Quem sou eu ?

Minha foto
Capital do Ceará, Ceará, Brazil
cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quem Morre?







Pablo Neruda


Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fácil e difícil


Um poema de Drummond para refletirmos e reverenciarmos a vida…



Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
 Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
 Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
 Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.
 Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.
 Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
 Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
 Fácil é dizer “oi” ou “como vai?”
Difícil é dizer “adeus”. Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas…
 Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
 Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
 Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
 Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
 Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
 Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.
 Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
 Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho…

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Fábula do Cuidado



“Certo dia, Cuidado, passeando nas margens do rio, tomou um pedaço de barro e o moldou na forma do ser humano. Nisso apareceu Júpiter e, a pedido de Cuidado, insuflou-lhe espírito. Cuidado quis dar-lhe um nome, mas Júpiter lho proibiu, querendo ele impor o nome. Começou uma discussão entre ambos.
Nisso apareceu a Terra, alegando que o barro era parte de seu corpo e que, por isso, tinha o direito de escolher um nome. Gerou-se uma discussão generalizada e sem solução.
Então todos aceitaram chamar Saturno, o velho deus ancestral, senhor do tempo, para ser o árbitro. Este deu a seguinte sentença, considerada justa:
Você, Júpiter, deu-lhe o espírito, receberá o espírito de volta quando esta criatura morrer. Você, Terra, forneceu-lhe o corpo, receberá o corpo de volta quando esta criatura morrer. E, você, Cuidado, que foi o primeiro a moldar a criatura, acompanhá-la-á por todo o tempo em que ela viver.
E como vocês não chegaram a nenhum consenso sobre o nome, decido eu: chamar-se-á homem, que vem de húmus, que significa terra fértil”.

(Extraído de BOFF, Leonardo. Ética e moral: a busca dos fundamentos. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004, p. 49)

domingo, 19 de junho de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das mães



Mãe... São três letras apenas



As desse nome bendito:


Também o céu tem três letras


E nelas cabe o infinito






Para louvar a nossa mãe,


Todo bem que se disser


Nunca há de ser tão grande


Como o bem que ela nos quer






Palavra tão pequenina,


Bem sabem os lábios meus


Que és do tamanho do CÉU


E apenas menor que Deus !

 
Mário Quintana

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dia do goleiro.



O goleiro, dizem, é um herói solitário.


De um heroísmo e uma solidão que o torcedor raramente reconhece.



E que solidão é esta de um homem com tantos privilégios:

O de ser o número 1?

O de vestir-se diferentemente dos outros?

O de ser inatacável em sua pequena área?

O de pode usar as mãos num esporte chamado foot-ball?



Assim como o goleiro é um personagem ímpar no grande palco do futebol,

as defesas que ele pratica são momentos igualmente únicos.



Veja o quanto de arrojo, elasticidade, reflexo, intuição, firmeza, talento,

há nestas defesas de goleiro e convença-se de que ele merece sua admiração.



Trechos da crônica escrito por João Máximo e narradas por Marcelo Duarte na Sala Dança do Futebol – Museu do Futebol.

domingo, 17 de abril de 2011

Para que serve o amor? / A quoi ça ser l'amour?



Arrebatador curta que tenta responder à pergunta Para que serve o amor?, tendo com trilha sonora a música de Edith Piaf. A simplicidade dos traços confere ao filme um tom singelo que o torna ainda mais comovente.




domingo, 27 de março de 2011

João Alexandre - Você Pode Ter



Você pode ter a casa repleta de amigos,


Paredes e pisos cobertos de bens

Ter um carro do último tipo,

E andar conforme der na cabeça...



Ou pode até ser um cara que vive apertado

Até mesmo dentro de um lotação,

Curtindo assim mesmo

Um fim de semana

Ao andar conforme der na cabeça...



Mas sempre será como folha no vento

Esperando o momento de cair...



Você pode ter tudo àquilo que sonhar.



Mas nunca terá a PAZ que existe lá dentro,

Que não se encontra pra poder comprar

Porque essa PAZ

Só tem a pessoa

Que se encontra com CRISTO

Que se encontra com CRISTO,,

Que se encontra com CRISTO.

Você Pode Ter
Sergio Pimenta

terça-feira, 8 de março de 2011

É isto um homem?




É isto um homem?


Vocês que vivem seguros

em suas cálidas casas,

vocês que, voltando à noite,

encontram comida quente e rostos amigos,

pensem bem se isto é um homem

que trabalha no meio do barro,

que não conhece a paz,

que luta por um pedaço de pão,

que morre por um sim por um não.

Pensem bem se isto é uma mulher,

sem cabelos e sem nome,

sem mais força para lembrar,

vazios os olhos, frio o ventre,

como um sapo no inverno.

Pensem que isto aconteceu:

eu lhes mando estas palavras.

Gravem-nas em seus corações,

Estando em casa, andando na rua,

ao deitar, ao levantar;

repitam-nas a seus filhos.

Ou, senão, desmorone-se a sua casa,

a doença os torne inválidos,

os seus filhos virem o rosto para não vê-los.



(LEVI, Primo*. É isto um homem? Tradução de Luigi Del Re. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2000. p.9.)






* Primo Levi (1919-1987), escritor e químico italiano, sobrevivente de Auschwitz, campo de concentração nazista

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Hino do Ceará na sanfona



Simplesmente lindo.

Para a torcida alvinegra que vibra em todas as horas com o Ceará S.C.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A verdade em metades.




A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar.
Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.



Este poema de Carlos Drummond de Andrade é um convite à humildade e à comunhão. Comunhão não existe sem humildade. E sem as duas, não existe experiência da verdade. A verdade a gente não sabe. A verdade a gente vive quando ela se apropria de nós. A verdade não é coisa da razão, resultado da reflexão. A verdade é soma de corações e não de cabeças.


A verdade é coisa fugidia, que não se deixa prender na gaiola dos raciocínios, não cai nas armadilhas dos pensamentos. A verdade é isso, a gente experimenta, saboreia, se delicia, mas não fica com ela como quem tem posse, pois a verdade é maior do que nós, em cada um de nós só cabe meia verdade, ou bem menos. E a gente tenta fazer uma verdade inteira juntando as partes e ficando com elas, como quem rouba do outro a metade ou parte que está com ele, pra depois a gente ficar dono da verdade. Mas a verdade não participa desse jogo. O jogo da verdade não é soma, é partilha. Não é brincadeira onde quem tem mais meia verdade ganha. É mais como uma dança onde a beleza e o alumbramento vêm no par, ou até mesmo na roda, onde as mãos e braços vão se encontrando e se despedindo, até que todo mundo na roda vive a verdade, e brinca com ela cada vez que os braços se entrelaçam e as mãos se acariciam. No fim da noite, quando cada um vai para casa descansar, a verdade também se recolhe, para que no dia seguinte todo mundo se precise novamente. Assim a humildade e a comunhão cuidam da verdade.

Na dança da verdade, meia verdade é verdade com limite, é verdade incompleta, dizendo para todo mundo que as idéias são menos importantes que as pessoas. Quem não consegue entrar na roda e quer espreitar para colecionar fragmentos de verdade, imaginando ser possível ficar dono da verdade e viver tomando conta da verdade, de fato, não vive com a verdade, mas com o capricho, a ilusão ou a miopia. Porque prefere as idéias às gentes, fica com a mentira, porque a verdade é uma pessoa e não um conceito. A verdade é uma pessoa, que gosta de brincar, de rir e de chorar. A verdade é uma pessoa que se dá a conhecer na comunhão dos humildes: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”, disse a verdade inteira aos que tinham consigo apenas meias verdades.


domingo, 23 de janeiro de 2011

Talvez




Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...






Pablo Neruda

sábado, 18 de dezembro de 2010

Louvor ao Deus pequenino


As pessoas esqueceram o esperado
Cada dia, esquecido Ele era
O ar se tornara triste como fado
Ou ruína coberta pela hera

Mas numa noite escura e fria,
Em que nada parecia especial
Veio ao mundo quem seria
Da vida seca, o manancial

Seja louvado aquele menino
Que, ao nascer, trouxe a luz
Aquele Deus bem pequenino
A todos os povos conduz.

O presente, não é tão diferente
Está esquecido, o Deus encarnado
Só se fala em receber presente
Deixando o divino menino de lado

Mas se escutas esses cantores,
Que te lembram, do natal, o sentido
E, se tocado pela mensagem fores,
Agradeça o amor por Deus sentido

 
Seja louvado aquele menino
Que, ao nascer, trouxe a luz
Aquele Deus bem pequenino
A todos os povos conduz.

 
Cante conosco ao bom criador
Que, por amor, pagou o preço
Do vil pecado que só cria dor
Oh, tanto amor eu não mereço

Mas obrigado, Senhor Jesus,
Por ter me amado tanto
O meu amor ao teu não faz jus
Mas te dedico esse canto


Seja louvado aquele menino
Que, ao nascer, trouxe a luz
Aquele Deus bem pequenino
A todos os povos conduz.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana




"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

"Miseráveis"
são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre."

DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana (escritor gaúcho nascido em 30/07/1906 e morto em 05/05/1994 .

Com vocês, ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Foi-se a Copa?


Foi-se a Copa? Não faz mal.


Adeus chutes e sistemas.

A gente pode, afinal,

cuidar de nossos problemas.



Faltou inflação de pontos?

Perdura a inflação de fato.

Deixaremos de ser tontos

se chutarmos no alvo exato.



O povo, noutro torneio,

havendo tenacidade,

ganhará, rijo, e de cheio,

A Copa da Liberdade.



Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 - Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1917) - Considerado um dos maiores poetas brasileiros, autor de uma vasta obra poética, que também inclui contos e crônicas. Morou no Rio de Janeiro a maior parte de sua vida, onde, foi funcionário público. Foi traduzidos para vários idiomas e é uma referência fundamental na poesia brasileira.

sábado, 10 de julho de 2010

Orgulho que faz bem !


"Saudações ao sofrido povo pobre nordestino,


povo destinado, povo destemido,

Que Deus abençoe a todos

favelados , mendigos, bóias-frias

mantidos no sufoco,

povo injustiçado, nordestinos

desconsiderados considerados desnecessários



Válidas as banais arriações pelo sotaque

por muitos otários

Povo que enfrenta vários obstáculos,

luta duro, dão murro com razão



Sua coragem e determinação prolongam

a confiança nos seus fortes punhos,

mãos calejadas, suor escorre pelo corpo

cansado, enfadado mesmo

não desistem e continuam a caminhada



Deus, abençoe à todos



Deus abençoe meu povo"

 
Faces do Subúrbio




É com essa letra belíssima da banda Faces do Subúrbio que peço a todos os Nordestinos que tenham orgulho de nascer nesta região belíssima do Brasil! Amem sua terra, honrem seu estado e principalmente, TORÇA PARA UM TIME DE SUA CIDADE. Sigamos em frente, afinal, o nordestino é antes de tudo UM FORTE.
 
Com vocês no serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

domingo, 20 de junho de 2010

Coelet



Antes que tenha rima
a imensa lida
Antes que saias as perguntas nas avenidas:
- Cadê lua, cadê a tua luz amiga?
- Cadê, cadê você querida

Antes que venha aquela atrevida
Tomar tudo debalde
Antes que seja tarde
Antes que venham aqueles dias
Em que digas:
-Não tenho mais prazer na vida !
A vida furta-cor
Furta sabor
E rouba a melodia

Antes que parta
O copo de ouro
E se despedace o cântaro
E a roda junto ao poço
Lembra-te do teu Criador
Enquanto és moço

Composição: Roberto Diamanso

Com vocês, ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Resolução.

Considerando nossa fraqueza os senhores forjaram
Suas leis. para nos escravizarem.
As leis não mais serão respeitadas
Considerando que não queremos mais ser escravos.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e com canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Teremos mais a miséria do que a morte.
Considerando que ficaremos famintos
Se suportarmos que continuem nos roubando
Querendo deixar bem claro que são apenas vidraças
Que nos separam deste bom pão que nos falta.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria que a morte.
Considerando que existem grandes mansões
Enquanto os senhores nos deixam sem teto
Nós decidimos: agora nelas nos instaleremos
Porque em nossos buracos não temos mais condições de ficar.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.
Considerando que está sobrando carvão.
Enquanto nós gelamos de frio por falta de carvão
Nós decidimos que vamos tomá-lo
Considerando que ele nos aquecerá
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.
Considerando que para os senhores não é possível
Nos pagarem um salário justo
Tomaremos nós mesmos as fábricas
Considerando que sem os senhores, tudo será melhor para nós.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria que a morte.
Considerando que o que o governo nos promete sempre
Está muito longe de nos inspirar confiança
Nós decidimos tomar o poder
Para podermos levar uma vida melhor.
Considerando: vocês escutam os canhões
Outra linguagem não conseguem compreender -
Deveremos então, sim, isso valerá a pena
Apontar os canhões contra os senhores!

Bertold Brecht