordarem do depois era motivo para extrair um sorriso incontrolável da maioria.
Outro, que se alojava do lado oposto, enquanto saboreava arrogantemente um charuto cubano que comprara nas docas, resolveu colocar mais fogo no gargalo. Levantando insistentemente a mão por mais de dez minutos, conseguiu chamar a atenção do chefão, que, irritado, anuiu à sua palavra. Levantou-se solenemente, como se um lorde fosse, e começou a desfilar suas impressões: “Nós, gente da melhor espécie, temos de imediatamente definir nossas posições. Devemos exigir que nenhum tipo de taxação incida sobre nossas cabeças. Que todos os motoristas particulares nos recebam de joelhos dobrados e cabeça baixa. Que empregados, ah, jamais os tenhamos por perto. Que deixemos de pagar os impostos do imóvel. Que o IPTU e outras extorsões deverão, a partir de hoje, ser pagos pelos funcionários, que trabalharão sem direito a salário e a qualquer tipo de privilégio; muito menos pagamento por horas extras”.
Foi uma loucura. Os pequenos – e pretensos tiranos – comensais se levantaram para um eufórico brinde com uma aguardente envelhecida. O orgulho estampara-se em seus rostos. Sentiam-se o máximo, os únicos, os invencíveis. O que diriam suas pobres esposas, amantes ou suas próximas companhias? Nada mais que isso. Nem sabiam com quem tratavam suas vidas. Ou, quem sabe, conheciam muito bem quem as saciavam de colares, moedas e vergonha. Chamaram a secretária para colocar em ata todos esses absurdos. Um, o pior, escapou no ocaso do evento. Era definitiva a resolução de que nada nem ninguém poderia, a partir daquele momento, ingressar naquele prédio. Nem eles!
Embriagados pelo poder investido, não se deram conta de que era a própria derrocada. Nenhum deles tinha outra fonte de renda nem onde encostar o que possuía. Ficaram ao relento. Os outros moradores e os que habitavam ao lado ficaram estupefatos e não se renderam. Era muita ignorância ou um tremendo blefe de amadores. Pagaram para ver o que é que daria. Era questão de tempo. Todos acabaram retornando para suas próprias casas com o rabo no meio das pernas, mas sempre pensando em novas besteiras a serem feitas. Era só questão de tempo. No condomínio chamado futebol brasileiro tudo é possível.
Em tempo: arenas para a Copa do Mundo, poderes investidos em si próprios, renúncias fiscais da União, implosão do Clube dos 13, negociações paralelas; tudo isso foi recentemente pauta de alguns acordos nascidos desses furtivos encontros.
Sócrates é comentarista esportivo, foi jogador de futebol do Corinthians, entre outros clubes, e da seleção brasileira.
Deliberou-se ali sobre a taxa de condomínio e algumas outras formalidades, que passaram a ser exigidas de todos para a boa convivência dos vizinhos. Essas poucas pessoas que ocupavam os sofás pouco cuidados aparentavam estar um pouco alteradas. Diria até que não tinham condições plenas de admissão de suas posições. Um, de alva cabeleira, que mais lembrava um decadente cantor de fundo de quintal, comandava todos os outros, que mais pareciam marionetes ou então lhes faltava muito pouco para tanto. Em voz alta bradava que uma tomada de posição deveria ser assumida. Que absurdo cobrar de todos os moradores do prédio, por exemplo, a manutenção dos elevadores!
Uma garçonete em trajes sumários adentrou o recinto com uma bandeja e provocou um mal-estar no funcionário que guardava a porta – armado, diga-se de passagem. Os participantes da mesa reagiram com absoluta naturalidade, como se aquela visão fosse comum. Na verdade, a maioria estava louca para que aquele encontro se encerrasse logo e assim pudessem se dirigir a um local mais permissivo, digamos assim, que já se encontrava devidamente agendado como uma forma de prêmio pela participação. Só o fato de se recordarem do depois era motivo para extrair um sorriso incontrolável da maioria.
Outro, que se alojava do lado oposto, enquanto saboreava arrogantemente um charuto cubano que comprara nas docas, resolveu colocar mais fogo no gargalo. Levantando insistentemente a mão por mais de dez minutos, conseguiu chamar a atenção do chefão, que, irritado, anuiu à sua palavra. Levantou-se solenemente, como se um lorde fosse, e começou a desfilar suas impressões: “Nós, gente da melhor espécie, temos de imediatamente definir nossas posições. Devemos exigir que nenhum tipo de taxação incida sobre nossas cabeças. Que todos os motoristas particulares nos recebam de joelhos dobrados e cabeça baixa. Que empregados, ah, jamais os tenhamos por perto. Que deixemos de pagar os impostos do imóvel. Que o IPTU e outras extorsões deverão, a partir de hoje, ser pagos pelos funcionários, que trabalharão sem direito a salário e a qualquer tipo de privilégio; muito menos pagamento por horas extras”.
Foi uma loucura. Os pequenos – e pretensos tiranos – comensais se levantaram para um eufórico brinde com uma aguardente envelhecida. O orgulho estampara-se em seus rostos. Sentiam-se o máximo, os únicos, os invencíveis. O que diriam suas pobres esposas, amantes ou suas próximas companhias? Nada mais que isso. Nem sabiam com quem tratavam suas vidas. Ou, quem sabe, conheciam muito bem quem as saciavam de colares, moedas e vergonha. Chamaram a secretária para colocar em ata todos esses absurdos. Um, o pior, escapou no ocaso do evento. Era definitiva a resolução de que nada nem ninguém poderia, a partir daquele momento, ingressar naquele prédio. Nem eles!
Embriagados pelo poder investido, não se deram conta de que era a própria derrocada. Nenhum deles tinha outra fonte de renda nem onde encostar o que possuía. Ficaram ao relento. Os outros moradores e os que habitavam ao lado ficaram estupefatos e não se renderam. Era muita ignorância ou um tremendo blefe de amadores. Pagaram para ver o que é que daria. Era questão de tempo. Todos acabaram retornando para suas próprias casas com o rabo no meio das pernas, mas sempre pensando em novas besteiras a serem feitas. Era só questão de tempo. No condomínio chamado futebol brasileiro tudo é possível.
Em tempo: arenas para a Copa do Mundo, poderes investidos em si próprios, renúncias fiscais da União, implosão do Clube dos 13, negociações paralelas; tudo isso foi recentemente pauta de alguns acordos nascidos desses furtivos encontros.
Sócrates é comentarista esportivo, foi jogador de futebol do Corinthians, entre outros clubes, e da seleção brasileira.
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Reflexão
segunda-feira, 28 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
TMB Panyee FC short film
Quem ainda não viu este vídeo, por favor assista. Um TRATADO sobre o que realmente é o futebol.
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Cinema
José Comblin - Fraqueza de Deus.
Nessa madrugada morreu José Comblin, grande teólogo, que nasceu em 1923 na Bélgica e faleceu nesta madrugada, na Bahia.
Boa parte do ateísmo contemporâneo baseia-se na objeção enunciada com muita força no passado por J. P. Sartre e retomada pelos seus discípulos: “Se Deus existe, eu não sou nada”.
Se existe um Deus onipotente, o que ainda sobra para mim? Essa presença ao meu lado do poder absoluto torna irrisórias todas as minhas ações. Diante do infinito, todo o finito torna-se irrelevante. Há muitas maneiras de enunciar o argumento.
A objeção foi formulada desde a Idade Média, mas não conseguiu convencer. A resposta diz que Deus e o homem não se situam no mesmo plano, como duas liberdades em competição.
A resposta não convenceu porque durante séculos os teólogos debateram a questão da predestinação, isto é, da compatibilidade entre a liberdade de Deus todo-poderoso e a liberdade humana. Assim fazendo, situaram no mesmo plano as duas liberdades. Se os teólogos – tomistas, dominicanos e jesuítas – tomaram essa posição durantes séculos, não é estranho que filósofos façam a mesma coisa.
De qualquer maneira, a pessoa sente tantas vezes o conflito entre a sua vontade, o seu desejo e o que diz que é a vontade de Deus, que a reação parece inevitável. Os sartreanos sustentam que, para ser livre, é necessário negar a existência de Deus. Infelizmente para eles, Deus não depende das negações ou das afirmações de Sartre.
A verdadeira resposta está na fraqueza de Deus. O nosso Deus é um Deus “escondido” – tema constante da tradição espiritual cristã.
É um Deus que se manifesta no meio da nuvem, que se faz perceptível, mas não impõe a sua presença.
A liberdade consiste justamente nisto: diante do outro, a pessoa pára, reconhece e aceita que exista. Abre espaço, acolhe. Longe de dominar, escuta e permite que o outro fale primeiro. Assim Deus suspende o poder de Deus.
Nenhuma evidência, nenhuma ameaça, nenhum constrangimento força nem obriga. Deus permite e deixa fazer. Deus respeita o outro na sua alteridade e permite, até mesmo, que o outro se destrua sem intervir. A liberdade de Deus consiste em permitir e ajudar a liberdade do menor dos seres humanos. A liberdade de Deus reprime o poder. Torna-se fraca para que possa manifestar-se a força humana.
O hino de Filipenses 2.6-11, núcleo da cristologia paulina, expressa essa fraqueza de Deus. Pois o aniquilamento de Jesus incluía o aniquilamento do Pai: "Esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de escravo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se a foi desobediente até a morte, e morte de cruz!” (Fl 2.7-8).
Deus escondeu o seu poder até a ponto de as autoridades de Israel não o reconhecerem. É desta maneira que Deus se dirige às pessoas: sem intimidação, sem poder, na dependência de seres humanos, entregando a própria vida nas mãos de criminosos. Quem dirá que dessa maneira Deus faz violência às pessoas?
Como comentou Levinas, o outro é o desafio da liberdade, a provocação que a desperta. Diante do outro há duas atitudes: examiná-lo para ver em que lê me poderia ser útil ou qual é a ameaça que representa para mim, ou então, perguntar-me o que eu poderia fazer para ajudá-lo.
A liberdade de Deus autolimita-se. Diante da sua criatura, Deus limita sua presença. Deus preferiu antes deixar que crucificassem o seu Filho a intervir para impedir tal justiça. Trata-se de fraqueza voluntária.
É verdade que durante muitos séculos, sobretudo na pregação popular, os pregadores apresentaram uma concepção bem diferente de Deus. Usaram temas e comportamentos da religião popular tradicional: medo diante do trovão, medo da seca e de cataclismos naturais – entendidos como castigos divinos –, medo das doenças recebidas também como castigos e assim por diante.
Era fácil despertar o temor a partir de idéias puramente pagãs ou supersticiosas. Essa pregação de terrorismo religioso podia dar resultados imediatos, levando milhares de pessoas aos sacramentos. A longo prazo, porém, destruíram as bases da credibilidade da Igreja. Hoje a maioria das pessoas deixaram de ter medo do trovão, não sendo mais motivo para temer a Deus, como foi no passado. Naquele tempo achou-se válido o método do temor, todavia hoje recolhe-se os frutos dessa pastoral.
Pensou-se que os povos precisassem temer um Deus forte – e desprezariam um Deus fraco. Tais erros se pagam cedo ou tarde. Estamos pagando hoje esse preço.
Deus torna-se fraco porque ama. Quem mais ama é sempre mais fraco. Não será essa a grande característica das mulheres? Quase sempre amam mais, e, por isso, sofrem mais. Porém, nessa fraqueza consentida não estará a maior liberdade?
Nessa fraqueza a pessoa vence todo o egoísmo, todo o desejo de prevalecer, toda a preguiça de aceitar maiores desafios. Exige mais de si própria, vai mais longe, além das suas forças. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (João 15.13). Aí está também a expressão suprema da liberdade.
A fraqueza de Deus vai até a ponto de se tornar suplicante. O versículo predileto do saudoso teólogo latino-americano Juan Luís Segundo diz; “Eis que estou batendo na porta: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo (Apocalipse 3.20).
Deus bate na porta e aguarda. Se não é atendido, afasta-se e continua o caminho. Somente entra se é convidado. Depende do convite da pessoa. Deus torna-se pedinte, suplicante.
(extraído de "Vocação para Liberdade" - Editora Paulus. Os grifos são meus).
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Reflexão
João Alexandre - Você Pode Ter
Você pode ter a casa repleta de amigos,
Paredes e pisos cobertos de bens
Ter um carro do último tipo,
E andar conforme der na cabeça...
Ou pode até ser um cara que vive apertado
Até mesmo dentro de um lotação,
Curtindo assim mesmo
Um fim de semana
Ao andar conforme der na cabeça...
Mas sempre será como folha no vento
Esperando o momento de cair...
Você pode ter tudo àquilo que sonhar.
Mas nunca terá a PAZ que existe lá dentro,
Que não se encontra pra poder comprar
Porque essa PAZ
Só tem a pessoa
Que se encontra com CRISTO
Que se encontra com CRISTO,,
Que se encontra com CRISTO.
Você Pode Ter
Sergio Pimenta
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Poesia
terça-feira, 22 de março de 2011
Todo Colombia se puso la camiseta Adidas de la Selección
45 millones de habitantes
12.800 kilométros
Una sola camiseta
Que recorrió todo el país!
Camiseta oficial ADIDAS de lá Selecion Colombiana!
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Cinema
Assuntos do Jogo Aberto da BAND.
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Humor
domingo, 20 de março de 2011
João Pedro: 2 anos de vida.
Olá queridos leitores!
Hoje o João Pedro completa 2 anos de vida. E a chegada dele, para nós, mudou muito. Inclusive no nosso Blog, várias de suas fotos foram publicas aqui, até seu 1° dia de aula no Marista. Apesar da pouca idade, nesses dois anos ele nasceu aqui no Ceará, morou o 1° ano de vida em Natal e atualmente mora em Salvador. Apesar da pouca idade, percebe-se que tem sido bem dinâmica seus mais recentes dias.
Nossa maneira de comemorar, é claro, escrevendo um post especialmente para ele. Sinta-se abraçado por mim e pela sua avó meu ilustre sobrinho. Deus te abençoe no dia de hoje, e pras próximas celebrações que virão.
Bom domingo.
Com vocês, ao serviço d'Ele.
Thiago Oliveira Braga.
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Minhas histórias
Rob Bell: “Muitos pastores de jovens estão divulgando algo em que não acreditam”
Rob Bell é o pastor fundador da Igreja Mars Hill em Grand Rapids, Michigan. Seu livro mais recente é Drops Like Stars: A Few Thoughts on Creativity and Suffering [Lágrimas são como estrelas: Alguns pensamentos sobre criatividade e sofrimento]. Pós-graduado pelo Wheaton College e pelo Seminário Teológico Fuller, Bell é um dos pregadores mais populares entre os jovens no momento. Para muitos, ele se tornouconhecido pelo trabalho criativo e provocador que fez na série de vídeosNOOMA (som que lembra a pronúncia de pneuma, palavra grega para “espírito”), usados por igrejas em todo o mundo.
Em entrevista ao YouthWorker Jornal, ele falou sobre a situação atual de muitas igrejas.
YouthWorker Jornal: Quais são as ferramentas específicas que os pastores precisam usar para ter um ministério eficaz? Na minha época, se soubesse tocar guitarra e gostasse de fazer jogos com os jovens, seria um forte candidato para a vaga. Se conseguisse falar algo sobre um versículo da Bíblia no final de alguma atividade, alcançava 100% de seu objetivo. Quais são as fórmulas mágicas atuais para o ministério, sobretudo com os jovens?
Rob Bell: Não começaria me perguntando: “Como você faz o ministério acontecer?” Eu começo com: “Que tipo de pessoa você é?” Vamos usar a sua própria experiência com o Cristo ressurreto. Se um jovem pastor indaga: “como posso criar um ambiente seguro onde meus jovens consigam lidar com suas próprias dores?”, digo que devemos falar primeiro sobre a sua própria experiência, como enfrentou o divórcio dos seus pais ou algo assim.Vamos falar sobre como Cristo o ajudou a sobreviver a isso. Muitas vezes espera-se que, se alguém toca violão e lidera um trabalho, então esse líder se livrou de um monte de fardos que estava carregando.Quem não tem alguma história para contar sobre uma pessoa próxima que já passou por um grande problema espiritual, emocional ou sexual?
YWJ : OK, agora as fórmulas mágicas, por favor.
RB: A norma dominante para se avaliar o ministério nas igrejas é a produção, não o discipulado.Resume-se a fazer as pessoas continuarem a pensar: “Como estão osnúmeros?” Nos evangelhos, sempre houve grandes multidões. Algumas vezes, Jesus deu um ensinamento difícil e que assustou a multidão. Ele sabia qual era o melhor momento para isso. Lembre-se de João 6.56: “Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue está em mim, e eu nele” (NBV*). Legal. Muito acessível para os jovens… Há um certo padrão, onde Jesus estava tentando descobrir quem levava as coisas a sério. Alguns pastores vivem uma situação na qual seus salários são baseados em quantas pessoas frequentam as reuniões da igreja. No entanto, quando lemos os evangelhos percebemos que todo o sistema parece estar indo na direção oposta. Muitos pastores de jovens que conheço estão divulgando algo em que eles não acreditam.
YWJ : Como o quê?
RB: O pastor sênior deseja que ele incentive os jovens a participar de um culto onde há um sermão, parte de uma série de sete semanas, sobre levantar fundos para construir um prédio gigante. Os jovens não querem saber disso. Ao mesmo tempo, muitos estão usando um bracelete vermelho e falam sobre prevenção da AIDS ou de abrir poços de água em lugares como o Sudão. Então muitos acabam se vendo em meio a uma engrenagem que diz que a preservação desse sistema é a grande prioridade. Contudo, olham ao redor e veem estes grandes problemas de injustiça social, que exigem uma resposta dessa geração, que eles façam algo a respeito. Adivinha o que eles fazem?
YWJ: Então, a chave de um ministério efetivo entre jovens é entender o que o pastor vive em dois mundos que contradizem um ao outro?
RB: O problema para um pastor ou líder de jovens é que ele ou ela tem esses impulsos e muitas vezes sequer pode defendê-los, especialmente com argumentos teológicos ou bíblicos, pois na reunião de liderança da igreja frequentemente eles não se encaixam no paradigma. Então, diria que a primeira coisa que precisamos dos pastores e líderes de jovens é coragem. Coragem para serem homens e mulheres com vidas santas.
YWJ: Podemos voltar para a parte profissional do ministério e como conseguir que milhares de jovens participem de nossos programas?
RB: Eu trabalho a partir de um pressuposto diferente. Entendo que as verdadeiras questões estão ligadas ao interior, não ao exterior. Observe o que os últimos séculos fizeram conosco, com a invenção de máquinas e mecanismos em que você aperta um botão e as coisas andam. Isso criou metáforas da produção e da indústria que são aplicadas às questões espirituais. Logo,perguntamos no exercício do ministério: “Como você faz seu grupo de jovens crescer? Como você alcança esses jovens? Que técnicas, habilidades e estratégiasexternas preciso usar para fazer A e B para então chegar até C?” As verdadeiras questões são, em primeiro lugar sobre o seu próprio interior, o seu próprio relacionamento com Jesus, a maneira como o Espírito de Deus está curando e restaurando todas coisas. As maneiras que você está experimentando o Cristo ressurreto em mil lugares diferentes.
YWJ: Por que muitos pastores começar bem mas, em seguida, se queimam e o ministério acaba?
RB: Isso remete a uma compreensão do que é mais importante: produção ou discipulado.Quando Jesus lidava com as multidões, depois se retirava para um lugar solitário e orava. Como a multidão aumentava, seu ritmo de “ligar e desligar” parecia aumentar. Em nossa cultura, quanto maior a multidão, mais você precisa trabalhar. Quando alguém passa do modelo de produção para o de discipulado, uma das perguntas é: “Isso é sustentável?Estou vivendo a vida que estou pregando e experimentando as coisas que estou convidando os outros a experimentar?”
YWJ: Como seria esse momento de se “desligar” nos dias de hoje?
RB: Bem, não trabalhar no sábado é um exemplo. É uma arte perdida. Há uma razão para que essas disciplinas antigas sejam absolutamente necessárias. Basta perguntar a um pastor de jovens ” qual dia da semana você não atende o celular e não responde e-mails?”Quando eles perguntam: “O que você quer dizer com isso?” Então eu respondo: “Ligue-me daqui a quatro anos, quando você estiver queimado”. O rabino Heschel disse que o sábado dá ao mundo a energia espiritual de que necessita para existir por mais seis dias. Há algo místico e prático sobre as disciplinas, como o sábado e a oração de centramento. Tudo isso confronta os “deuses da produção”.
YWJ: Como você consegue não se submeter aos “deuses da produção”?
RB: Tenho limites muito claros. Existem milhares de coisas que eu não faço. Minha esposa e eu somos rígidos em relação a sustentabilidade. Minha tendência é trabalhar o tempo todo, e isso tem sido um pouco difícil para mim. Sábado é dia de descanso, e eu faço o café da manhã para os filhos e e jantamos juntos todas as noites. Não participo mais de conferência de pastores há anos. Deus está no fundo do vale, bem como no alto da montanha, e realmente o vale é onde passamos mais tempo. Essa ideia de que Deus só pode ser encontrado lá em cima… Para mim, Deus é encontrado quando preparamos o almoço dos filhos, levando-os à escola e ajudando-os nas tarefas de casa; cozinhando macarrão e levando o cachorro para passear.
YWJ: Então, celebrar o sábado é uma ferramenta para o ministério?
RB: Se você está ocupado demais, esgotado, em crise, quem vai querer o seu evangelho?
YWJ: Vários ministros trocaram suas guitarras por câmeras de vídeo, sem dúvida influenciados pelos vídeos que você fez. A capacidade de fazer um grande vídeo é “a” nova habilidade dos pastores de jovens?
RB: A capacidade de fazer grandes vídeos e curtas-metragens tem sido valorizada de maneira exagerada. Shane Hipps tem um novo livro chamado Flickering Pixels [Pixels piscando], em que descreve como os líderes e pastores de jovens pastores começam a usar novas ferramentas e como elas acabam nos moldando. Quando você coloca uma mensagem em um filme, por exemplo, não é a mesma coisa, agora é uma mensagem nova.A própria forma usar um meio faz parte da mensagem.
YWJ: E os vídeos Nooma que você fez?
RB: Quando alguém vê os filmes do Nooma, acha que me conhece, mas não sabemos nada uns dos outros. Nunca nos encontramos. O filme dá uma falsa sensação de intimidade.Felizmente, uma verdade maravilhosa pôde ser comunicada, as pessoas foram tocadas, eles vão tratar de algumas questões mais a fundo, mas existem tantas outras coisas acontecendo por aí e precisamos estar atentos.
YWJ: Quais livros moldaram você?
RB: É uma longa lista: A conspiração divina, de Dallas Willard. Ultimate high conta ahistória de um explorador sueco que foi de bicicleta de Portugal até o Monte Everest, sem levar oxigênio suplementar; ele carregou em sua bicicleta tudo o que precisava e escreveu um livro sobre isso. Muitas obras católicas. Fui profundamente influenciado por A holy longing.
YWJ: O que anima você, o inspira no trabalho que você faz como um pastor, pai, escritor?
RB: Tenho uma vida que considero realmente feliz. Sempre fui compelido por Jesus. Sempre o achei fascinante. Todo mundo tem uma regra de vida. Encontrei no Cristo Ressurreto uma ordem e um estilo de vida pelos quais vale a pena morrer. Eu oro muito, descanso muito e leio muito.
Reportagem de Josh Seligman e Dean Nelson para o Youth Worker Journal
Citações bíblicas da NBV (Nova Bíblia Viva) © 2007
Tradução e edição: Agência Pavanews ©2011. Se for reproduzir, por gentileza cite a fonte.
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