
Quem sou eu ?
- Thiago Oliveira Braga
- Capital do Ceará, Ceará, Brazil
- cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Faça diferente, faça diferença

segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Contrário
domingo, 27 de setembro de 2009
Se liga
"Ao buscar a Deus, devemos nos preparar não somente para rever nossos conceitos,mas também para mudar nosso estilo de vida."
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Dicionário do Ceará
Otário
AI’ DENTO
Resposta a qualquer provocação
AMARELO QUEIMADO
Cor laranja
ARRE EGUA!
Interjeição que pode significar qualquer coisa a depender do tom de voz e da ocasião (alegria, irritação…)
AVALIE
Imagine
AVEXADO
Apressado
BAIXA DA ÉGUA
Lugar distante
BILA
Bola de gude
BILOTO
Botão
BOCA QUENTE
Lugar perigoso
BUNEQUEIRO
Quem bota boneco (ver “butar buneco”)
BUTAR BUNECO
Criar confusão, perder a linha, farrear bastante
BURRINHO
Garrafa de Coca-Cola cheia de cachaça
CAPAR O GATO
Ir embora
CAXAPREGO
Lugar distante
CEROTO
Sujeira preta na pele devido a falta de banho
CHABOQUE
Tampo. “Chico deu uma topada que tirou o chaboque do dedo”
CHAPA
Radiografia; dentadura
CHEI DOS PAU
Bêbado
CHULIPA
Tapa na orelha com um dedo no sentido vertical
CIBAZOL
Coisa sem valor. “Não vale um cibazol”
COMEDIA
Programa divertido. “Hoje nos vamos pras comédias”
CORRALINDA
Coisa linda, pessoa bonita
CORRER FROUXO
Ter em abundância. “Ali o dinheiro corre frouxo”
CRUZETA
Cabide para camisas e calças
CUSTAR –
Demorar. “O onibus está custando muito”
DAR O PREGO
Enguiçar
DIABEISSO!
Que diabo é isso! Expressão de espanto.
DISTRENADO
Sem graça. “Fica todo distrenado quando elogiado”
EMPRIQUITAR
Cismar, não aceitar.
ENGABELAR
Enganar, iludir
ESCROTO
Bom de briga; cafajeste
ESTRIBADO
Cheio da grana
FRESCAR
Fazer uma brincadeira. “Se zanga não, to só frescando”
FULERAGE
Coisa sem valor
FUMANDO NUMA QUENGA
Puto da vida
GALALAU
Homem alto
GASGUITA
Mulher com voz esganiçada.
GASTURA
Mal estar
GATORRÉI
Prostituta
GIGOLETE
Passadeira, diadema, arco
GUARIBADA
Dar uma caprichada
INGEMBRADO
Torto
ISPILICUTE
Do inglês “She’s pretty cute”. Engraçadinha
ISPRITADO
Enfurecido
ISTRUIR
Desperdiçar
LERIADO
Conversa fiada
MACHORRÉI
cara, amigo, o meu…
MAGOTE
Bando, grupo
MANE BOFÃO
Conhecido “restauranteur” de Fortaleza, especialista em pratos finos tais como: panelada, buchada, sarrabulho, tripa de porco, rabada,sarapatel e mão de vaca.
MANGAR
Ridicularizar.
MARMOTA
Coisa estranha
MELADO
Bêbado
MEROL
Bebida
MININORRÉI AMARELO
Criança chata
MIOLO DE POTE
Coisa sem importância
MOI DE CHIFRE
Corno
NUM FRESQUE NÃO!
Pare com essa brincadeira!
PAI D’EGUA
Porreta, legal, bacana
PAO SOVADO
Pão de massa fina
PASTINHA
Franja
PASTORAR
Vigiar
PELEJAR
Tentar exaustivamente
RACHA
pelada, jogo de futebol
REBOLAR NO MATO
Jogar fora, atirar
REBORREIA
Resto, coisa que não presta
RESPEITE!
Expressão usada quando uma coisa é muito boa. “Respeite a festa de ontem”
SABACU
Surra
SEM FUTURO
Mau negócio, pessoa despreparada
SIBITE BALEADO
Pessoa miúda (”sibite” é um pequeno pássaro)
SO O BURACO E A CATINGA
Pessoa dismilinguida. “Ele pegou uma gripe ta que é so o buraco e a catinga
SO O MI
Diz-se de alguma coisa muito boa
SUSTANÇA
Energia dos alimentos. “Rapadura tem sustança”.
TEM E ZE
E muito difícil. “Tu ganhar de mim na sinuca? Tem E ZE
TIRA A MACAUBA DA BOCA
Quando alguém fala de forma ininteligível
ULTIMO TIRO NA MACACA
Diz-se de uma mulher que completou 30 anos e não se casou
VARAPAU
Homem alto
VERMINOSO
Fominha (futebol)
VEXADO
Apressado
ZUADENTO
Barulhento
ZAMBETA
Cambota
Faça diferente,faça diferença

sábado, 19 de setembro de 2009
REVOLTANTE !!!

Será que realmente é gostoso fazer um gol assim?
Será que o torcedor honesto e que gosta do bom espetáculo, curte comemorar um gol dessa maneira?
Será que o torcedor do Ceará ou de qualquer outro time prejudicado por um gol assim, também não vibraria muito se fosse beneficiado? Não há quem adore ganhar com um gol irregular do adversário?
E os jogadores, curtem ainda mais ganhar com um gol irregular ou nem pensam nisso?
A vitória no esporte realmente vale acima de tudo, ludibriando adversários, sendo malandro?
Ou ser malandro é jogar honestamente e ganhar apenas pelo talento em campo?
Os atletas têm direito de fazer o que bem entendem, sem preocupação com a ética?
Ou o atleta deve ser o primeiro a ter cuidado em jogar limpo, para facilitar a vida dos árbitros e dar bom exemplo para os torcedores?
Infelizmente vivemos em um mundo onde o resultado é mais importante do que tudo e a honestidade e o respeito ficam em segundo plano.
“Os fins justificam os meios”, bradam os que adoram levar vantagem em tudo, tanto no esporte, como na vida, onde a desonestidade ganha, dia após dia, da correção.
Um pena, mas o futebol é o retrato da nossa sociedade estragada.
Os sete pecados capitais - GULA
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Os sete pecados capitais - PREGUIÇA

II. Ame a sua cama, ela é o seu templo.
III. Se vir alguém descansando, ajude-o.
IV. Descanse de dia para poder dormir à noite.
V. O trabalho é sagrado, não toque nele.
VI. Nunca faça amanhã, o que você pode fazer depois de amanhã.
VII. Trabalhe o menos possível; o que tiver para ser feito,deixe que outra pessoa faça.
VIII. Calma, nunca ninguém morreu por descansar.
IX. Quando sentir desejo de trabalhar, sente-se e espere que ele passe.
X. Não se esqueça, trabalho é saúde. Deixe o seu para os doentes.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Não acomodar com o que incomoda!
Não acomodar com o que incomoda!
Fernando Anitelli
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
domingo, 6 de setembro de 2009
Os sete pecados capitais - AVAREZA
Quanto vale o amor?
Quanto vale, então, fazer das tripas coração?
Quanto vale o som?
Quanto vale a dor?
Quanto vale a culpa e um pouquinho de atenção?
La Plata (Jota Quest)
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A vida fora do gramado
Em agosto de 1969, enquanto no Maracanã lotado o escrete canarinho nos garantia a classificação rumo ao tricampeonato no México, fora das quatro linhas a vida no Brasil não era tão risonha.Afinal, desde 1964 vivíamos sob duro regime militar.
Às prisões e cassações de políticos, estudantes e dissidentes de toda sorte, a sociedade civil respondera com grandes passeatas, que reuniam estudantes universitários, intelectuais, artistas, donas de casa e profissionais liberais.
O troco do regime não se fez esperar: em 13 de dezembro de 1968 abatia-se sobre o país o Ato Institucional nº 5, que suspendia o habeas corpus e concedia ao presidente o direito de fazer novas cassações, suspender direitos políticos, legislar por decreto-lei, intervir nos estados e decretar estado de sítio.
As prisões se abarrotavam com os opositores do governo; mais de 200 professores universitários e pesquisadores foram compulsoriamente aposentados. Entre os quais o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A Lei de Segurança Nacional foi alterada, para punir a divulgação de notícias “inconvenientes” e permitir ao ministro da Justiça intervir nas rádios e TVs.
Setores da oposição, por sua vez, radicalizavam suas ações: organizações de esquerda iniciavam a luta armada, e multiplicavam-se os assaltos a bancos e atentados a quartéis.
Naquele 31 de agosto, correu entre as mais de 180 mil pessoas presentes ao Maracanã para ver Pelé infernizar a defesa paraguaia o boato de que Costa e Silva tinha morrido.
Na realidade, ele já estava gravemente doente desde o dia 27, quando se manifestaram os primeiros sintomas, mas a imprensa, censurada, noticiou que o presidente cancelara sua agenda em razão de “forte gripe”.
Dois dias depois, os três ministros militares constituíram-se em junta e passaram a responder pelo governo, impedindo o vice-presidente Pedro Aleixo de assumir.
Finalmente, naquele domingo, 31 de agosto de 1969, desfez-se a farsa: o AI-12 entronizava a Junta Militar e confirmava o afastamento de Costa e Silva.
Nas arquibancadas do Maracanã, nós nos abraçávamos, felizes, certos de que o pesadelo estava terminando. Mas não desconfiávamos de que se consumava, na verdade, um golpe de Estado.
O pesadelo entrava em nova fase.
Em 17 de outubro a ditadura passou a exibir sua face mais medonha.
A Junta Militar baixou a Emenda Constitucional nº 1, incorporando ao arcabouço jurídico brasileiro mais uma leva de legislação excepcional: penas de morte, banimento e prisão perpétua; limitação à liberdade artística e de cátedra; fim da imunidade parlamentar e da garantia ao direito de associação; manutenção da vigência dos atos institucionais.
Para encenar a mímica da normalidade institucional, em 25 de outubro o Congresso foi reaberto especialmente para eleger o general Médici e o almirante Rademaker presidente e vice-presidente da República.
A linha-dura vencera de ponta a ponta.
O Brasil conquistou a Copa do Mundo de 1970 e teve que amargar 24 anos de espera para ser novamente campeão.
Fora das quatro linhas, ainda se passariam mais 20 anos até que o povo pudesse novamente votar para presidente.
sábado, 29 de agosto de 2009
Os sete pecados capitais - LUXÚRIA

“Pai, livrai-me da luxúria, mas não por enquanto..."
Santo Agostinho (viveu no século III e foi bispo,escritor,teólogo,filósofo,padre e Doutor da Igreja Católica)
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Toma lá, dá cá (rumo a série A)

Eita Ceará Pai d’égua!
Dentro do Maracanã, calou os mais de 27 mil torcedores vascainos que compareceram ao Maracanã, deixou os descrentes de boca aberta e não deixou duvidas a Seu Ninguém do que é capaz nesta Série B.
Futebol inteligente, futebol de elite.Devolve com o mesmo placar a derrota sofrida no Castelão, ainda na Segunda Rodada da série B.
Foi um dos feitos que vão figurar na quase centenária história do alvinegro, pois foi a primeira vitória do Ceará em partidas oficiais contra o Vasco e até onde eu sei, o Ceará nunca tinha vencido de time nenhum dentro do Maracanã.
Expresso, rumo à Série A.
Boa Sorte Ceará, a série B continua...
Thiago Oliveira Braga, dentre outras coisas, torcedor do Ceará S.C.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Descoberto o ouro negro

Com a invenção dos motores a explosão e a diesel, as frações do petróleo que eram desprezadas passaram a ter novas aplicações.
A partir do início da exploração de petróleo em águas profundas, foram descobertas grandes reservas na plataforma continental brasileira. O estado do Rio de Janeiro é o maior produtor de petróleo o país.
Hoje, a Petrobras está entre as maiores empresas petrolíferas do mundo. E o petróleo é uma das principais commodities minerais produzidas pelo Brasil.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Brasil um País de todos...

terça-feira, 25 de agosto de 2009
Os sete pecados capitais - IRA

“Tanto a mansidão como o pacificar, longe de serem fracas, têm seu pivô na força. A força de não usar o poder é vista mais claramente e de forma mais construtiva quando a possibilidade de se usar esse poder é maior. Na Escritura hebraica a figura da paz não é de duas ovelhas deitadas juntas, mas a do leão deitado junto à ovelha, que seria uma presa fácil.”
Os Guinness
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Uma viagem que valeu história

Com a vitória da Revolução de 30, Getúlio assumiu o poder e instalou um governo provisório. O Congresso e as Assembléias foram fechados, e interventores federais nomeados para governar os estados.
Para São Paulo foi nomeado o tenente João Alberto Lins de Barros.
A exclusão do governo do Partido Democrático (PD) – que havia apoiado a Revolução de 30 – deu início a uma campanha de mobilização da sociedade paulista, pela imediata reconstitucionalização do país e a ampliação da autonomia política dos estados.
Apesar da renúncia de João Alberto, a hostilidade entre os paulistas e o governo Vargas só fez aumentar.
No início de 1932, os dois principais partidos paulistas se uniram, formando a Frente Única Paulista (FUP), que passou a preparar uma revolta armada. Percebendo a força do movimento, Getúlio nomeou o civil e paulista Pedro de Toledo como interventor e publicou o novo Código Eleitoral, que previa a realização de eleições para a Assembleia Constituinte em maio do ano seguinte.
Essas medidas foram entendidas pelos paulistas como manobra protelatória de Vargas.
Em 23 de maio, um grupo de jovens estudantes tentou invadir a sede de um jornal favorável a Getúlio. No conflito com um grupo de tenentistas, morrem os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. As iniciais de seus nomes foram usadas para designar uma sociedade secreta, MMDC, que passou a tramar a derrubada do governo Vargas.
(Muitos anos depois, a Lei estadual nº 11.658, de 13.01.2004 criou o “Dia dos heróis MMDCA” (23 de maio), incorporando ao quarteto original a inicial de Orlando de Oliveira Alvarenga, ferido no dia 23 de maio, mas que só veio a falecer em 12 de agosto.
No dia 9 de julho eclode o movimento na capital e no interior do estado. Comandavam as forças rebeldes Bertoldo Klinger e Euclides Figueiredo – militantes da Revolução de 1930 –, e Isidoro Dias Lopes – líder do levante de 1924.
Isolados, os paulistas assinaram a rendição em outubro de 1932.
Além disso, em agosto de 1933, São Paulo finalmente viu chegar um civil e paulista à chefia do governo, com a nomeação de Armando de Sales Oliveira para substituir o general Valdomiro Lima.
domingo, 23 de agosto de 2009
A música no período do regime militar

“Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto”
Pesadelo – M. Tapajós e Paulo C. Pinheiro
Alguns são saudosos do Regime Militar. É bom reavivar a memória: entre 1964 e 1985, o país sofreu censura ampla, geral e irrestrita. Nada escapava da ceifa dos censores. O clássico da literatura O Vermelho e o Negro, de Stendhal, foi proibido por causa do “vermelho” do título. Na novela Escrava Isaura, não se podia usar a palavra escravo. A polícia saiu às ruas à procura do autor de Electra, a mando dos militares chocados com a violência da peça teatral. Naturalmente, não encontraram o grego Sófocles, morto 20 séculos antes.
Para calar a voz da nação, por ocasião do golpe militar de 64, improvisou-se uma equipe formada por esposas de militares, ex jogadores de futebol e funcionários públicos desviados da função. Despreparados e apoiados pela FTP e Igreja, os cães de guarda da moral eram implacáveis com quem destoasse dos valores ultramoralistas, antidemocráticos e anticomunistas do regime. Mais tarde, entre 74 e 85, concursos públicos para censores exigiram nível universitário. Os novos censores eruditos e bem informados continuaram tomando decisões pessoais. Além dos critérios de corte serem poucos claros, faltava diálogo entre os diferentes órgãos de repressão e sobrava arbitrariedade. Aldir Blanc conta que viu um general, aos gritos, ordenar a morte de Ney Matogrosso, pois o neto não parava de imitar o seu rebolado. Paulo Coelho ficou preso por um mês por trajar camisa da seleção do Paraguai, o que o delegado julgou um insulto. Mais casos curiosos podem ser conferidos no ótimo site http://www.censuramusical.com.br/.
Pela lógica da repressão, vigiar a cena musical garantia a desmobilização política da sociedade. Para os militares, artistas da MPB, inteligência de esquerda, movimentos operários e estudantil conspiravam para desestabilizar o regime. Os artistas lutavam pelo direito de sobrevivência no mercado de trabalho. Foi um período de grande efervescência cultural e política, onde a chamada música de protesto floresceu e se tornou a grande trincheira de resistência ao autoritarismo.
Entre 66 e 72, os festivais da canção fomentaram o protesto pacífico. A MPB driblava a censura com letras repletas de metáforas. Chico Buarque, contra a própria vontade alçado ao posto de bardo opositor, teve 40 musicas vetadas, a metade por razões políticas. Abusando do duplo sentido, são dele “Cálice” e “A Rita” , composta um ano após o golpe da Dita(dura), que, “além de tudo,me deixou um violão”. Em “Acorda amor” , canção onde diz ter medo de ladrão do que dos militares, burlou censores com o pseudônimo de Julinho da Adelaide. Com o endurecimento do regime, Chico espontaneamente exilou-se na Itália. Menos sorte teve Geraldo Vandré, o irado compositor de “Pra não dizer que não falei de flores” : lenda viva após o exílio do Chile desagregou-se como pessoa pública. Em 89 inexplicavelmente compôs “Fabiana”, uma homenagem à FAB.
A maioria das letras, no entanto, era vetada por questões morais. Para preservar a imagem de nação com rígida moral cristã, a censura policiava a anti-metáfora da música de protesto, a música simples e direta ao povo. Odair José, o terror das empregadas, foi perseguido por versos que feriam a hipocrisia puritana. Teve “A Pílula” censurada por pressão da igreja. Luiz Ayrão, cantor brega mais engajado, compôs no 13 aniversário do golpe “há treze anos te aturo e não agüento mais” à qual deu o nome de “Divórcio”. A censura não percebeu.
Nos versos da canção, amordaçava-se o canto de um povo, num clima de paranóia. “Tortura de amor” , de Waldick Soriano, foi vetada por causa da palavra tortura. A censura à “Curvas da Marquesa de Santos”, de Luís Nassif, justificava : personagem histórica não podia ter curvas. Em “Casa Forte”, de Edu Lobo, faltou letra e a música foi proibida. “Pra não dizer que não falei de flores” e “Disparada” foram vetadas na voz do autor, mas Jair Rodrigues podia cantá-las. Ter ou não a obra liderada era,nas palavras de Chico Buarque, roleta russa. “Apesar de você” crítica a ditadura disfarçada de querela amorosa já tinha vendido 100.000 compactos quando foi censurada. Em “Bolsa de Amores” Chico comparava uma garota às ações da bolsa de valores “moça fina, ordinária,ao portador”. Teve que trocar o “ao portador” por “sem valor”. Em “Trocando em Miúdos” aplacou censores acrescentando “e nunca leu” ao “devolva o Neruda que você me tomou”.
Aquele foi um tempo de patrulha ideológica interna. Em 72, Wilson Simonal desentendeu-se com o seu contador. Para vingar-se, o advogado espalhou que o cantor delatava colegas contra o regime militar. Foi o suficiente para levá-lo ao ostracismo. Faleceu, em 2000,antes de ver seu nome absolvido pela Comissão de Direitos Humanos da OAB. Caetano Veloso, por seu estilo independente, era taxado como subversivo pelos militares, e de “entreguista Odara” pelos colegas engajados.
Alguns artistas aderiram ao regime da potência de “amor e paz”. Don e Ravel assinaram a marchinha “Eu te amo, meu Brasil”. Jorge Ben compôs “Brasil Tropical” e “Brasil” e Zé Kéti foi o autor do hino do sesquicentenário da independência.
O começo do fim da longa e tenebrosa nevasca cultural foi em 1979. O recém criado Conselho Superior de Censura abrandava a atuação repressiva. Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas gerações, Chico e Francis Hime compuseram o samba “Vai Passar”, hino da campanha das DIRETAS JÁ. Em 88 o ciclo de fechou com a promulgação da nova constituição. O grito de guerra do início da ditadura militar, de João do Vale – “Carcará pega, mata e come” – enfim silenciava. Era o fim do regime do “Pisa na fulo,mas não maltrata o carcará”. Que ele descanse em paz, sem direito à ressurreição ou a vida eterna.
Vivemos em outros tempos, então aproveite o seu tempo.
Thiago Oliveira Braga

