Quem sou eu ?

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Capital do Ceará, Ceará, Brazil
cearense,ex aluno Marista,canhoto,graduado em Filosofia pela UECE, jogador de futebol de fds, blogueiro, piadista nato e sobretudo torcedor do Ceará S.C. Não escreveu livros, não tem filhos e não tem espaço em casa para plantar uma árvore.

domingo, 8 de março de 2009

M de Mulher


"Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas"

Sêneca


Seus Malabarismos Mágicos Manipulam Marionetes.
Meninas, Mães, Madres, Marquesas e Ministras.Madalenas ou Marias.

Marinas ou Madonas.
Elas são Manhãs e Madrugadas.
Mártires e Massacradas.
Mas sempre Maravilhosas, essas Moças Melindrosas.
Mergulham em Mares e Madrepérolas, em Margaridas e Miosótis.
E são Marinheiras e Magníficas.
Mimam Mascotes.
Multiplicam Memórias e Milhares de Momentos.
Marcam suas Mudanças.
Momentâneas ou Milenares, Mudas ou Murmurantes,Multicoloridas ou Monocromáticas, Megalomaníacas ou Modestas,Musculosas, Maliciosas, Maquiadoras, Maquinistas,Manicures, Maiores, Menores, Madrastas,Madrinhas, Manhosas, Maduras, Molecas,Melodiosas, Modernas, Magrinhas.
São Músicas, Misturas, Mármore e Minério.Merecem Mundos e não Migalhas.Merecem Medalhas.
São Monumentos em Movimento, esses Milhões de Mulheres Maiúsculas.

Neste Dia Internacional da Mulher, 08 de março, congratulo com todas as mulheres que faz o Mundo um pouco menos trágico e muito mais belo.
Créditos:
Autor do texto: desconhecido
Foto: Max Marduque.
Foram fotografadas no ESPAÇO CONECTADOS Isabelle e Sara, na noite do dia 6 de Março de 2009.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Jeitos de Amar



E perguntou pela terceira vez: - Simão, filho de João, você me ama? Então Pedro ficou triste por Jesus ter perguntado três vezes: "Você me ama?" E respondeu: - O Senhor sabe tudo e sabe que eu o amo, Senhor! E Jesus ordenou: - Tome conta das minhas ovelhas.(João 21:17)


Uma personagem põe-se a lembrar da mãe, que era
danada de braba, mas esmerava-se na hora de fazer
dois molhos de cachinhos no cabelo da filha, para
que ela fosse bonita pra escola.


"Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor".
É comovente porque é algo que a gente esquece:
milhões de pequenos gestos são maneiras de amar.
Beijos e abraços são provas mais eloqüentes,
exigem retribuição física, são facilidades do corpo.


Porém há diversos outras demonstrações mais sutis.
Mexer no cabelo, pentear os cabelos, tal como
aquela mãe e aquela filha, tal como namorados
fazem, tal como tanta gente faz: cafunés.
Amigas colorindo o cabelo da outra, cortando
franjas, puxando rabos de cavalo, rindo soltas.


Quanto jeito que há de amar.
Flores colhidas na calçada, flores compradas, flores
feitas de papel, desenhadas, entregues em datas
nada especiais: "lembrei de você".
É este o único e melhor motivo para azaléias,
margaridas, violetinhas.

Quanto jeito que há de amar.
Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de
carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta
respondida, uma mensagem pelo celular, repartir o
que se tem, cuidados para não magoar, dizer a
verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com
carinho, se for para evitar feridas e dores desnecessárias.

Quanto jeito que há de amar.
Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma
lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de
alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro
pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em
quem não consegue fazê-lo só, ouvir os velhos,
ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir.

Quanto jeito que há de amar.
Orar por alguém, vestir roupa nova pra
homenagear, trocar curativos, tirar pra dançar, não
espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir,
visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, cds,
brinquedos, brincar...

Quanto jeito que há.


Adélia Prado

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Porque sofremos ?



“O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden ( delicias ) para cuidar dele e cultiva-lo. E o Senhor Deus ordenou ao homem: “ Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá.” Gn2.15. NVI



George Barna, perito em pesquisa de opinião pública, foi encarregado de questionar as pessoas sobre o que perguntariam a Deus se tivessem oportunidade de assim fazê-lo. Por uma esmagadora margem de vantagem, a pergunta mais recorrente foi: Por que há tanto sofrimento no mundo?

Para respondermos a essa pergunta é necessário fazermos uma reflexão séria sobre o que a Bíblia tem a dizer sobre Deus e o homem, e sobre a condição de um para com o outro.

Sobre Deus a Bíblia diz que ele é amor 1 Jo. 4.8. Deus não tem o amor ele é a propria manifestação do mesmo, a essencia dele. O amor se manifesta em três níveis: a miséricordia, a paciência e a graça que é o beneficio outorgado a nós sem merito, é um favor imerecido.

Ele é santo Ez. 39.7. A palavra santo contém a idéia de separação. A santidade de Deus expressa-se mediante a retidão, Deus estabeleceu um governo moral neste mundo, isso significa que Ele decretou leis sob as quais devemos viver (Ex. 20.1-17). A santidade de Deus expressa-se também mediante a sua justiça Ele administra as suas leis com equidade; recompensando os que lhe obedessem e castigando os que não lhe obedessem, é o que os teologos chamam de justiça punitiva e remunerativa. A santidade de Deus se vê obrigada a nos castigar, mas não a nos recompensar, a essa remuneração denominamos graça.

Sobre o homem a Bíblia diz que ele é um ser criado por Deus e dependente dele ( Gn. 1.26,27; 2.7,21-23. ) e que este ser dependente decidiu se emancipar de seu criador, adotando assim uma atitude de rebeldia e desobediência contra Deus ( Gn.2.16,17; 3 ), transgredindo assim o mandamento divino recebendo assim a punição e as consequencias de seu ato.

A esse ato os teologos denominam de pecado original. Agostinho diz “ o pecado é essencialmente negativo: é o deixar de seguir a orientação divina ; é a não obediência diante do aviso que esclarece a vontade de Deus.”

O pecado de Adão consistiu numa oposição a Deus, recusando-se a deixar que Deus determinasse o curso de sua vida desse monento em diante o ser humano corrompeu-se em sua natureza e passou a ter aversão a Deus e as suas leis.

Esse ato teve consequências terriveis sobre a raça humana, Bruce Milne comenta: “ O pecado transtornou o homem na sua relação com Deus, com si próprio, com a ordem e o tempo (natureza), e com seu semelhante.” Sobre os efeitos desse ato pecaminoso J. Scott Horell comenta falando das cinco divisões que ele causou: 1) Espiritual (entre o homem e Deus Gn. 3.22-24; Is. 59.2); 2) Psicossomatica (do homem consigo mesmo ou em si mesmo); 3) Sociológica (o homem do homem); 4) Antro-ecológica (o homem da natureza); 5) Ecológica (a natureza da natureza).

Por essa avaliação descobrimos que a causa do sofrimento é o próprio ser humano (Pv.19.03; Lm.3.39). Descobrimos então que a causa do sofrimento não é Deus, porém, ele o usa para nossa disciplina e educação (Sl. 119.67; Pv.3.11-12; Hb. 12.5-11). Agora tentarei dar uma explicação sobre a idéia errada de que Deus esta passivo e indiferente ao sofrimento humano. O salmo 116 nos diz que Deus importa-se com o nosso sofrimento e que intervem a nosso favor, podemos ver isso também no livro de Jonas 4.10 e o no evangelho de João 11.33-36.

Devemos entender também que Deus não age de forma a quebrar ou infrigir as suas leis, em outras palavras, ele não usa o “geitinho brasileiro” para beneficiar-nos.

A maior prova disso é a cruz de Cristo onde vemos a justiça de Deus sendo aplicada em Jesus por amor a nós, é mediante esse sacrificio vicario (substituto) que reavemos nossa condição de bem-aventurança (Jo.3.16; Rm. 6.23; 5.1; 8.1,2,31-39). É Deus quem toma a iniciativa em mudar a nossa sorte e ele faz isso simplesmente porque nos ama e quer o nosso bem isso esta implicito por toda a Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Leia a Bíblia e Deus lhe abriará os olhos para que veja e entenda a imensidão do amor que ele tem por todo ser humano.
Porque Dele, por Ele e para ele são todas as coisas eternamente amém.

Por: Gilcélio Rebouças

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Usando a alavanca da vontade


"Liderar não é impor; mas despertar nos outros a vontade de fazer."


Foto: Ana Claudia Luz , em frente ao barco do Grenpeace (31/01/09) . Apresentação de Fernando Anitelli. (idealizador, condutor e diretor da trupe “O Teatro Mágico").

9° Fórum Social Mundial em Belém-PA

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pulsando em preto e branco


Um dia antes, a ansiedade. Falta cada vez menos tempo para o Vozão entrar em campo. É mais da metade da população vibrando antes mesmo de o jogo começar. No momento em que a equipe adentra o gramado, criançada à frente, antevendo futuro promissor, coração balança forte, começa a pular para cima e para baixo, se mover de um lado para o outro. Emoção pura. Do campo para as arquibancadas, os jogadores fervem o sangue com o que assistem, bandeiras tremulando, sons que fazem o concreto balançar. Isso é o meu Ceará.
Bola rolando, jogadores totalmente de branco, seja variando com o preto, se deslocam, ora lentamente, por vezes com rapidez, e a voz já quase rouca - mas não menos forte - do mais numeroso público do Nordeste e um dos maiores do País, começa a pedir garra e, se atendida, sabe retribuir. Vitória no campo, no dia seguinte açougueiro e feirante baixam os preços, vendem sem lucro, camelô dá quase de graça, para que ganhar mais? Afinal, o Ceará deles venceu, eles são vencedores, é o que de mais importante há. Torcer Ceará é isso. Isso é torcer Ceará.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

2009: 10 anos da minha turma do Colégio Cearense



http://www.colegiocearense1999.blogspot.com

Aos que me conhecem o mínimo da minha historia de vida, sabe o carinho que tenho pelo Colégio Cearense Sagrado Coração (Antigo Marista Cearense, fechado em 2007).
Naquela casa tive oportunidade de aprender tudo que sou hoje, vivi 15 anos , como aluno e posteriormente como funcionário.
Pena que o tempo é cruel e já se passaram 10 anos.Mas ainda hoje tenho saudades de tudo que passei por lá.
Até hoje passo a pé pela Católica do Ceará (assumiu as dependências antes do fechamento da escola) para "paquerar" com minha placa e beber água com gás...rsrsrsrs (é sério)
Sou Ex-Aluno da turma de 1999 e juntamente com meus colegas de caminhada, vamos celebrar os de 10 anos num emocionante reencontro.
Será um ano nostálgico , com certeza. Mas vai valer a pena.

Ex aluno SIM, Ex Marista NUNCA.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Se eu soubesse


Se eu soubesse que o mundo terminaria amanhã, hoje ainda plantaria uma árvore.

Martin Luther King Junior (15 de janeiro de 1929 - 4 de abril de 1968). Também conhecido como Martin Luther King. Pastor da Igreja Batista e ativista político norte-americano.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Definitivamente, os tempos mudaram.


Valeu galera, postei essa figura lembrando dos meus parceiros-imãos adolescentes,que muito tem contribuido na minha caminhada.
Com vocês, ao Serviço d’Ele,
Thiago

Uns falam demais,outros escutam de menos


"Lembrem disto, meus queridos irmãos: cada um esteja pronto para ouvir, mas demore para falar e ficar com raiva."
(Tg 1:19 - Nova Tradução na Linguagem de Hoje)
Pense nisso!
Em Cristo,que teve domínio próprio.
Thiago Oliveira Braga

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Salmo 103




Ah, alma minha, bendiga a Deus. Da cabeça aos pés, bendirei seu santo nome!


Ah, alma minha, bendiga a Deus, não esqueça sequer de uma única benção!


Ele perdoa seus pecados - todos eles. Ele cura suas enfermidades - todas elas.


Ele redime você do inferno - salva a sua vida!


Ele lhe coroa com amor e misericórdia - uma coroa de felicidade.


Ele o envolve em bondade - beleza eterna.


Ele renova sua juventude - você está sempre jovem em sua presença.


Deus faz com que tudo acabe bem; coloca vítimas em pé novamente.


Ele mostrou a Moisés como fazer sua obra, expôs seus planos a todo Israel.


Deus é pura misericórdia e graça; não se zanga facilmente; ele é rico em amor.


Ele não resmunga e ralha interminavelmente,


nem guarda rancor para sempre.


Não nos trata como nossos pecados merecem,


nem nos devolve a paga por nossos erros.


Tão alto como o céu está da terra, assim é forte o seu amor


por aqueles que o temem.


E tão distante quanto está o por do sol do nascer do sol,


ele nos separou de nossos pecados.


Como os pais têm sentimento por seus filhos,


Deus sente por aqueles que o temem.


Ele nos conhece pelo avesso,


tem constantemente em mente que somos feitos de barro.


Homens e mulheres não vivem por muito tempo;


como flores silvestres brotam e florescem, mas logo uma tempestade os extingue,


não deixando nada para mostrar que estiveram aqui.


O amor de Deus, no entanto, é constante e eternamente presente


para todos que o temem,


fazendo com que tudo dê certo para eles e seus filhos


enquanto seguem os caminhos de Sua Aliança


e lembram-se de fazer tudo o que disse.


Deus estabeleceu seu trono no céu; ele domina sobre todos nós. Ele é o Rei!


Assim sendo, bendigam-no, vocês anjos, prontos e aptos a voar ao seu


comando, rápidos para ouvir e fazer o que ele diz.


Bendigam a Deus, todos vocês exércitos de anjos,


alertas para responder a tudo o que ele desejar.


Bendigam a Deus, todas as criaturas, onde estiverem - tudo e todos feitos por Deus


E tu, alma minha, bendiga a Deus!



Paráfrase da Bíblia feita por Eugene Peterson.


Viver


"Quando se tem um porquê viver, pode, quase sempre, suportar um como viver"
Friedrich Nietzche

Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça


A descrença implume cairia como uma pedra
Através da plenitude de ventos ascendentes, em camadas;
o falcão de cauda vermelha voa e paira, sem pressa
Embora faminto, despreza preguiçoso
As refeições fáceis de refugo putrefato,
Esperando astutamente a presa esquiva: um vazio visível
Sobre uma invisível plenitude.
O sol pinta de cobre a cauda japonesa em leque, estampando
Penas contra o imenso céu
Para minha delícia, e abençoa
Com um feixe de luz o pássaro de melhor visão
Que se atira veloz sobre uma serpente
Em uma morte determinada pelo Gênesis

(Eugene Peterson, O Pastor Contemplativo, p. 111)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

“OUTRO MUNDO É IMPOSSÍVEL” (PARA A REDE GLOBO)


A mídia televisiva brasileira e o Fórum Social Mundial/2009
É simplesmente uma violência à sensatez o que faz a mídia televisiva nesses dias de Fórum Social Mundial (FSM) em Belém do Pará e de Fórum Mundial Econômico em Davos. Como me frustrei frente à expectativa de ter ido a Belém, decidi estabelecer relativa vigilância especialmente quanto à cobertura da mídia televisiva em relação ao evento no norte do Brasil. Apenas agreguei frustração sobre frustração.

Noam Chomsky nos conta que a primeira investida midiática visando a introjeção de valores e a produção de consensos alienantes no povo se deu em meio ao governo Woodrow Wilson, nos Estados Unidos. Diz Chomsky que a sociedade americana, à época marcada pelo pacifismo e sem ver razões para a intromissão de seu país na Primeira Guerra mundial, teria sido forjada por meio da propaganda governamental a assumir uma postura decididamente beligerante e anti-germânica.

O caso da mídia televisiva brasileira é semelhante. A ocultação das atividades do FSM por parte dela é somente mais um artifício ideológico cujo fim é manter no povo o consenso da passividade. Assim, seguimos vivendo como se essa realidade cruel e excludente na qual vivemos fosse natural, e como se ela fosse o produto de forças que estão além de nossa ação transformadora.

A “destra” mídia televisiva no Brasil prefere oferecer maior espaço à fatídica e insossa reunião de Davos para incutir na massa o devaneio de que é possível dar continuidade a um modelo econômico culpado por vitimar dois terços da população mundial. Henrique Dussell havia dito na última edição do FSM, que estamos assistindo ao último estertor de um sistema fundado em bases mancas. É verdade. Certamente Dussell estava se referindo ao pressuposto arrogante que alimenta as ações do mercado mundial globalizado neoliberal, de que vivemos num planeta de recursos ilimitados.

Não obstante, a tevê trata a reunião de Davos com a expectativa de que é possível rearranjar o falido mercado neoliberal. Realça a falta da pompa de anos anteriores, sobretudo a ausência de grandes celebridades da cultura atual, mas não se aprofunda criticamente numa reflexão sobre os porquês disso. Menciona descarada e sarcasticamente a voracidade consumista dos chineses ali presentes, e se contenta em resenhar os fatos como quem não vê nada grave diante de si, mas somente uma enxaqueca que será curada com a engenhosidade dos sacerdotes do capital.

Sobretudo a Rede Globo.

Por outro lado, o evento em Belém permanece propositalmente negado aos milhões de telespectadores brasileiros. Os diminutos flashes da tevê sequer chegam a divulgar a divisa do FSM: Outro mundo é possível.

Sim! O que o FSM vem alardeando há oito anos nada mais é que o princípio evangélico de que não se remenda pedaço de pano novo em colcha velha, e nem se põe vinho novo em vasos velhos. Se as Igrejas Cristãs teimam em não compreender que princípios evangélicos como esses não devem ficar estritamente reféns da interpretação tipicamente religiosa, os Movimentos Sociais e as articulações da esquerda mundial tomam a voz e falam em seu lugar. Se as Igrejas Cristãs não conseguem enxergar que a grande idolatria que se pratica hoje é a dirigida ao deus-mercado, ao custo da despersonalização, da invisibilidade e da mutilação de dois terços da população mundial, esses movimentos tomam a dianteira e fazem-no em seu lugar.

O FSM se constitui, dessa forma, num grito e numa articulação coletiva de quem não quer pôr remendo em pano velho. E aqui, a despeito da vexatória vista grossa que faz a mídia televisiva do Brasil, é preciso perceber que as razões para se ter esperança são muito maiores. Porque aí, outra vez em consonância com o evangelho, se crê que a esperança é um fermento que vai levedando a massa. Edgar Morin dizia que as grandes revoluções na história, em diversos domínios (político, cultural e também religioso), tiveram início na preleção pessoal de uma única pessoa. O FSM de Belém recebe cerca de oitenta mil pessoas. É um número pequeno. Mas deve ser pensado em termos de representatividade. É uma demonstração do que vem ocorrendo em variados cantos do mundo em termos de esperança utópica e de inconformidade com o presente estado de coisas.

O evento de Belém, como os demais encontros do FSM, não objetiva o fim do mercado mundial globalizado. O mercado é um dos muitos aparatos artificiais e um dos maiores construtos culturais de que se tem conhecimento. Dele decorre a sobrevivência direta de considerável parcela da humanidade. O que se objetiva, portanto, é que se relativize esse mercado, que peca, sobretudo, por produzir não em função dos interesses humanos, mas em função das demandas e necessidades exclusivas de seus próprios financiadores. Ademais, peca por manter as escandalosas relações assimétricas e neocoloniais entre países ricos e pobres, proporcionando a esses últimos a permanência crônica na condição de emergentes. Nas últimas duas décadas o grande fetiche neoliberal que vem sendo perseguido tenazmente é a construção de um sistema de relações econômicas que prescinda das intervenções estatais. Bem próxima a nós, latino-americanos, a cogitação da ALCA constitui-se exemplo eloqüente dessa hybris neoliberal.

O FSM deseja alardear também que é possível outra economia, sobretudo uma economia que seja marcada pela solidariedade. Como um exemplo, uma economia solidária não pode se resignar ante a realidade do latifúndio. A qualquer observador mais atento salta aos olhos o fato de que o latifúndio e a monocultura são sempre terríveis agressões ao homem e à natureza. O caso alagoano é dos mais conhecidos – e negligenciados – do Brasil. Uma economia solidária não pode conviver, como aqui se convive, com o fato de que apenas 24 famílias possuam 70% das terras agricultáveis do Estado.

Essa expressão – economia solidária – esconde a amplitude de sua proposta. Quer ser solidária, em primeiro lugar, com os pobres. Além disso, quer ser solidária com a natureza, sobretudo quando se trata de estabelecer relações ambientais que objetivem a produção de uma sociedade sustentável. Por fim, quer ser solidária com as futuras gerações, o que está vinculado especialmente com a questão ambiental. Deseja-se aí produzir em função das reais necessidades humanas e coletivas. Além disso, deseja-se aí romper com o sistema piramidal e concentrador da renda e dos meios de produção, criando uma atmosfera cooperativista que permeie todo o processo produtivo. As experiências que se têm feito em todo Brasil – não sem muita luta e por vezes sangue derramado – têm se mostrado muito profícuas.

A queda do Muro de Berlim, em 1989, foi recebida entre os setores mais reacionários da política e da economia mundial (e também entre boa parte da intelectualidade) como o fim das utopias inspiradas de alguma maneira pelo marxismo. Muitos viram ali a “pá de cal” na aventura esquerdista. Boaventura de Souza Santos chega a dizer que o neoliberalismo ganharia ares de objetividade, se confundindo com a própria realidade. Mas o funeral da esperança é algo sempre inconcluso! O FSM quer ser uma grande amostra disso.

Se for para transformarmos em objetividade qualquer arranjo sócio-político-econômico humano, que façamos com aquele que melhor distribua entre mulheres e homens o produto de sua atividade laboral. Façamos com aquele que melhor dignifique as pessoas e não as deixe em estado de invisibilidade. Façamos com aquele que melhor cuide do planeta, fonte de toda riqueza que o homem frui. Façamos com aquele que dê vez e voz aos pobres, para que superem sua posição de oprimidos. O FSM só existe ainda porque se crê que tais coisas são possíveis. E porque seus pares trabalham com a melhor acepção do vocábulo utopia – um lugar que não existe de fato, mas já existe no coração.
Paulo Nascimento

O que estou fazendo ?



O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
Martin Luther King Junior (15 de janeiro de 1929 - 4 de abril de 1968). Também conhecido como Martin Luther King. Pastor da Igreja Batista e ativista político norte-americano.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Que grande inutilidade



“ Que grande inutilidade!”, diz o mestre.” “ Que grande inutilidade! Nada faz sentido!”
Eclesiastes cap. 1.2 NVI


São essas as palavras de Salomão o filho do grande rei de Israel, Davi. O que mais me chama a atenção nesse livro é que ele apesar de ter sido escrito a alguns séculos atrás é tão atual quanto o jornal da manhã. Seu conteúdo é algo que esta dentro do coração de cada ser humano, ou seja, a incansável busca pela felicidade, pelo sentido da vida.

Esse é o seu grande tema, Eclesiastes nada mais é do que um sermão proferido por Salomão no fim de seu reinado sobre Israel, na sua velhice. O titulo do livro significa “ o pregador, alguém que esta falando em uma assembléia solene,” e o assunto abordado é a impossibilidade de ser feliz longe de Deus, Salomão esta dizendo ao povo de Israel que é impossível encontrar sentido na vida e ser feliz longe de Deus, alienado DEle.

Para dar peso a sua predica ele faz uso de suas próprias experiências no laboratório da vida no qual ele mesmo foi a cobaia ( Ec.2.1-11 ). Salomão fala da fase de sua vida longe de Deus quando tentou desesperadamente encontrar satisfação e felicidade longe DEle, mas a única coisa que encontrou foi frustração, depressão e solidão ( Ec.1.12-18 ).

É assim que todos nós nos sentimos quando não temos comunhão com o nosso criador, e por que nos sentimos assim? Porque há um vazio dentro de nós do tamanho de Deus, um vazio que só ELE pode preencher. Salomão tentou preencher esse vazio com coisas como a religião, o prazer hedonista, a realização de sonhos, o poder e a fama que advém das riquezas, porém, o que ele descobriu foi que tudo isso era fútil e sem valor ( Ec. 2.11 ).

Não é a religião que irá nos trazer satisfação e felicidade ( 1 Rs.11.1-8 ; Ec. 5.1-4 ) ; não é o hedonismo muito menos ( Ec. 2.1-3,8b ) ; também não é a realizações de sonhos pessoais ou de consumo (Ec. 2.4-7 ) ; e engana-se aquele que deposita suas esperanças na frivolidade das riquezas ( Ec. 2.8-10 ).

Enquanto não aceitarmos essa realidade da dependência de Deus a humanidade vivera esse caos, essa busca fútil por felicidade. Continuaremos a ser infelizes, insatisfeitos e o que é pior frustrados e decepcionados contudo e com todos.

Portanto, para que achemos satisfação e felicidade temos que ouvir o alerta de Salomão quando ele fala da impossibilidade de se encontrar felicidade e satisfação longe de Deus ( Ec. 12.1-14 ) e sigamos pelo caminho que nos leva a ELE, Jesus Cristo,em quem habita corporalmente a plenitude da divindade ( Jo. 14.6; Cl. 2.09 ). Pois, tendo um encontro com Ele temos um encontro com Deus ( Jo. 1.1; 14.8,9 ).

.
Porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas eternamente amém.

Gilcélio Rebouças

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O último pôr-do-sol de 2008


Se o tempo existe e é inflexível, não se pode menosprezar o ritual reservado para o dia 31 de Dezembro de cada ano, quando, quer tomemos conhecimento ou não, subimos mais um degrau ou viramos mais uma pagina da história. Na verdade, esse ritual é muito mais amiúde. Ele acontece a cada pôr-do-sol.

Sob o ponto de vista secular, cada dia que passa, mais distanciamos do dia do nascimento e mais nos aproximamos do dia da morte. Sob o ponto de vista cristão, cada dia que passa mais nos distanciamos do paraíso perdido e mais nos aproximamos do paraíso recuperado. Precisamos ter certeza de que nossa história não está comprimida entre a vida e a morte.

Os dois pontos de vista são contrários entre si e estamos totalmente livres para abraçar um ou outro. Mas, há de se convir que o ponto de vista secular oculta a verdade e gera transtornos sérios, inclusive emocionais. Fazemos uma resistência desnecessária e inglória às coisas do espírito. É preciso romper corajosamente e sem demora com essa cegueira doentia e atravancadora de nossa felicidade. Sob o ponto de vista cristão, cada pôr-do-sol indica que o “momento de sermos salvos está mais perto agora do que quando começamos a crer” (Rm. 13.11, NTLH). Em outras palavras, a longa noite do pecado, sofrimento e morte está terminando e a manhã de glória está chegando. Não vamos para 2009 tendo em mente exclusivamente um ano de saúde, e de sucesso. Enxerguemos, também, pela força das convicções cristãs e da fé, aproximadamente maior da plenitude da glória, pois “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória, pois “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória por vir a ser revelada em nós”! (Rm.8.18).

Elben César , pela equipe Ultimato

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

E o ano está chegando ao fim


Ultrapassamos a metade do ultimo mês do ano. Se no catálogo dos meses há humores apropriados, o de dezembro é o sentimento de fim de festa, apesar das duas grandes que nos aguardam no fim do mês, Natal e Ano Novo. Agosto é um mês insosso, sem gosto, dezembro traz uma nostalgia imponente, de quem tenta desamarrotar o terno entre os cacos no chão. Dezembrando, começamos a balançar no último trecho da elipse que a terra descreve ao querer circundar o sol. Ciclo terminal arbitrário pois arbitrário foi o início referendado. Aliás, os últimos meses do ano são de uma arbitrariedade escandalosa, se lógicos seriam chamados mais propriamente de onzembro e dozembro. Surpreendentemente, os arbítrios criados sobre os tempos e os espaços são, às vezes, os mais severos árbitros da nossa curta existência.

O olhar nostálgico de dezembro é olhar sobre si próprio, sobre o ano que passou, introspecção e retrospecção quase monástica, a vasculhar especialmente os tropeços de uma alma que jamais abandona a sua vocação imoral. Olhar inútil porque o tempo precisa de tempo para ser percebido e a demissão de Marina da Silva, a eleição de Obama e a crise das bolsas serão objetos de avaliação permanente dos escavadores da história.

Não se espera que aconteça nada de novo em dezembro, como se esgotado em suas reservas. O tempo típico de dezembro não é o futuro, mas o passando, assim no gerúndio, que um particípio voraz tenta frustrado encapsular. Se ainda não compreendemos plenamente o significado do ano de 1968, a festa de quarenta anos que é 2008, estará se revelando pouco a pouco.

É impossível escapar de certa dezembração; dezembro é detalhe em estrutura ecológica de dimensões cósmicas, impregnando o macro e o micro-universo. Os flocos de dezembro que se precipitam sobre a nossa pele não saem com água e sabão; e assim imersos nessa banheira dezêmbrica nos aquietamos adormecentes, escolhendo qualquer saudade para mastigar.

Dezembradamente, vamos nos aproximando pouco a pouco das festas que encerram mês e ano. E são festas sobre começos. Natal, celebração do começo do homem mais celebrado de nossa história ocidental; Ano Novo, recomeço teimoso da insistência da terra em arrodear o sol. Ambas são festas que reúnem passado e futuro, sendo o Ano Novo festa de passagem, festa de intervalo, nem dezembro nem janeiro, mas forçada a começar em dezembro e terminar em janeiro.

Porque por mais que dezembro nos convide à reflexão, por mais que o passado seja cheio de lições e surpresas a dezembromar, precisamos cumprir os ritos de passagem de nossa civilização e, mesmo que isso pareça uma violência, iremos necessariamente ajaneirar.
Marcos Monteiro

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Como eu te amo




Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;


Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua,


Como se ama das aves o gemido,
Da noite as sombras e do dia as cores,
Um céu com luzes, um jardim com flores,
Um canto quase em lágrimas sumido;


Como se ama o crepúsculo da aurora,
A mansa viração que o bosque ondeia,
O sussurro da fonte que serpeia,
Uma imagem risonha e sedutora;


Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:


————


Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas.


————


De mim não saberás como te adoro;
Não te direi jamais,
Se te amo, e como, e a quanto extremo chega
Esta paixão voraz!


Se andas, sou o eco dos teus passos;
Da tua voz, se falas;
o murmúrio saudoso que responde
Ao suspiro que exalas.


No odor dos teus perfumes te procuro,
Tuas pegadas sigo;
Velo teus dias, te acompanho sempre,
E não me vês contigo!


Oculto e ignorado me desvelo
Por ti, que me não vês;
Aliso o teu caminho, esparjo flores,
Onde pisam teus pés.


Mesmo lendo estes versos, que m'inspiras,
— "Não pensa em mim", dirás:
Imagina-o, se o podes, que os meus lábios
Não to dirão jamais!


————


Sim, eu te amo; porém nunca
Saberás do meu amor;
A minha canção singela
Traiçoeira não revela
O prêmio santo que anela
O sofrer do trovador!


Sim, eu te amo; porém nunca
Dos lábios meus saberás,
Que é fundo como a desgraça,
Que o pranto não adelgaça,
Leve, qual sombra que passa,
Ou como um sonho fugaz!


Aos meus lábios, aos meus olhos
Do silêncio imponho a lei;
Mas lá onde a dor se esquece,
Onde a luz nunca falece,
Onde o prazer sempre cresce,
Lá saberás se te amei!


E então dirás: "Objeto
Fui de santo e puro amor:
A sua canção singela;
Tudo agora me revela;
Já sei o prêmio que anela
O sofrer do trovador.


"Amou-me como se ama a luz querida,
Como se ama o silêncio, os sons, os céus,
Qual se amam cores e perfume e vida,
Os pais e a pátria, e a virtude e a Deus!"

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, – mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada;
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti, - Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta sofrer, por tudo eu te amo.
(...)



DIAS, Gonçalves. “Como eu te amo”.
In: Poesia completa e prosa escolhida.
Rio de Janeiro, Aguilar, 1959 p. 128.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Meu nome é crise

Há tempos não se falava tanto de mim como agora. Tudo por causa de uma crise no sistema financeiro. A África anda, também há tempos, em crise crônica - de democracia, de alimentos, de recursos; quem fala disso?

Existe ameaça de crise do petróleo; governantes e empresários parecem em pânico frente à possibilidade de não poder alimentar 800 milhões de veículos automotores que rodam sobre a face da Terra.No último ano, devido ao aumento do preço dos alimentos, o número de famintos crônicos subiu de 840 milhões para 950 milhões, segundo a FAO; mas quem se preocupa em alimentar miseráveis?Meu nome deriva do grego krísis, discernir, escolher, distinguir - enfim, ter olhos críticos. Trago também familiaridade com o verbo acrisolar, purificar. Ao contrário do que supõe o senso comum, não sou, em si, negativa. Faço parte da evolução da natureza.

Houve uma crise cósmica quando uma velha estrela, paradoxalmente chamada supernova, explodiu há 5 bilhões de anos; seus cacos, arremessados pelo espaço, deram origem ao sistema solar. O sol é um pedaço de supernova dotado de calor próprio. A Terra e os demais planetas, cacos incandescentes que, aos poucos, se resfriaram. Daqui a 5 bilhões de anos o sol, agonizante, também verá sua obesidade dilatada até se esfacelar nos abismos siderais.

Todos nós, leitores, passamos pela crise da puberdade. Doeu ver-nos expulsos do reino da fantasia, a infância, para abraçar o da realidade! Nem todos, entretanto, fazem essa travessia sem riscos. Há adolescentes de tal modo submersos na fantasia que, frente aos indícios da idade adulta, que consiste em encarar a realidade, preferem se refugiar nas drogas. E há adultos que, desprovidos do senso de ridículo, vivem em crise de adolescência...

Resulto da contradição inerente aos seres humanos. Não há quem não traga em si o seu oposto. Quantas vezes, no trânsito, o mais amável cidadão arremessa o carro sobre a faixa de pedestres; a gentil donzela enfia a mão na buzina; o aplicado estudante acelera além da conveniência! Não é fácil conciliar o modo de pensar com o modo de agir.Estou muito presente nas relações conjugais desprovidas de valores arraigados. Sobretudo quando a nudez de corpos não traduz a de espíritos e o não-dito prevalece sobre o dito. Felizmente muitos casais conseguem me superar através do diálogo, da terapia, da descoberta de que o amor é um exercício cotidiano de doação recíproca. O príncipe e a fada encantados habitam o ilusório castelo da imaginação.

Agora, assusto o cassino global da especulação financeira. Acreditou-se que o capitalismo fosse inabalável, sobretudo em sua versão neoliberal religiosamente apoiada em dogmas de fé: o livre mercado, a mão invisível, a capacidade de auto-regulação, a privatização do patrimônio público etc.Dezenove anos após fazer estremecer o socialismo europeu, eis-me a gerar inquietação ao mercado. A lógica do bem-estar não lida com o imprevisto, o fracasso, o inusitado, essas coisas que decorrem de minha presença. Os governantes se apressam em tentar acalmar os ânimos como a tripulação do Titanic, enquanto a água inundava a quilha, ordenou à orquestra prosseguir a música...

Tenho duas faces. Uma, traz às minhas vítimas desespero, medo, inquietação. Atinge aquelas pessoas que não acreditavam em minha existência ou me encaravam como se eu fosse uma bruxa - figura mitológica do passado que já não representa nenhuma ameaça.Minha outra face, a positiva, é a que a águia conhece aos 40 anos: as penas estão velhas, as garras desgastadas, o bico trincado. Então ela se isola durante 150 dias e arranca as penas, as garras, e quebra o bico. Espera, pacientemente, a renovação. Em seguida, voa saudável rumo a mais 30 anos de vida.

Sou presença frequente na experiência da fé. Muitos, ao passar de uma fé infantil à adulta, confundem o desmoronar da primeira com a inexistência da segunda; tornam-se ateus, indiferentes ou agnósticos. Não fazem a passagem do Deus "lá em cima" para o Deus "aqui dentro" do coração. Associam fé à culpa e não ao amor.

Acredito que este abalo na especulação financeira trará novos paradigmas à humanidade: menos consumismo e mais modéstia no padrão de vida; menos competição e mais solidariedade entre pessoas e empreendimentos; menos obsessão por dinheiro e mais por qualidade de vida.Todas as vezes que irrompo na história ou na vida das pessoas, trago um recado: é hora de começar de novo. Quem puder entender, entenda.

Frei Betto

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ele tudo pode fazer...




“respondeu-lhe o Senhor: quem fez a boca do homem? Ou quem faz o
mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.”

Êxodo 4:11

Com Deus à frente podemos fazer coisas nunca imaginadas. Tudo realmente se torna diferente se admitimos que Ele tudo pode fazer. Nosso papel é confiar.

Sendo instrumentos nas mãos de Deus
Nossas fraquezas ganham força
Nosso temor dá lugar
Ao servo que sabe em quem crê
Com vocês, ao serviço d'Ele, Thiago Oliveira Braga

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dia Mundial da Φιλοσοφία


Dia internacional da Filosofia

Um dia do calendário mundial dedicado à Filosofia foi o que a UNESCO instituiu para que o papel da Filosofia seja fortalecido e para que seja reconhecida sua fundamental importância para a sociedade. Uma nova data para uma prática tão antiga como é o filosofar. Esse dia é a terceira quinta-feira do mês de novembro que, pelo 6º ano vêm sendo comemorado com grandes eventos em todo o mundo e, através desses eventos, se oportunizando a criação de espaços para o diálogo intercultural, para se debater o ensino da filosofia, para gerar novas perspectivas sobre a contemporaneidade e o mundo. Esses eventos marcam a história, reacendendo os debates filosóficos em todo o planeta.

Para aqueles que buscam a reflexão em suas atividades incluindo o pensamento filosófico em seu viver...

"Toda filosofia é um combate.
Sua arma?
A razão.
Seus inimigos?
A tolice, o fanatismo, o obscurantismo.
Seus aliados? As ciências.
Seu objeto? O todo, com o homem dentro.
Ou o homem, mas no todo.
Sua finalidade?
A sabedoria: a felicidade, mas na verdade."

COMTE-SPONVILLE, André, A apresentação da filosofia, p. 14, Martins Fontes, 2002.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Nosso tempo


"Deus não exige muito do nosso tempo, nem da nossa atenção. Ele não exige nem todo o nosso tempo nem toda a nossa atenção; é a nós mesmos que Ele quer."
(C. S. Lewis).

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Reforma Protestante


No dia 31 de outubro comemora-se o aniversário da Reforma Protestante, marco importante na história do cristianismo pelo fato da mesma simbolizar um desejo de se restaurar a pureza da fé cristã, tão contaminada, na época, pelo envolvimento da igreja com o poder temporal.

Impondo a bandeira da “Sola Escriptura e Sola fidei” (Só a Bíblia e só a fé), Martinho Lutero, impulsionado por vários episódios que já vinham acontecendo ao redor da Europa, escreveu as famosas 95 teses, denunciando o desvio da igreja católica e convocando o povo cristão de então, a um retorno a fé evangélica. Denunciava ele, a cobrança de indulgência, idolatria, nepotismo e tantas outras idéias maléficas que tomaram conta do imaginário cristão de então. Martinho Lutero defendia que todos deviam ter livre acesso às escrituras, interpretando as mesmas sob a orientação do Espírito Santo e que a salvação era fruto da fé no sacrifício redentor do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Uma belíssima história de luta e muito sangue derramado, envolveu este episódio da história da humanidade e em especial do cristianismo. Hoje somos fruto daquela luta de mais de 500 anos atrás. Temos uma tradição riquíssima e cheia de “ruas” que ainda precisam ser descobertas e conhecidas até os nossos dias, com o objetivo de enriquecer ainda mais a tradição Protestante.

Olhando para os dias atuais e percebendo a total falta de conhecimento da parte de muitos que se dizem “protestantes”, mas que lamentavelmente não conhecem a história e ainda fazem questão de demonizá-la, afirmando que tradição é coisa de crente frio que não tem o Espírito Santo, ou ainda percebendo “crentes” que estão mais atualizados com o Halloween (festa das bruxas) do que com o fato da mais alta relevância histórica que é a Reforma; ficamos a pensar o que será do nosso futuro como igreja protestante nos próximos anos e por que não pensarmos logo o que será também das próximas gerações de cristãos protestantes ao redor do mundo?

A chamada igreja protestante brasileira, que é a que eu conheço um pouco, tem a cada dia se transformado numa coisa estranha e muito distante dos princípios que nortearam a Reforma; uma igreja em que o místico ocupa todas as atenções enquanto que a reflexão teológica crítica aos poucos vem sendo banida da mesma e ainda por cima acusada de ser a causa da frieza e do descaso moral e ético de muitos “crentes”; uma igreja mais preocupada com resultados, crescimento numérico e sucesso no campo empresarial do que preocupada em servir a humanidade colocando-se como a serva dos servos através de ações concretas de combate a miséria, fome, desemprego, prostituição infantil, racismo, homofobia e tantas outras manifestações de pecado em nossa sociedade; líderes religiosos que, a exemplo dos líderes da época da primeira Reforma, buscam para si títulos, poder e influência em vez de se colocarem como exemplo dos fiéis, servindo-os com suas vidas e atitudes, mediante uma vida digna, porém sem opulência; uma igreja que cresce numericamente através dos vários pacotes (G12, G5, Igreja com Propósito, Rede Ministerial, Evangelismo Explosivo, etc.) e ocupa espaço na mídia e na arquitetura das grandes cidades brasileiras, mais que a cada dia cai no descrédito das pessoas se nivelando por baixo na sua conduta ética em meio ao mundo em que estamos inseridos.

Enfim, precisamos urgentemente de uma nova e vigorosa reforma no seio da igreja atual. Uma nova e vigorosa reforma que resgate os pilares teológicos defendidos pelos primeiros “pais” da tradição cristã; uma reforma que resgate o servir como exemplo de sucesso e a simplicidade, como meta a ser seguida e desejada por todos. Uma reforma que resgate a oração, a leitura e estudo da Palavra de Deus e, consequentemente, traga um avivamento de mudança de vidas e das estruturas do mundo em que vivemos, uma reforma que faça a igreja olhar para a ecologia e sua aflição em nosso planeta e que por fim, faça-nos resplandecer a luz do evangelho através de uma vida simples, séria, cheia do Espírito Santo e totalmente contaminada com o exemplo de serviço do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Pr. Wellington Santos

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

27 anos de vida.


"Nas tuas mãos (, Deus), estão os meus dias" Sl 31:15


Para quem não sabe dia 20 de Outubro é meu aniversário. Sim, 27 anos. 27 anos de vida. Vinte e sete. Eita lasquera. Vinte e sete anos felizes. Confesso que não tenho grandes motivos para comemorar, mas de maneira nenhuma perco a oportunidade de celebrar a VIDA, e desde de já agradeço as mensagens pelo celular, e-mails, ligações, e por mais difícil que possa vir a ser as congratulações feitas pessoalmente (é verdade, hoje em dia AINDA existem gestos concretos).

Muito obrigado a todo pelo carinho, tanto pelos de longe quanto os que estão pertinho, me alegro com todos vocês no dia de hoje. Deus abençoe a vida de cada um.
Muito Obrigado.

Capital do Ceará 20 de Outubro de 2008.

PS.: Pra quem não sabe agora além de professor de Filosofia, "Pastor" de Adolescentes e estudante universitário, fui convidado a ser colunista num site que fala de futebol , então é só clicar em http://www.futebolemfoco.com.br/ e prestigiar a coluna do seu amigo.
Vale a pena conferir.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Seguindo em frente, olhando para o alto.


Está chegando mais um 20 de Outubro.

Para os que convivem comigo é uma data especial, e partilho com todos aquilo que veio ao meu coração, nesses dias que antecedem a data tão especial.Obrigado pela atenção, e que Deus nos abençoe.


"Não há como construir um prédio sólido sobre uma base frágil.
Os engenheiros afirmam que os alicerces de uma construção pode ser a parte mais cara do projeto.
É cara mais é necessária.
Para construir o alicerce da Verdade é preciso sair do pensamento mágico que propõe algo do tipo um dia vou encontrar alguém que eu possa amar e que me entenderá.

O risco de viver à espera desse ser especial é não aceitar o outro e entrar no jogo do Julgamento.

Lembre-se:

Não existem vítimas e algozes, pessoas boas e más.Nos vivemos papéis complementares nos teatros da vida. Isto é, não encontramos pessoas especiais, construímos relações especiais.

O que tenho em mãos é sempre pouco, quando comparado ao que precisaria ter para realizar os meus projetos e desejos. E não importa se estou falando de tempo, dinheiro, pessoas ou poder.

Sempre o que tenho parece menos do que precisaria para fazer o que quero. Também é assim com você ?

As jóias da vida tem um preço para serem encontradas e lapidadas.
Dêem o valor devido as que fazem parte da suas histórias.
Não há atalho.
Não há caminho largo."


Thiago Oliveira Braga
Capital do Ceará,16 de Outubro de 2008.

domingo, 12 de outubro de 2008

Como viver num mundo de parcerias frouxas e eminentemente revogáveis


Zygmunt Bauman é considerado hoje um dos sociólogos mais influentes do mundo. Professor emérito de sociologia na Universidade de Leeds e na Universidade de Varsóvia, seu livro mais recente é “Amor Líquido - Sobre a Fragilidade das Relações Humanas” (Rio de Janeiro: Jorge ZAHAR Editor, 2003) de onde tirei os conceitos e extraí citações para estas reflexões.

A tese de Bauman é que vivemos em um mundo líquido, que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço. O amor, nesse mundo líquido, é amor líquido. A tirania do mercado explica em parte esta característica rarefeita de tudo. Estamos na era do homo consumens. O que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz deve também estar preparado para suportar malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.

Estar excluído da sociedade de consumo equivale a ser um fracassado, um incompetente. Um consumidor falho fica se utilizando dos mesmos bens, e a utilização repetida o priva da possibilidade de sensações novas e inéditas. Isso os leva ao tédio e à frustração. Ser bem sucedido é conviver com novidades, variedades, e rotatividade.

Daí surge a cultura do aluguel e do descartável (e por isso mesmo mais barato). Nesta sociedade líquida, você não compra, aluga. Comprar implica posse e permanência. Alugar implica rotatividade sem ônus. O descartável pode ser facilmente substituído sem muito prejuízo: vale a relação custo benefício, ou tempo de benefício. No mercado, tudo está ao alcance do cartão de crédito, e a distância entre o desejo e sua satisfação está cada vez mais curta. E, portanto, o descarte cada vez mais rápido. A experiência sexual e relacional segue o mesmo padrão e raciocínio. Seu parceiro pode abandonar você a qualquer momento, sem o seu consentimento.

Anthonny Giddens, outro célebre analista da chamada pós-modernidade, fala dos “relacionamentos puros”, onde as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginem que estão proporcionando a cada uma satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é “por causa de” e não “a fim de”. Enquanto há razões a parceria permanece. Os parceiros já não se enxergam como construtores de si mesmos, um do outro e da própria parceria.

Parcerias frouxas e eminentemente revogáveis substituíram o modelo da união pessoal “até que a morte nos separe”. Bauman chama isso de “relacionamentos de bolso”, que compara com vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde. Por esta razão, a “sociedade líquida” prefere os relacionamentos diluídos, para que possam ser aproveitados. Os compromissos intensos e de longo prazo são uma armadilha a ser evitada. O compromisso fecha a porta para novas possibilidades (quem sabe, até melhores). Mantenha sempre sua porta aberta, dizem os “especialistas”.

Viver juntos foi substituído por ficar juntos. A convivência foi substituída pelos encontros episódicos. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com sexo. O divórcio foi substituído pelos CSS - casais semi separados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar sem qualquer compromisso, promovendo relações fantasiosas ou profundas protegidas pelo anonimato. Ralph Waldo Emerson acertou ao afirmar que “quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar desforra na quantidade”.

Na compulsão de tentar novamente, e obcecado em evitar que a atual experiência sabote a futura, ou sempre em expectativa de que o melhor está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar, as pessoas acabam desaprendendo o amor, tornam-se incapazes de amar. A sensação de que se pode ser abandonado, substituído a qualquer momento impede a entrega total, e porque não se entrega totalmente, o amante parcial vive com a constante sensação de que está vivendo um equívoco, ou que está esquecendo algo, ou deixando de experimentar alguma coisa. Isso faz com que o amante parcial viva carregado de ansiedade. E, pior do que isso, está condenado a permanecer para sempre incompleto e irrealizado. Bauman diz a respeito que estão “numa viagem nunca termina, o itinerário é recomposto em cada estação, e o destino final é sempre desconhecido”.

A resposta cristã para esta “sociedade líquida” que vive de “amores líquidos” deve considerar, pelo menos, três fatos. Em primeiro lugar, lembre-se que o amor encontra seu significado, não na posse das coisas prontas, completas e concluídas, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas. Martinho Lutero nos adverte que “o amor de Deus não se destina ao que vale a pena ser amado, mas cria o que vale a pena ser amado”. Em outras palavras, não espere pessoas prontas, caminhe com elas rumo à maturidade.

Lembre-se também que o amor não é um caminho de satisfação, mas de transformação e realização. Hans Burki ensinou que “mais da mesma coisa nos deixa no mesmo lugar”. Em outras palavras, quando seu relacionamento não estiver satisfatório, não mude parceiro ou parceira, mude o relacionamento.

Finalmente, lembre-se que o amor não é um episódio, mas uma caminhada comum. Não acontece na relação superficial, esporádica, virtual, meramente física, mas num relacionamento de proximidade que conduz à intimidade em direção à profundidade do ser que ama (dos seres que se amam). Em outras palavras, não confunda paixão e sexo com amor.

A sociedade anticristã não vive da negação do que é cristão, mas da deturpação. Para deturpar, você priva, exacerba (exagera) ou distorce. O amor líquido é uma falsificação do amor sólido. Isto é, para conspirar contra o amor, o diabo não precisa semear o ódio (a maioria rejeita), basta semear o amor líquido. A sociedade líquida está iludida. Carece de gente que viva relacionamentos de “amor sólido” para que conheça a verdade e seja liberta de sua ilusão.

[Ed René Kivitz]

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

acautelai-vos ...


“... acautelai-vos que ninguém vos engane. Pois muitos virão em meu nome dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.” Mt. Cap.24.4,5.


Depois de seu nascimento a Igreja de Cristo começou a enfrentar oposição de seu maior inimigo, o diabo, e a primeira arma usada por ele foi a perseguição, a segunda foi mais sutil, e o apóstolo Pedro a denuncia em sua segunda epístola chamando-a de heresia (2Pe. Cap.2.) que é o mesmo que sofisma, uma mentira propagada como sendo verdade. Essa arma ainda hoje é usada por ele e esta levando muitos cristãos ao erro e gerando muita confusão no meio do povo de Deus.
Paulo em sua epístola aos colossenses fala dos quatro pilares que são a base dos que divulgam ensinos que são estranhos as Sagradas Escrituras, são eles: a filosofia humana, o legalismo, o misticismo e o asceticismo. E o que contribui para o avanço desse tipo de “doutrina” no seio do cristianismo é o fato do cristão não aceitar a suficiência de Jesus Cristo em nossas vidas, e a graça (favor imerecido) de Deus que a nós foi entregue uma vez por todas por meio do sacrifício vicário de Jesus na cruz.

O apóstolo Paulo falando aos colossenses faz um profundo sumário quando diz que em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (2.3), porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da Deidade (2.9). Ele é o Cabeça de todo principado e potestade (2.10). Ele é a própria vida (3.4)! O que mais poderia dizer o apóstolo para asseverar a absoluta suficiência de nosso Senhor?

Os cristãos hodiernos estão seguindo os mesmos passos dos colossenses quando não aceitam a suficiência de Jesus, sobre isso o Pr. John Macarthur fala com muita propriedade:
“Eles praticam uma busca fútil por algo mais. Esse é um fogo herético em parte abanado pela falsa noção de que a salvação é insuficiente para transformar os crentes e equipá-los para a vida cristã. Aqueles que estão sob a influência desta falsa noção acreditam que precisam de algo mais — mais de Cristo, mais do Espírito Santo, um tipo de experiência de êxtase, visões místicas, sinais, maravilhas, milagres, uma segunda bênção, línguas, níveis espirituais mais elevados ou mais profundos, ou o que quer que seja.”

Hoje as pregações feitas nos pulpitos das igrejas têm os mesmos quatro elementos heréticos que estavam influenciando os cristãos da igreja de colossos.Vemos pastores pregando uma conduta de vida baseada numa filosofia Kennedyana ou Huxleyana. John Kennedy defendia o cristianismo moderno ou humanisticoi e Aldous Huxley o cristianismo orientalizado, místico, o antigo panteísmo oriental.

Ouvimos que devemos orar para ter mais poder de Deus, para que possamos nos tornar cidadãos de kripton, e assim, nos tornarmos super seres. Dizem que é preciso alcançar um nirvana espiritual para sentir a presença de Deus, os tais que advogam isso nunca leram Rm 1.17; Hc 3.17,18, onde devemos viver pela fé e não por sentimentos (Jr 17.09). Nem mesmo leram Mt 6.08; Mc 12.30; Rm 12.1, se tivessem lido teriam entendido que a oração é para se relacionar com o criador, e que a base para esse relacionamento é o amor e a gratidão.
Nos orientam a praticarmos o asceticismo dizendo que o mundo jaz no maligno, por isso ouvimos não toque,não coma, não beba, não se misture com essa gentalha, os tais nunca leram os evangelhos, pois, Jesus procurava os tidos por marginais, os ladrões, as meretrizes, os não “santos”, aqueles que viviam a margem da “santa”sociedade. Jesus nunca disse palavras asperas com aqueles que já estvam em frangalhos por uma vida de pecado e de ausência de Deus, nunca os trancafiou no inferno antecipadamente, nunca tripudiou em cima de suas desgraças ou ficou feliz com a sua queda (pobre Caio, Jymie, Napoleão, etc ).

Por isso, para que a igreja exorcise e erradique esse mal sigamos o conselho de Jesus “...acautelai-vos que ninguém vos engane...”, e observemos com atenção o lema da Reforma de Lutero: sola Gratia, sola Fide, sola Escriptura, solus Christus, sole Deo Glória.

Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas eternamente amém.

Gilcélio Rebouças

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

As incoerêcias



Saber o que se deve fazer
Fazer o que é preciso saber
Fechar os olhos para aquilo que se sabe
E fazer aquilo que não se deve.
Isso é...

Praticar a eloqüência
Apenas para discursar
E praticar o discurso
Apenas na eloqüência.
Isso é...

Ao planeta foram dados os animais e os homens,
Aos animais foi dado o instinto selvagem,
Aos homens foi dado o raciocínio e inteligência,
Com o raciocínio e inteligência criou-se o instinto selvagem,
Isso é...

O discurso consegue mostrar:
Árvores, os ventos nas folhas, o riacho com águas cristalinas;
Mas na pratica só se vê: moveis, ventos poluídos e esgotos cristalinos.
Isso é...

Alguns lêem:“Busquem, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua Justiça...”
São palavras de um grande homem
Muitos sabem, mas praticam:A busca do reinar em primeiro lugar, para se obter todas as coisas.
Isso é...

Trabalhar com as palavras é muito bom;
Externar o que se pensa faz bem;
Refletir sobre a vida é um privilegio;
Ter atitudes certas é só para os sábios.
Isso é coerência!

Pedro Pimenta

Grito da terra


Mete a mão no barro e argila
Construa tudo o que quebrou
Plante arvores em meio as calçadas
E deixe a cidade ruir
E voltar a ser a terra que suja os seus pés
Mas que dá a mais fina flor
Que enche o mundo de amor

Esqueça de trabalhar
Leve na bolsa sementes para cultivar
Quem planta amor, amor colherá.
Quem planta bondade, bondade terá.
Quem planta um mundo melhor, mais feliz viverá.


Ande descalço na chuva
E deixe o sol te secar
Esqueça as contas não pagas
E caminhe com seus pés no mar
Converse com os peixes, cante com o vento e corra com o ar.
E assim irás descobrir a vida proposta pra ti.

Calebe Ribeiro

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Investigar,refletir e construir


A crise de valores fragmenta os padrões éticos e cria uma atitude amoral no cotidiano.Quem são os responsáveis?

Estamos passando por mais um processo eleitoral. Em geral,e por repetidas vezes, afirma-se que a atual realidade brasileira decorre da existência de políticos corruptos. Entretanto, a política é norteada por valores, e está diretamente relacionada a Ética. Segundo Aristóteles, em Ética a Nicômaco, a finalidade da política é a vida justa e feliz. Assim, segundo o filosofo, o ideal ético se realiza pela política, pois esta visa alcançar o bem. Mas seria o bem comum um de nossos valores?

Penso que a corrupção vista no Congresso Nacional é reflexo da micro-corrupção praticada em nosso cotidiano. Só há tolerância à corrupção em sociedades nas quais esses valores estão arraigados.

Na verdade, a nossa sociedade vive uma crise de valores marcada por uma tendência pós-moderna que fragmenta a Ética numa pluralidade de éticas (política, educacional, médica), fazendo com que o individuo se mostre nos mais diversos lugares e de diferentes formas. Isso permite que a relação entre as pessoas se torne amoral, de modo que seus objetivos, de caráter individualista, sejam alcançados sem depender de uma ética universal.

Interesses privados

Por que a mesma pessoa que contesta um político nepotista deixa o amigo entrar na sua frente numa fila? Qual é a diferença entre um político que emprega o irmão e uma pessoa que permite que alguém fure a fila na sua frente? Ambos utilizam sua posição em favor de interesses privados e, assim, são nepotistas.

A questão principal é: por que não percebemos essas ações? Por que não percebemos que na verdade nossa “democracia” – a de uma sociedade na qual o interesse privado prevalece sobre o público – tem um Estado que não está voltado para o bem comum?

Essa fragmentação ética está enraizada, que não percebemos que agir com valores variáveis compromete os interesses coletivos. Pois, se defendermos um todo, isto deverá permanecer em todas as esferas da vida (pública e privada): em casa, no trabalho, nas férias...

A ética aristotélica é universal e é aquela a qual se pretende retornar. Mas, para que ela se efetive, é necessário ter moral fixa, a que todos sigam rigorosamente, pois a corrupção, o nepotismo e o clientelismo só ocorrem porque muitos se omitem ou infringem leis e princípios morais. Além de atos violentos contra o coletivo, há certa moral por trás desses atos que é sustentada por todos que compõem, atos que se repetem quase que involuntariamente em nosso cotidiano.

Assim, mais importante do que compreender nossa visão patriarcal de sociedade é entender que esta é formada por todos e que nossos valores muitas vezes são criados e reproduzidos por nós mesmos. Portanto, está sob nossa responsabilidade a construção do Brasil, e não precisamos esperar por um político ideal, que nunca se revela.

Thiago Oliveira Braga

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Eu sei mas não devia de Marina Colassanti

"EU SEI QUE A GENTE SE ACOSTUMA. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundose a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos. E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.E a fazer filas para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes. A abrir as revistas e a ver anúncios. A ligar a televisão e a ver comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. A luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. A contaminação da água do mar. A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-seda faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,de tanto acostumar, se perde de si mesma"

Marina Colassanti

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O que faz o Ceará ser Ceará.


As redes do Ceará têm o punho grosso e são embelezadas com varandas de crochê. Todo bom cearense adora dormir, fazer amor, preguiçar e até convalescer de doença grave numa rede gostosa.

As mangas do Ceará são carnudas. A casca da manga-rosa parece uma aquarela onde se misturam amarelo, vermelho e verde. Seu perfume acaba com qualquer fastio. Já os abacates são enormes, tão grandes que passariam por melancias se não crescessem no alto do abacateiro. A siriguela é a melhor fruta do mundo. Isto é, se for colhida madura, no pé. Não tem uva moscatel que calce o seu chinelo.

A farinha do Ceará é torrada com manteiga, colorau, cebola e alho para virar a melhor farofa do universo. Pense numa coisa boa! Só na cozinha cearense se come feijão verde com queijo coalho, arroz branquinho, ovo frito, bife e a legítima farofa cobrindo tudo.

O sotaque do Ceará é manhoso. Quando quer ganhar, conquistar ou convencer alguém, o cearense parece entoar um chorinho, de tão meloso. Seu português é libidinoso; uma verdadeira cantada. E quando a namorada pede, “meu bichim, vem cá”? Não há cabra macho que resista.

A chuva do Ceará é torrencial. Se São Pedro não se fizer de rogado, no inverno caem enxurradas, verdadeiros dilúvios. Que não é inverno coisa nenhuma! Só um tempo molhado e de muito mormaço. As chuvas duram no máximo cinco ou seis horas, mas vazam telhados e enchem bicas. A meninada toma banho de chuva e nada em poças que viram piscina de pobre. Bastam alguns milímetros d’água para que os garranchos cinzentos da caatinga verdejem, no mais formidável milagre da natureza.

O pôr-do-sol do Ceará é rápido. Mas sempre espetacular, principalmente para quem assiste de cima de uma duna. O governo estadual deveria cobrar dos turistas, “O Show do Mar Engolindo o Sol”. E para coroar, no lusco fusco sopra uma brisa calma e refrescante como se Deus ligasse o ar condicionado celestial.
Ceará, meu Ceará, amo-te tanto!

Ricardo Gondim

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Não tenho tempo

Não tenho tempo, é a desculpa mais barata diante das exigências da eternidade; é a objeção mais usada por aqueles que estão ‘ocupados’ em suas ‘importantes’ trivialidades; é a queixa que mais se ouve nos lábios de gente esgotada em nossa época onde existe todo tipo de implementos técnicos para economizar tempo; é a confissão mais amarga de uma humanidade pobre em sua capacidade de reconhecer o elemento eterno.

Na boca de um cristão esta expressão ‘não tenho tempo’, chega a ser uma confissão de pecado, pois Deus dá tempo para tudo o que Ele quer que se faça. Quem trabalha tanto ao ponto de não ter tempo para a quieta comunhão com Deus, o estudo da Bíblia, e o companheirismo com os outros, faz mais do que Deus espera dele.

Nos lábios da humanidade contemporânea chega a ser uma confissão de algo dolorosamente inevitável, pois somente Deus tem e dá verdadeiramente ‘tempo’. Aquele que não recebe seu tempo das mãos de Deus, o vê escapar como a areia que escorre por entre os dedos.

tempo não é somente ‘dinheiro’, o tempo é vida. Nossa vida será conforme nosso tempo, vida eterna por meio da fé em Cristo Jesus, o mesmo hoje, ontem e pelos séculos. Receba tempo cuja qualidade é eterna.Isto não significa muito tempo, ou um tempo sem limites. A eternidade é uma qualidade que faz parte da vida de Deus.

Que testemunho se chegássemos a ser cristãos com tempo para a oração e para o amor, tempo para testificar com alegria acerca de Cristo, tempo para viver.

Bem aventurados os que têm tempo, pois Deus trabalha por meio deles!

Hans Bürki
Do livro WACHEN and WAGEN.

Questões para pensar
Parte I
Como tenho gastado minha vida?
Com o que tenho gastado minha vida?
O que me tira o sono?
Parte II
Revisar as prioridades de nossas vidas.
Qual tem sido o eixo central de minha vida profissional: Afã (ânsia, empenho) ou gratidão?
Quais são as coisas ‘muito importantes’ que acabam por nos ‘roubar’ a vida?
o mais importante é aprender a viver e não somente existir!
Não é tanto o que temos, mas a nossa atitude diante do que temos!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Oração - G.K. Chesterton

Ó Deus da terra e altar
Inclina-te e ouve nosso pranto;
Nossos governantes a hesitar,
Nosso povo a vagar e morrer;
Muros de ouro nos sepultam,
Espadas de desprezo que dividem;
Não afastes de nós Teu poder,
Mas destrói para sempre o desdém.
De tudo que o terror ensina,
Das mentiras e da língua e caneta;
De toda palavra amena
Que aos homens cruéis acalenta;
Da venda e da profanação
Da honra e da espada
Do sono e da condenação,
Livrai-nos, ó Bom Senhor!
Ata em vida corda
Príncipe, sacerdote e escravo;
Une bem nossa vida,
Castiga para salvar o Teu povo;
Em ira e exultação
Inflama com fé e liberdade,
Levanta uma viva nação
Para Ti, a única espada.
Boa semana, com vocês ao serviço d'Ele
Thiago Oliveira Braga