Quem sou eu ?

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Capital do Ceará, Ceará, Brazil
cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

HINO MARISTA


"Mocidade do Colégio Marista
À sombra do estandarte de Maria
Avante marchemos pela conquista
Do saber, de um sublime ideal.

Marchemos pela estrada do saber
Por Deus, pela pátria, por Maria
Por Deus, pela pátria, por Maria
Sempre trabalhar,
Sempre trabalhar,Lutar e vencer.

Em todos os instantes do nosso combater
Sejamos constantes e fiéis até morrer.
Sejamos constantes e fiéis até morrer.

Do colégio sigamos a bandeira
do Ceará, terra brasileira.

Do Ceará, terra brasileira
Conservemos as nobres tradições.
Que dos nossos ardentes corações
Este grito ressoe constantemente:

Por Deus, pela pátria, por Maria
Por Deus, pela pátria, por Maria
Sempre trabalhar,Sempre trabalhar,
Lutar e vencer."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Revendo e vivendo o sexo


Esse texto foi escrito por Ingrid, esposa do Diêgo, meu parceiro de ABU que nos presenteou com esse texto que primeiramente foi publicado na revista Ultimato. Espero que gostem, pois eu gostei demais.


Hoje eu entendo com mais clareza o porquê do sexo depois do casamento; ou talvez pudesse dizer porque o sexo é o próprio casamento (de forma alguma querendo dizer que casamento é só sexo).

Criada na igreja, sempre foi firme a minha convicção de que sexo só pode depois do casamento. O porquê era simples: sexo antes do casamento é pecado e pode trazer consequências irreparáveis para o relacionamento depois. Confesso que a certeza do pecado era mais relevante do que a outra justificativa.

Com três anos de namoro, com perspectivas concretas para um casamento, os questionamentos eram inevitáveis: “Se o sexo é o casamento, por que a necessidade de esperar um casamento formal?”. Sei que as respostas para essa pergunta não precisam ser descritas aqui, pois são conhecidas por qualquer cristão que decide esperar pelo momento certo. Mas o que considero ser importante dizer, é que de fato vale a pena esperar.

Casei-me com seis anos e oito meses de namoro. Meu esposo e eu experimentamos o sexo pela primeira vez, dentro do nosso casamento.

A realidade é bem distante das comédias românticas e novelas que sempre me encantaram muito. As dificuldades são maiores do que podemos imaginar enquanto namoramos e vemos o nosso instinto à flor da pele. O sexo é muito mais intenso e transcendental do que podemos imaginar.

Na mistura de sonho, vontade, carícias, dor, beijos, alegrias, você e ele, há o encontro de almas, o “um só corpo”. Se acontece ou não o alcance do prazer, tão pregado e divulgado como a melhor coisa do mundo, não se pode garantir, mas que o sexo protegido pelo casamento e pelo compromisso mútuo perante Deus proporciona, ou me proporciona, o ápice do ser mulher, inteira, entregue... sim, me proporciona.

Se os dias são corridos e esse momento a dois começa a ficar desfalcado nas nossas semanas, o que ocorre não é uma necessidade física demasiada, e sim uma necessidade emocional. Uma saudade do meu esposo, mesmo tendo ele todos os dias, acordando e se deitando comigo. Uma saudade de me sentir inteira, uma inteireza que hoje só pode ser com ele.

Toda a dinâmica da aliança do casamento, firmada e consumada por meio do sexo, foi criada por Deus. Um elo que não pode ser rompido a não ser pelo poder do Senhor. Um vínculo que transcende o nosso entendimento e até mesmo o nosso sentimento.

Ingrid Monteiro de Castro Reis, 22 anos, é casada com Diêgo, cursa pedagogia na Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e é membro da Igreja Presbiteriana da Pampulha, em Belo Horizonte, MG.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Para voltar a crer



Não faltam motivos para descrer da Humanidade. Vamos combinar que fizemos coisas extraordinárias, mas nossa passagem pela Terra não está sendo, exatamente, um sucesso. Para cada catedral erguida bombardeamos três, para cada civilização vicejante liquidamos quatro, a cada gesto de grandeza correspondem cinco ou seis de baixeza, para cada Gandhi produzimos sete tiranos, para cada Patrícia Pilar dezessete energúmenos. Inventamos vacinas para salvar a vida de milhões ao mesmo tempo que matamos outros milhões pelo contágio e a fome. Criamos telefones portáteis que funcionam como gravadores, computadores - e às vezes até telefones -, mas ainda temos problema com a coriza nasal. Nosso dia a dia é cheio de pequenas calhordices, dos outros e nossas. Rareiam as razões para confiar no vizinho ao nosso lado, o que dirá do político lá longe, cuja verdadeira natureza muitas vezes só vamos conhecer pela câmera escondida. Somos decididamente uma espécie inconfiável, além de venal, traiçoeira e mesquinha. E estamos envenenando o planeta, num suicídio lento do qual ninguém escapará. E tudo isso sem falar no racismo, no terrorismo e no Big Brother Brasil.


Eu tinha desistido de esperar pela nossa regeneração. Ela não viria pela religião, que se transformou em apenas outro ramo de negócios. Nem viria pela revolução, mesmo que se pagasse para o povo ocupar as barricadas. Eu achava que a espécie não tinha jeito, não tinha volta, não tinha salvação. Meu desencanto era total. Só o abandonaria diante de alguma prova irrefutável de altruísmo e caráter que redimisse a Humanidade. Uma prova de tal tamanho e tal significado que anularia meu ceticismo terminal e restauraria minha esperança no futuro. E esta prova virá neste domingo, se o Grêmio derrotar o Flamengo no Maracanã.

Se o Grêmio derrotar o Flamengo, o Internacional pode ser campeão. Mas o mais importante não é isso. Se o Grêmio derrotar o Flamengo mesmo sabendo as consequências e o possível beneficio para o arquiadversário, estará dando um exemplo inigualável de superioridade moral. A volta da minha fé na Humanidade não interessa, Grêmio. Pense no que dirá a História. Pense nas futuras gerações!

Luis Fernando Verissimo que dentre outras coisas é torcedor do Internacional

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Vestibular X Mercado de trabalho


Ontem foi o vestibular 2010.1 da UECE (Universidade que curso Filosofia), e toda vez que vejo essa charge, lembro que no final do semestre estarei de formando e vejo que a questão do emprego fica cada dia mais difícil.
O que fazer ? O que escolher ? O que move nossas motivações ? Dinheiro ou vocação ?
São perguntas pertinentes que a cada dia nos tomam. Mas vida que segue e o melhor remédio pra essa crise e fazer as escolhar certas que nos motivem a fazer com excelência.
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Patativa prisioneira


Antonio Gonçalves da Silva, no registro civil, Patativa do Assaré, nome poético adotado Patativa como o pássaro do Assaré, associado à cidade onde nasceu em 05 de março de 1909 no sítio Serra de Santana município do Assaré - Ceará. Homem simples, camponês sem currículo escolar, poeta de maior expressão do verso no nordeste brasileiro.


Seus poemas são cantados por grandes ícones da música popular brasileira, lançado por Luiz Gonzaga o Rei do Baião e seguido por outros artistas consagrados como: Elomar, José Geraldo, Zé Ramalho, Elba Ramalho e muitos outros. Patativa é agraciado como Doutor Honóris Causa por quatro universidades, Cidadão Honorário de Fortaleza e Cidadão Honorário de Potiguar.


Viveu trabalhando na roça até aos 70 anos de idade, mudando-se para a cidade quand o foi impedido de trabalhar na roça devido a vista curta do olho bom, pois o outro olho perdera aos 4 anos de idade; ouvindo pouco e aleijado por atropelamento. Viveu 93 anos. Foi personagem de documentários e filmes em curta e longa metragem; autor de roteiro musical de filme; tem 06 livros publicados, participação em coletâneas e antologias.


Sua obra serviu de tema para acadêmicos no Brasil, na França e na Inglaterra; gravou alguns discos com seus poemas; por 03 vezes o aplaudiram com seus versos no Memorial da América Latina, em São Paulo; a sua cidade o eternizou num Memorial para acomodarem nele haveres, safras poéticas produzidas por Patativa do Assaré.


Em 2008 na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará tramitaram dois Projetos de Lei em homenagem a ele, sendo que um marcava a data de seu nascimento como “O Dia Cearense da Poesia”. Patativa é admirado por todos os poetas e amantes da poesia popular brasileira . O Brasil comemora o primeiro centenário do maior poeta do século XX.


Nessas três estrofes em quadra, recitando-as em plena rua, citou a situação de abandono da administração municipal. Um policial o prendeu “por desacato a autoridade política” na sala livre da cadeia, cantava uma patativa engaiolada, Patativa então cantou:


“Patativa descontente,
Nesta gaiola cativa
Embora bem diferente
Eu também sou Patativa.


Linda avezinha pequena,
Temos o mesmo desgosto,
Sofremos a mesma pena
Embora, em sentido oposto.


Meu sofrer e teu penar,
Clamam a divina lei:
Tu, presa para cantar,
Eu. Preso porque cantei”.

Patativa foi espetacular. Feliz aquele que teve contato com sua obra e sobretudo sua história.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

REGULAMENTO SÉRIE C 2010‏

Regulamento da Série C (terceira divisão) 2010:

1 – As equipes que não possuem refletores em seus estádios deverão ter os seus jogos realizados à tarde.
2 – Os estádios com capacidade inferior a 1.000 lugares deverão iniciar a venda dos ingressos 1 hora antes do início das partidas. Devendo se reservar os lugares do picoleseiro e do pipoqueiro.
3 – Cada equipe deverá apresentar os seus jogadores pelo menos com a camiseta da mesma cor, caso contrário o time da casa deverá jogar sem camisa para não confundir o juiz.
4 – O time da casa terá que trazer a bola, não valendo bola dente de leite ou de capotão.
5 – Quando um time tiver a quantidade máxima de 8 jogadores, o campo deverá ser reduzido, fazendo as traves com chinelo.
6 – Se um time começa a ser pressionado e a equipe adversária chuta muito forte, seu goleiro pode botar havaianas nas mãos para não doer.
7 – O jogador que chutar a bola para fora do estádio terá que ir buscá-la.
8 – Se mais da metade do time estiver de pés descalços, os outros jogadores têm que tirar a chuteira.
8.1 – Não serão aceitos jogadores com travas muito altas para não estragar o campo, ou machucar o adversário.
8.2 – De preferência, eles deverão usar Kichute.
9 – Caso um time estiver jogando muito mal, um jogador da outra equipe poderá trocar de time para equilibrar a partida.
10 – No final da partida será disponibilizada uma mangueira para os jogadores tomarem um banho rápido.
10.1 – O sabonete ficará por conta de cada um.
11 – Os preços dos ingressos já estão estipulados:
Sentado – R$ 1,00; Sentado no Chão – R$ 0,50; Em pé escorado – R$ 0,25; Em pé sem escora – R$ 0,10; Agachado – R$ 0,05
E quem será o campeão ?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sábias Palavras


"Não existe fracasso no erro, e sim na desistência."

Mário Sérgio Cortella

Texto de Lédio Carmona sobre o acesso do Ceará S.C.



Raramente o futebol é justo. A Série B em 2009 foi um desses minguados casos. Subiu quem merecia. O quarteto que comandou o G4 durante 80% da competição bateu martelo na penúltima rodada e está de volta à primeira divisão. Todos com méritos e trabalho bem-feito. Do Vasco já escrevemos demais. Montou um time razoável, uma comissão técnica de grife e ganhou a segundona. Clube do tamanho do Vasco não tem outra opção. Se joga a B, tem que vencer. E assim foi feito. Agora é montar um time com cara de A, convencer Dorival Junior a permanecer, o que nesse momento é muito difícil, e manter a comunhão com os torcedores. E os outros?


Não me lembro de um time que tenha começado a Série B na lanterna e conseguido terminar no G4. O Ceará foi assim. Campanha irretocável. Superou preconceitos, sacanagens, gol descarado com a mão, receita enxuta e foi à luta. O Vozão bateu no peito e disse: ” A vaga é minha”. Contra tudo e contra todos. Vencendo bairrismo, patotas e hipócritas, camufladamente espalhados pelo Brasil. Seja bem-vindo, Ceará.


O Guarani também está de volta. Campeão brasileiro em 1978, superou uma crise financeira, a desconfiança dos torcedores, apostou na experiência de Vadão, montou um elenco com critério e também subiu. É bom ver o Bugre de volta. Tem tradição, tem história, tem estofo. Não é time de passagem. O Guarani tem uma trajetória. E só tem a somar ao Brasileirão.


E, por último, o Atlético Goianiense, dono do ataque mais positivo entre todas as divisões do Campeonato Brasileiro: 73 gols. Um time que joga voltado para o ataque, até meio romântico, e talvez por isso tenha oscilado tanto na competição. Mas, após idas-e-vindas, o rubro-negro goiano subiu. Também merece os parabéns. Nunca um G4 foi tão perfeito e coeso.

Lédio Carmona é Pai do Pequeno Bob, o niteroiense Lédio Carmona é jornalista há 23 anos. Esteve nas últimas cinco Copas do Mundo. Trabalhou em grandes jornais, como Jornal do Brasil, O Globo e Diário Lance, foi repórter, editor e colaborador da Revista Placar e chefe de reportagem da TV Globo. Atualmente é comentarista do SporTV e blogueiro do GloboEsporte.com. O atual blog é o segundo de sua trajetória na grande rede, iniciada com o Jogo Aberto, espaço que comandou entre 2005 e favereiro de 2009.

Obrigado


Obrigado ao Buiú.

Se não fosse aquele gol do Central aos 36 do segundo tempo, teríamos seguido em frente na Copa do Brasil. Daí, com um pouco mais de sorte, poderíamos ter superado o Vasco na fase seguinte. Lotaríamos o Castelão, relembraríamos o vice de 94, falaríamos mais uma vez que o Ceará tem tradição na competição e, finalmente, chegando às oitavas ou quartas, aquele velho sentimento de dever cumprido se transformaria em desculpa: "é, até que fomos longe".

Obrigado ao Douglas.

Se não fossem os verdadeiros milagres operados pelo goleiro do Fortaleza na final, teríamos sido campeões cearenses. Aí, com a faixa no peito, teríamos coroado a incompetência de um péssimo segundo turno. Teríamos entrado num lenga-lenga de Parque dos Campeonatos X Reconhecimento de Penta X Maior Torcida do Estado e versus tudo que é discussão sem fim. E, por fim, teríamos zoado tanto o nosso rival, que por sua vez teria se reforçado muito mais para a série B e, sem precisar do Chiquinho de Xangô ou Bento XVI, talvez hoje tivesse numa situação menos vexatória.

Obrigado às seis primeiras rodadas.

Se não fosse o desastroso começo de campeonato, provavelmente teríamos prosseguido com o Zé Teodoro. Assim, com uma derrotinha aqui e uma zoninha acolá, teríamos feito a décima sétima proposta para o Givanildo - e escutado o décimo sétimo "não". O tabu de não vencer fora estaria completando 3 anos, e o seis de 16 anos de Série B estaria pintando o 7. PC Gusmão seria treinador do Fluminense. Geraldo, meia do Naútico. E o Mota, bem, o Mota estaria comendo carne de cachorro na Coreia e fazendo uma ruma de gols pra gente ver só no Youtube.

Obrigado ao Wellington Silva, ao Charles Hebert e à Ticiane Falcão.

De coração, gostaria de cumprimentar pessoalmente cada um deles. Dando a mão, claro. Tudo bem, se não fosse o digno trio, poderíamos ter empatado ou até vencido aquele jogo contra o Paraná. Mas aí, pense bem, não teríamos escutado o PC Gusmão garantir para todo o Brasil, na vigésima quinta rodada, que o Ceará iria subir, sim senhor. Não teríamos mostrado para o restante do país o quanto cearense é tinhoso, o quanto temos sangue nos olhos e, principalmente, o quanto nos tornamos invocados quando arengados.

Obrigado à Varicela.

Se não fosse fosse a catapora do Rômulo, é possível afirmar que o Sérgio Alves não teria sido relacionado para nenhuma partida. Certo, sem o Carrasco, poderíamos até estar onde estamos. O Luizinho poderia ter desencantado, o Preto poderia ter voltado a marcar e, inesperadamente, o Éslei poderia mostrar a que veio. Mas, uma coisa é certa, sem as bolinhas vermelhas do Rômulo, não teríamos visto um estádio ir à loucura, vibrando com um gol aos 44 do segundo tempo - literalmente chorado. Não teríamos cantado mais uma vez a música que está virando segundo hino e, o que é pior, não teríamos a imagem de um dos nossos maiores ídolos, aos 39 anos de idade, comemorando um gol feito um menino.

Obrigado.

Não, não vou agradecer ao PC Gusmão, ao Geraldo, ao Michel, ao Mota, ao Boiadeiro, ao Fabrício, ao Evandro Leitão, enfim, não vou agradecer a ninguém que hoje faz o Ceará Sporting Club. Não agradeço porque, simplesmente, não consigo. Com palavras, não. Mesmo sendo redator, mesmo escrevendo trocentos textos, há trocentos anos, definitivamente não sei expressar o tamanho dessa gratidão. Ok, posso até dizer obrigado pelos gols, pelas vitórias e pelo acesso à série A. Se fosse assim, estaria feito. Mas é que pra mim, o Ceará, este Ceará aí, é bem mais do que isso. E é aqui que a coisa começa a ficar preta. E branca. Por exemplo, como que eu posso agradecer pela felicidade de ver um sujeito, que não ia ao estádio há 10 anos, vibrar e marejar a cada gol do Vozão? Ainda mais quando este sujeito é seu próprio pai? Por favor, quem conseguir descrever, aceito currículos. E mais: como é que eu posso ser de fato gentil a quem está fazendo com que nossas crianças tenham mais orgulho em ser Ceará do que torcer um time de SP ou do RJ?

É, acho que é por isso que, no lugar de escrever, torcedor expressa paixão - e gratidão - cantando: Valeu, Vovô. Valeu, Vovô...

Cyro Thomaz é publicitário

Um novo ciclo


Por Felipe Araújo *

Há exatos dez anos, no fim da temporada de 1999, o então presidente do Ceará Sporting Club, Átila Bezerra, participava de uma mesa redonda dominical numa emissora local de TV e avaliava as perspectivas do clube para o ano seguinte. O Ceará acabara de ser tetracampeão estadual; batera na trave na disputa por uma vaga na primeira divisão do Campeonato Brasileiro – perdendo a vaga para o Goiás –; via seus rivais locais afundados em graves crises financeiras; e estava na iminência de fechar uma parceria com o banco Icatu Hartford, que prometia reinventar o modelo de gestão esportiva no futebol cearense a partir da profissionalização dos quadros da administração alvinegra. Para 2000, anunciou o mandatário, o (segundo) pentacampeonato estadual estava garantido e a sonhada vaga na elite do futebol brasileiro era apenas uma questão de tempo em função dos novos ares em Porangabuçu.


Mesmo o mais desconfiado dos alvinegros não poderia imaginar quão infelizes seriam aquelas declarações. A partir de 2000, a era de aquarius para o Ceará virou uma quadra de tristeza e frustrações. O calendário alvinegro passou a ser pautado pelas disputas fratricidas entre seus dirigentes, pela demagogia e pela incompetência administrativa de seus gestores, pela obtusidade e pelo cinismo de setores da imprensa comprometidos com interesses inconfessáveis dentro do clube e, por tabela, pela impaciência da torcida. Com isso, os anos 00 foram uma das piores décadas da história alvinegra: a fogueira de vaidades em que ardia o ego dos tragicômicos “cardeais alvinegros” inviabilizou a parceria com o banco e legou uma herança maldita que durante anos assombrou as contas de Porangabuçu, o clube viu seu principal rival renascer das cinzas, conquistou apenas dois campeonatos cearenses (embora o campeonato de 2004 não tenha sido decidido dentro de campo por conta de uma constrangedora armação da FCF) e balançou por diversas vezes na corda da bamba que dava para o abismo da terceirona.


Ontem, o Ceará chegou por seus méritos (sem precisar ser guinchado de divisões inferiores, ressalte-se) à elite do futebol brasileiro. Uma campanha que emocionou a maior (e mais fiel) torcida do Estado e arrancou elogios mesmo dos comentaristas mais sisudos. Dentro de campo, o time de PC Gusmão soube combinar o pragmatismo tático com a garra exigida pelas arquibancadas. Não houve futebol vistoso, mas houve futebol compromissado. Nenhum novo Zé Eduardo despontou, mas bons jogadores (Mota, Geraldo, Michel, Boiadeiro, Erivelton, Misael, Fábio Vidal e outros) vestiram com muita dignidade a camisa alvinegra e suaram lágrimas junto com a massa.


Fora de campo, a gestão de Evandro Leitão abraçou com seriedade e competência o desafio de comandar a maior paixão esportiva do Estado, implementando novas práticas gerenciais e reerguendo a auto-estima do torcedor alvinegro. Dez anos depois da famigerada barrigada do então presidente alvinegro, que deu início a um ciclo a ser esquecido pelos alvinegros, Evandro tem a oportunidade de novamente olhar para o futuro anunciando uma nova era para o Vozão. Um novo ciclo marcado não pela presunção vazia ou pela vaidade inútil; mas pelo planejamento e pela seriedade no trato com o patrimônio alvinegro. Um novo tempo marcado não apenas pelo desafio de montar times vencedores, mas pela missão de fazer do Ceará um grande clube.


É o que deseja o torcedor alvinegro, que hoje vai dormir bêbado de alegria, comemorando o tão sonhado acesso de nosso time querido. Mas que amanhã vai acordar com o desafio da primeira divisão pela frente.



Parabéns, Vozão!
*Felipe Araújo é jornalista

Classe operária chega... à elite


União do grupo, comando firme, porém compreensivo e amigo, vaidades pessoais passando longe, idem para mercadores de jogadores, líder que defende e intermedia os interesses do grupo e principalmente uma torcida como poucas, esses são alguns dos ingredientes que levaram o Ceará Sporting, após 16 anos, de volta à Primeira Divisão do futebol brasileiro.


Antes, havia um pensamento pequeno: “Subir pra que, só para cair no ano seguinte”. Ouvi isso de um ou outro torcedor, porém mais de diretores. O torcedor alvinegro, renda per capita à parte, sabe da força que tem e por isso pensa grande. Tem consciência de que o seu comparecimento aos jogos é suficiente para bancar as despesas do clube. O que entrar além disso é lucro. E sabe também que o Ceará precisava, antes de tudo, acabar com o velho vício de diretor tirar dinheiro do bolso para pagar salário e bicho de jogadores e comissão técnica.


Agora, que o sonho em preto-e-branco se transformou em realidade, passemos à etapa seguinte. Vamos fortalecer as escolinhas para formar os próprios craques, alvinegrinhos que crescerão na luta pelo objetivo comum: fazer o Ceará grande. E manter a base atual, em busca não apenas de “se manter” ou “não cair”. Afinal, é preciso pensar maior... E continuar sonhando!


Neno Cavalcante é jornalista e dentre outras atividades é um ilustre torcedor do Ceará S.C.

domingo, 22 de novembro de 2009

Nosso amor é de PRIMEIRA.


Meu time do coração é o Ceará Sporting Club, 40 vezes campeão do estadual cearense e de maior torcida do Nordeste. Pois é, o VOZÃO, como é carinhosamente conhecido, voltou a PRIMEIRA DIVISÃO do Brasileiro. Na capital do Ceará é só alegria.

Eu que acompanho futebol desde de meus 12 anos, vi o Ceará ser campeão "arrastão" em 1993, dei volta olímpica com o troféu e no segundo semestre vi o Ceará jogando a primeira divisão. Pena que naquele ano caímos pra série B, e por lá ficamos 16 anos, onde nesse tempo "batemos na trave" na possibilidade de cair.
Prova disso, além de salários atrasados, pagamentos em saco plástico, etc., é que, antes da campanha de 2009, se fizermos um balanço com as outras 15 temporadas em que o time ficou na Série B, o alvinegro estava, digamos, "negativado". Saldo de gols no negativo, mais derrotas do que vitórias, e, em apenas 2 oportunidades conseguiu terminar a competição entre os 10 primeiros. A campanha de 2009 equilibrou as contas deixando até um saldo positivo. Um absurdo para um time da grandeza do Ceará.

Mas o bom trabalho foi coroado na tarde de ontem em Campinas, depois da vitória sobre a Ponte Preta o Ceará conseguiu com 1 rodada de antecedência o acesso a 1° divisão. Parabéns jogadores, comissão técnica, diretoria e sobretudo a torcida alvinegra.

Demorou , mas nada melhor que subir no campo, sem canetada e contra tudo e contra todos.

Nosso amor é de PRIMEIRA! Valeu Vozão

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Consciência Negra


O dia 20 de novembro é o dia da Consciência Negra. A data foi escolhida pelo Movimento Negro em contraposição ao 13 de maio (dia da suposta abolição da escravatura) e é uma homenagem a Zumbi dos Palmares, que faleceu neste dia há 308 anos. Zumbi foi o líder do Quilombo dos Palmares - que é considerado o maior foco de resistência negra à escravidão no Brasil. Mais de três séculos após a sua morte, constata-se que o racismo não deixou de existir, ou de se manifestar cruelmente. Na verdade, a opressão de cor somente modernizou-se, assim como a sociedade da opressão modernizou suas formas de dominação durante os anos

Aos que não estão "ocupados" demais com o feriado é uma otima oportunidade para refletir sobre o papel da palavra CONSCIÊNCIA em nosso cotidiano.

E vida que segue.

Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dia mundial da filosofia


Hoje é o dia mundial da filosofia. Você sabia ? Pois fique sabendo. Um dia do calendário mundial dedicado à Filosofia foi o que a UNESCO instituiu para que o papel da Filosofia seja fortalecido e para que seja reconhecida sua fundamental importância para a sociedade. Uma nova data para uma prática tão antiga como é o filosofar. Esse dia é a terceira quinta-feira do mês de novembro que, pelo 8º ano vêm sendo comemorado com grandes eventos em todo o mundo e, através desses eventos, se oportunizando a criação de espaços para o diálogo intercultural, para se debater o ensino da filosofia, para gerar novas perspectivas sobre a contemporaneidade e o mundo. Esses eventos marcam a história, reacendendo os debates filosóficos em todo o planeta.

Respeito pelos filósofos

Há quem encare os filósofos como deuses ou como sábios: com muito respeitinho, não ousando discordar deles. Para essas pessoas, as palavras de um filósofo são como a voz de um oráculo que, em vez suscitar discussão, é preciso aceitar e repetir respeitosamente. Mas isso é a própria negação da filosofia, pois é um convite à suspensão da nossa capacidade crítica.

Olhar para os filósofos desta maneira é confundir filosofia com religião. Além de que, por incrível que possa parecer a algumas pessoas, os filósofos são seres humanos como os outros: comem, dormem, amam, choram, vão à praia, usam telemóvel e... erram. Assim, a melhor maneira de respeitar um filósofo é encará-lo simplesmente como filósofo – não como pregador – discutindo criticamente as suas ideias. O que os filósofos querem é respeito, não respeitinho.

Eis, pois, algumas afirmações de filósofos importantes que, com o devido respeito, me parecem disparatadas:

Do que não se pode falar, há que ficar em silêncio. Wittgenstein, o autor desta afirmação, considerava que o mais importante é precisamente o que não pode ser dito. Mas deverá esta afirmação ser levada a sério? Se sim, Wittgenstein está a ser incoerente, pois está a exprimir algo acerca do que não se pode falar. Razão parece ter um outro filósofo, Frank Ramsey, ao comentar que o que não pode ser dito nem sequer pode ser assobiado. Pelo que se vê, Wittgenstein fez mais do que assobiar, pois não conseguiu ficar em silêncio acerca do que não se pode falar.

Até aqui os filósofos têm-se dedicado a interpretar o mundo, porém o que importa é transformá-lo. Marx, autor da frase, dava uma prioridade à praxis (prática ou acção) em relação à teoria. Mas há demasiados exemplos de que a prática, quando não é iluminada por uma compreensão prévia da realidade, acaba por se tornar cega e mesmo perigosa. Como sabemos o que transformar ou sequer se podemos mudar o que ainda não tentámos compreender? E será que é realmente importante mudar o que eventualmente possa estar bem? Não será fundamental saber antes o que está bem ou mal e porquê para sabermos se vale realmente a pena mudar seja o que for? Assim, a ideia subjacente de que a teoria e a prática são coisas divergentes é manifestamente errada e até perigosa.

O que não me mata torna-me mais forte. Disse-o Nietzsche, mas também o dizia a minha avó, que nunca ouviu sequer falar de Nietzsche. E até já a avó da minha avó o dizia também, só que de uma forma ligeiramente diferente: o que não mata engorda. Mas basta pensar um pouco para ver que tanto Nietzsche como a minha avó foram algo precipitados a tirar conclusões, o que se desculpa mais à minha avó do que a Nietzsche. A ideia de Nietzsche é a de que a vida é para ser vivida sem restrições, sem disfarçar a dor e a alegria, como acontece com os mais fortes e corajosos, que nada recusam. Assim, dar o peito às balas é próprio dos mais fortes. Só que há balas que não matam mas moem, deixando-nos fracos e feridos para o resto da vida. Nem Nietzsche nem a minha avó foram incapazes de evitar uma falácia muito comum: a falácia da generalização precipitada.

Claro que as frases destes filósofos têm mais que se lhe diga e o contexto em que foram produzidas pode dar-lhes outro sentido. Mas tem de se começar a discussão por algum sítio e isto é só um princípio de discussão.

A todos que são amigos do saber, parabéns.

Milésimo gol, 40 anos

Faz 40 anos que o único 1000° gol da história do futebol profissional foi marcado por Pelé, contra o Vasco, no Maracanã.
Sobre a façanha, outro gênio brasileiro escreveu:

"O difícil não é fazer mil gols como Pelé. O difícil é fazer um gol como Pelé".
Nada a acrescentar depois de Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Hábitos que transformam‏


Em 1989, o reverendo John Stott veio ao Brasil para falar num dos congressos da VINDE -- Visão Nacional de Evangelização. Depois de uma de suas palestras, nos reunimos para conversar com ele. Era um grupo pequeno de jovens pastores, sentados em torno de um dos maiores expositores bíblicos da nossa geração, perto de completar 70 anos. A conversa seguiu animada. Ele nos deu liberdade para perguntas pessoais e, entre outras, não faltaram aquelas sobre o porquê de não se casar.

Porém, de todas, guardei apenas a resposta que ele deu quando lhe perguntaram sobre a razão do seu longo ministério tão frutífero. Ele respondeu: “Leio a Bíblia e oro todos os dias, vou à igreja todos os domingos e nunca falto à celebração da Eucaristia”. A resposta foi surpreendente por sua simplicidade.

Sabemos que ler a Bíblia e orar todos os dias, ir aos cultos e participar da Ceia nunca foram, por si só, sinais confiáveis de espiritualidade, muito menos um caminho seguro para a maturidade. Muitas pessoas fazem isso por puro legalismo. Por outro lado, sabemos também que não fazer nada disso é um caminho seguro e certo para o fracasso espiritual.

O doutor James Houston, criticando o abandono da leitura devocional em nossos dias por uma literatura funcional e pragmática, afirma: “Os hábitos de leitura do chiqueiro não podem satisfazer a um filho e aos porcos ao mesmo tempo”. Ao usar a imagem da Parábola do Filho Pródigo, ele nos chama a atenção para o risco de nos acostumarmos com a vida do chiqueiro. Para Houston, as práticas devocionais nos ajudam a perceber que existe algo maior e mais excelente na vida de comunhão com o Pai.

O reverendo A. W. Tozer (1897-1963) escreveu um artigo afirmando que “Deus fala com o homem que mostra interesse”, e que “Deus nada tem a dizer ao indivíduo frívolo”. Mais do que cultivar o hábito de ler a Bíblia, orar e participar do culto, o que na verdade fazemos quando cultivamos estas práticas devocionais é demonstrar o interesse vivo que temos por Deus e por sua Palavra.

Da mesma forma como a vida necessita do básico (ter o suficiente para comer e vestir, onde descansar), a natureza da vida espiritual repousa sobre o que é essencial (Bíblia, oração, comunhão, adoração e missão). São esses hábitos básicos que nos colocam no lugar onde podemos experimentar a graça de Deus e crescer.

Há hoje muita oferta para a vida e para a espiritualidade. A sedução do supérfluo despreza o essencial. Vivemos o grande perigo de negar o básico, achando que podemos experimentar a graça de Deus e provar sua bondade e amor sem nos aquietar e deixar que sua Palavra molde nosso caráter, que a oração fortaleça nosso espírito e que a comunhão nos sustente em nossa identidade como povo de Deus.

As disciplinas espirituais básicas cultivadas pelo reverendo Stott ao longo de sua vida formaram seu caráter como cristão. Nada pode substituir a prática diária da oração nem a leitura devocional das Escrituras. Nada substitui o valor do culto comunitário nem o mistério da Eucaristia. O cultivo destas disciplinas requer de nós não apenas tempo e perseverança, mas também humildade e coragem para sermos transformados pelo poder de Deus.

Deus não nos chamou para a realização pessoal, mas para a comunhão pessoal e íntima com ele e o próximo. Deus não nos chamou para sermos operários agitados do seu reino, mas para amá-lo e amar ao próximo de todo o coração. Os hábitos devocionais libertam-nos da “normalidade” do chiqueiro e nos transportam para uma existência de comunhão com Deus que enobrece a vida. São estes hábitos que preservam nossos olhos voltados para o alto, para que, aqui na terra, nossa existência ganhe a grandeza dos ideais divinos.
As práticas devocionais fazem parte do processo formativo da alma diante de Deus. Precisamos cultivá-las a fim de permanecermos em sintonia com o reino de Deus, que molda o nosso caráter em Cristo. É a palavra de Deus que devolve a vida aos “ossos secos” da agitação moderna.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

sábado, 14 de novembro de 2009

Juntar as mãos


O ato de juntar as mãos em oração é o começo de uma insurreição contra a desordem do mundo.

Karl Barth

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

UM BOM DIA


5 passos para começar bem o dia.


1 - Inicialize o computador.

2 - Crie um novo arquivo.

3 - Salve-o como o nome "Torcedor do Fortaleza".

4 - Clique em "excluir". Vai aparecer a seguinte mensagem:"Tem certeza que deseja enviar 'Torcedor do Fortaleza' para a lixeira?"

5 - Clique "sim".

Pronto, seu dia começará bem melhor.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A queda do muro de Berlim

Portão de Brandemburgo, hoje
A queda do muro de Berlim encerra um ciclo da história mundial que se iniciou com a Revolução Russa de 1917 e teve seu apogeu nas décadas de 1950 e 1960 com a assim chamada guerra fria. O mundo nesse período foi regido por uma lógica bipolar, resultado do conflito em escala planetária das superpotências militares, Estados Unidos e União Soviética, que representavam modelos econômicos e ideológicos antagônicos. Parecia assim ter fim o maior conflito ideológico da história humana com a desmontagem do bloco socialista e a consolidação do processo de globalização econômico levado a cabo pelos países capitalistas centrais.
O historiador americano Francis Fukuyama apressou-se em interpretar a queda do muro de Berlim como índice do fim da História, do fim dos conflitos ideológicos e como prova empírica irrefutável da superioridade da economia de mercado sobre qualquer forma de controle da atividade econômica pelo poder estatal. Mesmo discordando das análises de Fukuyama, não se pode negar que o colapso do bloco socialista europeu teve duas conseqüências imediatas: primeiro, acelerou o processo mundial de liberalização do fluxo de mercadorias, serviços e capitais em escala global com a desmontagem das economias periféricas, menos competitivas e muito mais vulneráveis aos ataques especulativos do capital financeiro; segundo, abalou intensamente o pensamento critico e a postura da esquerda que via no capitalismo um sistema social de opressão, pois produz a mercantilização das pessoas, a concentração do poder e dos meios de produção, gera alienação social, explora e danifica profundamente a vida no planeta. Apos 20 anos, como avaliar os efeitos desastrosos da hegemonia do pensamento neo-liberal e a desarticulação e desutopização provocadas no campo do pensamento social crítico?
Checkpoint Charlie, um dos pontos de passagem entre os lados da cidade
As maiores vítimas da onda de globalização sob hegemonia neoliberal foram os trabalhadores e as coletividades nacionais, com privatização maciça das empresas públicas, forte redução dos direitos trabalhistas e do poder reivindicatório dos sindicatos, perda do poder político dos Estados e conseqüente perda de soberania nacional, larga privatização da saúde e da educação, com o conseqüente sucateamento de hospitais públicos e de escolas públicas. Como afirmava Immanuel Wallerstein, há alguns anos atrás, o neoliberalismo tem um custo social enorme, com aumento da pobreza e da exclusão social e com a deslegetimação das lideranças locais, nacionais. Dessa maneira, o sistema se torna incapaz de resolver as crises produzidas por ele próprio: a crise social, com níveis de desigualdades intoleráveis, e a questão ambiental, resultado de uma atividade produtiva predatória e sem limites.
A recente crise no sistema global explicita as contradições do capitalismo e põe em suspeição a ideologia neoliberal que o sustenta.

O muro cerca o Portão de Brandemburgo, entrada de Berlim Oriental

Novo mundo No entanto, o fato mais auspicioso dos últimos anos é a rearticulação do pensamento social critico e das formas de luta, de insubmissão e de resistência social. Em breve, estaremos comemorando os 10 anos de instalação do Fórum Social Mundial, que foi decisivo enquanto instância de reorganização do pensamento de esquerda e de combate ao neoliberalismo. Trata-se aqui, sobretudo, como explicitou o sociólogo Emir Sader, de construir a esfera pública em contraposição à esfera mercantil, de resgatar a autonomia do político em contraposição à lógica instrumental capitalista. É exatamente na America Latina, que hoje se rearticula de uma forma mais protagônica uma nova esquerda, preocupada com as minorias, com a questão ambiental, com a democratização dos meios de comunicação, com a multiculturalidade. A America Latina tem hoje um numero razoável de governos preocupados em defender a soberania nacional, em construir alternativas às investidas imperialistas do capitalismo central, em resgatar sua dívida social e em preservas suas riquezas naturais.
Vinte anos após a queda do muro de Berlim, podemos nos dar conta que tudo não passou de um espetáculo, uma piada de mau gosto, que muro nenhum ruiu, que há muitos muros sendo construídos diariamente e que precisamos empunhar sempre um martelo entre as mãos... Ou uma foice... Nós, os alertas...
José Maria Arruda é Doutor em Filosofia pela Universidade de Essen/Alemanha com Pós-Doutorado na Universidade de Aachen/Alemanha e atualmente Professor Associado II do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará.

domingo, 8 de novembro de 2009

Porque hoje é domingo (01)


Como andam as universidades no Brasil? O que elas tem produzido? Qual a função social que elas tem ocupado ? Como andam os concursos para as universidades públicas ? Fica aqui a reflexão ...

Deus abençoe a todos.
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

sábado, 7 de novembro de 2009

Charge desta sexta (6/11/09) do O POVO


Boa sorte e vida longa ao nosso representante cearense na série B 2010.
Força ICASA
Com o empate, o Leão já fez o check-in para embarcar rumo à Série C
Vai em paz, Alecrim-RN, Paysandu-PA, Central de Caruaru e outras "potencias" te esperam.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O constante diálogo

Há tantos diálogos
Diálogo com o ser amante
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado
Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as idéias
o sonho
o passado
o mais que futuro
Escolhe teu diálogo
e
Tua melhor palavra
ou
Teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
Dialogamos.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Falando ao coração


Meu Deus,

Eu não tenho idéia para onde estou indo,

Eu não vejo o caminho à minha frente,

Eu não tenho certeza onde ele termina

E tampouco me conheço,

E o fato me conheço,

E o fato de pensar ou achar que estou seguindo a Tua vontade

Não quer dizer que estou seguindo-a de fato.

Mas eu creio, Senhor,

Que o desejo de agradar-te, realmente agrada.

E eu espero que em tudo que eu faça,

Esteja esse desejo presente

E que eu não faça nada em que não esteja presente este desejo.

E se assim o fizer,

Tu me guiarás pelo caminho certo e verdadeiro,

Embora eu nada saiba sobre ele.

Em ti confiarei, portanto,

Mesmo que me sinta perdido e na sombra da morte,

Eu não temerei, pois estás sempre ao meu lado,

E jamais permitirás que sozinho enfrente os perigos

E dificuldades dessa viagem.


Com vocês, ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

terça-feira, 27 de outubro de 2009

É preciso não esquecer nada



É preciso não esquecer nada:
nem a tormenta aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.


É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.


O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.


O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a ideia de recompensa e de glória.


O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

domingo, 25 de outubro de 2009

Porque hoje é domingo (00)


Agora todo domingo, que é o dia que eu não costumo fazer muita coisa, vou postar uma charge aqui , que apesar de suscitarem gargalhadas, é uma oportunidade de refletirmos.

Bom dia e e não é porque é domingo que você não vai fazer algo importante, então desliga o computador e vai ler um livro, o boletim dominical da igreja ou vai procurar no jornal um emprego que trabalhe pouco e ganhe muito (esse hoje em dia é um grande desafio).

Deus abençoe a todos.
Com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga

sábado, 24 de outubro de 2009

10 maneiras de dizer eu te amo

O site Solomon1, fez uma lista de ações que vão além do dizer eu te amo. É muito válido dar uma lida e por em prática.Quantas vezes perdemos a oportunidade de expressar nosso carinho por aquela pessoa tão querida que o Senhor nos deu.

Então confira e depois deixe seu comentário:

1. Deixe Bilhetes (em lugares diferentes)

Talvez a vida tenha se tornado tão corrida que seus horários não coincidem com o da pessoa amada. Que tal deixar bilhetes em um local inesperado? Deixe um bilhete para seu filho (a) dentro da merendeira - é um bom começo. Que tal um bilhete carinhoso na geladeira, espelho do banheiro, no travesseiro, na tela do computador…?

2. Abrace

Contato físico pode significar muito, um abraço pode ser exatamente o que sua pessoa amada precisa para abrir um belo sorriso. Seja sentado no sofá assistindo TV, um abraço de boa noite nas crianças… Não economize! Receber um abraço carinhoso de outra pessoa é uma bela maneira de se sentir amado.

3. Escreva um Poema

Uma bela maneira de dizer “Eu te amo” é escrevendo um poema. Você não precisa ser um Shakespeare - apenas pense em algo sincero, original e que reflita seu amor por essa pessoa… e passe isso para o papel. Tente não partir pro lado dos “seus belos olhos…” ou “seu perfume é como uma flor…”. Escreva com seu coração, sem medo de ser feliz. Não precisa ser um poema com belos dizeres, pode escrever sobre o que você achar importante para você, como por exemplo, a forma como você adora quando essa pessoa dá boas risadas de algo engraçado, ou o cheirinho que fica no travesseiro após a noite. Use sua imaginação!

4. Dê um Presente Inesperado

Tenho certeza que você presenteia a pessoa amada nos aniversários, Natal, e outras ocasiões como Dia dos Namorados, etc. Mas que tal presentear essa pessoa por simplesmente ela existir e ser tão especial para você? Esse gesto pode gerar um momento de completa alegria para ambos, e o presente não precisa ser algo de valor material. Algumas dicas de presentes: chocolate, flores, um livro, tenho certeza que você saberá como agradar sua pessoa amada, basta pensar um pouquinho e uma ideia irá brotar em sua cabeça. Com muita criatividade e um pouco de dinheiro você encontrará uma maneira perfeita de dizer “Eu te amo” e surpreender essa pessoa.

5. Faça (sem a pessoa pedir)

Escolha alguma coisa para ajudar sua pessoa amada e faça sem que ela tenha que pedir você para fazer. Se sua esposa é quem arruma a cama todas às manhãs, arrume para ela sempre que lembrar, se você geralmente tem de ser praticamente “rebocado” para ajudar com as louças na cozinha, surpreenda… vá e lave tudo com carinho. Encontrar maneiras de melhorar o dia da pessoa amada deixa transparecer o quanto ela é importante pra você.

6. Dêem as Mãos

Assim como abraçar, dar as mãos é algo que podemos deixar meio de lado depois de algum tempo de convivência. Experimente dar as mãos a sua pessoa amada enquanto estiverem andando nas ruas, ou enquanto esperam uma refeição no restaurante. Manter contato físico é importante para se sentirem perto um do outro emocionalmente. É especialmente importante se for preciso conversar sobre um assunto difícil ou importante. Dar as mãos pode também ser um gesto de suporte se sua pessoa amada se sinta pra baixo ou magoada.

7. Faça uma Refeição Especial

Se na Sexta-feira vocês geralmente saem para comer fora, que tal mudar uma vez ou outra e cozinhar? Elabore em um prato especial para sua pessoa amada (não precisa ser uma ocasião especial pra isso). Lembre-se do cardápio predileto dela, dedique-se a preparar a mesa de forma com que ela fique realmente surpresa com sua atitude, e novamente você está dizendo “Eu te amo” sem falar uma palavra. Esse mesmo exemplo vale para quem come em casa todas as Sextas, que tal variar um pouco e surpreender levando a pessoa amada em um lugar que ela goste?

8. Se vista Bem

Tenho certeza que nos primeiros momentos do relacionamento você se preocupava com o visual, tentando sempre estar com boa aparência. Claro que é maravilhoso chegar a um nível de intimidade onde você pode ficar de pijamas, ou vestir aquela camisa grande e com a gola velha e desbotada… mas se vestir bem em algumas ocasiões pode trazer uma pitada de novidade e um ar diferente no relacionamento. Em uma de suas escapadas, vá a um restaurante diferente, talvez até mais requintado… algo que não venha a te prejudicar financeiramente, ou apenas vista-se bem para um jantar a dois em casa. Você vai ver como isso pode fazer a diferença.

9. Massagem nos Pés/Ombros/Costas

Nossa vida é corrida e pode ser estressante, após um dia de trabalho quem não gostaria de receber uma bela massagem? Uma massagem nos pós, ombros, costas é uma outra ótima maneira de dizer “Eu te amo” e me preocupo com seu bem estar e conforto. E como já foi dito, é outro contato físico, o que também é importante.

10. Escute

É fácil falar ao mesmo tempo ou simplesmente não prestar atenção no que sua pessoa amada está falando, você pode estar mais atento ao noticiário, lendo um jornal, respondendo um email, etc. Aprenda a ouvir sua pessoa amada - quando ela deseja falar, pare o que você está fazendo, direcione sua atenção ao que ela tem a lhe dizer. Aprenda a escutar até mesmo o que ela não diz: suas preocupações, problemas e até mesmo pequenas dicas de coisas que ela gosta. Olhe para a pessoa e deixe-a saber que você realmente está ali e naquele momento você está dedicado ao que ela tem a dizer. Faça o teste e dependendo da situação você vai se assustar com a reação da pessoa ao perceber que ela realmente está sendo escutada.

Estou certo que existem muitas outras maneiras de dizer “Eu te amo” sem ser verbalmente - quais as maneiras você conhece ou usa para demonstrar seu amor? O que a pessoa que você ama já fez para você e realmente te surpreendeu?

Com vocês ao serviço d’Ele
Thiago Oliveira Braga

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Reiterado agradecimento


Galera, o aniversário passou e fiquei super feliz com as mensagens pelo celular, e-mails, ligações,scraps,twittadas e por mais difícil que possa vir a ser as congratulações feitas pessoalmente (é verdade, hoje em dia AINDA existem gestos concretos).
Muito obrigado a todo pelo carinho, tanto pelos de longe quanto os que estão pertinho, me alegro com todos vocês no dia de hoje.


Eu anotei todas as maneiras as pessoas se dirigiram a mim, daí você tira como as formas são as mais ecléticas que poderia imaginar, mas independente de como se dirige, o importante é que seja sincero e de coração.
Thiago
Thi
Parceiro
Meu vei
Cara
Sofredor
Filhote
Thiagão
Ceará
Guri
Vozão
Rapaz
Meu Brother
Thiaguinho
Carniça
Brow
Rapaz
Herói
Garoto
Pessoa mais irritante da face da terra
Mah
Doutor
Grande
Cearense mais querido do Brasil
Marmota
Maxu rei
Carinha
Titi
Lindão
Santo
Mano
Meu irmão em Cristo
Bichão
Veio

Todas forma dirigidas a mim,só tenho mais é que ficar feliz com essas manifestações.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

E já se passaram 28 anos


Essa foto foi registrada a exatos 10 anos,depois de uma aula do Pacifico a galera me fez essa surpresa.Ganhei um cartão gigante e ainda me deixaram em casa. Galera era muito gente boa e cada item que está sobre a mesa foi uma lembrança dos meus colegas da turma do 3° ano no Colégio Marista Cearense. Bom relembrar, melhor ainda CELEBRAR.


"Nas tuas mãos (, Deus), estão os meus dias" Sl 31:15



Para quem não sabe dia 20 de Outubro é meu aniversário. Sim, 28 anos. 28 anos de vida. Vinte e oito. Eita lasquera. Vinte e oito anos felizes.

E escrevo essa mensagem com grande alegria no coração, pois o ano de 2009 foi um ano atípico. Tenho vivido intensamente todos eles, mas a sensação de perda de tempo que outrora tive em anos anteriores não posso dizer que senti nesse ano.

2009 foi o ano em que meu irmão (José Braga)casou, foi pai do João Pedro e de quebra eu virei tio e meus pais vovô e vovó. Pude curtir muito minha família, a muito que não aproveitei, desde de assistir e comentar sobre novelas a pescar com meu tio nos verdes mares cearenses.

No final do semestre estarei concluindo minha trajetória acadêmica no curso de Filosofia,e com a convicção de que não existe tempo pra quem não desistiu de sonhar. Entrei na UECE com 25 anos, com grandes adversidades, mas não saio, apenas fecho um ciclo e espero que em breve tenha oportunidade de vivenciar outros.

10 anos que conclui meu ensino médio e um grande pretexto de para poder (re)encontrar com vários que não vejo e que escreveram uma bonita história no Colégio Marista Cearense.

Ano em que vejo meu time do coração, o Ceará Sporting Clube fazer uma linda campanha na série B, e que depois de 16 anos subirá para disputar o brasileirão. O campeonato só acaba dia 28 de Novembro, mas já pressinto que independente da posição, ele chegará ao acesso. Obrigado CEARÁ S.C.

Mas não poderia falar que esse ano foi oportunidade de ver crescer. Aos adolescentes dos quais caminho, no trabalho eclesiástico do qual faço parte (Conectados)Eu gosto de ensinar adolescentes.Não sei bem porquê,apenas gosto.Às vezes desconfio dos motivos.Acho que em nenhuma outra faixa etária estarei perto de pessoas que são a tradução do que são pessoas que simplesmente SONHAM.

Muito obrigado a todo pelo carinho, tanto pelos de longe quanto os que estão pertinho, me alegro com todos vocês no dia de hoje. Deus abençoe a vida de cada um.

Muito Obrigado.

Capital do Ceará 20 de Outubro de 2009.

domingo, 18 de outubro de 2009

O Operário Em Construção



Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.


De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.


Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
-Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.


Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.


Foi dentro da compreensão
esse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
-Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.


E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.

E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.


E o operário disse:
Não!E o operário fez-se forte
Na sua resolução.


Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
-"Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.


Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.


Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.

Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.


Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.

O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!


– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.

Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.


Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.

E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Composição: Vinicius de Moraes

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. (Cora Coralina)


Hoje é dia do professor (também é aniversário do meu irmão,que é professor,mas vamos falar dessa profissão tão significativa).Se Brasília gostasse dos professores 1% do que gosta e puxa o saco dos políticos, o Brasil estaria noutra situação. Ou não? No Japão, QUASE todos devem reverência ao Imperador, QUASE porque o professor é reverenciado até pelo imperador, ou seja, ele que se curva ao professor. Isso é que é reconhecimento.


E para que você pense com muito carinho nessa figura tão importante e escanteada de nossa sociedade, publico aqui, para sua reflexão.


Analfabeto Político*

Bertolt Brecht


O pior analfabeto

É o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala,

Nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,

O preço do feijão, do peixe, da farinha,

Do aluguel, do sapato, do remédio,

Dependem das decisões políticas.


O analfabeto político

É tão burro que se orgulha

E estufa o peito dizendo

Que odeia a política.


Não sabe o imbecil que,

Da sua ignorância política

Nasce a prostituta, o menor abandonado,

e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista,pilantra,

corrupto e o lacaio

dos exploradores do povo*


há outras versões sobre o final do poema mas, acredito que a tradução mais fiel seja esta.

É, se você conseguiu ler até aqui, agradeça ao professor!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Faça diferente, faça diferença


“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente:

não aceites o que é de hábito como coisa natural,

pois em tempos de desordem sangrenta,

de confusão organizada,

de arbitrariedade consciente,

de humanidade desumana,

nada deve parecer natural,

nada deve parecer impossível de mudar.”


Bertold Bretch

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Contrário


"Amar significa amar o que é difícil de ser amado, do contrário não será virtude alguma;

Perdoar significa perdoar o imperdoável, do contrário não será virtude alguma;

Fé significa crer no incrível, do contrário não será virtude alguma.

E esperar significa esperar quando as coisas são sem esperança, do contrário não será virtude alguma".

G. K. Chesterton

domingo, 27 de setembro de 2009

Se liga

"Ao buscar a Deus, devemos nos preparar não somente para rever nossos conceitos,mas também para mudar nosso estilo de vida."
John Stott

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dicionário do Ceará

ABESTADO
Otário
AI’ DENTO
Resposta a qualquer provocação
AMARELO QUEIMADO
Cor laranja
ARRE EGUA!
Interjeição que pode significar qualquer coisa a depender do tom de voz e da ocasião (alegria, irritação…)
AVALIE
Imagine
AVEXADO
Apressado
BAIXA DA ÉGUA
Lugar distante
BILA
Bola de gude
BILOTO
Botão
BOCA QUENTE
Lugar perigoso
BUNEQUEIRO
Quem bota boneco (ver “butar buneco”)
BUTAR BUNECO
Criar confusão, perder a linha, farrear bastante
BURRINHO
Garrafa de Coca-Cola cheia de cachaça
CAPAR O GATO
Ir embora
CAXAPREGO
Lugar distante
CEROTO
Sujeira preta na pele devido a falta de banho
CHABOQUE
Tampo. “Chico deu uma topada que tirou o chaboque do dedo”
CHAPA
Radiografia; dentadura
CHEI DOS PAU
Bêbado
CHULIPA
Tapa na orelha com um dedo no sentido vertical
CIBAZOL
Coisa sem valor. “Não vale um cibazol”
COMEDIA
Programa divertido. “Hoje nos vamos pras comédias”
CORRALINDA
Coisa linda, pessoa bonita
CORRER FROUXO
Ter em abundância. “Ali o dinheiro corre frouxo”
CRUZETA
Cabide para camisas e calças
CUSTAR –
Demorar. “O onibus está custando muito”
DAR O PREGO
Enguiçar
DIABEISSO!
Que diabo é isso! Expressão de espanto.
DISTRENADO
Sem graça. “Fica todo distrenado quando elogiado”
EMPRIQUITAR
Cismar, não aceitar.
ENGABELAR
Enganar, iludir
ESCROTO
Bom de briga; cafajeste
ESTRIBADO
Cheio da grana
FRESCAR
Fazer uma brincadeira. “Se zanga não, to só frescando”
FULERAGE
Coisa sem valor
FUMANDO NUMA QUENGA
Puto da vida
GALALAU
Homem alto
GASGUITA
Mulher com voz esganiçada.
GASTURA
Mal estar
GATORRÉI
Prostituta
GIGOLETE
Passadeira, diadema, arco
GUARIBADA
Dar uma caprichada
INGEMBRADO
Torto
ISPILICUTE
Do inglês “She’s pretty cute”. Engraçadinha
ISPRITADO
Enfurecido
ISTRUIR
Desperdiçar
LERIADO
Conversa fiada
MACHORRÉI
cara, amigo, o meu…
MAGOTE
Bando, grupo
MANE BOFÃO
Conhecido “restauranteur” de Fortaleza, especialista em pratos finos tais como: panelada, buchada, sarrabulho, tripa de porco, rabada,sarapatel e mão de vaca.
MANGAR
Ridicularizar.
MARMOTA
Coisa estranha
MELADO
Bêbado
MEROL
Bebida
MININORRÉI AMARELO
Criança chata
MIOLO DE POTE
Coisa sem importância
MOI DE CHIFRE
Corno
NUM FRESQUE NÃO!
Pare com essa brincadeira!
PAI D’EGUA
Porreta, legal, bacana
PAO SOVADO
Pão de massa fina
PASTINHA
Franja
PASTORAR
Vigiar
PELEJAR
Tentar exaustivamente
RACHA
pelada, jogo de futebol
REBOLAR NO MATO
Jogar fora, atirar
REBORREIA
Resto, coisa que não presta
RESPEITE!
Expressão usada quando uma coisa é muito boa. “Respeite a festa de ontem”
SABACU
Surra
SEM FUTURO
Mau negócio, pessoa despreparada
SIBITE BALEADO
Pessoa miúda (”sibite” é um pequeno pássaro)
SO O BURACO E A CATINGA
Pessoa dismilinguida. “Ele pegou uma gripe ta que é so o buraco e a catinga
SO O MI
Diz-se de alguma coisa muito boa
SUSTANÇA
Energia dos alimentos. “Rapadura tem sustança”.
TEM E ZE
E muito difícil. “Tu ganhar de mim na sinuca? Tem E ZE
TIRA A MACAUBA DA BOCA
Quando alguém fala de forma ininteligível
ULTIMO TIRO NA MACACA
Diz-se de uma mulher que completou 30 anos e não se casou
VARAPAU
Homem alto
VERMINOSO
Fominha (futebol)
VEXADO
Apressado
ZUADENTO
Barulhento
ZAMBETA
Cambota
Saudações do cearense, que cada dia mais se apaixona pelo lugar que nasceu.
Thiago Oliveira Braga

Faça diferente,faça diferença


É hoje.
Vale bicicleta, vale pegar ônibus, vale andar, vale correr e vale até chegar atrasado (eu mesmo já justifiquei meu atraso pra professora na UECE!). Só não vale tirar o carro da garagem.
Um dia que foi idealizado pelos franceses e vem ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo afora. O mundo (e todo mundo) agradece.
Como eu já venho praticando "DUATLON" desde de que me entendo por gente (Busão e Canela) acho pertinente a ação, faço votos que os cearenses tenham prazer em imitar boas iniciativas como essa.
E vida que segue ... sem carro (pelo menos por hoje)