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Capital do Ceará, Ceará, Brazil
cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sucesso


FIZERAM UMA enquete entre pessoas que, a seu juízo, tiveram sucesso, eu entre elas. Queriam descobrir o segredo. Eram seis perguntas:




1) Se tivesse que definir sua história profissional em três palavras, quais seriam?

Um jovem me perguntou: como planejei a minha vida para chegar aonde cheguei? Respondi: cheguei aonde cheguei porque tudo o que planejei deu errado. A primeira palavra, então, seria “acidente”.

Depois, há de se ter um dom, coisa que não se faz, mas se recebe dos deuses. Quis muito ser pianista. Fracassei porque me faltava o dom. Já vi muitas promessas em livros de autoajuda do tipo “você está destinado ao sucesso…”. Isso é mentira. O querer nada pode sem o dom.

Finalmente, é preciso trabalhar.



2) Quais diferenciais uma pessoa deve possuir para conquistar o sucesso em sua profissão?

Não gosto dessa palavra “sucesso”. O que é sucesso? Vender um milhão de livros? Muitos livros medíocres são vendidos aos milhões, enquanto outros livros geniais não vendem uma única edição.

Muitos sucessos acontecem por acidente, trapaça ou malandragem. Ser eleito deputado ou senador -isso é sucesso?

Não se aprisionar ao costumeiro. Uma mulher que não conheço me enviou um presente, um quadro bordado em ponto cruz com as palavras “Deus abençoe essa bagunça”… Nietzsche nos aconselhou a construir nossas casas nas encostas do vulcão Vesúvio… Curiosidade.



3) Você deve ter acompanhado muitas pessoas que atingiram um reconhecimento em sua carreira, mas que, em pouco tempo, acabaram esquecidas. Quais os cuidados que um profissional deve tomar para que isso não ocorra?

Isso nunca me passou pela cabeça… Eu riria de uma pessoa bem-sucedida que se preocupasse com isso. Acho que essa preocupação é própria de pessoas narcisistas. E eu desprezo os narcisistas… Um conselho maroto, de bufão: “Esforce-se para aparecer na “Caras”. Com seu rosto sorridente lá, você não será esquecido…



4) Que ações e atitudes você tomou em sua vida e que, na sua opinião, foram determinantes para o sucesso em sua carreira?

Uma das minhas características que em nada ajudam o sucesso foi a “rebelião”. Fui um rebelde na religião, um rebelde na psicanálise, um rebelde na esquerda, um rebelde na educação. “Em cada chegada, eu sou uma partida”, dizia Nietzsche. E Eliot: “Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo…”. Acho que aqueles que gostam de mim têm esse traço comum: andam na direção contrária.



5) Já houve momentos em que você pensou em desistir? Em que pensou que nada daria certo? Se sim, o que você fez para superá-los e seguir em frente?

Sim. Cheguei a me candidatar a vendedor da “Enciclopédia Britânica” de casa em casa… Mas, repentinamente, o vento virou e encheu as minhas velas… É preciso estar atento à direção do vento…



6) Qual a lição mais importante que você teria para quem deseja afinar-se para o sucesso?

Não queira afinar-se para o sucesso. Não faça do sucesso o seu deus. Seja fiel a você mesmo. Se vier o tal de “sucesso”, melhor para você. Ou pior para você, nunca se sabe… Van Gogh foi um fracasso, nunca vendeu um quadro. Ele poderia ter se “afinado” para o sucesso -pintando quadros mais bonitinhos…


Por Rubem Alves

terça-feira, 26 de abril de 2011

Horizonte



"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".


Eduardo Galeano

domingo, 24 de abril de 2011

Vale, e muito.


Aí, aos 44 do segundo tempo, o rapaz de nome Ananias fez o gol, e meus moleques pulam como nunca, gritam como nunca, abraçam o pai e os desconhecidos na arquibancada, e têm o diazinho mais feliz de suas vidas.



Aí abro os jornais no dia seguinte, e ouço as rádios e as TVs, e leio e ouço e vejo que esse campeonato não vale nada, que os grandes estão cheios de tédio, que isso tudo acabe logo para começar o que importa, o que vale.


E então percebo que estão, estamos, talvez, totalmente descolados da realidade. Como assim, não vale nada?


Vou contar uma historinha.


Meus meninos têm 12 e 11 anos. Vão aos jogos do seu time desde quando não conseguiam andar direito e eu tinha de carregar cada um num braço, e subir os degraus até lá no alto, porque eles gostavam de ver aquele campo enorme, um mundo novo e verde estava se revelando, com onze de cada lado, e uma porção de gente assistindo, e gritando, e xingando. Aprenderam a assistir, a gritar, a xingar, a cantar, aprenderam as regras sozinhos, tomaram posse daquele mundo que, no começo, era apenas uma imensidão verde que se via lá do alto, do último degrau.


Domingo, na arquibancada quente, de cimento, havia dezenas, centenas de garotinhos como eles. E eu vi seus olhinhos brilhando. E ouvi do meu mais novo, já no carro, voltando para casa, que ia dormir mais leve.


E vêm os escribas e os locutores do alto de seus púlpitos e de sua pequenofobia para afirmar que não, isso não vale nada.


Que direito tem alguém de ir aos jornais ou à TV e dizer para uma criança de 11 ou 12 anos que sua alegria, sua felicidade, não vale nada? Quem foi que nos deu, a nós jornalistas esportivos, essa prerrogativa divina e sacra de dizer a uma criança qual o tipo de coisa pela qual vale a pena ficar feliz e chorar de alegria?


Eu vi os olhinhos dos meus meninos brilhando. Discretamente, um deles até enxugou algumas lágrimas. Eu até chorei, pai, disse no carro, e o outro disse que não chorou, mas quase.


Elas, essas lágrimas, valem muito. Mais do que todos os reais versus barcelonas desta e das próximas semanas, e de todos os que ainda hão de acontecer até o fim dos tempos.


Elas valem mais do que as cifras repletas de zeros que os jornais e as TVs brandem quando tratam do preço de um ganso, ou do valor de uma arena (arena?), ou dos direitos de transmissão.


Sobram números frios aos meus colegas, mas falta a eles o calor de uma arquibancada de cimento duro num domingo de sol. Falta a eles, e tem faltado a muita gente, olhar nos olhos de uma criança quando ela vê o goleiro do seu time subir no alambrado para olhar nos seus olhinhos. Falta ver de perto um garotinho arrancar a camisa suada e abraçar o pai com a cabecinha colada no peito junto ao distintivo.


Ninguém tem o direito de dizer que isso não vale nada. Ninguém tem o direito de dizer a uma criança que sua felicidade não vale nada, só porque ela eclodiu de repente num estádio antigo num torneio menor, e não diante de uma tela de LCD, com transmissão em HD, numa arena climatizada igualzinha às dos videogames.


A vida real, o futebol de verdade, não está num playstation, nem pode ser visto em HD. Na vida real, os olhinhos das crianças brilham no cimento duro da arquibancada quando seu time faz um gol, e dizer que aquele gol não vale nada é coisa de quem não está entendendo mais nada.

por Flavio Gomes, colunista do ESPN.com.br


sábado, 23 de abril de 2011

O pastor herege - Entrevista de Ricardo Gondim a Revista Carta Capital.


Carta Capital n˚ 643:O pastor herege
“Deus nos livre de um Brasil evangélico”, diz o religioso crítico dos movimentos neopentecostais.
A Gerson Freitas
“Deus nos livre de um Brasil evangélico”. Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir:
CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?
Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.
CC: Como o senhor define esse perfil?
RG: extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhes assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.
CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?
RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o Presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.
CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?
RG: O movimento brasileiro é filho do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way life de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portos de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?
CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.
RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, estão a minha mensagem está fragilizada.
CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?
RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez mais dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.
CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou com a heterossexualidade.
CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?
RG: Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.
CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.
RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente. Enviado pelo editor Júlio Amorim – São Paulo – jotamorim@gmail.com

terça-feira, 19 de abril de 2011

Dorme em paz ser carolíngio.

A vida é curta. Por isso o nosso bem mais precioso é “tempo”. Ele não é renovável. Portanto, não perca tempo com vaidades e bobagens. Invista seu tempo em algo que realmente vale à pena: amor. Gaste tempo amando. Gaste tempo abraçando. Gaste tempo cuidando do outro. Gaste tempo sendo compassivo. O amor não renovará esse tempo gasto, fará algo melhor: o eternizará. Porque o amor é a casa da eternidade.


Hoje a UECE amanheceu de luto. Morreu Carlos Dália, ex diretor e coordenador do curso de Filosofia. Em decorrencia de problemas na vesícula. Homem que me inspirou muito pra que hoje eu fosse professor, e ele sempre dizia: "Professor temos muitos, seja EDUCADOR".
 
Dália, você tem o respeito e a admiração de todos nós. Esse ser caro carolíngio vai dormir em paz.

Alegria de um povo


Valeu galera,




Com vocês, ao Serviço d’Ele,



Thiago Oliveira Braga

segunda-feira, 18 de abril de 2011

E hoje é segunda feira.



E hoje começa a semana mais curta do mês. Aproveitemos para refletir.


Que tenhamos uma semana exponencial.

Valeu galera,

Com vocês, ao Serviço d’Ele,

Thiago Oliveira Braga

domingo, 17 de abril de 2011

Para que serve o amor? / A quoi ça ser l'amour?



Arrebatador curta que tenta responder à pergunta Para que serve o amor?, tendo com trilha sonora a música de Edith Piaf. A simplicidade dos traços confere ao filme um tom singelo que o torna ainda mais comovente.




Dialética da (nossa) história.


Eu, meu irmão (Braga Neto) e João Pedro (Filho do meu irmão). O boneco do incrível Hulk entrou de "gaiato" na fotografia.

Agora façam as comparações.

Bom domingo.




Com vocês, ao serviço d'Ele.



Thiago Oliveira Braga.

domingo, 10 de abril de 2011

Cassundé



Maria de Jesus Casundé é um exemplo de vitalidade, uma lenda viva do Colégio Marista Cearense, foi minha professora de Matemática no ano de 1994 e tinha algumas colocações que lembro até hoje, como "Não confundir cassarolinha de assar leitão com Carolina de Sá Leitão".

Quem desta inesquecível mulher foi aluno, sabe do que estou falando.


domingo, 3 de abril de 2011

Furtivos encontros

Metáforas são livres para sonhar com realidades e criar ambientes imaginados. E somente por isso é possível que conheçamos, ou desenhemos, um dos possíveis encontros deliberativos relativos à Copa do Mundo de 2014. Com a devida permissão poética, aí vai: foi em certa sala suspeita que alguns elementos, também suspeitos, se reuniram para decidir assuntos de seus interesses. Era um lugar algo estranho, com certo ar de antiguidade deteriorada. Não pareciam estar muito à vontade. Estamos falando de um condomínio, de certo porte, que agregava alguns figurões da sociedade local. Por uma dessas ironias do destino, ou manias de mandar, alguns de seus representantes se investiram do direito de responder e decidir por todos os outros. Quase como um golpe.


Deliberou-se ali sobre a taxa de condomínio e algumas outras formalidades, que passaram a ser exigidas de todos para a boa convivência dos vizinhos. Essas poucas pessoas que ocupavam os sofás pouco cuidados aparentavam estar um pouco alteradas. Diria até que não tinham condições plenas de admissão de suas posições. Um, de alva cabeleira, que mais lembrava um decadente cantor de fundo de quintal, comandava todos os outros, que mais pareciam marionetes ou então lhes faltava muito pouco para tanto. Em voz alta bradava que uma tomada de posição deveria ser assumida. Que absurdo cobrar de todos os moradores do prédio, por exemplo, a manutenção dos elevadores!


Uma garçonete em trajes sumários adentrou o recinto com uma bandeja e provocou um mal-estar no funcionário que guardava a porta – armado, diga-se de passagem. Os participantes da mesa reagiram com absoluta naturalidade, como se aquela visão fosse comum. Na verdade, a maioria estava louca para que aquele encontro se encerrasse logo e assim pudessem se dirigir a um local mais permissivo, digamos assim, que já se encontrava devidamente agendado como uma forma de prêmio pela participação. Só o fato de se recordarem do depois era motivo para extrair um sorriso incontrolável da maioria.


Outro, que se alojava do lado oposto, enquanto saboreava arrogantemente um charuto cubano que comprara nas docas, resolveu colocar mais fogo no gargalo. Levantando insistentemente a mão por mais de dez minutos, conseguiu chamar a atenção do chefão, que, irritado, anuiu à sua palavra. Levantou-se solenemente, como se um lorde fosse, e começou a desfilar suas impressões: “Nós, gente da melhor espécie, temos de imediatamente definir nossas posições. Devemos exigir que nenhum tipo de taxação incida sobre nossas cabeças. Que todos os motoristas particulares nos recebam de joelhos dobrados e cabeça baixa. Que empregados, ah, jamais os tenhamos por perto. Que deixemos de pagar os impostos do imóvel. Que o IPTU e outras extorsões deverão, a partir de hoje, ser pagos pelos funcionários, que trabalharão sem direito a salário e a qualquer tipo de privilégio; muito menos pagamento por horas extras”.

Foi uma loucura. Os pequenos – e pretensos tiranos – comensais se levantaram para um eufórico brinde com uma aguardente envelhecida. O orgulho estampara-se em seus rostos. Sentiam-se o máximo, os únicos, os invencíveis. O que diriam suas pobres esposas, amantes ou suas próximas companhias? Nada mais que isso. Nem sabiam com quem tratavam suas vidas. Ou, quem sabe, conheciam muito bem quem as saciavam de colares, moedas e vergonha. Chamaram a secretária para colocar em ata todos esses absurdos. Um, o pior, escapou no ocaso do evento. Era definitiva a resolução de que nada nem ninguém poderia, a partir daquele momento, ingressar naquele prédio. Nem eles!

Embriagados pelo poder investido, não se deram conta de que era a própria derrocada. Nenhum deles tinha outra fonte de renda nem onde encostar o que possuía. Ficaram ao relento. Os outros moradores e os que habitavam ao lado ficaram estupefatos e não se renderam. Era muita ignorância ou um tremendo blefe de amadores. Pagaram para ver o que é que daria. Era questão de tempo. Todos acabaram retornando para suas próprias casas com o rabo no meio das pernas, mas sempre pensando em novas besteiras a serem feitas. Era só questão de tempo. No condomínio chamado futebol brasileiro tudo é possível.

Em tempo: arenas para a Copa do Mundo, poderes investidos em si próprios, renúncias fiscais da União, implosão do Clube dos 13, negociações paralelas; tudo isso foi recentemente pauta de alguns acordos nascidos desses furtivos encontros.


Sócrates é comentarista esportivo, foi jogador de futebol do Corinthians, entre outros clubes, e da seleção brasileira.





domingo, 27 de março de 2011

TMB Panyee FC short film

Quem ainda não viu este vídeo, por favor assista. Um TRATADO sobre o que realmente é o futebol.

José Comblin - Fraqueza de Deus.



Nessa madrugada morreu José Comblin, grande teólogo, que nasceu em 1923 na Bélgica e faleceu nesta madrugada, na Bahia.

Boa parte do ateísmo contemporâneo baseia-se na objeção enunciada com muita força no passado por J. P. Sartre e retomada pelos seus discípulos: “Se Deus existe, eu não sou nada”.




Se existe um Deus onipotente, o que ainda sobra para mim? Essa presença ao meu lado do poder absoluto torna irrisórias todas as minhas ações. Diante do infinito, todo o finito torna-se irrelevante. Há muitas maneiras de enunciar o argumento.



A objeção foi formulada desde a Idade Média, mas não conseguiu convencer. A resposta diz que Deus e o homem não se situam no mesmo plano, como duas liberdades em competição.



A resposta não convenceu porque durante séculos os teólogos debateram a questão da predestinação, isto é, da compatibilidade entre a liberdade de Deus todo-poderoso e a liberdade humana. Assim fazendo, situaram no mesmo plano as duas liberdades. Se os teólogos – tomistas, dominicanos e jesuítas – tomaram essa posição durantes séculos, não é estranho que filósofos façam a mesma coisa.



De qualquer maneira, a pessoa sente tantas vezes o conflito entre a sua vontade, o seu desejo e o que diz que é a vontade de Deus, que a reação parece inevitável. Os sartreanos sustentam que, para ser livre, é necessário negar a existência de Deus. Infelizmente para eles, Deus não depende das negações ou das afirmações de Sartre.



A verdadeira resposta está na fraqueza de Deus. O nosso Deus é um Deus “escondido” – tema constante da tradição espiritual cristã.



É um Deus que se manifesta no meio da nuvem, que se faz perceptível, mas não impõe a sua presença.



A liberdade consiste justamente nisto: diante do outro, a pessoa pára, reconhece e aceita que exista. Abre espaço, acolhe. Longe de dominar, escuta e permite que o outro fale primeiro. Assim Deus suspende o poder de Deus.



Nenhuma evidência, nenhuma ameaça, nenhum constrangimento força nem obriga. Deus permite e deixa fazer. Deus respeita o outro na sua alteridade e permite, até mesmo, que o outro se destrua sem intervir. A liberdade de Deus consiste em permitir e ajudar a liberdade do menor dos seres humanos. A liberdade de Deus reprime o poder. Torna-se fraca para que possa manifestar-se a força humana.



O hino de Filipenses 2.6-11, núcleo da cristologia paulina, expressa essa fraqueza de Deus. Pois o aniquilamento de Jesus incluía o aniquilamento do Pai: "Esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de escravo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se a foi desobediente até a morte, e morte de cruz!” (Fl 2.7-8).



Deus escondeu o seu poder até a ponto de as autoridades de Israel não o reconhecerem. É desta maneira que Deus se dirige às pessoas: sem intimidação, sem poder, na dependência de seres humanos, entregando a própria vida nas mãos de criminosos. Quem dirá que dessa maneira Deus faz violência às pessoas?



Como comentou Levinas, o outro é o desafio da liberdade, a provocação que a desperta. Diante do outro há duas atitudes: examiná-lo para ver em que lê me poderia ser útil ou qual é a ameaça que representa para mim, ou então, perguntar-me o que eu poderia fazer para ajudá-lo.



A liberdade de Deus autolimita-se. Diante da sua criatura, Deus limita sua presença. Deus preferiu antes deixar que crucificassem o seu Filho a intervir para impedir tal justiça. Trata-se de fraqueza voluntária.



É verdade que durante muitos séculos, sobretudo na pregação popular, os pregadores apresentaram uma concepção bem diferente de Deus. Usaram temas e comportamentos da religião popular tradicional: medo diante do trovão, medo da seca e de cataclismos naturais – entendidos como castigos divinos –, medo das doenças recebidas também como castigos e assim por diante.



Era fácil despertar o temor a partir de idéias puramente pagãs ou supersticiosas. Essa pregação de terrorismo religioso podia dar resultados imediatos, levando milhares de pessoas aos sacramentos. A longo prazo, porém, destruíram as bases da credibilidade da Igreja. Hoje a maioria das pessoas deixaram de ter medo do trovão, não sendo mais motivo para temer a Deus, como foi no passado. Naquele tempo achou-se válido o método do temor, todavia hoje recolhe-se os frutos dessa pastoral.



Pensou-se que os povos precisassem temer um Deus forte – e desprezariam um Deus fraco. Tais erros se pagam cedo ou tarde. Estamos pagando hoje esse preço.



Deus torna-se fraco porque ama. Quem mais ama é sempre mais fraco. Não será essa a grande característica das mulheres? Quase sempre amam mais, e, por isso, sofrem mais. Porém, nessa fraqueza consentida não estará a maior liberdade?



Nessa fraqueza a pessoa vence todo o egoísmo, todo o desejo de prevalecer, toda a preguiça de aceitar maiores desafios. Exige mais de si própria, vai mais longe, além das suas forças. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (João 15.13). Aí está também a expressão suprema da liberdade.



A fraqueza de Deus vai até a ponto de se tornar suplicante. O versículo predileto do saudoso teólogo latino-americano Juan Luís Segundo diz; “Eis que estou batendo na porta: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo (Apocalipse 3.20).



Deus bate na porta e aguarda. Se não é atendido, afasta-se e continua o caminho. Somente entra se é convidado. Depende do convite da pessoa. Deus torna-se pedinte, suplicante.



(extraído de "Vocação para Liberdade" - Editora Paulus. Os grifos são meus).

João Alexandre - Você Pode Ter



Você pode ter a casa repleta de amigos,


Paredes e pisos cobertos de bens

Ter um carro do último tipo,

E andar conforme der na cabeça...



Ou pode até ser um cara que vive apertado

Até mesmo dentro de um lotação,

Curtindo assim mesmo

Um fim de semana

Ao andar conforme der na cabeça...



Mas sempre será como folha no vento

Esperando o momento de cair...



Você pode ter tudo àquilo que sonhar.



Mas nunca terá a PAZ que existe lá dentro,

Que não se encontra pra poder comprar

Porque essa PAZ

Só tem a pessoa

Que se encontra com CRISTO

Que se encontra com CRISTO,,

Que se encontra com CRISTO.

Você Pode Ter
Sergio Pimenta

terça-feira, 22 de março de 2011

Todo Colombia se puso la camiseta Adidas de la Selección



45 millones de habitantes
12.800 kilométros
Una sola camiseta
Que recorrió todo el país!
Camiseta oficial ADIDAS de lá Selecion Colombiana!

Assuntos do Jogo Aberto da BAND.

domingo, 20 de março de 2011

João Pedro: 2 anos de vida.


Olá queridos leitores!


Hoje o João Pedro completa 2 anos de vida. E a chegada dele, para nós, mudou muito. Inclusive no nosso Blog, várias de suas fotos foram publicas aqui, até seu 1° dia de aula no Marista. Apesar da pouca idade, nesses dois anos ele nasceu aqui no Ceará, morou o 1° ano de vida em Natal e atualmente mora em Salvador. Apesar da pouca idade, percebe-se que tem sido bem dinâmica seus mais recentes dias.


Nossa maneira de comemorar, é claro, escrevendo um post especialmente para ele. Sinta-se abraçado por mim e pela sua avó meu ilustre sobrinho. Deus te abençoe no dia de hoje, e pras próximas celebrações que virão.

Bom domingo.

Com vocês, ao serviço d'Ele.

Thiago Oliveira Braga.

Rob Bell: “Muitos pastores de jovens estão divulgando algo em que não acreditam”


Rob Bell é o pastor fundador da Igreja Mars Hill em Grand Rapids, Michigan. Seu livro mais recente é Drops Like Stars: A Few Thoughts on Creativity and Suffering [Lágrimas são como estrelas: Alguns pensamentos sobre criatividade e sofrimento]. Pós-graduado pelo Wheaton College e pelo Seminário Teológico Fuller, Bell é um dos pregadores mais populares entre os jovens no momento. Para muitos, ele se tornouconhecido pelo trabalho criativo e provocador que fez na série de vídeosNOOMA (som que lembra a pronúncia de pneuma, palavra grega para “espírito”), usados por igrejas em todo o mundo.

Em entrevista ao YouthWorker Jornal, ele falou sobre a situação atual de muitas igrejas.


YouthWorker Jornal: Quais são as ferramentas específicas que os pastores precisam usar para ter um ministério eficaz? Na minha época, se soubesse tocar guitarra e gostasse de fazer jogos com os jovens, seria um forte candidato para a vaga. Se conseguisse falar algo sobre um versículo da Bíblia no final de alguma atividade, alcançava 100% de seu objetivo. Quais são as fórmulas mágicas atuais para o ministério, sobretudo com os jovens?


Rob Bell: Não começaria me perguntando: “Como você faz o ministério acontecer?” Eu começo com: “Que tipo de pessoa você é?” Vamos usar a sua própria experiência com o Cristo ressurreto. Se um jovem pastor indaga: “como posso criar um ambiente seguro onde meus jovens consigam lidar com suas próprias dores?”, digo que devemos falar primeiro sobre a sua própria experiência, como enfrentou o divórcio dos seus pais ou algo assim.Vamos falar sobre como Cristo o ajudou a sobreviver a isso. Muitas vezes espera-se que, se alguém toca violão e lidera um trabalho, então esse líder se livrou de um monte de fardos que estava carregando.Quem não tem alguma história para contar sobre uma pessoa próxima que já passou por um grande problema espiritual, emocional ou sexual?


YWJ : OK, agora as fórmulas mágicas, por favor.


RB: A norma dominante para se avaliar o ministério nas igrejas é a produção, não o discipulado.Resume-se a fazer as pessoas continuarem a pensar: “Como estão osnúmeros?” Nos evangelhos, sempre houve grandes multidões. Algumas vezes, Jesus deu um ensinamento difícil e que assustou a multidão. Ele sabia qual era o melhor momento para isso. Lembre-se de João 6.56: “Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue está em mim, e eu nele” (NBV*). Legal. Muito acessível para os jovens… Há um certo padrão, onde Jesus estava tentando descobrir quem levava as coisas a sério. Alguns pastores vivem uma situação na qual seus salários são baseados em quantas pessoas frequentam as reuniões da igreja. No entanto, quando lemos os evangelhos percebemos que todo o sistema parece estar indo na direção oposta. Muitos pastores de jovens que conheço estão divulgando algo em que eles não acreditam.


YWJ : Como o quê?


RB: O pastor sênior deseja que ele incentive os jovens a participar de um culto onde há um sermão, parte de uma série de sete semanas, sobre levantar fundos para construir um prédio gigante. Os jovens não querem saber disso. Ao mesmo tempo, muitos estão usando um bracelete vermelho e falam sobre prevenção da AIDS ou de abrir poços de água em lugares como o Sudão. Então muitos acabam se vendo em meio a uma engrenagem que diz que a preservação desse sistema é a grande prioridade. Contudo, olham ao redor e veem estes grandes problemas de injustiça social, que exigem uma resposta dessa geração, que eles façam algo a respeito. Adivinha o que eles fazem?


YWJ: Então, a chave de um ministério efetivo entre jovens é entender o que o pastor vive em dois mundos que contradizem um ao outro?


RB: O problema para um pastor ou líder de jovens é que ele ou ela tem esses impulsos e muitas vezes sequer pode defendê-los, especialmente com argumentos teológicos ou bíblicos, pois na reunião de liderança da igreja frequentemente eles não se encaixam no paradigma. Então, diria que a primeira coisa que precisamos dos pastores e líderes de jovens é coragem. Coragem para serem homens e mulheres com vidas santas.

YWJ: Podemos voltar para a parte profissional do ministério e como conseguir que milhares de jovens participem de nossos programas?


RB: Eu trabalho a partir de um pressuposto diferente. Entendo que as verdadeiras questões estão ligadas ao interior, não ao exterior. Observe o que os últimos séculos fizeram conosco, com a invenção de máquinas e mecanismos em que você aperta um botão e as coisas andam. Isso criou metáforas da produção e da indústria que são aplicadas às questões espirituais. Logo,perguntamos no exercício do ministério: “Como você faz seu grupo de jovens crescer? Como você alcança esses jovens? Que técnicas, habilidades e estratégiasexternas preciso usar para fazer A e B para então chegar até C?” As verdadeiras questões são, em primeiro lugar sobre o seu próprio interior, o seu próprio relacionamento com Jesus, a maneira como o Espírito de Deus está curando e restaurando todas coisas. As maneiras que você está experimentando o Cristo ressurreto em mil lugares diferentes.


YWJ: Por que muitos pastores começar bem mas, em seguida, se queimam e o ministério acaba?


RB: Isso remete a uma compreensão do que é mais importante: produção ou discipulado.Quando Jesus lidava com as multidões, depois se retirava para um lugar solitário e orava. Como a multidão aumentava, seu ritmo de “ligar e desligar” parecia aumentar. Em nossa cultura, quanto maior a multidão, mais você precisa trabalhar. Quando alguém passa do modelo de produção para o de discipulado, uma das perguntas é: “Isso é sustentável?Estou vivendo a vida que estou pregando e experimentando as coisas que estou convidando os outros a experimentar?”


YWJ: Como seria esse momento de se “desligar” nos dias de hoje?

RB: Bem, não trabalhar no sábado é um exemplo. É uma arte perdida. Há uma razão para que essas disciplinas antigas sejam absolutamente necessárias. Basta perguntar a um pastor de jovens ” qual dia da semana você não atende o celular e não responde e-mails?”Quando eles perguntam: “O que você quer dizer com isso?” Então eu respondo: “Ligue-me daqui a quatro anos, quando você estiver queimado”. O rabino Heschel disse que o sábado dá ao mundo a energia espiritual de que necessita para existir por mais seis dias. Há algo místico e prático sobre as disciplinas, como o sábado e a oração de centramento. Tudo isso confronta os “deuses da produção”.

YWJ: Como você consegue não se submeter aos “deuses da produção”?

RB: Tenho limites muito claros. Existem milhares de coisas que eu não faço. Minha esposa e eu somos rígidos em relação a sustentabilidade. Minha tendência é trabalhar o tempo todo, e isso tem sido um pouco difícil para mim. Sábado é dia de descanso, e eu faço o café da manhã para os filhos e e jantamos juntos todas as noites. Não participo mais de conferência de pastores há anos. Deus está no fundo do vale, bem como no alto da montanha, e realmente o vale é onde passamos mais tempo. Essa ideia de que Deus só pode ser encontrado lá em cima… Para mim, Deus é encontrado quando preparamos o almoço dos filhos, levando-os à escola e ajudando-os nas tarefas de casa; cozinhando macarrão e levando o cachorro para passear.

YWJ: Então, celebrar o sábado é uma ferramenta para o ministério?

RB: Se você está ocupado demais, esgotado, em crise, quem vai querer o seu evangelho?

YWJ: Vários ministros trocaram suas guitarras por câmeras de vídeo, sem dúvida influenciados pelos vídeos que você fez. A capacidade de fazer um grande vídeo é “a” nova habilidade dos pastores de jovens?

RB: A capacidade de fazer grandes vídeos e curtas-metragens tem sido valorizada de maneira exagerada. Shane Hipps tem um novo livro chamado Flickering Pixels [Pixels piscando], em que descreve como os líderes e pastores de jovens pastores começam a usar novas ferramentas e como elas acabam nos moldando. Quando você coloca uma mensagem em um filme, por exemplo, não é a mesma coisa, agora é uma mensagem nova.A própria forma usar um meio faz parte da mensagem.

YWJ: E os vídeos Nooma que você fez?

RB: Quando alguém vê os filmes do Nooma, acha que me conhece, mas não sabemos nada uns dos outros. Nunca nos encontramos. O filme dá uma falsa sensação de intimidade.Felizmente, uma verdade maravilhosa pôde ser comunicada, as pessoas foram tocadas, eles vão tratar de algumas questões mais a fundo, mas existem tantas outras coisas acontecendo por aí e precisamos estar atentos.

YWJ: Quais livros moldaram você?

RB: É uma longa lista: A conspiração divina, de Dallas Willard. Ultimate high conta ahistória de um explorador sueco que foi de bicicleta de Portugal até o Monte Everest, sem levar oxigênio suplementar; ele carregou em sua bicicleta tudo o que precisava e escreveu um livro sobre isso. Muitas obras católicas. Fui profundamente influenciado por A holy longing.

YWJ: O que anima você, o inspira no trabalho que você faz como um pastor, pai, escritor?

RB: Tenho uma vida que considero realmente feliz. Sempre fui compelido por Jesus. Sempre o achei fascinante. Todo mundo tem uma regra de vida. Encontrei no Cristo Ressurreto uma ordem e um estilo de vida pelos quais vale a pena morrer. Eu oro muito, descanso muito e leio muito.

Reportagem de Josh Seligman e Dean Nelson para o Youth Worker Journal


Citações bíblicas da NBV (Nova Bíblia Viva) © 2007

Tradução e edição: Agência Pavanews ©2011. Se for reproduzir, por gentileza cite a fonte.


terça-feira, 15 de março de 2011

Tabela de jogos do Ceará S.C. Campeonato Brasileiro de 2011


Tabela de jogos do Campeonato Brasileiro de 2011 – Jogos do Ceará S.C.




1ª Rodada - 21/05 ou 22/05



Ceará 1 X 3 Vasco



2ª Rodada - 28/05 ou 29/05



Internacional 0 X 1 Ceará



3ª Rodada – 04/06 ou 05/06



Ceará 2 X 2 Botafogo



4ª Rodada – 11/06 ou 12/06



Atlético-GO 4 X 1 Ceará



5ª Rodada – 18/06 ou 19/06



Ceará 0 X  2 São Paulo



6ª Rodada – 25/06 ou 26/06



Ceará 2 X 0 Palmeiras



7ª Rodada – 29/06 ou 30/06



Coritiba 3 X 1 Ceará



8ª Rodada – 06/07 ou 07/07



Ceará 3 X 0 Atlético-MG



9ª Rodada – 09/07 ou 10/07



Figueirense 1 X 1 Ceará



10ª Rodada – 16/07 ou 17/07



Ceará 4 X 0 América-MG



11ª Rodada – 23/07 ou 24/07



Flamengo 1 X 1 Ceará



12ª Rodada – 27/07 ou 28/07



Ceará 2 X 1 Atlético-PR



13ª Rodada – 30/07 ou 31/07



Fluminense 4 X 0 Ceará



14ª Rodada – 03/08 ou 09/08



Ceará 0 X 3 Avaí



15ª Rodada – 06/08 ou 07/08



Santos 1 X 0 Ceará



16ª Rodada – 13/08 ou 14/08



Corinthians 2 X 2 Ceará



17ª Rodada – 17/08 ou 18/08



Ceará 3 X 0 Grêmio



18ª Rodada – 20/08 ou 21/08



Cruzeiro 1 X 0 Ceará



19ª Rodada – 27/08 ou 28/08



Ceará 3 X 0 Bahia

 
 
20ª Rodada - 31/08 ou 01/09




Vasco 3 X 1 Ceará



21ª Rodada - 03/09 ou 04/09



Ceará 1 X 1 Internacional



22ª Rodada – 07/09 ou 08/09



Botafogo 4 X 0 Ceará



23ª Rodada – 10/09 ou 11/09



Ceará 1 X 1 Atlético-GO



24ª Rodada – 17/09 ou 18/09



São Paulo 4  X 0 Ceará



25ª Rodada – 21/09 ou 22/09



Palmeiras 1 X 0 Ceará



26ª Rodada – 24/06 ou 25/09



Ceará 3 X 2 Coritiba



27ª Rodada – 01/10 ou 02/10



Atlético-MG 1 X 1 Ceará



28ª Rodada – 08/10 ou 09/10



Ceará 1 X 1 Figueirense



29ª Rodada – 12/10 ou 13/10



América-MG 4 X 1 Ceará



30ª Rodada – 15/10 ou 16/10



Ceará 0 X 1 Flamengo



31ª Rodada – 22/10 ou 23/10



Atlético-PR 1 X 0 Ceará



32ª Rodada – 29/10 ou 30/10



Ceará 1 X 2 Fluminense



33ª Rodada – 05/11 ou 06/11



Avaí 1 X 2 Ceará



34ª Rodada – 12/11 ou 13/11



Ceará 2 X 3 Santos



35ª Rodada – 16/11 ou 17/11



Ceará 0 X 1 Corinthians



36ª Rodada – 19/11 ou 20/11



Grêmio 1 X 3 Ceará



37ª Rodada – 26/11 ou 27/11



Ceará X Cruzeiro



38ª Rodada – 03/12 ou 04/12



Bahia X Ceará



Ceará: os 19 jogos do primeiro turno da Série A desmembrados


Sábado: 5 jogos / Domingo: 9 jogos/ Quarta: três jogos/ Quinta: dois jogos


Nenhuma partida às 21:50h.

Apenas três jogos às 16 horas no PV, domingo.

Cinco jogos às 18:30h / Oito jogos às 16:ooh / Três jogos às 19:30h / Três jogos às 21:00h

Todas as partidas serão transmitidas pelo PPV.


21/05 – Sab. 18:30 Ceará CE 1 x 3 Vasco RJ Presidente Vargas Fortaleza

28/05 – Sab. 18:30 Internacional RS 0 x 1 Ceará CE Beira Rio Porto Alegre

04/06 – Sab. 18:30 Ceará CE x Botafogo RJ Presidente Vargas Fortaleza

12/06 – Dom. 16:00 Atlético GO x Ceará CE Serra Dourada Goiânia

19/06 – Dom. 18:30 Ceará CE x São Paulo SP Presidente Vargas Fortaleza

26/06 – Dom. 16:00 Ceará CE x Palmeiras SP Presidente Vargas Fortaleza

30/06 – Qui. 19:30 Coritiba PR x Ceará CE Couto Pereira Curitiba

07/07 – Qui. 21:00 Ceará CE x Atlético MG Presidente Vargas Fortaleza

10/07 – Dom. 16:00 Figueirense SC x Ceará CE Orlando Scarpelli Florianópolis

17/07 – Dom. 16:00 Ceará CE x América MG Presidente Vargas Fortaleza

23/07 – Sab. 21:00 Flamengo RJ x Ceará CE A Definir (4) A Definir (4)

28/07 – Qui. 21:00 Ceará CE x Atlético PR Presidente Vargas Fortaleza

31/07 – Dom. 16:00 Fluminense RJ x Ceará CE João Havelange Rio de Janeiro

03/08 – Qua. 19:30 Ceará CE x Avaí SC Presidente Vargas Fortaleza

07/08 – Dom. 16:00 Santos SP x Ceará CE Pacaembu São Paulo

14/08 – Dom. 16:00 Corinthians SP x Ceará CE Pacaembu São Paulo

17/08 – Qua. 19:30 Ceará CE x Grêmio RS Presidente Vargas Fortaleza

20/08 – Sab. 18:30 Cruzeiro MG x Ceará CE Arena do Jacaré Sete Lagoas

28/08 – Dom. 16:00 Ceará CE x Bahia BA Presidente Vargas Fortaleza

sexta-feira, 11 de março de 2011

A parábola do Semeador



Minhas anotações e minha leitura do sermão pregado por Ed René Kivitz em 04/02/2007 na IBAB, sobre Mateus 13: a parábola do Semeador

Nesta parábola Jesus Cristo não está falando de quatro tipos de pessoas, mas de quatro tipos de solos, que podem estar em uma só pessoa.



A semente é a palavra de Deus. A que é semeada à beira do caminho é a palavra que não é entendida. A segunda, semeada em lugares pedregosos, é a entendida superficialmente. A terceira, sufocada por espinhos, é a entendida sem comprometimento. A semente em solo fértil, que dá fruto, é entendida profundamente e que cria comprometimento com a ação.


Estes quatro solos podem surgir em nós como momentos diferentes da nossa vida. Há um risco de entender-se esta parábola de maneira maniqueista, pensando que a semente boa são os cristãos e as outras são o mundo, mas esta leitura não corresponde ao evangelho. Pergunte-se: depois de convertido você nunca mais perdeu o foco, foi terra pedregosa ?


O evangelho não é informação que descreve a realidade.


“A gravidade é a força de atração mútua que os corpos materiais exercem uns sobre os outros”. Isso é um exemplo de informação que descreve a realidade, o evangelho não é assim. Mesmo não entendendo como ou porque, eu acredito que um foguete pode subir e sair da atmosfera, contrariando a lei da gravidade, e assim acontece (quando tudo dá certo).


Já o evangelho não é questão de acreditar ou deixar de acreditar, mas de entender e comprometer-se a agir de acordo. Não importa muito se você acredita que pode andar sobre as águas, mas se você põe o pé na água. Quando o evangelho é entendido realmente, esta verdade é interiorizada em nós, transformando-nos em outra pessoa.


Quem não entende realmente o evangelho compara-o aos prazeres da vida, à perseguição, às ilusões e acaba não se comprometendo, preferindo as coisas desta vida material.


O compromisso que vale a pena é o compromisso com o Reino de Jesus.


Este compromisso vale a pena porque Jesus é Deus. Ao comprometer-se, você terá a responsabilidade de permanecer ouvindo e praticando a Palavra.


Se você não entende ou não se compromete, não faz parte do Reino. Sim, você tem uma parte importantíssima no processo de entrada no Reino do céu. Deus nos dá a salvação de graça, mas esta graça é a oportunidade de nos sacrificarmos para ganharmos a salvação.


É como se a salvação fosse um tesouro no alto de uma montanha. Nós devemos escalar a montanha para ganharmos o tesouro, mas ele poderia não estar lá. A presença do tesouro no alto da montanha e a possibilidade o conquistarmos é a graça de Deus.


Entenda e comprometa-se.


Devemos buscar um entendimento profundo da palavra e um compromisso sério com a ação, com a prática daquilo que entendemos para darmos muito frutos espirituais e participarmos desde já do Reino de Deus que virá

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Novo Dia do Economista - 9 de Março



O Novo Dia do Economista

No blog economiaeverywhere, chegaram à conclusão que comemorar o dia do economista em 13 de Agosto não está muito de acordo com a nossa profissão. Afinal, essa foi apenas a data que a profissão foi regulamentada no Brasil.

Surgiu, então, a idéia de uma outra data: 9 de Março. Foi nesse dia, em 1776, que saiu a primeira edição da Riqueza das Nações do Adam Smith.

Tenhamos uma boa quarta de cinzas.

Thiago Oliveira Braga.

terça-feira, 8 de março de 2011

É isto um homem?




É isto um homem?


Vocês que vivem seguros

em suas cálidas casas,

vocês que, voltando à noite,

encontram comida quente e rostos amigos,

pensem bem se isto é um homem

que trabalha no meio do barro,

que não conhece a paz,

que luta por um pedaço de pão,

que morre por um sim por um não.

Pensem bem se isto é uma mulher,

sem cabelos e sem nome,

sem mais força para lembrar,

vazios os olhos, frio o ventre,

como um sapo no inverno.

Pensem que isto aconteceu:

eu lhes mando estas palavras.

Gravem-nas em seus corações,

Estando em casa, andando na rua,

ao deitar, ao levantar;

repitam-nas a seus filhos.

Ou, senão, desmorone-se a sua casa,

a doença os torne inválidos,

os seus filhos virem o rosto para não vê-los.



(LEVI, Primo*. É isto um homem? Tradução de Luigi Del Re. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2000. p.9.)






* Primo Levi (1919-1987), escritor e químico italiano, sobrevivente de Auschwitz, campo de concentração nazista

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Hino do Ceará na sanfona



Simplesmente lindo.

Para a torcida alvinegra que vibra em todas as horas com o Ceará S.C.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Gotas de espiritualidade (Parte 1).



E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.


[Romanos 8.28,29]

Esta expressão do evangelho segundo o apóstolo Paulo nos ajuda a compreender a salvação como humanização: ser filho de Deus é não apenas um status, mas uma qualidade de humanidade, somente vista em Jesus de Nazaré. O propósito fundamental de Deus para seus filhos não é levá-los para um lugar paradisíaco, que podemos chamar de céu, mas transformá-los em um tipo de gente que participa da natureza divina e experimenta a qualidade da vida divina. A vida eterna prometida por Jesus aos seus discípulos não é necessariamente uma vida sem fim no céu, mas um tipo de vida possível desde agora.


A vida eterna não é uma questão do tempo da vida, mas da qualidade da vida, a vida que distingue o legítima e plenamente humano do simulacro de humanidade esboçada em Adão e partilhada por todos nós enquanto não nascemos de novo, do Espírito, assim como um dia nascemos da água.

Boa quarta.

Com vocês, ao serviço d'Ele

Thiago Oliveira Braga.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Uma vida não examinada não merece ser vivida.

Uma vida não examinada não merece ser vivida.
Sócrates.

Lamentavelmente percebo, dia após dia, que os estudantes estão deixando de ter paixões por determinadas ocupações - atividades recreativas que permitem o contato social, dentre outras vantagens - e dando preferência a um batalhão de atividades padronizadas e lamentavelmente alienantes*.


Há uma redutibilidade, sobretudo, aos mesmos estudos (muitas vezes caótica): são aulas de inglês, espanhol, música, dança, natação, futebol (sim, a mesma pessoas e tudo isso!) e outras tantas que - certamente - não trarão êxito ou bom aproveitamento em nenhuma delas (devido, justamente, à quantidade envolvida)!

Assisto com pesar a mesma cena, quando os alunos optam pelo curso no vestibular: ou gostam de tudo e não conseguem escolher, ou não gostam de nada e também não conseguem escolher! São lados de uma mesma moeda.

Não é hora de parar pra pensar? Será que a sociedade atual, com sua velocidade de informações e obrigações mesquinhas, não nos levará à ruína? Não estamos formando seres sem alma, cujas escolhas se reduzem aos mesmos cursos, justamente por não terem vivido nada? Você, nobre leitor, tem sede de que? Em caso de resposta "nada" ou "tudo", lembre-se: são lados de uma mesma...


*Do latim, alienare: significa transferir para outrem o domínio de, alhear.
 
Vida que segue.


Valeu galera,
Com vocês, ao Serviço d’Ele,
Thiago Oliveira Braga

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

As fotos do João Pedro no 1° dia de aula no Marista.


Com mochila do homem aranha, farda do Colégio MARISTA de Patamares e um sorriso no rosto dos pais, dia 9 de Fevereiro iniciou a vida de estudante do João Pedro.

Mesmo aqui do Ceará, muito me orgulha ver seu crescimento.

Receba meu beijo afetuoso João Pedro.

Boas aulas e um xêro.

Vida que segue.


Valeu galera,



Com vocês, ao Serviço d’Ele,



Thiago Oliveira Braga












domingo, 13 de fevereiro de 2011

Primeiro Dia de Aula do meu sobrinho João Pedro no Marista



Me lembro do meu primeiro dia de aula, na alfabetização no Colégio Cearense Sagrado Coração. Mamãe tirou umas fotos minhas de farda, com a lancheira, momentos antes de meu pai me levar para o colégio. Tenho as fotos até hoje. Em "flashes", me lembro daqueles momentos. Foi um dia marcante e importante. De alguma maneira, sinto que passei por algum tipo de "unção" sagrada. Outrora, talvez possa refletir mais profundamente sobre o significado desse dia para meu filho. As palavras não alcançariam expressar a alegria que sinto nesse momento. Para não deixar de expressá-la, porém, resolvi fazer o clipe abaixo. Já vi milhares de vezes, mas ainda me seguro pra não me emocionar.



Na raça e na paz Dele,



J. Braga.
 
Do Blog do meu irmão -> http://neotefilo.blogspot.com/2011/02/joao-pedro-em-seu-primeiro-dia-de.html

INVENÇÃO DO CONTEMPORÂNEO - HÁ ALGUMA COISA QUE EU POSSA FAZER? 06/06




Assista o vídeo sobre “Consumo Consciente” com o diretor do Instituto Akatu, Hélio Mattar.




sábado, 12 de fevereiro de 2011

INVENÇÃO DO CONTEMPORÂNEO - HÁ ALGUMA COISA QUE EU POSSA FAZER? 05/06



Assista o vídeo sobre “Consumo Consciente” com o diretor do Instituto Akatu, Hélio Mattar.



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

INVENÇÃO DO CONTEMPORÂNEO - HÁ ALGUMA COISA QUE EU POSSA FAZER? 04/06



Assista o vídeo sobre “Consumo Consciente” com o diretor do Instituto Akatu, Hélio Mattar.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

INVENÇÃO DO CONTEMPORÂNEO - HÁ ALGUMA COISA QUE EU POSSA FAZER? 03/06



Assista o vídeo sobre “Consumo Consciente” com o diretor do Instituto Akatu, Hélio Mattar.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

INVENÇÃO DO CONTEMPORÂNEO - HÁ ALGUMA COISA QUE EU POSSA FAZER? 02/06



Assista o vídeo sobre “Consumo Consciente” com o diretor do Instituto Akatu, Hélio Mattar.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

INVENÇÃO DO CONTEMPORÂNEO - HÁ ALGUMA COISA QUE EU POSSA FAZER? 01/06



Assista o vídeo sobre “Consumo Consciente” com o diretor do Instituto Akatu, Hélio Mattar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mulheres do Cairo.


Um ato de coragem duplo num país, onde as mulheres ainda podem ser consideradas seres inferiores e não ter igual acesso à educação e ao trabalho.


Os protestos na praça Tahrir estão a mudar muitas coisas no Egito e não apenas o destino de Mubarak. Estas mulheres estão a manifestar-se lado a lado com os homens. A sua revolução é dupla: derrubar com o regime e romper com alguns preconceitos.

É possível que a guerra acabe, ou perca a o foco dos noticiários mundiais, mas a mudança cultural ainda permanecerá, mas as mudanças são promissoras. Pelo menos, assim espero.

Vida que segue.


Valeu galera,

Com vocês, ao Serviço d’Ele,

Thiago Oliveira Braga

PS.: Vendo o jogo do Brasil e Argentina pela sub-20.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A esquina e o compasso.


Sempre que penso na vida dos outros e na minha própria procuro descobrir onde, quando e por que dobramos a esquina errada. A comparação procede. Estamos num trecho da cidade e queremos ir para um lado. Tudo se simplifica então: dobramos à esquerda ou à direita? É evidente que acertamos na maioria das vezes, mas erramos em outras.


Há uma esquina, há um momento em que tomamos a direção errada, por distração, por convicção ou mesmo por má informação. E, se isso ocorre com os indivíduos, de certa forma também ocorre com a humanidade, que, afinal, é a soma de todos os indivíduos.

Filósofos, teólogos, economistas, sociólogos, iluminados de diferentes tipos e intenções, todos já tentaram descobrir onde e como dobramos a esquina errada. Simplificando o problema, e tomando como base o relato bíblico, a esquina errada foi quando comemos o fruto da árvore do bem e do mal.

Daí herdamos a morte, o suor do trabalho e, para as mulheres, as dores do parto. Até que é pouco. íamos bem menos desgraçados se tivéssemos apenas os males da morte, do suor e do parto.

Pulando do Paraíso terrestre para o sambódromo do Rio de Janeiro, é voz geral que, durante o desfile, a escola se perde quando “atravessa”, seja no samba em si, seja nas diferentes alas que a compõem.

Há um grupo que se dedica apenas a marcar o ritmo. São caras que não estão nem aí para os destaques, as alegorias, nem mesmo para o próprio enredo da escola. Limitam-se a marcar o ritmo e a evitar a esquina errada.

A conclusão é que falta à grande escola de samba, que é a humanidade, um mestre de bateria eficiente para marcar o compasso. Ao contrário do mestre André da Padre Miguel, o nosso Mestre de u-nos o livre-arbítrio para errar o passo e o compasso e dobrar as esquinas erradas.

[Fonte: Folha de S.Paulo, 4 de janeiro de 2011]

POR CARLOS HEITOR CONY




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Falando de Esperança.



Nem sempre é fácil falar de esperança. É bom, necessário, bonito, mas não é fácil. Não é fácil
porque só se pode falar de esperança se falamos também de justiça, pois esperança sem justiça é pura ilusão. No entanto, como falar de justiça onde só se vê crescer a maldade, violência, corrupção, fome,miséria, exclusão, imoralidade, desrespeito, egoísmo e toda forma de injustiça? Como falar de esperança para um mundo cínico e descrente?

Porém, falar de esperança é a vocação da igreja de Cristo. Ela permanece de pé afirmando a esperança em meio ao cenário caótico que a humanidade vive. Das primeiras páginas da Bíblia até a última, encontramos uma grande e eloquente mensagem de esperança. A história da salvação é uma história de esperança. Logo no início encontramos o caos, um mundo sem forma e vazio mas, de repente, ouvese a Palavra de Deus dizendo: “Haja luz” e o caos e as trevas são vencidos, surge um movimento onde rios e lagos, montanhas e vales, animais de toda espécie e flores de todas as cores, vão ocupando aquilo que parecia disforme e caótico. Mesmo diante do pecado e da desobediência, ouve-se mais uma vez a Palavra de Deus afirmando que a cabeça da serpente enganadora será esmagada.

As diversas libertações que Deus realizoupara com seu povo, as alianças que foram celebradas, os mandamentos dados e todo o cuidado divino, traziam sempre de volta a esperança. No entanto, é importante notar que a esperança que Deus oferece não surge de promessas vazias, mas sempre da Palavra orientadora e libertadora de Deus. A esperança de uma nova ordem social, moral, ética e espiritual é acompanhada de mandamentos orientadores e libertadores. É a Palavra de Deus que cria a esperança.

O anúncio do nascimento do Messias pelos profetas foi marcado por muita esperança. O mundo era violento e hostil como sempre foi, mas a promessa da vinda de Cristo trazia para o povo a esperança de um novo tempo, um tempo em que “para a terra que estava aflita, não continuará a obscuridade” e , “o povo que andava em trevas viu grande luz…” (Is. 9.1 e 2)). A esperança é ver a luz no meio das trevas e contemplar o fim da aflição.

É por tudo isto que Cristo é a nossa esperança. Falar de esperança é falar de Cristo. Ele é o “sol da justiça”, nele o fraco e o pecador encontram descanso e perdão. É ele que abre os olhos daqueles que não enxergam mais, e abre os ouvidos dos que não são mais capazes de ouvir. Ele levanta o cansado e dá força aos que não tem mais nenhuma energia. Não se pode falar de esperança sem falar de justiça, amor, perdão, bondade e graça. A esperança não é uma promessa política ou econômica, é uma realidade espiritual, a segurança que o amor de Deus nos garante.

O nascimento de Cristo foi o grande evento que trouxe para uma humanidade cansada e sem esperança, a luz de um novo dia, a promessa de uma nova vida, a certeza do perdão e a certeza de que o mundo, embora ainda cheio de violência, mentira, corrupção, maldade e injustiça, continua sendo o lugar onde Deus resolveu mandar o seu Filho, o mundo que Deus ama e o lugar onde a esperança da cruz é afirmada e proclamada.

Que neste ano que se inicia, com tantas tragédias, onde temos visto dores e sofrimento no mundo e em nosso país, possamos proclamar que Cristo é a esperança. Que nele é possível experimentar uma nova esperança que transcende tudo o que vemos e sentimos. Que neste novo ano afirmemos em alto e bom som, como Paulo o fez: “Cristo em vós, a esperança da glória”.

Rev. Ricardo Barbosa de Sousa


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Crônica de um filósofo sem carteira.




O trânsito urbano segue num fluxo intenso nas ruas da Capital do Ceará. Logo em época de chuvas, quando as vias ficam esburacadas, é um forte indício que o tempo perdido no trânsito tende a piorar.


O movimento começa bem cedinho, lá pelas 6h me dirijo à escola na qual sou professor de Filosofia. Ministrar aula pra mim é tranqüilo. Difícil é acordar cedo. Mas percebo que esse não seria meu único problema do dia.

Coloco a mão no bolso e percebo que havia esquecido minha carteira com dinheiro e a carteirinha de estudante (meu maior patrimônio).

Uma jovem que sentará ao meu lado e que nunca tinha visto na vida percebe a minha angustia, onde já ensaiava de maneira desesperada “fazer trazeira” pois não tinha como pagar o ônibus. Ela lentamente leva a mão a bolsa e me pergunta se aceito 2 reais para pagar minha passagem.

De pronto aceito, com um sorriso constrangido, mas aliviado por ter meu problema solucionado. Cheguei ao meu destino, e vi o quanto foi significativo a ação daquela jovem, que não sei o nome, mas que teve um gesto sobretudo nobre ao me ajudar numa situação desprevenida.

Percebi que falo muito no próximo, mas não sou tão sensível a eles. Foi uma lição que aprendi e confesso que a pro – atividade faz toda diferença.

“O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos atrás, o segundo melhor momento é agora”. Provérbio chinês.

Vida que segue.


Valeu galera,

Com vocês, ao Serviço d’Ele,

Thiago Oliveira Braga



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A verdade em metades.




A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar.
Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.



Este poema de Carlos Drummond de Andrade é um convite à humildade e à comunhão. Comunhão não existe sem humildade. E sem as duas, não existe experiência da verdade. A verdade a gente não sabe. A verdade a gente vive quando ela se apropria de nós. A verdade não é coisa da razão, resultado da reflexão. A verdade é soma de corações e não de cabeças.


A verdade é coisa fugidia, que não se deixa prender na gaiola dos raciocínios, não cai nas armadilhas dos pensamentos. A verdade é isso, a gente experimenta, saboreia, se delicia, mas não fica com ela como quem tem posse, pois a verdade é maior do que nós, em cada um de nós só cabe meia verdade, ou bem menos. E a gente tenta fazer uma verdade inteira juntando as partes e ficando com elas, como quem rouba do outro a metade ou parte que está com ele, pra depois a gente ficar dono da verdade. Mas a verdade não participa desse jogo. O jogo da verdade não é soma, é partilha. Não é brincadeira onde quem tem mais meia verdade ganha. É mais como uma dança onde a beleza e o alumbramento vêm no par, ou até mesmo na roda, onde as mãos e braços vão se encontrando e se despedindo, até que todo mundo na roda vive a verdade, e brinca com ela cada vez que os braços se entrelaçam e as mãos se acariciam. No fim da noite, quando cada um vai para casa descansar, a verdade também se recolhe, para que no dia seguinte todo mundo se precise novamente. Assim a humildade e a comunhão cuidam da verdade.

Na dança da verdade, meia verdade é verdade com limite, é verdade incompleta, dizendo para todo mundo que as idéias são menos importantes que as pessoas. Quem não consegue entrar na roda e quer espreitar para colecionar fragmentos de verdade, imaginando ser possível ficar dono da verdade e viver tomando conta da verdade, de fato, não vive com a verdade, mas com o capricho, a ilusão ou a miopia. Porque prefere as idéias às gentes, fica com a mentira, porque a verdade é uma pessoa e não um conceito. A verdade é uma pessoa, que gosta de brincar, de rir e de chorar. A verdade é uma pessoa que se dá a conhecer na comunhão dos humildes: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”, disse a verdade inteira aos que tinham consigo apenas meias verdades.